quarta-feira, 29 de outubro de 2014

SUCESSÃO DE FRAUDES



NYTS / CAI


Houve fraude nas eleições presidenciais de 2014? Sem o menor temor de errar, afirmo categoricamente: houve não uma, nem duas, nem mil, mas a mais longa e assombrosa sucessão de fraudes que já se observou na história eleitoral de qualquer país, em qualquer época.


Essa afirmação, que soará hiperbólica aos ouvidos de quem não conhece os fatos o suficiente para poder medi-la, traduz uma verdade literal e simples que qualquer um, se quiser investigar um pouco em vez de julgar sem conhecimento de causa, poderá confirmar por si próprio.

Primeira série de fraudes:

A Lei dos Partidos Políticos de 1995, Art. 28, alínea II, afirma taxativamente que será cassado o registro de qualquer partido que se comprove ser subordinado a uma organização estrangeira. O PT, segundo a propaganda do seu III Congresso, reconhece o Foro de São Paulo como "coordenação estratégica da esquerda latino-americana". Ao subscrever e colocar em prática as decisões das assembléias gerais do Foro, esse partido reconhece sua subordinação a um plano internacional que não só jamais foi discutido ou aprovado no nosso Parlamento, como advoga, sem dar disto a menor ciência ao povo brasileiro, a dissolução da soberania nacional mediante a integração do país num monstrengo internacional chamado "Pátria Grande", cuja capital é Havana e cuja língua oficial é o portunhol.

A sra. Dilma Rousseff, em especial, chegou a ser louvada pelo ditador venezuelano Hugo Chávez como "grande patriota... patriota da Pátria Grande". Será possível não entender que ninguém pode ser ao mesmo tempo um patriota da pátria brasileira e um servidor leal da organização internacional empenhada em engolir essa pátria e governá-la desde assembleias e em reuniões secretas realizadas em Havana, em Caracas ou em Santiago do Chile?

Quando digo "reuniões secretas", não é uma interpretação que faço. É o traslado direto da confissão cínica apresentada pelo sr. Lula da Silva, não numa conversa particular, mas em dois discursos oficiais transcritos na página da Presidência da República (um deles em www.olavodecarvalho.org/semana/050926dc.htm )

Se ainda vale o princípio de que de duas premissas decorre uma conclusão, esta só pode ser a seguinte: o PT é um partido ilegal, que não tem o direito de existir nem muito menos de apresentar candidatos à presidência da República, aos governos estaduais ou a qualquer câmara estadual ou municipal.

Segunda série de fraudes:

Tão óbvia e gritante é essa conclusão, que para impedir que o cérebro nacional a percebesse foi preciso ocultar da opinião pública, durante dezesseis anos seguidos, a mera existência do Foro de São Paulo, para que pudesse crescer em segredo e só se tornar conhecido quando fosse tarde demais para deter a realização dos seus planos macabros.

Nesse empreendimento aliaram-se todos os órgãos da "grande mídia", reduzindo o jornalismo brasileiro a uma vasta e abjeta operação de desinformação e forçando o povo brasileiro, em sucessivas eleições, a votar em candidatos cujo programa de ação desconhecia por completo e, se o conhecesse, jamais aprovaria.

Terceira série de fraudes:

O Foro de São Paulo é a mais vasta, mais poderosa e mais rica organização política que já existiu no continente. Seu funcionamento – assembléias, grupos de trabalho, publicações, viagens e hospedagens constantes para milhares de agentes – é inviável sem muito dinheiro que até hoje ninguém sabe de onde vem e cuja origem é feio perguntar.

É praticamente impossível que verbas do governo brasileiro não tenham sido desviadas em segredo para essa entidade. É mais impossível ainda que grossas contribuições não tenham vindo de organizações de narcotraficantes e sequestradores como as Farc e o MIR chileno, que ali são aceitas como membros legítimos e tranquilamente discutem, nas assembleias, grupos de trabalho e encontros reservados, a articulação dos seus interesses criminosos com o de partidos políticos como o PT e o PC do B.

Quarta série de fraudes:

A sra. Dilma Rousseff, servidora dessa geringonça imperialista, jamais poderia ser candidata a qualquer cargo eletivo no Brasil. Urnas que votam sozinhas ou que já chegam à seção eleitoral carregadas de quatrocentos votos para a candidata petista, como tantos eleitores vêm denunciando, são apenas subfraudes, ou pedaços de fraudes, em comparação com a fraude magna que é a presença, na lista de candidatos presidenciais, da agente notória e comprovada de um esquema estrangeiro empenhado em fagocitar e dissolver a soberania nacional.

Quinta série de fraudes:

Eleição com contagem de votos secreta não é eleição, é fraude. O sistema de ocultações montado para isso, sob a direção de um advogadinho chinfrim sem mestrado, sem obra notável publicada e sem qualquer currículo exceto serviços prestados a um dos partidos concorrentes, viola um dos princípios mais elementares da democracia, que é a transparência do processo eleitoral. Como observou uma advogada que tentou denunciar em vão a anomalia imposta ao eleitor brasileiro, "é o crime perfeito: o acusado se investiga a si próprio".

Que mais será preciso para concluir que, sob todos os aspectos, a eleição presidencial de 2014 foi em si uma fraude completa e majestosa, coroamento da longa sucessão de fraudes em série em que se transformou a política brasileira desde o ingresso do PT no cenário eleitoral?

Olavo de Carvalho é jornalista, ensaísta e prof. de Filosofia

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

PREOCUPANTE

domingo, 19 de outubro de 2014


Do protesto contra a Copa, passando pelas FARC até a rebelião pró-russa

Detido pela polícia em ato anti-Copa, em SP.
Detido pela polícia em ato anti-Copa, em SP.

Ao lado de seus companheiros de armas pró-russos, o paulistano Rafael Marques Lusvarghi, 30, postou suas fotos nas redes sociais segurando uma AK74 e um lança-foguetes soviético descartável em Lugansk, no leste ucraniano.

Ele fora preso pela PM em São Paulo durante os desmandos dos protestos contra a Copa, em junho de 2013, passou 45 dias no cárcere e ainda responde a diversos processos por associação criminosa.

“Não vou ficar perdendo meu tempo com um sistema judiciário falido, irresponsável e lento. Tem que meter bala nessa [palavrão] e fogo nos fóruns e começar tudo do zero, como foi feito na Revolução Francesa e Russa”, responde ele.

No leste ucraniano com armas russas em milícia separatista.
No leste ucraniano com armas russas em milícia separatista.
Lusvarghi foi para o leste ucraniano alistado na “Brigada Continental, braço armado da organização Unidade Continental, movimento que é a síntese entre as Forças Armadas da Colômbia e o Hezbolah”, explicou ele em entrevista por e-mail para Vice.com.

Ele disse ter tomado essa decisão por amor à Nova Rússia, e para participar numa guerra global contra os EUA e o grande capital financeiro internacional.

Antes já tinha frequentado as FARC na Colômbia.

Interrogado se participaria de alguma frente revolucionária que pretendesse mudar os rumos do Brasil e, se necessário, pegar em armas aqui, ele respondeu sem vacilar: “Mas claro que sim”.

Acrescentou que seu comandante Victor Alfonso Lenta é originário da Colômbia, e que a Brigada Continental, da qual fazem parte, tem sua sede em Belgrado.

Rafael Lusvarghi admira Vladimir Putin porque este oferece uma alternativa contra o mundo ocidental.

Hoje na Ucrânia lutando por Putin. Amanhã no Brasil por quem?
Hoje na Ucrânia lutando por Putin. Amanhã no Brasil por quem?
Ele já foi soldado da Polícia Militar de São Paulo e legionário estrangeiro. Por sua “experiência”, comanda agora um dos grupos armados separatistas, o Batalhão Prizrak.

“No Brasil, consegui entrar em contato [com as milícias pró-russas] graças a uns amigos politicamente engajados que me encaminharam para um grupo especial. Eles sabiam da minha experiência militar”.

