domingo, 27 de dezembro de 2015

COMUNISMO E FASCISMO - IRMÃOS SIAMESES

Posted: 26 Dec 2015 02:11 AM PST

"Primeiro a sentença, depois o veredicto!", gritou a Rainha ("Alice no País das Maravilhas")

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S Azambuja

O comunismo e o fascismo são filhos da I Guerra Mundial, inimigos gêmeos, embora seja verdade que Lenin estivesse preparando suas concepções políticas desde o início do século. Todavia, também muitos dos elementos que deram forma, uma vez articulados, à ideologia fascista, preexistem à guerra. O Partido Bolchevique tomou o poder em 1917, graças à guerra, e Mussolini e Hitler constituíram seus partidos nos anos imediatamente seguintes a 1918, como resposta à crise nacional produzida pelo resultado da guerra.

O ódio recíproco de um pelo outro foi fundamental para o desenvolvimento dos dois movimentos. O fascismo alimentando-se do medo do comunismo e vice-versa. Isso, todavia, não impediu a União Soviética de ter tido boas relações com a Itália de Mussolini até meados dos anos 30 e de dar apoio à direita alemã em 1920 contra os vencedores da 1ª Guerra Mundial.  Posteriormente, a Alemanha de Hitler e a União Soviética, entre 1939 e 1941, durante a 2ª Guerra Mundial, foram aliados, como veremos a seguir. Por outro lado, a estratégia de "classe contra classe", ditada pelo Komintern ao Partido Comunista Alemão, constituiu-se em fator de força para a ascensão de Hitler ao Poder, em 1933, pois dividiu a esquerda alemã.

O mais interessante é a comparação interna das duas ideologias. Embora o fascismo não tivesse o mesmo pedigree filosófico do marxismo, os dois nasceram, como partidos de massa, na mesma época, logo depois da 1ª Guerra Mundial. A vitória da Revolução Bolchevique, na Rússia, foi uma resposta em nome do proletariado, e a chegada de Hitler ao poder, em 1933, na Alemanha, constituiu outra resposta, em nome da Nação.

Bolchevismo e fascismo, no entanto, tiveram a mesma matriz e o mesmo projeto de acabar com a dominação da burguesia. As duas ideologias se caracterizaram por um extraordinário voluntarismo, porque julgavam que a tomada do poder permitiria revolucionar as condições do contrato social, submetendo a economia ao controle do partido e suprimindo a liberdade das pessoas.

O Komintern, que, repetimos, nada mais era do que a vontade de Stalin transmitida a todos os partidos comunistas do mundo, facilitou, de certo modo, o desenvolvimento da extrema-direita, face às táticas que aprovou e difundiu, para poder denunciar o fascismo. Por absoluta carência de idéias sobre o que seria a sociedade comunista, essa esquerda bolchevista refugiou-se nas facilidades proporcionadas pelo antifascismo, uma palavra-de-ordem que unia comunistas e não-comunistas.

Um adolescente de hoje, no Ocidente, não seria capaz de conceber as paixões nacionais que levaram os povos europeus a se matarem uns aos outros durante quatro anos. A I Guerra Mundial foi uma luta travada entre Estados soberanos em nome de paixões nacionais, embora esse seu caráter não pudesse ser vislumbrado na época, e seus prolongamentos menos ainda. Esta foi a fundamental diferença com a II Guerra Mundial, quase que inscrita antecipadamente nas circunstâncias e nos regimes da década de 30 e, por isso, tristemente dotada desse eco tão duradouro, que a prolongou até a queda do Muro de Berlim. Ou seja, até nós.

O bolchevismo viu-se fortalecido na Europa por sua radical oposição à guerra, desde seu início, em 1914, e teve a vantagem de conferir um sentido a esses anos terríveis graças ao prognóstico precoce que fez sobre eles. Isso concorreu de forma eficaz para levá-lo à vitória revolucionária de Outubro. Ao caráter feroz da guerra, ele ofereceu remédios não menos ferozes. O que a hecatombe teve de inaudita encontrou, através de Lenin, responsáveis e bodes expiatórios: o imperialismo, os monopólios capitalistas, a burguesia internacional.
Com isso, os bolcheviques definiram, em proveito próprio, que seriam esses os inimigos a serem derrotados: uma classe internacional, que deveria ser vencida pelo proletariado mundial.

Em 1917, o que contava era a proclamação bolchevique da revolução mundial. De um "putsch" bem sucedido, dirigido por um chefe comunista audacioso, no país mais atrasado da Europa, a conjuntura fez dele um acontecimento modelo, destinado a orientar a História Universal, exatamente, como em seu tempo, fez a Revolução Francesa. Através do cansaço geral da guerra e da cólera dos povos vencidos, a ilusão que Lenin forjou com sua ação logo viria a ser compartilhada por milhões de pessoas.

Enquanto os bolcheviques tomaram o poder aproveitando-se da anarquia, os nazistas, em 1933, o tomaram brandindo o temor à anarquia. Ambos submeteram a si o Estado e, através dele e, principalmente, do partido, passaram a controlar toda a sociedade.
Ambos criaram um "inimigo do povo": o burguês, para Stalin, e o judeu, para Hitler, pois era necessário que a eventualidade de uma conspiração contra o Estado permanecesse onipresente, a fim de que o povo ficasse mobilizado e o regime, eternizado.

