sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

EU NÃO DISSE?

HEITOR DE PAOLA

28/02/2014

Tão logo começou o chamado “julgamento do século” (putz!) em agosto de 2013 eu percebi que não se tratava de um circo montado para enganar a classe supostamente letrada do País e escrevi um artigo Panem et Circensis. Escrito em 3 de agosto fui alvo de críticas por não dar crédito à “insuspeita” máxima instituição judiciária da Nação. Um verdadeiro delírio de vingança anti-petista totalmente baseado em wishful thinking tomou conta dos bem pensantes conservadores: agora vai! O STF vai por na cadeia esta corja de petistas canalhas. Pensei “esperem e verão”. Quando houve as condenações e vimos os mesmos sendo levados ao xilindró com a mão na velha saudação comunista, o delírio foi aos píncaros. E eu continuei pensando e dizendo para quem queria me fazer ver a realidade “esperem e verão”. Quando se discutiram os embargos infringentes alguns começaram a duvidar, mas o delírio se impôs e pensavam e diziam: é claro que eles não vão aprovar. Eu esperava, acreditando que iam sim.

Ora, só faltavam dois votos para virar o jogo e o PT não iria perder esta. Deu no que deu. Agora não espero mais, grito com prazer sádico EU NÃO DISSE?

A maioria mostra-se decepcionada, eu não porque nunca me iludi. Sempre repetia: esta turma não vai pra cadeia e se for sai!

As palavras do Barbosa não passam de tergiversações, pois ele sabia desde o início o que iria acontecer. Não é por acaso que ele sempre votou no PT. Demais, o momento triste para o STF não foi ontem. Foi quando aceitaram fazer julgamentos como novelas da Globo, pior, televisionados ao vivo! Abdicaram de sua honrosa função jurídica para fazer espetáculos circenses, abriram mão da solenidade inerente à função tornando-se partícipes de uma farsa.

Mas é preciso transparência, não? Se é, eles ontem também julgaram com transparência e ninguém tem nada a se queixar. Assistiram à segunda parte do ridículo espetáculo, reclamam de quê? O fim da novela não lhes agradou? A mim já não agradou desde o início.

A ilusão com um Happy End é por ignorância de como funciona um partido revolucionário. Perceberam só agora que tá tudo dominado MESMO? Não é uma frase vã, é a pura verdade. Não existe Judiciário independente neste País há muito tempo. Nem forças armadas, nem nada!

A dica estava no voto de uma das Ministras, não lembro qual das duas, que declarou que lamentava ter que condenar “uma pessoa com a biografia de luta pela democracia” como o Genoíno. Bela biografia: terrorista, guerrilheiro, assassino - em potencial ao menos – cagão e delator: borrou-se todo ao ser preso e entregou toda a guerrilha do Araguaia sem que os militares precisassem sequer tocar num fio de cabelo!

Esperem um pouco mais sem acreditar e logo, logo, seremos uma Venezuela. Aí vão lamentar não dar ouvidos a que conhece por dentro esta quadrilha.

Termino com a epígrafe com que comecei o texto citado:

Já há muito tempo, desde quando não vendíamos nossos votos para ninguém, o Povo abdicou de seus deveres, o Povo que outrora detinha comando militar, altos cargos civis, legiões – tudo, enfim – hoje se restringe, e aguarda ansiosamente, a apenas duas coisas: pão e circo (JUVENAL – Sátira X).

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O SUMIÇO DE TROTSKY NA FOTO

HEITOR DE PAOLA
19/02/2014
O diabo pode citar as Escrituras para seus próprios fins. Uma alma danada prestando falso testemunho. É como um vilão com uma face risonha. Uma bela maçã podre por dentro. Oh, que formosa aparência tem a falsidade.
WILLIAM SHAKESPEARE
The Merchant of Venice, Ato I, cena 3 [i]




Uma das primeiras revisões da história no século XX foi, mesmo ainda não existindo Photoshop, retirar a imagem de Trotsky da foto do discurso de Lenin aos soldados em 1920. Esta falsificação desencadeou uma sucessão de outras em que personagens importantes da URSS iam sumindo, primeiro das fotos, depois fisicamente indo para o Gulag ou sendo simplesmente fuzilados. Mas a mentira, a falsidade de bela aparência, iniciou-se com o farsante que deu origem a esta ideologia que não passa de uma bela maçã podre por dentro: Karl Marx.

A teoria econômica de Marx teve por base uma revisão mentirosa das estatísticas dos resultados da Revolução Industrial para os trabalhadores ingleses (ver Capitalism and the Historians, F. Hayek, Editor). Como a Marx nunca interessou a verdade histórica, mas fazer com que ela se espremesse dentro de suas teorias “dialéticas“ a óbvia melhoria de vida dos trabalhadores ingleses foi transformada numa vida infernal em que só os patrões – que alcunhou capitalistas – lucravam. A revolução burguesa deu o mote para Marx elaborar uma falaciosa teoria do processo histórico, o materialismo histórico, baseado na evolução dos “modos de produção”. Incrível é que tenha se tornado a visão preponderante nos cursos de história. Desta má formação congênita não poderia se não sair um feto moralmente deformado.