Além da expansão da “nova URSS”, a guerra da Ucrânia está servindo de campo de treino para guerrilheiros que amanhã poderão vir lutar no Brasil contra a ordem constituída.

POR QUE A CHAPA BRANCA TEVE MUITOS VOTOS?

A MISTERIOSA ORIGEM DE MUITOS VOTOS

por Percival Puggina. Artigo publicado em 24.10.2014
Tenho pensado muito, nestes dias, sobre os motivos que levam grande número de pessoas a votar na candidata do PT. Como método de análise, tratei de classificar esses eleitores em grupos ordenados segundo as prováveis motivações.
 O primeiro, e certamente o que abriga maior número de cidadãos, é composto por aqueles que recebem do governo algum benefício de natureza social compensatória. Ainda que os principais programas assistenciais em vigor venham de governos anteriores, parece fácil iludir tais pessoas com a ameaça de que uma mudança no comando do país implica o risco de extinção de tais auxílios.
 O segundo grupo é formado pelo numeroso e privilegiado contingente de membros da nomenklatura petista, investidos em posições de mando ou ocupando postos de indicação partidária no governo, em empresas estatais, no próprio Estado e na administração pública. Para esses eleitores não existe qualquer dúvida: uma derrota petista significa o fim do contracheque. Frequentemente, esses contracheques guardam nenhuma simetria com a qualificação e os serviços prestados pelos recebedores.
 O terceiro grupo inclui o vasto contingente de pessoas cujos postos de trabalho e fontes de renda provêm dessa miríade de organizações não governamentais (ONGs) cujos recursos, paradoxalmente, procedem do erário nacional. Para franquear acesso aos fundos públicos, o governo e seu partido levam em altíssima conta a posição política daqueles que as dirigem. Vale o mesmo para o recrutamento de recursos humanos às atividades fins.
 O quarto grupo é formado pelos aficionados ideológicos. São eleitores que colocam a ideologia acima de tudo. São cegos a toda evidência.
 O quinto grupo agasalha (o verbo agasalhar cabe bem para estes) todos os que, graças ao PT, vivem à vida regalada sem serem do governo. Atuam no restrito universo das grandes empresas, no mundo da cultura, da publicidade, fazendo negócios multimilionários com o governo. E com os governantes.
 O sexto grupo, sem fixações ideológicas e interesses individuais, está a par dos fatos, acompanha as notícias, reprova os malfeitos, conhece os dados econômicos e se preocupa com a situação nacional. E, ainda assim, vota no PT. Entre as mentiras que lhe são contadas e o que os próprios olhos e ouvidos lhe revelam, esse grupo prefere crer nas mentiras. É mais difícil entendê-los do que compreender o Bóson de Higgs (aquela partícula que representa a chave para explicar a origem da massa das partículas elementares). Esse grupo e suas misteriosas razões têm votos que podem decidir, contra toda a lógica, a eleição presidencial.
• Arquiteto, empresário, escritor, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, autor de "Crônicas contra o Totalitarismo", "Cuba, a tragédia da utopia" e "Pombas e Gaviões".

sábado, 18 de outubro de 2014

PREPARA-TE MINAS GERAIS E BRASIL !!!


Nascedouro da nacionalidade, berço da liberdade e sacrário dos valores eternos, minha Minas Gerais não ficará silente nem deserdará seus filhos neste momento tenebroso por que passa o Brasil.

Nuvens negras já despontam no horizonte da Pátria com vistas a turvar e demolir a nossa democracia penosamente construída.

Homens inescrupulosos, impatrióticos e vendilhões se apoderaram do poder em todos os níveis e nele pretendem se perpetuar, impondo-nos ideologia e regime político alienígenas, incompatíveis com nossa tradição, nossas aspirações e com a nossa história.

Estes se espelham no decadente facínora Fidel Castro, nos inconcebíveis regimes ditos bolivariano, da Venezuela, e nos mais sanguinários ditadores do mundo.
Aspiram se eternizarem no poder mediante o covarde silêncio do Congresso Nacional e da recente decisão do STF no escandaloso caso de corrupção denominado "mensalão".

O povo, em boa parte analfabeta, carente e dependente das tais bolsas compra votos (bolsa família, bolsa gás, bolsa escola, bolsa prostituta, etc...) não vislumbra, por absoluta incapacidade de discernir, o perigo que se avizinha.
Já perdemos nossa identidade cívica, social e moral e, não demorará perderemos a liberdade caso prossigamos nesta trilha maldita de corrupção e cinismo implantada pelo PT comandado por Lula.

É revoltante assistir a presidente empunhando entusiasticamente a bandeira cubana ao lado do ditador ilhéu; congressistas ostentando nas paredes de seus gabinetes a foto do sanguinário Che Guevara e o presidente da Câmara a afrontar em momento solene o Ministro Joaquim Barbosa, Presidente do STF.

Avulta-se, com desenvoltura nunca vista, o aparelhamento do Estado, a compra de parlamentares, o sucateamento das Forças Armadas, o manietar da Polícia Federal e pior, o silêncio complacente das instituições, especialmente dos Ministérios Público Federal e Estaduais e a leniência de boa parte do Judiciário além do andar paquidérmico dos processos.

Os políticos, por seu turno, perderam a hombridade e se quedam em covarde passividade diante destes descalabros. Não há oposição para combater tantos desmandos; nenhuma voz se alteia contra este estado de coisas, no Congresso submisso.

Empréstimos secretos são feitos a ditaduras; dívidas de países governados por ditadores são perdoadas sem que a opinião pública brasileira seja consultada; investimentos milionários são feitos em Cuba sob o suspeito crivo de "secretos"; igualmente "secretos" e suspeitos são os gastos com cartões corporativos, as viagens da secretária do ex-presidente e as despesas com viagens internacionais, enquanto ministérios inúteis foram criados para arrebanhar cúmplices neste nefasto aparelhamento do estado petista.

Não há uma ação sequer do governo petista que seja clara e induvidosa. Sobre todas pairam suspeitas e inexplicável silêncio dos governantes.

O Supremo Tribunal Federal, salvo as notórias exceções, hoje mais ainda realçadas, resvalou para o julgamento de conveniência e já não há um cidadão que lhe renda o devido respeito.

As Forças Armadas - silentes por enquanto - se submetem a inaceitável e proposital sucateamento e ainda são humilhadas pela unilateral Comissão da Verdade.

Nossas fronteiras, deliberadamente escancaradas ao narcotráfico, ao contrabando e ao descaminho, às FARC e aos médicos cubanos, são indícios de que estamos perdendo nossa soberania e o controle do que se passa em nosso território.

Adicionem-se a este quadro nebuloso da nacionalidade as suspeitas demarcações de terras indígenas, a desenvoltura do MST, (este claramente estimulado e financiado pelo Planalto) e tem-se o caldo da desobediência civil, do atrito entre irmãos e do caos social.

A violência urbana, já incontrolável, domina todas as comunidades do país; as drogas já escravizam milhões de brasileiros e, segundo consta, já passa de um milhão a coorte de menores zumbis que vaga pelas cidades, dependentes que são do "crak".

Saúde pública vergonhosa, ensino público sofrível, segurança pública nenhuma.

Direitos humanos só para transgressores da lei em inaceitável inversão de valores.

No malsinado governo Goulart, no qual as ameaças foram muito mais tímidas Minas Gerais se levantou e espantou o fantasma que nos rondava.

Na verdade, o Brasil é hoje, apesar da sua grandiosidade, país satélite das diminutas (em todos os sentidos) republiquetas sul-americanas.

Pergunto então: onde está a Maçonaria?

Onde estão as comunidades religiosas?

Onde estão os Clubes de Serviço apologistas das liberdades?

Onde estão os homens de bem deste país?

Onde estão as forças vivas da comunidade brasileira?

Onde está a imprensa?

Estão fingindo nada ver e nada ouvir e fazendo cara de paisagem diante da borrasca político/social que se avizinha.

Creio e espero que agora, se necessário for, Minas novamente se levantará contra o caudilhismo e o comunismo que aí estão à vista e já avizinhados, para honrar a tradição de liberdade que naquelas montanhas é cultuada desde os primórdios da colônia.