A ironia é que os dois regimes totalitários, idênticos quanto à sua pretensão de Poder absoluto, apresentavam-se cada um como sendo opositor ao perigo representado pelo outro.

Em toda a Europa, os militantes revolucionários remobilizados pela situação política, achavam que Lenin lhes oferecia um modelo.  Assim, rapidamente foi efetuada a bolchevização de uma parte considerável da esquerda européia, bolchevização essa que, embora tenha fracassado em levar seus partidários ao Poder, deixou partidos e idéias feitas sob um modelo único em toda a Europa e logo depois em todo o mundo.

Em seguida, foi esquecido o que a Revolução Bolchevique tinha de russo pelo que ela tinha de universal. Sobre o Palácio de Inverno, dos czares, a estrela vermelha com a foice e o martelo passou a encarnar a revolução mundial, e as peripécias da História iriam reduzindo ou dilatando, a cada geração, o prestígio desse mito, sem nunca extinguí-lo, até que Gorbachev, o último dos bolcheviques, se encarregasse, inadvertidamente, de fazê-lo com a ajuda de duas palavrinhas: "perestroika" e "glasnost".

O fascismo, por sua vez, surgiu como uma reação do particular contra o universal; do povo contra a classe; do nacional contra o internacional. Embora em suas origens ele seja inseparável do comunismo, combateu seus objetivos ao mesmo tempo em que imitou seus métodos.

O exemplo clássico é o da Itália. Fundador do fascismo em março de 1919 - mesma época em que Lenin fundava a III Internacional -, Mussolini pertencera à ala revolucionária do movimento socialista em seu país. O fascismo, com seus grupos de combate paramilitares, somente nos anos 20 e 21 ganharia extensão nacional, na batalha contra as organizações revolucionárias de trabalhadores agrícolas do norte da Itália. Uma verdadeira guerra civil que mostrou, pela primeira vez, a fraqueza do Estado liberal frente às duas forças em luta.

No caso de Hitler, o Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores existia antes dele, mas somente ganhou consistência a partir de 1919, quando da filiação de Hitler, que o animou com sua eloqüência. Embora não tivesse um passado socialista, Hitler era um admirador de Mussolini, e atribuiu à doutrina um adjetivo que iria facilitar sua ascensão: nacional-socialista.

A inovação de Hitler com relação a Mussolini foi a erradicação dos judeus, símbolos, ao mesmo tempo, do bolchevismo e do capitalismo, considerados uma potência cosmopolita demoníaca. A eles, Hitler alimentou um ódio ecumênico que reunia duas abominações distintas: o ódio ao dinheiro e o ódio ao comunismo. Oferecer à abominação, conjuntamente, o burguês e o bolchevique, através do judeu, pode ser considerada a grande "invenção" de Hitler.

Sem dúvida, o Tratado de Versalhes, ao final da I Guerra, não deixou de ter uma parte de responsabilidade sobre isso. Mas é preciso ter em conta, também, que tão logo foi dado o último tiro de canhão, defender a Nação contra a revolução comunista tornou-se mais urgente do que ensiná-la a viver em uma nova ordem internacional na qual a Alemanha já entrava enfraquecida. A prioridade do bolchevismo criou, portanto, seu antípoda: a prioridade do anti-bolchevismo.

Sem complexos de tomar emprestado o que era preciso das idéias da revolução, o fascismo passou a exaltar desmedidamente a ameaça bolchevique, e vice-versa.

Bolchevismo e fascismo entraram, portanto, quase juntos, no teatro da História. Embora ideologias relativamente recentes, hoje nos parecem - conforme o caso - absurdas, deploráveis e criminosas. No entanto, uma contra a outra fizeram a História deste século, mobilizando esperanças e paixões em milhões de pessoas.

O que torna inevitável uma comparação entre fascismo e bolchevismo não é apenas o fato de terem surgido quase simultaneamente. É também sua dependência mútua: o fascismo surgiu como uma reação ao comunismo, e o comunismo parece ter prolongado o seu tempo de vida graças ao anti-fascismo. Os Gulags, no entanto, são anteriores a Auschwitz, onde os judeus foram eliminados em escala industrial.

Embora tenham sido inimigos declarados, não deixaram de ser, também, inimigos-cúmplices.  A vontade de se combaterem os uniram, como comprovou o Pacto assinado em agosto de 1939 entre Hitler e Stalin.

O regime soviético sob Stalin, no início da década de 30, no entanto, não tem precedentes em toda a História, pois não se assemelha a nada que jamais tenha existido. Nunca um Estado teve como objetivo matar, deportar ou reduzir à servidão os seus camponeses e nunca um partido substituiu tão completamente um Estado. Nunca uma ditadura teve um poder tão grande em nome de uma mentira tão completa e, contudo, tão poderosa e tão perfeita sobre as mentes, que fazia com que os que a temiam ao mesmo tempo saudassem seus fundamentos.

A maior motivação para a cumplicidade entre o comunismo e o fascismo era a existência de um adversário comum, que as duas doutrinas inimigas exorcizavam através da idéia de que, naqueles anos, a democracia, pela qual fascistas e comunistas sempre manifestaram a mesma repulsa e que constituía o terreno ideal para a expansão de ambos, estivesse agonizante.