Uma versão atualizada nesta revisão farsesca se instalou em cheio na Iberoamérica, particularmente no Brasil. Através de factoides pomposamente chamados de Comissões da Verdade tentam fazer aqui o que nem foi tentado nos outros países: se nesses se faz de tudo para processar os militares e civis que estabeleceram governos de força para combater o terrorismo e a guerrilha nas décadas de 60-80, aqui se tenta simplesmente fazer desaparecer aquele período da história recente, usando um Photoshop mental que é engolido por uma massa previamente preparada desde os governos tucanos para se tornar analfabetos funcionais, robôs iletrados capazes de acreditar em qualquer coisa que lhes empurrem goela abaixo.

O que espanta é não haver reação nenhuma de quem sabe o que está acontecendo e deixam correr solto. Refiro-me à alta cúpula militar constituída, ao que parece de seres amorfos aprisionados em suas próprias inconsciências. Não percebem que ao se atacar a memória de seus antecessores, conspurcando-os com acusações malévolas, retirando seus nomes de obras de engenharia que suaram para fazer e trocando-os pelos de notórios bandidos, eles também são atingidos. “Quem muito se abaixa deixa mostra a bunda”, diz um ditado.

A alternativa é mais terrível para o País: estarão, assim como o que já se pôde antigamente chamar empresariado, de má fé mancomunados com os criminosos e desejosos de manter privilégios de altos cargos, ajudam os seus inimigos? Tecem a corda com que serão enforcados (apud Lenin)? Comparecerão com toda a pompa e circunstância à nova inauguração da Ponte Carlos Marighela? À rodovia Carlos Lamarca? À hidrelétrica Ernesto “che” Guevara?

Depois de uma reunião da comissão estadual do Rio ter sido aberta com todos os presentes cantando a Internacional Comunista o diabo rasgou a máscara e se apresentou claramente como um vilão, que dúvidas podem restar que os militares agiram corretamente há 50 anos para impedir o comunismo de dominar o país, acabando com a bela e falsa aparência de luta pela democracia e mostrando-se a alma danada que só os cegos já não haviam enxergado.

Se eles se sentem tão fortes para se expor desta maneira a coisa está preta! Some-se a isto a criação de um clima igual ao que tínhamos há 50 anos – agitações, desordens, arruaças, greves, ataques a policiais, e Stédile, o Julião de tablet, bradando que a reforma agrária clássica, baseada em invasões, acampamentos e distribuição de terras está ultrapassada e é preciso disputar as cidades, inaugurando uma “nova fase mais urbana” com novas táticas para o espaço onde se dará a luta pela terra nos próximos anos.

Com a população previamente desarmada!

Oh, maravilha!. Que bondosas criaturas existem aqui!. Como é bela a humanidade! Oh, admirável mundo novo. Onde tais pessoas existem


The Tempest, Ato V, cena 1 [i]





segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

QUEM MATOU O CINEGRAFISTA?

QUEM MATOU O CINEGRAFISTA?
10/02/2014

Quem matou o cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, da TV Bandeirantes? Terá sido o rapaz que está preso, acusado de entregar o rojão ao disparador? Terá sido o disparador? Eu digo: ambos. Ambos concorreram para o desfecho fatal e devem responder criminalmente pelo ato irresponsável. Faça-se Justiça!
Mas não são os únicos responsáveis. Nem os maiores. Estes são os que chamaram os movimentos de ruas, os que lideraram a “resistência”, os que exaltaram a violência como instrumento de ação política. São os que acreditam na “ação direta”, essa antiga e malfadada forma comunista de ação de rua, preparatória de golpes de Estado.
Há, todavia, outro autor ainda mais importante: a parte da imprensa que tem dado cobertura aos Black Bloc e a todas as ações de ruas que se arrastam desde junho do ano passado. Essa gente é hipnotizada pela suposta democracia direta, pelas massas em ação, pelo elevar-se de Behemoth, o grande símbolo das multidões cegas, caóticas, a besta que precede a chegada da ordem tirânica, o Leviatã.

E também os governadores de oposição, pusilânimes toda vida, que se recusam a prevalecer a Autoridade, que deixaram as ruas como campo de caça para os Black Bloc. Sem a covardia dos governadores de oposição os movimentos não teriam chegado à dimensão que checaram e sacrificado Santiago ainda poderia estar vivo.
Finalmente, há o Autor. É aquele que, nos palácios, domina o poder do dia, mas quer o poder do amanhã, aumentado ao ponto da tirania. É aquele que, macaqueando Maquiavel, pensa está sendo parteiro da História, quando na verdade não passa de assassino de cinegrafistas e de idosas que morrem por acaso ao longo da ação dos movimentos. É esse Cérebro tenebroso, que exerce o poder e lidera as massas nas ruas contra o poder constituído, em paradoxo, a fim de ganhar as eleições de 2014 de véspera. Quer derrotar os governadores de oposição.
Sim, quem está nos palácios hoje é o Autor, aquele que deseja ser o Leviatã de amanhã.

Evidente que sobre o aparente irracionalismo das massas em movimento paira a “razão revolucionária”. O partido governante no Brasil forjou-se nessa técnica de luta e por ela deseja ganhar o poder total. Mais que isso: não conhece outra forma de fazer política, não quer ser civilizado e não aceita a alternância de poder. Em suma, usa da democracia mas não aceita os seus pressupostos.
Esse é o grande perigo que ameaça todos os brasileiros, o perigo do totalitarismo. Quem viver verá.