Se assim for, estimarei ser convocado e serei um entusiasmado voluntário.

Se o outro nome de Minas é Liberdade como acentuou Tancredo Neves, ela, a Liberdade, daquelas montanhas jamais se arredará.

Tenho fé.


PEÇO MASSIVA DIVULGAÇÃO!

Todo brasileiro que tenha recursos para isso está autorizado e solicitado desde já a reproduzir este aviso e fazê-lo publicar no órgão de mídia de sua preferência, assim como a divulgá-lo por quaisquer outros meios ao seu alcance. Preservado o Teor e a Fonte.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

TENDÊNCIA HERÉTICA: O relatório do Cardeal Erdö elimina com um só golpe o pecado e a lei natural

Resistir à tendência herética. O relatório do Cardeal Erdö elimina com um só golpe o pecado e a lei natural.

Por Roberto de Mattei – Il Foglio, 15-10-2014 | Tradução: Fratres in Unum.com – Eliminado o sentido do pecado; abolidos os conceitos de bem e de mal; suprimida a lei natural; arquivada qualquer referência a valores positivos como virgindade e castidade. Com o relatório apresentado em 13 de outubro de 2014 no Sínodo sobre a família pelo Cardeal Péter Erdö, a revolução sexual irrompe oficialmente na Igreja, com conseqüências devastadoras para as almas e a sociedade.

A Relatio post disceptationem elaborada pelo Cardeal Erdö é o relatório resumitivo da primeira semana de trabalhos do Sínodo e aquele que orienta as suas conclusões. A primeira parte do documento pretende impor, com uma linguagem derivada do pior ‘Sessenta e oito’ [NdT: Revolução anarquista da Sorbonne, de maio de 1968], a “mudança antropológico-cultural” da sociedade como um “desafio” para a Igreja. Diante de um quadro que da poligamia e do “casamento por etapas” africanos chega à “prática da convivência” da sociedade ocidental, o relatório encontra a existência de “um difuso desejo de família”. Nenhum elemento de avaliação moral está presente. À ameaça do individualismo e do egoísmo individualista o texto contrapõe o aspecto positivo da “relacionalidade”, considerada um bem em si, sobretudo quando tende a transformar-se em relação estável (nos. 9-10).

A Igreja renuncia a emitir juízos de valor para limitar-se a “dizer uma palavra de esperança e de sentido” (no. 11). Afirma-se em seguida um novo surpreendente princípio moral, a “lei da gradualidade”, que permite colher os elementos positivos em todas as situações até agora definidas como pecadoras pela Igreja. O mal e o pecado propriamente não existem. Existem apenas “formas imperfeitas de bem” (no. 18), segundo uma doutrina dos “graus de comunhão” atribuída ao Concílio Vaticano II. “Tornando-se portanto necessário um discernimento espiritual em relação às coabitações, aos matrimônios civis e aos divorciados recasados​​, compete à Igreja reconhecer que a semente do Verbo se espalhou além das fronteiras visíveis e sacramentais” (no. 20).

O problema dos divorciados recasados ​​é um pretexto para fazer passar um princípio que mina dois mil anos de moral e de fé católica. Após a Gaudium et Spes, “a Igreja se volta com respeito para aqueles que participam em sua vida de modo incompleto e imperfeito, prezando mais os valores positivos que guardam, do que as limitações e as faltas” (ibidem). Isso significa que cai todo o tipo de condenação moral, porque qualquer pecado passa a constituir uma forma imperfeita de bem, um modo incompleto de participar na vida da Igreja. “Nesse sentido, uma nova dimensão da pastoral familiar hodierna consiste em entender a realidade dos casamentos civis e, feitas as devidas diferenças, também das coabitações” (no. 22).

E isso sobretudo “quando a união alcança uma notória estabilidade através de um vínculo público, e caracteriza-se por profunda afeição, de responsabilidade em relação à prole, da capacidade de resistir nas provas” (ibid). Com isso fica de cabeça para baixo a doutrina da Igreja segundo a qual a estabilização no pecado através do casamento civil constitui um pecado mais grave do que a união sexual ocasional e passageira, porque esta última permite com mais facilidade o retorno ao caminho certo. “Uma sensibilidade nova na pastoral hodierna consiste em entender a realidade positiva dos casamentos civis e, feitas as devidas diferenças, também das coabitações” (no. 36).

A nova pastoral impõe, portanto, o silêncio sobre o mal, renunciando à conversão do pecador e aceitando o status quo como irreversível. São estas que o relatório chama de “opções pastorais corajosas” (ponto 40). A coragem, ao que parece, não está em opor-se ao mal, mas em adaptar-se a ele. As passagens dedicadas ao acolhimento às pessoas homossexuais são as que pareceriam mais escandalosas, mas constituem a consequência lógica dos princípios acima expostos. Até o homem da rua compreende que se ao divorciado recasado é possível aproximar-se dos sacramentos, tudo é permitido, a começar pelo pseudo casamento homossexual.

Nunca, realmente nunca, sublinha Marco Politi no “Il Fatto” de 14 de outubro, ele tinha lido, em um documento oficial produzido pela hierarquia eclesiástica, uma frase do gênero: “As pessoas homossexuais têm dons e qualidades para oferecer à comunidade cristã.” Seguida de uma pergunta dirigida aos bispos do mundo inteiro: “estamos em condições de acolher essas pessoas, garantindo-lhes um espaço de fraternidade em nossas comunidades?” (no. 50). Embora não equiparando as uniões entre pessoas do mesmo sexo ao casamento entre homem e mulher, a Igreja se propõe “elaborar maneiras realistas de crescimento afetivo e de maturidade humana e evangélica integrando a dimensão sexual” (no. 51). “Sem negar os problemas morais conexos às uniões homossexuais, nota-se que há casos em que o suporte mútuo com vistas ao sacrifício constitui um apoio precioso para a vida dos parceiros” (no. 52).

Nenhuma objeção de princípio vem expressa em relação à adoção de crianças por duplas homossexuais: aqui limita-se a dizer que “a Igreja tem uma atenção especial para com as crianças que vivem com casais do mesmo sexo, insistindo que em primeiro lugar são colocados sempre as exigências e os direitos dos pequenos” (ibid). Na conferência de imprensa de apresentação, Mons. Bruno Forte chegou a auspiciar “uma codificação dos direitos que podem ser assegurados às pessoas que vivem em uniões homossexuais”.

As palavras fulminantes de São Paulo segundo as quais “nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os salteadores hão de herdar o reino de Deus” (I Carta aos Coríntios, 6, 9) ficam esvaziadas de sentido para os malabaristas da nova moralidade pansexual. Para eles é necessário entender a realidade positiva daquele que foi chamado de pecado que clama ao Céu por vingança (Catecismo de São Pio X). A “moral da proibição” deve ser substituída pela do diálogo e da misericórdia, e o slogan de 68, “é proibido proibir”, é atualizado pela fórmula pastoral segundo a qual “nada se pode condenar”.

Não caem apenas dois mandamentos, o sexto e o nono, que proíbem pensamentos e atos impuros fora do casamento, mas desaparece a ideia de uma ordem natural e divina objetiva sintetizada no Decálogo. Não existem atos intrinsecamente ilícitos, verdades e valores morais pelos quais se deve estar disposto a dar até a vida, como os define a encíclica Veritatis Splendor (no. 51 e no. 94). No banco dos réus não estão apenas a Veritatis Splendor e os recentes pronunciamentos da Congregação para a Doutrina da Fé em matéria de moralidade sexual, mas o próprio Concílio de Trento que formulou dogmaticamente a natureza dos sete sacramentos, a começar pela Eucaristia e pelo Matrimônio.