A sedução fundamental do marxismo era o seu caráter universalista, e o sentimento de igualdade entre todos os homens era o seu motor psicológico principal. O fascismo, por sua vez, recorreu, para destruir o individualismo burguês, apenas a frações da humanidade: à Nação e à raça. Estas, por definição, excluíam aqueles que dela não faziam parte, e até se posicionavam contra eles. Isso se refletia em uma suposta superioridade sobre os demais grupos de pessoas e de um constante antagonismo frente a eles. Àqueles que não tiveram a sorte de fazer parte da raça superior ou da Nação eleita, o fascismo propunha a opção entre a resistência sem esperança, a submissão sem honra, ou a câmara de gás.

O militante bolchevique, ao contrário, propalava ter como objetivo a emancipação do gênero humano. A revolução bolchevique pretendia-se mais universal, porque proletária. Libertaria o proletariado da única coisa que este tinha a perder: suas correntes, como escreveu Marx no Manifesto.

Todavia, o partido, dirigido por um seleto coletivo cuja opinião do primeiro dentre eles sempre foi a preponderante, sempre se intitulou o "estado-maior da classe operária". A dissolução da Assembléia Nacional Constituinte, em janeiro de 1918, no primeiro dia do seu funcionamento, a interdição dos demais partidos, a eliminação do discenso dentro do partido único, substituíram o poder da lei pelo poder absoluto do Secretário-Geral.  A palavra-de-ordem de Lenin, antes da revolução, de "todo o poder aos sovietes", não passou de uma palavra-de-ordem, pois jamais foi posta em prática.

Nessas condições, o espantoso não é que o universalismo bolchevique tenha suscitado, desde sua origem, tantos e tão ferozes adversários. O espantoso é que, isto sim, tenha encontrado tantos e tão incondicionais partidários, principalmente entre as classes mais instruídas.

Finalmente, resta uma referência sobre a analogia entre comunismo e fascismo:

Stalin exterminou milhões de compatriotas seus em nome da luta pela criação do homem-novo, e Hitler fez o mesmo a milhões de judeus, em nome da pureza da super-raça, a raça ariana.

Além disso, existiam afinidades várias e definitivas: ambos não tinham temor a Deus e eram hostis à religião e às crenças; ambos substituíram a autoridade divina pela força da evolução e do determinismo histórico; e ambos desprezavam as leis em nome de uma suposta "vontade política das massas", combatendo o presente sob a bandeira de um futuro redentor.

No entanto, existiam também diferenças, sendo a fundamental a de o fascismo ter encontrado seu berço em sociedades desenvolvidas, como o norte da Itália e a Alemanha; e o comunismo em "uma sociedade medieval, primitiva e amorfa" - conforme expressão utilizada por Antonio Gramsci, fundador do Partido Comunista Italiano -, o que parece comprovar que a educação e o desenvolvimento não conduzem, necessariamente, a comportamentos políticos racionais.

Carlos Ilich Santos Azambuja é Historiador.


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

SÍNODO DA FAMÍLIA

APELO DE MÉDICA CAI COMO UMA BOMBA NO SÍNODO DA FAMÍLIA.
17/10/2015

“A missão da Igreja é a de salvar as almas. O mal, neste mundo, provém do pecado, e não da desigualdade de renda nem das mudanças climáticas”.

A doutora Anca-Maria Cernea, uma médica do Center for Diagnosis and Treatment – Victor Babes (Centro de Diagnóstico e Tratamento – Victor Babes) e Presidente da Associação dos Médicos Católicos de Bucareste (Romênia), apresentou ao sínodo, aos 16 de outubro, o seguinte apelo ao Papa Francisco e aos padres sinodais:

Santidade, Padres sinodais, irmãos e irmãs,

Eu represento a Associação dos Médicos Católicos de Bucareste.
Pertenço à Igreja Grego-Católica Romena.

Meu pai era um líder político cristão que foi preso pelos comunistas por 17 anos. Meus pais estavam noivos, prestes a se casar, mas o casamento deles ocorreu 17 anos depois.

Minha mãe esperou por meu pai por todos esses anos, mesmo sem saber se ainda estava vivo. Foram heroicamente fiéis a Deus e ao compromisso deles.

O exemplo deles mostra que, com a Graça de Deus, se pode superar terríveis dificuldades sociais e a pobreza material.

Nós, como médicos católicos, em defesa da vida e da família, podemos ver que, antes de tudo, se trata realmente de uma batalha espiritual.

A pobreza material e o consumismo não são as causas principais da crise da família.
A causa principal da revolução sexual e cultural é ideológica.

Nossa Senhora de Fátima disse que a Rússia espalharia os seus erros pelo mundo.

Isso aconteceu primeiro com a violência: o marxismo clássico matou dezenas de milhões de pessoas.

Agora acontece, sobretudo, com o marxismo cultural. Há uma continuidade entre a revolução sexual de Lenin, passando por Gramsci e a Escola de Frankfurt, até à hodierna defesa ideológica dos “direitos” dos gays.

O marxismo clássico pretendia redesenhar a sociedade, através da violenta apropriação dos bens.

Agora, a revolução vai ainda mais a fundo: pretende redefinir a família, a identidade sexual e a natureza humana.

Essa ideologia se autodenomina “progressista”. Mas nada mais é do que a oferta da antiga serpente ao homem no sentido de assumir o controle, de substituir Deus, de organizar a Salvação aqui, neste mundo.

É um erro de natureza religiosa: é o gnosticismo.

É tarefa dos pastores reconhecê-lo, e alertar o rebanho contra este perigo.

 “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6,33).

A missão da Igreja é a de salvar as almas. O mal, neste mundo, provém do pecado, e não da desigualdade de renda nem das “mudanças climáticas”.

A solução é a Evangelização, a conversão.
Não pode ser (a solução) um sempre crescente controle do governo. Não pode ser nem mesmo um governo mundial. São exatamente estes, hoje, os principais atores que impõem o marxismo cultural nas nossas nações, através do controle da população, a “saúde reprodutiva”, os “direitos” dos homossexuais, a educação de gênero etc.

O que o mundo precisa, hoje mais do que nunca, não é a limitação da liberdade, mas a verdadeira liberdade: a libertação do pecado. A Salvação.

A nossa Igreja foi suprimida pela ocupação soviética [refere-se à história da Romênia, em particular. NdT]. Mas nenhum dos nossos doze bispos traiu a comunhão com o Santo Padre. A nossa Igreja tem sobrevivido graças à determinação e ao exemplo dos nossos bispos, os quais têm resistido ao cárcere e ao terror.

Os nossos bispos pediram à comunidade para não seguir o mundo, para não cooperar com os comunistas.

Agora precisamos que Roma diga ao mundo:

“Arrependei-vos de vossos pecados e convertei-vos, porque o Reino de Deus está próximo”.

Não só nós, os leigos católicos, mas também muitos cristãos ortodoxos, rezamos com ansiedade por este sínodo, pois, como se diz, se a Igreja Católica cede ao espírito do mundo, então é muito difícil também para todos os outros cristãos resistir.

Dr.ª Anca-Maria Cernea – Fonte: lifesitenews.com

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

ELUCUBRANDO SOBRE A LINGUAGEM E UM POUCO MAIS

Por Fernando Canton Antoniazzi


Os Americanos têm o péssimo costume de não adotar a Língua Portuguesa como idioma oficial. Como podem preterir a magnífica musicalidade da ‘última flor do Lácio, inculta e bela’, em favor de uma mistura de onomatopéias, guturalismos e atualmente açodada com mais acronismos derivados da linguagem das redes sociais, embora exista o precedente de que os americanos já adotassem muitas siglas para tornar a comunicação mais prática. Sim, prática, rápida, eficiente e pobre. Bem, este último aspecto não empobrece somente o verbo shakespeariano, posto que seja este um fenômeno de ocorrência mundial, são diversos idiomas sujeitos a isto. A propósito, algo de muito estranho e mais grave está ocorrendo, posto que frases completas estejam a ser substituídas por figurinhas e animações oriundas da comunicação nas ‘redes sociais’; o que enseja uma conclusão pesarosa: o espírito das pinturas rupestres das eras ancestrais à escrita está de volta, permeando as telinhas dos smartphones e congêneres, caracterizando um fenômeno involucionário. A humanidade levou milhares de anos para criar códigos visuais e fonéticos, de modo a melhor estabelecer a comunicação entre, ao menos, dois interlocutores e, em pouquíssimo tempo, está ela a render-se às carinhas e figurinhas ‘Emoticons’ para fazer-se entender. As tais figurinhas são até mesmo simpáticas e ajudam a enfeitar ou emprestar humor a uma mensagem descompromissada, mas não têm estofo para substituírem a linguagem ou provocarem a interpretação de um texto... Texto? Ora, mas nem texto são!!! Paradoxo outro: nunca antes na história se registrou tanta facilidade na troca de informação e esta jamais foi tão parca ou até mesmo dispensável. O discurso final de ‘O GRANDE DITADOR’ tornou-se anacrônico, aquele no qual Charles Chaplin discorre sobre rádios, aviões, pessoas que se aproximam, mas abandonam a sensibilidade, abusando do racionalismo. Fosse tal peça escrita novamente, para manter sua linha axial certamente ao texto caberia abordar que o sentimento está ainda em declínio, mas há o gravame de que o pensamento caminha à inexistência. Outra para pensar: a letra cursiva foi abolida em vários rincões. O teclado sobrepujou o papel e a pena... O discurso politicamente correto do marketing ecológico talvez use isto como trunfo: paperless, o futuro chegou; as árvores estarão preservadas dos escribas, os machados estarão banidos; papiro, nunca mais... Gutenberg, aquieta-te e guarda tua prensa! Apenas por exercício de pensamento, lembremo-nos de que a caligrafia também se presta ao estímulo dos movimentos delicados das mãos, refiro-me à precisão dos gestos obtida pela derivação da estrutura que opõe o polegar aos outros dedos da mesma mão, coisa ausente na natureza dos demais primatas. Ah, sim, a robótica, a cibernética e a mecatrônica já resolveram a questão por intermédio de joysticks... Está cada vez mais difícil ser apenas humano. Que confusão! Estamos vivendo tempos em que colocamos a perder a humanidade, arrogantemente brincamos de divindade e tornamo-nos cada vez mais vazios, distantes do nosso próximo e, por conseguinte, afastamo-nos de Deus. No dia de hoje, ao completar minha quinquagésima-primeira volta em torno do Sol, fluiu assim esta breve digressão, sem expressão maior, tão somente um flatus animae, um brainstorm de quem dobrou o Cabo da Boa Esperança e muitas vezes não gosta do que vê no espelho, seja a imagem exterior ou a interior.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A IGREJA HUMILHADA (2)