Tudo começa em outubro de 2013, quando o Papa Francisco, após ter anunciado a convocação dos dois sínodos sobre a família, o ordinário e o extraordinário, promove um “Questionário” dirigido aos bispos de todo o mundo. O uso enganoso de pesquisas e questionários é bem conhecido. A opinião pública julga que uma escolha é justa quando feita pela maioria das pessoas. E as sondagens atribuem a essa maioria, opiniões já predeterminadas pelos manipuladores do consenso. O questionário desejado pelo Papa Francisco abordou os temas mais prementes, da contracepção à comunhão aos divorciados, das uniões de fato aos casamentos entre homossexuais, mais com o objetivo de orientação que de informação.

A primeira resposta, publicada em 3 de fevereiro pela Conferência Episcopal alemã (“Il Regno Documenti”, 5 [2014], pp. 162-172), foi claramente anunciada para condicionar a preparação do Sínodo e sobretudo para oferecer ao cardeal Kasper a base sociológica de que precisava para a preleção ao Consistório que o Papa Francisco lhe havia confiado. O que de fato emergiu foi a recusa explícita dos católicos alemães “às pretensões da Igreja sobre as relações sexuais pré-maritais, a homossexualidade, os divorciados recasados ​​e o controle da natalidade” (p. 163). “As respostas recebidas das dioceses – dizia-se ainda – deixam entrever quão grande é a distância entre os batizados e a doutrina oficial, sobretudo no que diz respeito à convivência pré-matrimonial, ao controle de natalidade e à homossexualidade” (p. 172).

Esta distância não vinha apresentada como uma separação dos católicos em relação ao Magistério da Igreja, mas como uma incapacidade da Igreja em compreender e secundar o curso dos tempos. O cardeal Kasper, em sua exposição ao Consistório de 20 de fevereiro, definirá tal distância de um “abismo” que a Igreja deveria ter preenchido adaptando-se à prática da imoralidade. 

De acordo com um dos seguidores do cardeal Kasper, o sacerdote genovês João Cereti, conhecido por um estudo tendencioso sobre o divórcio na Igreja primitiva, o questionário foi promovido pelo Papa Francisco, a fim de evitar que o debate ocorresse “em ambientes confinados” (“Il Regno-Attualità” 6 [3014], p. 158). Mas se é verdade que o Papa desejava que a discussão se desenvolvesse de forma transparente, não se compreende a decisão de realizar o Consistório extraordinário de fevereiro e, em seguida, o Sínodo de outubro a portas fechadas. O único texto de que se teve conhecimento, graças ao “Foglio”, foi a exposição do Cardeal Kasper. Em seguida baixou o silêncio sobre os trabalhos.

Em seu Diário do Concílio, em 10 de novembro de 1962, o Padre Chenu anota estas palavras do padre Giuseppe Dossetti, um dos principais estrategistas da frente progressista: “A batalha eficaz se joga no regulamento. É sempre por esta via que eu ganhei”. Nas assembleias, o processo decisório não pertence à maioria, mas à minoria que controla o regulamento. Não existe democracia na sociedade política nem na religiosa. A democracia na Igreja, observou o filósofo Marcel De Corte, é cesarismo eclesiástico, o pior de todos os regimes. No processo sinodal em curso a existência deste cesarismo eclesiástico é demonstrada pela pesada atmosfera de censura que o acompanhou até hoje.

Os vaticanistas mais cuidadosos, como Sandro Magister e Marco Tosatti, sublinharam que, ao contrário dos Sínodos precedentes, neste foi proibido aos padres sinodais de intervir. Magister, recordando a distinção feita por Bento XVI entre o Vaticano II “real” e o “virtual” que se lhe sobrepôs, falou de uma “divisão entre sínodo real e sínodo virtual, este último construído pela mídia com a sistemática ênfase às coisas caras ao espírito do tempo”. Hoje, no entanto, são os próprios textos do Sínodo que se impõem com a sua força explosiva, sem a possibilidade de deturpações pelos meios de comunicação, que se têm mostrado até mesmo espantados com o poder explosivo do Relatório do cardeal Erdö.

Naturalmente este documento não tem qualquer valor magisterial. É também lícito duvidar que ele reflita o verdadeiro pensamento dos Padres sinodais. Contudo, a Relatio prenuncia a Relatio Synodi, o documento final da assembleia dos bispos.

O verdadeiro problema que agora se porá é o da resistência, anunciado no livro Permanere nella Verità di Cristo [Permanecer na Verdade de Cristo], dos cardeais Brandmüller, Burke, Caffarra, De Paolis e Müller (Cantagalli 2014). O cardeal Burke, em sua entrevista com Alessandro Gnocchi no “Foglio” de 14 de outubro, afirmou que eventuais mudanças na doutrina ou na prática da Igreja pelo Papa seriam inaceitáveis, “porque o Papa é o Vigário de Cristo na terra e, por conseguinte, o primeiro servo da verdade da fé. Conhecendo o ensinamento de Cristo, não vejo como se possa desviar daquele ensinamento com uma declaração doutrinária ou com uma prática pastoral que ignore a verdade”.

Os bispos e os cardeais, até mais do que os simples fiéis, encontram-se diante de um terrível drama da consciência, muito mais grave do que aquele que tiveram de enfrentar no século XVI os mártires ingleses. Com efeito, tratava-se então de desobedecer à suprema autoridade civil, o rei Henrique VIII, que por um divórcio abriu o cisma com a Igreja Romana, enquanto hoje a resistência é feita à suprema autoridade religiosa, caso esta se desvie do ensinamento perene da Igreja.

E quem é chamado a resistir não são católicos desobedientes ou dissidentes, mas precisamente aqueles que mais profundamente veneram a instituição do Papado. Outrora, quem resistisse era entregue ao braço secular, que o destinava à decapitação ou ao esquartejamento. O braço secular contemporâneo aplica o linchamento moral, através da pressão psicológica exercida pela mídia sobre a opinião pública.

O resultado é muitas vezes o colapso físico e mental das vítimas, a crise de identidade, a perda da vocação e da fé, a menos que se seja capaz de exercitar, com o auxílio da graça, a virtude heroica da fortaleza. Resistir significa, em última análise, reafirmar a total coerência da própria vida com a Verdade imutável de Jesus Cristo, invertendo o argumento dos que hoje pretendem dissolver a eternidade do Verum na precariedade do quotidiano.

Fonte:


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

CARTILHA MARXISTA DA CNBB

Divulguem: para combater a cartilha marxista da CNBB

Caríssimo leitor:

Preparei esta carta refutando alguns pontos de cartilha distribuída e autorizada pela CNBB, “Eleições 2014: seu voto tem cosequências”, por constituir pregações totalmente contrárias ao pensamento político da doutrina social católica. Na verdade, é uma cartilha marxista e anticristã, que confunde os católicos, induzindo-os a votar em partidos de esquerda. Se qualquer pessoa quiser mandar esta carta ao seu padre, bispo ou arcebispo, desde já está autorizado a enviá-los, como também a publicá-los em panfletos ou em forma de cartilha. Divulguem, publiquem e mandem essa carta ao máximo número de padres, bispos, arcebispos e leigos que vocês conhecerem. É preciso combater os graves erros e maquinações desta cartilha contrária aos princípios da Igreja.



Ao
Exmo. Sr.
Dom. . .
Bispos ou Arcebispo. . .


Excelência. . .

Perdoe-me tomar vosso tempo, sabendo que uma alta autoridade de nossa Santa Madre Igreja tenha inúmeras ocupações a serviço de Deus e da Igreja. Contudo, como um pobre e humilde leigo católico, não posso deixar de compartilhar tamanha perturbação pelo futuro de nossa nação e, em particular, pelo futuro que nos espera, quando a Igreja Católica parece silenciar em vista de alguns acontecimentos no Brasil. Acontecimentos estes que podem comprometer a liberdade religiosa, a democracia e os destinos do país.