POR OLAVO DE CARVALHO

Se o Papa prefere esboçar um vago reconhecimento dos direitos de propriedade islâmicos sobre o simbolismo cristão da natureza, é que ele ainda padece daquela timidez auto-humilhante que reluta em afirmar vigorosamente o primado da cristandade nessa área

Condenar a cosmologia medieval porque em alguns pontos ela não coincide com os “fatos observáveis do mundo físico” é tão estúpido quanto condenar um desenho por não haver correspondência biunívoca entre os traços a lápis e as moléculas que compõem o objeto retratado.
Estruturas representativas abrangentes só podem ser compreendidas e julgadas como totalidades. O fisicalismo ingênuo, apegando-se aos detalhes mais visíveis, deixa sempre escapar o essencial. A Física de Aristóteles foi rejeitada no início da modernidade porque dizia que as órbitas dos planetas eram circulares e porque sua explicação da queda dos corpos não coincidia com a de Galileu.
Só no século XX o mundo acadêmico entendeu que, retiradas essas miudezas, o valor da obra persistia intacto justamente porque não era uma “física” no sentido moderno do termo e sim uma metodologia geral das ciências. Quatro séculos de orgulhosas cretinices científicas haviam tornado incompreensível um texto com o qual ainda se pode aprender muita coisa (v. as atas do congresso da Unesco Penser avec Aristote, org. M. A. Sinaceur, Toulouse. Érès, 1991).
Toda a simbólica natural da qual o cristianismo só pode prescindir em prejuízo próprio desapareceu de circulação porque, visto com os olhos do fisicalismo ingênuo, o debate entre geocentrismo e heliocentrismo parecia colocar fora de moda o desenho medieval das sete esferas planetárias, uma concepção cosmo-antropológica enormemente complexa e sutil.
Expelido do universo intelectual respeitável, o simbolismo natural só sobreviveu como fornecedor ocasional de figuras de linguagem com que os poetas sentimentais da modernidade, carentes de toda compreensão espiritual e extasiados na contemplação do próprio umbigo, projetavam nas formas da natureza visível as suas emoçõezinhas. Georges Bernanos escreveu em L’Imposture algumas páginas devastadoras contra esse empobrecimento do imaginário moderno.
Os estudiosos que conservaram o interesse pelo velho tema tornaram-se esquisitões marginalizados não só pela classe universitária como também pela própria intelectualidade católica, mais interessada em fazer boa figura ante o fisicalismo acadêmico do que em defender o patrimônio simbólico da religião.
Uma obra notabilíssima como Le Bestiaire du Christ. La Mystérieuse Emblématique de Jésus-Christ, Bruges, Desclée de Brouwer, 1940), em que o arquiteto Louis Charbonneau-Lassay foi de igreja em igreja copiando e explicando cada símbolo animal de Nosso Senhor Jesus Cristo na arquitetura sacra medieval, passou quase despercebida dos meios católicos (mas, como veremos adiante, foi muito valorizada por autores muçulmanos).
Mesmo escritores que compreendiam a cosmologia medieval só ousavam falar dela em termos de valor estético, ao mesmo tempo que ofereciam as genuflexões de praxe ante a autoridade do fisicalismo acadêmico.
Um exemplo característico foi C. S. Lewis, que montou o edifício das suas Crônicas de Narnia sobre o modelo de uma escalada espiritual pelas sete esferas planetárias mas manteve essa chave simbólica cuidadosamente escondida até que ela fosse descoberta, após a morte do autor, pelo erudito Michael Ward (v. Planet Narnia. The Seven Heavens in the Imagination of C. S. Lewis, Oxford University Press, 2008):
“Seguindo-se à sua conversão -- escreve Ward --, Lewis naturalmente considerava as religiões pagãs menos verdadeiras do que o cristianismo, mas, olhando-as sem referência à verdade, sentia que elas possuíam uma beleza superior. A beleza e a verdade podiam e deviam ser distinguidas uma da outra, e ambas da bondade.” (P. 27.)
Não deixa de ser uma ironia que, restaurando na arte justamente aqueles elementos da simbólica pagã que a cultura da Europa medieval havia absorvido e cristianizado, Lewis ao mesmo tempo se opusesse tão frontalmente à doutrina escolástica segundo a qual o belo, o verdadeiro e o bom – Unum, Verum, Bonum, na fórmula de Duns Scot – eram essencialmente a mesma coisa.
A timidez cristã ante os dogmas da modernidade chega a ser obscena.
O filósofo calvinista holandês Herman Dooyeweerd – no mais, um pensador de primeira grandeza -- foi um pouco além da timidez.
Alegando que a dialética hegeliana de tese, antítese e síntese só se aplica às coisas relativas, e que tão logo entramos no domínio do absoluto o que vigora é o antagonismo irrecorrível e a necessidade da escolha, ele condena a filosofia escolástica – portanto a cosmologia medieval inteira – por não ter banido completamente os resíduos culturais do paganismo (exigência impossível que, é claro, o próprio calvinismo também não cumpriu).
Nesse panorama, não estranha que o patrimônio simbólico desprezado e varrido para baixo do tapete fosse rapidamente colhido por intelectuais muçulmanos interessados, sim, numa restauração da cultura cristã tradicional, mas sob o guiamento e controle sutil... de organizações esotéricas islâmicas.
Ninguém, absolutamente ninguém na Europa cristã desde o século XVI dominou e explicou tão magistralmente o simbolismo espiritual cristão e demonstrou tão valentemente o seu valor cognitivo, e não só estético, como o fizeram René Guénon, Frithjof Schuon, Titus Burckhardt, Jean Borella e outros autores meio impropriamente chamados “perenialistas”.
Todos eles membros de tariqas – organizações esotéricas islâmicas --, e empenhados em abrir na dura carapaça do fisicalismo moderno um rombo por onde pudesse se introduzir a influência intelectual islâmica e avolumar-se até à conquista da hegemonia, usando o tradicionalismo cristão como força auxiliar, mais ou menos como Jesus, na versão islâmica do Segundo Advento, será rebaixado a segundo-no-comando dos exércitos do Mahdi.
Autores não diretamente ligados ao esoterismo islâmico que exploraram o mesmo veio, como Matthila Ghyka, Ananda K. Coomaraswamy e Mircea Eliade, sempre foram devedores intelectuais dos “perenialistas”.
Se hoje em dia a velha cosmologia readquire aos poucos o seu estatuto de conhecimento profundo, necessário e respeitável, multiplicando-se em todas as universidades do mundo civilizado os estudos a respeito, não há como deixar de reconhecer que isso foi devido, sobretudo, à obra de Guénon, de Schuon e de seus seguidores.
“A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a chave de abóbada”, profetiza a Bíblia. A profecia ainda não se cumpriu totalmente, mas é óbvio que só a restauração da cosmologia simbólica pode ser a chave de abóbada numa reconstrução da cultura cristã. Apenas, os muçulmanos perceberam isso antes dos intelectuais cristãos e trataram de utilizá-lo em proveito próprio.
Temos uma dívida para com Guénon, Schuon e tutti quanti? É claro que temos. Eles nos devolveram o que era nosso, mesmo fingindo que era deles. Está na hora de praticar com eles aquilo que um velho ditado – islâmico, por sinal – recomenda: “Não perguntes quem sou, mas recebe o que te dou.”