Recentemente eu estava na minha paróquia de. . . quando encontrei o panfleto assim chamado “Eleições 2014 – Seu voto tem conseqüências: um novo mundo, uma nova sociedade”, distribuído como “orientação política” para os católicos na secretaria da igreja. O que poderia ser uma orientação saudável para os católicos na política em defesa dos valores cristãos, via-se ali a mais abjeta doutrinação ideológica esquerdista, a mais completa e sórdida distorção ao Cristianismo e aos valores que nós, cristãos, professamos. A descaracterização desonesta da Doutrina Social da Igreja naquele panfleto é notória. Algumas bandeiras defendidas pela cartilha podem perfeitamente ser encontradas nos anais do Partido Comunista, do Partido dos Trabalhadores, do Partido Socialismo e Liberdade e outros, com sólidas agendas atéias, totalitárias e anticristãs. Não se espera que católicos pensem daquela forma. Porém, essa cartilha estava numa secretaria da Igreja. É opinião compartilhada, inclusive, pela CNBB.

Tal cartilha foi desenvolvida pelo Centro Nacional de Fé e Política “Dom Helder Câmara”, com a participação do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, do ISER e endossada pela CNBB. Na verdade, é a velha pregação dos inimigos da Igreja sob a aparência de linguagem cristã, típica da heresia da Teologia da Libertação, francamente condenada pelos papas João Paulo II e Bento XVI. Vou ainda mais longe. É uma velhíssima pregação comunista, condenada por papas como Leão XIII, Pio XI e Pio XII. Ideologia nefasta e criminosa, que tantos males causou aos cristãos e à humanidade!

Penso ser necessário avaliar alguns trechos, para demonstrar, a título de exemplo, a enorme confusão e gravidade que tal texto quer induzir falsamente os católicos. Porque as suas informações em grande parte são inverídicas e estão ao arrepio do pensamento político da Igreja Católica. Vejamos:

No capítulo 3, que fala sobre os “desafios atuais – com um olhar para as eleições”, encontramos as seguintes informações:

“A violação dos direitos dos povos indígenas e quilombolas

O Brasil está construindo dezenas de usinas hidrelétricas nos rios da Amazônia, com sérias conseqüências para a vida dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, além do impacto ambiental – desmatamento e interferência nos cursos d´água. Além disso, no campo, o governo vem priorizando o interesse do agronegócio, para garantir uma forte exportação de produtos primários. Os grandes proprietários de terras, por seu lado, vêm pressionando para obter mais terras e, por isso, se opõe à demarcação de terras indígenas e quilombolas, direito garantido pela Constituição. Como resultado deste processo, os povos indígenas e quilombolas vêm perdendo terras, perdendo direitos, sendo perseguidos e várias de suas lideranças assassinadas”.

A informação acima, caríssimo. . .(padre, bispo ou arcebispo), é capciosa e enviesada. Primeiro porque o texto não explica que muitas das alardeadas “reivindicações indígenas” são frutos de ONGs estrangeiras, como a Fundação Ford, financiadora do CIMI (Conselho Indigenista Missionário Mundial), que tem como meta, desnacionalizar quase metade do território nacional para grupos estrangeiros, sob a direção da ONU! Vou mais além: o governo federal assinou um tratado de Convenção 169 da OIT, sobre povos indígenas, onde se reconhece inúmeras “Identidades nacionais” alheias à nacionalidade brasileira. Em outras palavras, essa legislação pode simplesmente obrigar o Brasil a perder quase metade de seu território nacional, com a ameaça de expulsão de milhões de brasileiros de suas terras legitimamente consolidadas. O Brasil perderá sua soberania, sob o pretexto de atender nacionalidades biônicas sancionadas pelos burocratas da ONU.

Cabe lembrar-vos, Excelência, de que milhares de brasileiros possuidores legítimos suas terras estão sendo expulsos, na calada da noite, de suas casas, para atender às exigências de ONGs bilionárias, sob o simulacro de defesa dos povos indígenas e quilombolas. O exemplo mais assustador dessa política foi o caso da região de Raposa Serra do Sol, em Roraima, onde brasileiros brancos, mestiços, negros e até índios foram banidos de suas habitações. Com uso da força da polícia federal, ali foi destruída a segunda maior plantação de arroz do Brasil. Milhares daqueles proprietários de terra, outrora donos de seu trabalho, agora vivem como favelados na capital Boa Vista. E a região, que tinha fartura, empregos, é um poço de miséria e desolação. E por quê? Porque o Conselho Indigenista Missionário Mundial fraudou laudos antropológicos, com a colaboração da Funai e do governo federal, para realizar a expulsão dos proprietários da região. Relembremos, Excelência, que ao contrário do texto acima, a demarcação dos territórios indígenas já implica cerca de 15% do território nacional, mais do que todas as terras que atualmente são cultivadas no Brasil, incluso, as do agronegócio!

Dentro da política indigenista apregoada pelas esquerdas, é possível que milhões de brasileiros tenham suas casas expropriadas, para atender Às agendas dos burocratas da ONU e das fundações norte-americanas. Tal é a situação vergonhosa omitida por esta cartilha dita “católica”.

Cabe observar outro trecho da cartilha, a respeito da “gravidade da situação ambiental”. Há aqui uma ideologia do ambientalismo radical, sobrepondo a “natureza” sobre a necessidade humana. Invertendo a ordem da Criação, a natureza é idolatrada e colocada no lugar de Deus. É um culto da deusa Gaia disfarçado de preocupação com o meio ambiente. Atualmente, inúmeros grupos neo-malthusianos e ligados ao controle de natalidade se utilizam do argumento “ambientalista” para inventar regulamentações burocráticas pesadas sobre a economia e a vida privada das pessoas. Isso inclui a pregação do “planejamento familiar”, a “diminuição populacional” e práticas mais graves, como aborto e esterilização em massa da população pobre. Ninguém nega que é necessária preocupação com danos ambientais. Contudo, a cartilha se baseia em inverdades pra defender a tese:

“Estamos vivendo um momento crucial para a humanidade: o atual modelo de desenvolvimento está levando a um aumento sem precedentes do aquecimento global, gerando mudanças climáticas cada vez mais sérias e nosso país tem sido testemunha de vários eventos extremos: chuvas diluvianas, inundações, secas prolongadas, inclusive na Amazônia”.

A despeito do tom apocalíptico, o trecho se baseia numa das maiores fraudes científicas do começo de nosso século: o mito do aquecimento global causado por seres humanos. Desde 2009, quando hackers descobriram que cientistas do IPCC, organismo ligado a ONU, falsificaram deliberadamente estatísticas climáticas para justificarem uma falsa teoria, a tese do aquecimento global perdeu qualquer credibilidade. O escândalo depois chamado “climategate” mostrou como ONGs, entidades governamentais e burocratas das Nações Unidas usavam de má fé para manipular a opinião pública. Al Gore, ex-candidato a presidente da república dos Estados Unidos e um dos promotores do embuste, ganhou publicidade e muito dinheiro trapaceando uma boa parte da mídia internacional. Para se ter uma idéia da vigarice, em 2010, a Europa teve um dos maiores esfriamentos climáticos dos últimos cinco séculos. E por que se inventou a lenda do aquecimento global humano? Em parte, para que países ricos criassem formas de controle dos recursos dos países pobres, impondo normas ambientalistas que boicotassem o desenvolvimento dos países em desenvolvimento.


“No mundo e também no Brasil, o sistema capitalista em vigor está provocando uma crise ecológica que, se não reagirmos logo, poderá levar a extinção da vida humana na Terra. Esse tipo de desenvolvimento é predatório, está esgotando os recursos do planeta porque se baseia na produção sem limites e no consumo incessante”.

O discurso neomalthusiano clássico, de que haverá um excesso de consumo e falta recursos na Terra, é outra das lendas dos arautos da burocracia da ONU e demais países ricos para impor controles populacionais aos países pobres. Caríssimo (padre, bispo ou arcebispo), não somente é comprovado, através de dados estatísticos econômicos, que a Terra pode alimentar muito bem a humanidade, qual seja, 8 bilhões de almas vivas, como os recursos do tipo carvão, petróleo e água são bens que vão durar séculos. Ademais, recordemos que 70% do Planeta Terra é feito de água e existem várias tecnologias de dessalinização dos oceanos. Mas quem disse que os ambientalistas se prestam a esses detalhes? Junto com os partidos de esquerda, querem demonizar a liberdade econômica e a prosperidade dos países pobres. Querem instituir economias controladas por burocratas parasitas e políticos inúteis, sob o comando de ONGs estrangeiras e da própria ONU.



Outros trechos denunciam o engodo da cartilha:

“A lentidão da Reforma Agrária

Nos últimos anos estamos assistindo uma redução muito grande no numero de assentados da Reforma Agrária. Muito embora a ação do governo se faça nos moldes legais de demarcações e desapropriações, os grandes proprietários se negam a negociar, não aceitam os valores oferecidos pelo governo, e entram imediatamente na justiça. Além disso, mesmo quando existe a posição favorável da justiça, os grandes proprietários, muitas vezes grileiros e sem titulação na área, contratam pistoleiros para ameaçar e matar as lideranças dos indígenas, dos quilombolas e dos sem-terra”.

Excelentíssimo (bispo ou Arcebispo), traduzindo com clareza, o trecho acima prega nada menos do que a luta de classes sob o simulacro de defesa da “reforma agrária” e a criminalização dos proprietários de terras. Aliás, o próprio projeto da “reforma agrária” apregoado por grupos como o MST tem como modelo as desastrosas políticas que houve na União Soviética e na China, responsáveis pela morte de milhões de pessoas de fome. Cabe recordar que na Ucrânia de Stálin, em 1932 e na China de Mao Tse Tung, em 1962, a “reforma agrária” levou ao confisco de terras dos camponeses, à imposição da escravidão estatal sobre os trabalhadores rurais e uma política que matou, na União Soviética, cerca de 5 milhões de pessoas de fome, enquanto na China, chegou à estratosférica mortandade de 30 milhões de pessoas!

Ademais, caro (bispo ou Arcebispo), o trecho acima omite mais dados: cerca de 10% das terras nacionais estão nas mãos só do MST e demais grupos de esquerda, que comandam a Reforma Agrária, seja através do Incra ou de outras entidades governamentais. Para se ter uma idéia do desperdício, apenas 8% das terras nacionais é cultivada pelo agronegócio. Enquanto o agronegócio produz a massa de alimentos para as cidades e para o mundo inteiro, a “reforma agrária” é um emaranhado de favelões rurais, onde não se produz absolutamente nada. Ou melhor, produz mais invasões de terras, no sentido de desestabilizar a produção rural. Na prática, a “reforma agrária” se tornou uma indústria de tomar dinheiro público e revenda de terras. Dinheiro este que poderia ser usado para algo realmente útil, ao invés de alimentar a utopia do despercídio. Se atentarmos ao Estatuto da Terra de 1964, o MST e os grupos indigenistas são os maiores latifundiários do Brasil. Reiteremos, latifúndios improdutivos e pobres, já que representam, todos, somados, cerca de mais ou menos 20% do território nacional. Todos eles sustentados pelo governo federal. Isto, sem somar as terras devolutas, pertencentes ao governo.

Ninguém nega, Excelência, que haja conflitos no campo alardeados pela cartilha. Contudo, para se resolver o problema da terra no Brasil há algo bem mais simples: regularizar o direito de propriedade, combater as práticas criminosas de esbulho, invasão de terras e assassinatos e colocar os criminosos, sejam eles posseiros, proprietários de terras e sem-terras na cadeia!


Há outras inverdades:

“Realizar a Reforma Agrária

É um escândalo que esta reivindicação até hoje não tenha sido realizada. A ditadura impediu a Reforma Agrária, mas os governos posteriores também não a realizaram. É uma reforma estrutural necessária para acabar com a elevada concentração da propriedade da terra – onde 1% dos proprietários detém quase metade da terra,- , para democratizar seu acesso, fazendo com que a terra se destine a quem nela queira trabalhar e produzir alimentos para a população”.


Apesar da verborragia retórica, nada mais além do que a projeção da ideologia marxista negando a realidade. Primeiramente, seria absurdo crer que os proprietários de terras possuíssem 1% de quase a metade da terra, se a maioria do território nacional nem mesmo é ocupado. Ora, Excelência, só a Amazônia, que compete a mais de 50% do território nacional, é uma região que experimenta grandes vazios demográficos. As demais regiões do Brasil também experimentam grandes extensões de terras desocupadas. Longe de ser verdade, a histeria da concentração fundiária é mais uma das lendas inventadas por inúmeros panfletos de esquerda que encontramos em grupelhos estudantis e partidários. E que lamentavelmente também encontramos nas fileiras católicas da Teologia da Libertação!

A verdade, Sr. (Arcebispo, bispo ou padre), é que o grosso dos empregos e do capital está concentrado nas cidades. Os serviços terceirizados e as estruturas logísticas e culturais das cidades criaram novas opções de riqueza, ocasião em que chama milhões de pessoas para melhorarem suas vidas. Mais de 80% da população brasileira está nas cidades, seguindo uma tendência mundial dos países industrializados. Nos Eua, o número de pessoas que trabalha na terra é de mais ou menos 3 ou 4%. E na Europa, as taxas seguem o mesmo curso. Como já dizia a frase medieval: Stadtluft macht frei. O ar das cidades nos faz livres!

A tal “democratização da terra” é um renomado nonsense. Primeiro, porque a maioria da população brasileira não precisa de terras. Precisa de empregos, de bens de consumo mais baratos e maior aumento da renda, para melhorar economicamente suas vidas. A maioria das pessoas, atualmente, por assim dizer, é de “sem-terras”, vivendo nas cidades. Para se cultivar algo no campo não basta possuir. É preciso capital, experiência, know how, conhecimento das dificuldades e dos altíssimos custos do campo. Poucas pessoas, salvo àquelas que são talentosas para o ofício, vão sair do conforto das cidades para as dificuldades do mundo rural. Em outras palavras, a “reforma agrária” pregada pela cartilha é um retrocesso. Longe de um convite à prosperidade, é um convite à miséria e desolação.

É ainda assustadora a completa incompreensão da realidade no que diz respeito à “terra urbana”, tal como a cartilha desenvolve:

“Não obstante o Estatuto da Cidade, aprovado com grande empenho e dificuldade pelo movimento pela Reforma Urbana, as cidades ainda possuem grandes espaços dentro do perímetro urbano, muitas vezes no perímetro central, inaproveitados, enquanto os pobres são levados a morar em regiões distantes e em condições inapropriadas. Muito embora existam os instrumentos legais, não existe uma Reforma Urbana que tenha os pobres como sujeitos de sua realização”.

A idéia central deste trecho é bem simples: basta um Estado milagroso e socialista criar leis e impor situações completamente irreais sobre problemas imobiliários e, pronto, teremos a tão sonhada sociedade da Utopia ideal de São Thomas More! Atualmente grupelhos marxistas demagogos incentivam a invasão de casas nos centros de São Paulo e demais cidades do país, achando que relativizando o direito de propriedade ou forçando a situação através da violência, é possível resolver os problemas da habitação do país. Nada mais falso.

As tais políticas de “reforma urbana” propostas pela cartilha levariam a mais déficits de casas. Explico: se não há respeito aos direitos de propriedade e se não há proteção legal aos bens de seus proprietários, suas casas ou prédios, as ações violentas destes grupos criarão um desestímulo, uma retração dos investimentos de novas casas e um aumento do preço dos aluguéis e dos imóveis. E por quê? Pela simples razão de que ninguém produzirá com os frutos de seu trabalho e do seu capital suado para que desordeiros organizados por políticos demagogos ocupem suas casas! Fazer novas casas sairá cada vez mais caro e arriscado.

Os grandes espaços urbanos existentes de “vende-se” e “aluga-se” na nossa atualidade são sinais da grande crise econômica que virá em 2015. Em outras palavras, o governo torrou dinheiro público, torrou a poupança, torrou tudo aquilo que o povo produziu para sustentar seu aparato burocrático e, naturalmente, um dia essa torneirinha de dinheiro iria acabar. Eis a conseqüências das ações da classe política, dos burocratas iluminados e dos engenheiros sociais, quando ousam ditar ou substituir o que a sociedade faz de melhor por si mesma!