Se o Papa, em vez de fazer isso, prefere esboçar um vago reconhecimento dos direitos de propriedade islâmicos sobre o simbolismo cristão da natureza, é que ele ainda padece daquela timidez auto-humilhante que reluta em afirmar vigorosamente o primado da cristandade nessa área.

Originalmente publicado no Diário do Comércio.

sábado, 25 de julho de 2015

A IGREJA HUMILHADA (1)

São Paulo, 24 de Julho de 2015 às 14:42 por Olavo de Carvalho
 
Por que o Papa Francisco, ao falar do simbolismo sagrado da natureza, preferiu citar um místico muçulmano em vez de colher alguma frase na imensa literatura cristã sobre o assunto?
Os cérebros iluminados da mídia nacional e internacional enxergaram aí toda sorte de intenções ecumênicas e diplomáticas, mas não creio que esse simples detalhe de um discurso papal possa ser compreendido sem um recuo histórico de muitos séculos.
“Nós falamos com palavras, mas Deus fala com palavras e coisas”, dizia Sto. Tomás de Aquino. Na época dele, e de fato desde o começo do cristianismo, isso era uma obviedade de domínio público.
Muito antes de ditar aos profetas as palavras da Bíblia, Deus havia criado o universo, sendo inconcebível que não deixasse aí as marcas da sua Inteligência, do Logos divino que contém em si a chave de todas as coisas, fatos e conhecimentos.
Nada mais lógico, portanto – assim pensavam os santos e místicos -- , do que buscar nas formas e aparências do universo físico os sinais da intenção divina que tudo havia criado.
O próprio texto da Bíblia está tão repleto de referências a animais, plantas, minerais, partes do corpo humano, acidentes geográficos, fenômenos astrais e climáticos, etc., que sem algum conhecimento da natureza física sua leitura se torna completamente opaca. Não havia e não há como fugir desta constatação elementar: o universo era a primeira das Revelações.
Essa intuição não havia escapado aos povos pagãos da Antiguidade, cujas culturas se erguem inteiramente em cima de prodigiosos esforços para apreender alguma mensagem divina por trás dos fenômenos da natureza terrestre e celeste e fazer da sociedade inteira um modelo cósmico em miniatura (a bibliografia sobre isso é tão abundante que não vou nem começar a citá-la).
Apesar da imensa variedade das linguagens simbólicas que se desenvolveram nas mais diversas épocas e lugares, elas todas obedecem a um conjunto de princípios que permitem estabelecer correspondências entre as concepções cosmológicas e antropológicas dessas civilizações.
Essas concepções foram absorvidas e apenas ligeiramente remodeladas pela Europa cristã para tornar-se veículos de uma cosmovisão bíblica.
A principal modificação foi um senso mais apurado da índole dialética do simbolismo natural, onde os fatos da natureza física já não apareciam como expressões diretas da presença divina, como no antigo culto dos astros, mas como indícios analógicos que ao mesmo tempo revelavam e ocultavam essa presença (expliquei um pouco disso no meu livro A Dialética Simbólica, São Paulo, É-Realizações, 2007).
A cosmologia medieval incorporava o velho mapa planetário ptolemaico, com a Terra no centro e as várias esferas planetárias – correspondentes a distintas dimensões da existência – afastando-se até o último céu, morada de Deus. Que esse mapa não devesse ser interpretado como um simples retrato material do mundo celeste, prova-o o fato de que ele era compensado dialeticamente por uma concepção oposta, na qual Deus estava no centro e a Terra na extrema periferia.
A tensão entre as duas esferas condensava de uma maneira abrangente os paradoxos da existência humana num ambiente natural que era ao mesmo tempo um templo e uma prisão. A visão medieval do céu não era uma cosmografia, mas uma cosmologia – uma ciência integral do significado da existência do homem no cosmos.
A eclosão do debate heliocentrismo versus geocentrismo baixou o nível da imaginação pública para um confronto entre duas concepções puramente materiais, rompendo a tensão dialética entre as duas esferas e rebaixando a cosmologia ao estado de mera cosmografia.
Os progressos extraordinários desta última serviram para mascarar o fato de que a modernidade assim inaugurada ficou totalmente desprovida de uma cosmologia simbólica, não havendo até hoje nenhum meio de articular a visão material-científica do universo com os conhecimentos de ordem espiritual: essas duas dimensões pairam uma sobre a outra sem jamais interpenetrar-se, como água e óleo num copo, de tempos em tempos ressurgindo, sob formas variadas, o “conflito entre ciência e religião”, ou “entre razão e fé”, o qual, nesses termos, só pode ser apaziguado mediante arranjos convencionais de fronteiras, tão artificiais e instáveis quanto qualquer tratado diplomático.
O que era tensão dialética tornou-se um dualismo estático, como numa guerra de posições entre exércitos imobilizados cada um na sua trincheira. Talvez o traço mais característico da modernidade seja precisamente a coexistência enervante entre uma ciência sem espiritualidade e uma espiritualidade sem base natural. 
Para piorar ainda mais as coisas, a ruptura entre as duas dimensões não se deu só no domínio da cosmologia, mas também na metafísica e na gnoseologia, onde René Descartes, rompendo com a antiga visão aristotélico-escolástica do ser humano como síntese indissolúvel de corpo e alma, ergueu um muro de separação entre matéria e espírito, fazendo deles substâncias heterogêneas e incomunicáveis.
Malgrado as inúmeras contestações e correções que sofreu, o dualismo cartesiano acabou por deitar raízes tão fundas na mentalidade ocidental, que suas conseqüências nefastas ainda se fazem sentir até mesmo no domínio das ciências físicas (v. Wolfgang Smith, O Enigma Quântico, trad. Raphael de Paola, Campinas, Vide, 2011).
Na esfera cultural, isso resultava em dividir o universo inteiro da experiência em duas categorias: os objetos reais, isto é, materiais e mensuráveis, conhecidos pela ciência física, e os puramente pensados, para não dizer imaginários – leis, instituições, valores, obras de arte, o mundo propriamente humano.
Dos primeiros, só o que se podia saber eram as suas propriedades mensuráveis, sendo proibido querer descobrir neles algum significado ou intenção. Os segundos eram repletos de significado, mas só existiam como pensamentos, como “construções culturais” sem nenhum fundamento na realidade.
Por mais obviamente danosa à cosmovisão cristã que fossem essas ideias, elas foram rapidamente assimiladas pela intelectualidade católica. Durante todo o século XVIII o cartesianismo foi a doutrina dominante nos seminários da França. As chamadas “heresias modernistas” ainda não haviam surgido, mas a hegemonia intelectual cristã estava perdida. Rendeu-se praticamente sem luta.
Começava uma era na qual uma alma cristã não teria alternativa exceto amoldar-se à mentalidade moderna ou esbravejar em vão contra o que não podia vencer – as duas atitudes que até hoje caracterizam respectivamente os “modernistas” e os “tradicionalistas”.
A pá de cal foi lançada por Immanuel Kant, quando cavou um abismo intransponível entre “conhecimento” e “fé”, enfatizando a autoridade universal do primeiro e trancafiando a segunda no recinto fechado das meras preferências e fantasias particulares – uma doutrina que se tornou a base não só do positivismo científico ainda imperante nas universidades em geral, mas também de todo o “Estado laico” moderno, onde não há diferença legal entre crer em Deus, em duendes, em extraterrestres, nas virtudes espirituais das drogas alucinógenas ou na bondade de Satanás.

[Continuo a narrativa no próximo artigo.]