Claro que isso não explica a totalidade do problema. A irregularidade dos direitos de propriedade é outra questão, uma vez que os tributos cobrados pelo governo, através de impostos de transferências de propriedade inter vivos e causa mortis, são exorbitantes, gerando um verdadeiro caos imobiliário. Encarece assim a compra e venda de propriedade.

A cartilha critica as privatizações, como se fosse um mal em si fugir do controle do Estado:

“O governo Collor deu início ao programa de privatização de empresas estatais e de serviços públicos, o governo Fernando Henrique Cardoso impulsionou as privatizações, quebrou o monopólio da Petrobrás e iniciou os leilões nas áreas de exploração do petróleo – abertos a empresas privadas. O governo atual está dando continuidade às privatizações – portos, aeroportos, rodovias, ferrovias – e deu início das áreas do pré-sal, começando com o campo de Libra”.

Ao que parece, os ideólogos dessa cartilha sonham com o Estado socialista centralizador, totalitário, fonte de burocratização da economia e corrupção. Se hoje a telefonia chegou na casa de milhões de brasileiros, se hoje milhões de pobres têm celulares em seus bolsos, se hoje muitos serviços aumentaram em qualidade, deva-se aos pilares centrais da prosperidade econômica, ou seja, livre empresa, livre concorrência e livre mercado. A Companhia Vale do Rio Doce, privatizada, gera mais lucros ao Pará em Royalties do que na época em que era estatal.

Vou mais além: os mesmíssimos inimigos da “privatização” das empresas e que alegam que a Petrobrás foi “privatizada”, de fato, têm “razão”. A Petrobrás, atualmente, foi pivô do mais escandaloso caso de corrupção de sua história. O Partido dos Trabalhadores, o defensor-mor de estatais do país, é o mesmo que as utiliza para seus fins privados. Mas é claro que os políticos adoram estatais! Eles a usam em causa própria, para suas fortunas, seus caixas dois ou mesmo para subornar o Congresso Nacional em Brasília!

Se não bastasse o convite ao desastre econômico e à destruição da livre empresa, os divulgadores da cartilha pregam o que é uma ameaça às liberdades civis e políticas da população brasileira:

“O Oligopólio da grande mídia

No Brasil, os grandes meios de comunicação são dominados por um pequeno grupo, um oligopólio. Eles defendem em primeiro lugar os interesses dos grandes grupos econômicos – bancos, empresas, empreiteiras, agronegócio, setor privado. Sendo concessões públicas, eles deveriam ser meios de informação e de debate de idéias para toda a população, mas servem para defender as idéias daqueles grupos; deste modo, divulgam o que podem ajudá-los e omitem as notícias que podem prejudicá-las.

Há décadas, movimentos sociais e organizações da sociedade civil defendem uma legislação que garanta a democratização dos meios de comunicação, de modo que eles deixem de ser controlados por um pequeno grupo e passem a ser partilhados com inúmeros outros setores e interesses da sociedade – o que já foi conseguido em alguns países da América Latina. Mas até agora essa legislação não foi feita”.

Cabe fazer um seguinte intróito: a tal “democratização dos meios de comunicação” aplicada em países da AMÉRICA LATINA como a Venezuela, Argentina, Equador, Nicarágua e outros, significou nada menos do que a destruição da liberdade de imprensa e o controle absoluto da informação pelo Estado. Em outras palavras, o Estado ditará e controlará toda a liberdade de informação no país, tal como ocorre em qualquer ditadura comunista. A política “bolivariana” de Hugo Chavez, que perseguiu, confiscou e fechou todos os organismos de imprensa independente do país, ou quando a presidente da Argentina Cristina Kischner instaurou o monopólio sobre o papel, controlando a difusão do jornalismo impresso, são as “políticas” de “democratização da mídia” tão defendida pelo hediondo panfleto.

“Democratização da mídia” ou dos “meios de comunicação”, na linguagem pró-esquerdista do texto, significa nada menos do que controle da mídia pelos grupos socialistas e comunistas. Cabe acrescentar que o governo federal, em 2010, financiou a Confecom, a Conferência Nacional de Comunicações, em Brasília, cujo debate era simplesmente CRIAR MEIOS DE CENSURA DA IMPRENSA! E por quê? Para que o governo federal não somente acobertasse seus casos de corrupção, como também as intenções de seu projeto ditatorial!

Em tempo: isto já ocorre sutilmente, quando milhões de reais do governo são injetados nas maiores empresas de comunicação do Brasil. Agendas politicamente corretas tais como a defesa do aborto, do casamento homossexual, da destruição da família, como também o ódio ao Cristianismo, são difundidas por essas mesmas mídias que são acusadas de representar as supostas “elites”. Todas as agendinhas politicamente corretas, sejam elas escritas pela ONU ou por inúmeras fundações bilionárias pró-aborto, feministas, LGBT e anti-família, são bombardeadas massivamente em novelas, “debates”, jornais, revistas, artigos, etc. Alguém, em sã consciência, acredita mesmo que os meios de comunicação, cuja hegemonia esquerdista é quase total, tenham alguma propensão “conservadora”, “direitista” ou “reacionária”?

Vou mais além na denúncia. O panfleto prega a destruição sutil da democracia e da identidade nacional brasileira. Eis o que o texto diz:

“O Estado que hoje existe evidencia os limites da democracia representativa e efetivamente não responde às necessidades de novos sujeitos históricos. Anseia-se por novas formas de vivência democrática que reconheçam o caráter plurinacional da nação e o direito à identidade cultural, individual e coletiva; a igual dignidade das culturas, rompendo com a SUPREMACIA INSTITUCIONAL DA CULTURA OCIDENTAL, o caráter do sujeito político dos povos e comunidades indígenas, campesinas, ribeirinhas e quilombolas, superando o tratamento tutelar destes povos como objetos de políticas ditadas por terceiros; o reconhecimento das diversas formas de participação, consulta e representação direta dos povos indígenas, camponeses e afrodescendentes. Nesse sentido, defende-se a democracia participativa como forma de ampliar os canais de participação do povo na vida política”.

Excelência, a falácia da “democracia participativa” já vimos antes, em várias situações da história. Os tiranos da Grécia Antiga exploravam as tendências da maioria para implantar ditaduras contra os dissidentes e a minoria. Daí os demagogos helênicos, cujos registros nos deram tristes lembranças. Ou mesmo no século XX, quando os regimes totalitários (leia-se nazismo, fascismo, comunismo), explorando os métodos eleitorais, utilizaram a democracia direta para a destruição do sistema democrático. Em 1933, Hitler, através do sufrágio popular, destruiu a república democrática de Weimar e oficializou a ditadura nazista. Quando o exército vermelho ocupou grandes extensões do Leste Europeu, Stálin, para simular aparência de democracia, implantou ditaduras comunistas através de eleições. Em outras palavras, a democracia, sem os limites institucionais, sem o respeito às liberdades individuais e sem o zelo ao direito natural e as prerrogativas do bem comum, levada ao radicalismo, acaba por se auto-destruir. O voto eleitoral e a “democracia participativa” podem ser instrumentos poderosos das piores tiranias.

E esta falácia política não está tão longe de nossa realidade. O falecido ditador Hugo Chavez destruiu a democracia venezuelana através de inúmeros referendos, concentrando o poder sobre as instituições e sobre todo o país. O mesmo expediente se vê no Equador, na Bolívia e na Argentina. E os esquerdistas querem utilizar este mesmo processo ao Brasil. Através de instrumentos democráticos ilegítimos, destrói-se a democracia e se instaura a ditadura, com o consentimento de uma maioria amorfa. Eis a semente do totalitarismo.

Mas afinal o que significa o “caráter plurinacional” da nação? Atualmente as agendas esquerdistas ampliaram o conceito de “luta de classes” para criar uma nova “dialética” de conflitos: luta de negros e índios contra brancos, de ricos contra pobres, de gays contra heteros, de mulheres contra homens, de sulistas contra nortistas, de sem-terras contra proprietários de terras, numa política que ousa levar o país à desagregação social e à guerra civil. Agora se inventam outras “nações”, projetadas por engenheiros sociais e ativistas, forjadas por canetada de burocracias internacionais da ONU e das ONGs estrangeiras, com o intento de destruir a identidade histórica e cultural da nação brasileira. Identidade esta fundada sob a égide da gloriosa civilização da Cristandade, do Império Português e da Santa Fé Católica. Este grande Império, com a fé cristã, trouxe a agregação de várias raças e povos para se criar uma grande e única nação, a nação brasileira. “Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Jesus Cristo” (Gálatas, 3, 28).

Nós, brasileiros, fomos unidos no legado do Império de ultramar, no legado da civilização cristã latina mediterrânea, agregando brancos, negros e índios numa sociedade comum. E, no entanto, essa sociedade plural e mestiça, perfeitamente integrada nos valores do Cristianismo, é ameaçada pelo ardil e pela malícia dos seus inimigos. Querem substituir uma sociedade integrada por outra, segregada, separada, cheia de ódios, de guetos, de discórdias, de ressentimento.

O ódio à civilização ocidental não esconde seu pensamento na agenda marxista da Escola de Frankfurt. Tudo que for impeditivo à expansão do socialismo e da ideologia politicamente correta deve ser destruído. Ora, mas o que é a civilização ocidental tão combatida por eles na cartilha? É simples: é a filosofia grega, o direito romano e a civilização latina cristã católica! Esses “católicos” traem o legado da catequese, do arcabouço moral de grandeza que os nossos pregadores, como o Padre José de Anchieta, Manuel da Nóbrega e de um espírito grandioso como o do Padre Antonio Vieira, trouxeram para a América pagã e pré-cristã.

Em miúdos: o próprio propósito da fé católica é questionado enquanto civilização. Não somente questionado, como também combatido, dentro das idéias da cartilha. A civilização que trouxe democracia, liberdade, dignidade do ser humano e uma expressão universal de fé e salvação agora é colocada no banco dos réus pelos ideólogos ressentidos, que destilam ódio e sangue. Ideólogos estes que, como o demônio, roubam, matam e destroem. Eles odeiam a nação brasileira. Odeiam o Cristianismo. Odeiam nossa fé católica. Odeiam o ocidente, com toda a grandeza que esta civilização representa, para fazer apologia do mais completo barbarismo!

Ademais, os tais “católicos” da cartilha apelam ao multiculturalismo e ao relativismo moral mais rasteiros para nivelar todas as culturas com “igual dignidade”. Mas isto é tremendamente falso. A cultura indígena que adota infanticídio, aborto ou mesmo praticava o canibalismo, nas épocas da colonização, não pode ser elevada à mesma dignidade da fé cristã. A cultura do fanatismo islâmico que hoje escraviza e estupra mulheres cristãs na Síria, decapita pessoas inocentes e não poupa até mesmo crianças, não pode ser equiparada a outra cultura que preserva a dignidade intrínseca do ser humano na concepção até à morte. E reitero, essa única cultura é a cristã.

O multiculturalismo nega a interação entre as culturas. Daí o purismo racista de segregar costumes e fechá-los em si mesmos. Nenhuma cultura tem relevância por ser “branca”, “negra”, “indígena” e sim porque oferece algum propósito de bem real ao ser humano como um todo. A cultura cristã lusitana no Brasil soube assimilar boas práticas encontradas nas culturas indígenas e negras e aboliu outras abomináveis, que degradavam os seres humanos até mesmo dessas culturas. E, no entanto, em nome de uma idealização fechada e autista entre as culturas, os inimigos da cultura ocidental querem legitimar modos cruéis de vida, em nome da “tolerância”. Eis aqui a sementeira perversa da ideologia “indigenista”, como da alardeada “negritude”, tão exaltada por intelectuais energúmenos!

Os destinos da civilização cristã estão em jogo. O ódio anticristão contamina a Europa, os Eua e todo o ocidente. Igrejas são invadidas por feministas e gayzistas raivosos, que hostilizam a missa, o culto, e os símbolos católicos são blasfemados. Sob a bandeira falaciosa da “laicidade”, os países democráticos querem banir qualquer referência do Cristianismo na vida pública. No Preâmbulo da nascente Constituição da Europa, os seus criadores simplesmente apagaram o Cristianismo da memória histórica européia.

 Em nosso país, cruzes em repartições públicas são expulsas dos recintos, a manifestação pública da fé é mal vista, senão criminalizada e as opiniões cristãs são silenciadas, para que perniciosas agendas políticas como a do aborto, do casamento gay, da eutanásia, da destruição da família e até mesmo da pedofilia sejam impostas sobre todos nós. E todas estas ações são patrocinadas oficialmente pelos Estados democráticos da atualidade.

Nos países islâmicos e comunistas, centenas de milhares de cristãos são perseguidos e massacrados, em mais outro genocídio ignorado pela imprensa dita “livre”. E mesmo no mundo democrático, a imprensa, a mídia, os formadores de opinião os centros culturais, como escolas e universidades, contribuem para a destruição cultural e simbólica do Cristianismo.

Por vezes, a história parece repetir os eventos trágicos que ocorreram na primeira metade do século XX, quando centenas de milhares de cristãos foram assassinados pelos regimes ateus e secularistas. Relembremos a terrível história da Revolução Russa, da guerra civil cristera no México ou dos horrores da guerra civil espanhola, quando milhares de católicos e demais cristãos foram torturados, perseguidos e fuzilados, muitos deles gritando com louvor “viva Cristo Rei”! Quando igrejas foram queimadas, túmulos foram profanados e santuários foram destruídos. Quando se quis riscar o Cristianismo do mapa. . .

E apesar de todo o histórico de destruição, misérias, aflições contra a incolumidade da fé cristã, onde estarão os católicos contra esse estado de coisas? Simplesmente não estão. A igreja, que foi protagonista do nascimento e da cultura da nação, agoniza, silencia, cala-se. Quando não, está sendo usada para virar instrumento de sua própria destruição. A voz que hoje ouvimos nas Igrejas e nos folhetins, entre os quais, este que foi citado acima, induz o católico ao suicídio político e cultural.

Qual a reação do católico desavisado ao ler essa cartilha senão reconhecer nela as agendas políticas dos partidos ateus e de esquerda? Partidos estes que defendem a legalização do aborto, a eutanásia, o casamento homossexual e a destruição dos valores da família e do Cristianismo. A cartilha engana, trapaceia, induz o católico a votar errado. Induz a votar em grupos inimigos da Igreja.

Partindo da lógica dessa cartilha, o católico pode apoiar o comunismo, a abolição da propriedade privada, a estatização da economia e a instauração de um Estado totalitário, a secularização radical da sociedade, a destruição da religião e o banimento da moral cristã. Já que o multiculturalismo e o relativismo moral levam basicamente à promoção de práticas morais e éticas monstruosas. Pode apoiar, inclusive, a destruição da soberania nacional e a imposição de poderes alienígenas e contrários à liberdade da nação.

É justo e necessário retirar de circulação esta cartilha ou, no mínimo, contestá-la e demonstrar sua falsidade.

É dever de todo católico amar a Deus sobre todas as coisas. Amar ao próximo como a si mesmo. Feito isto, amar a humanidade em geral e sua família e sua pátria no âmbito particular. O que a cartilha prega é uma doutrina perniciosa, contrária aos valores religiosos e patrióticos que qualquer católico tem a obrigação de seguir.

É dever de todo católico amar a verdade, que liberta, nas palavras de Nosso Senhor. Não sejamos omissos ao mal que nos espera. É preciso falar a verdade, pregá-la, doa a quem doer. Como é dever do clero zelar pela incolumidade espiritual de seu rebanho. Esperemos que a partir dessa carta, o clero da Santa Igreja, pastor de suas ovelhas, não nos envie aos lobos. Pelo contrário, escute-nos e oriente-nos das maledicências deste mundo e da política.

Mui respeitosamente

Leonardo Bruno Oliveira

Belém, 14 de outubro de 2014

Fonte: http://cavaleiroconde.blogspot.com.br/