sábado, 13 de junho de 2015

​OS TRÊS EIXOS DA REVOLUÇÃO BRASILEIRA

Por Nivaldo Cordeiro


É notório que o Brasil vem num processo de transformação rápido, que tem sido produzido pela revolução socialista que está em curso. Esta revolução quer ser silenciosa e tem passado desapercebida para a maioria dos brasileiros. Poucas vozes se levantaram para denunciar e falar sobre o assunto. Quero aqui explicitar como esse movimento revolucionário tem sido implantado em nosso país.
São três eixos revolucionários que caminham em paralelo, mas mantendo os mesmos objetivos estratégicos e frequentemente se intercruzando. O primeiro deles é a chamada revolução gramsciana, que entrou em pauta com o maior dos seus estrategistas, Fernando Henrique Cardoso, quando da fundação do Cebrap, no final dos anos sessenta. O Cebrap virou um think thank e logo foi imitado por outros, basicamente para realizar a formação de quadros e a produção de ciências sociais comprometidas com a revolução. É claro que o Cebrap levou FHC à presidência da República, três décadas depois. A revolução gramsciana se consolidou com a posse de Lula e do PT na Presidência da República.
Basta ver uma breve lista de pesquisadores que passaram pelo Cebrap para se perceber como o organismo espalhou esporos por toda parte:  Boris FaustoCândido Procópio Ferreira de CamargoCarlos Estevam MartinsElza BerquóFernando Henrique CardosoFrancisco WeffortFrancisco de OliveiraJosé Arthur GiannottiJosé Reginaldo Prandi,1 Juarez Rubens Brandão LopesLeôncio Martins RodriguesLuciano MartinsOctavio IanniPaul Singer e Roberto Schwarz. Muitas das cabeças coroadas da academia e da imprensa nunca deixaram de ser agentes propagadores da revolução gramsciana, como se vê. Foram produtores de falsa ciência, a serviço da transformação social. Se você, leitor, fez algum curso universitário provavelmente saiu dele intoxicado com o veneno ideológico produzido por essa gente, que é autora da maior parte da literatura recomendada.
Os agentes formados por esses falsos gurus pouco a pouco foram tomando conta do Estado, de modo a transformar seus organismos em “aparelhos ideológicos”, a serviço da causa revolucionária. Tomaram conta primeiro da Educação e da Saúde. Depois de todo o resto.
Essa revolução ganhou força quando dominou do pensamento universitário brasileiro, ao longo dos anos setenta e oitenta (e depois, já que nunca parou). Os professores e alunos passaram a ser divulgadores e doutrinadores das ideias revolucionárias e também cabos eleitorais quando as eleições aconteciam. A eficácia política foi total, a ponto de a direita ter desaparecido da cena política, só retornando agora, de forma embrionária e dispersa, com as eleições de 2014. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, será talvez a maior expressão política dessa nova direita. O Brasil está ainda hemiplégico, voado politicamente apenas com seu lado sinistro.
O segundo eixo da revolução é a cultural, que recebeu grande impulso depois da posse de FHC como presidente e ainda maior quando o PT o sucedeu. Políticas de cotas, de aborto, pró movimento gay, causa ambientalista, a busca obsessiva pela igualdade de gêneros no limite do ridículo, liberação do uso de estupefacientes, tudo tem sido feito nessa direção, naturalmente inspirado da Escola de Frankfurt. O objetivo derradeiro é destruir a família cristã e o Brasil como unidade, fragmentado em múltiplos “movimentos sociais”. Essa perna da revolução sofreu agora profundo revés porque Eduardo Cunha assumiu a presidência da Câmara de Deputados e, como primeira medida, decidiu retirar de pauta os pontos da agenda revolucionária.
O terceiro eixo é mais antigo e é caudatários de intelectuais que produziram ficção e não ficção desde o século XIX. A literatura e a filosofia foram postas a serviço da transformação. A Semana de Arte Moderna é expressão maior dessa tentativa revolucionária. Nossos grandes escritores, em alguma medida, fizeram da sua obra um veículo de propaganda da revolução.
Dos três eixos, o mais pernicioso e o mais profundamente arraigado é o terceiro. Contra ele só pode agir um processo de produção cultural em volume equivalente àqueles produzido pelas esquerdas, convencendo a inteligência brasileira, sua elite cultural bem como econômica, do erro que é abraçar a revolução. É um processo que levará décadas, por isso um partido político ou alguma liderança contrarrevolucionária não pode fazer muito, exceto aquilo que Eduardo Cunha fez. É preciso reescrever os livros didáticos, que surjam novos escritores comprometidos com a causa da verdade, que os jornais saiam das mãos dos comunistas, que os professores deixem de ser agentes da transformação para serem os portadores da moralidade. Um movimento assim nem começa e nem acaba em partidos políticos, pois exige o engajamento de uma elite pensante que ainda não existe.
Eu vejo aqui e ali sintomas de vitalidade. É preciso fazer germinar um novo tipo de homem, comprometido com a verdade e o Bem. Vai demorar, mas, se serve de consolo, penso que essa reação está em curso, de forma espontânea. A esquerda deixou de ter o monopólio da mídia e da produção de ideias. A internet deu voz àqueles que, isolados, nada podiam fazer para interferir no processo. O simples fato de se discutir o assunto é já trabalhar para a sua superação.

Quem viver verá.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

CNBB MOSTRA O QUE ELA É: UM NÚCLEO COMUNISTA

NÃO DEIXEM DE VER ATÉ O FIM.   UM GAROTO MUITO NOVO ENFRENTA SOZINHO UMA TURMA DE EXCOMUNGADOS DO PT, MST, COMUNISTAS ETC., QUE PARTICIPAVAM DE UM SEMINÁRIO QUE FAZIA APOLOGIA DA LUTA ARMADA, E PERPETUAÇÃO DO GOVERNO QUE AÍ ESTÁ.



Ou é católico ou é comunista. Afinal, a CNBB vai respeitar as Leis Papais?
ASSISTAM  e compartilhem em suas  listas.  Está na hora de tomarmos uma atitude séria e tirar a máscara destes  traidores.

Parabéns à coragem do garoto !!!