sábado, 8 de junho de 2013

O PROJETO ANTI-CRISTÃO DA AGENDA GAY

| Categoria: Sociedade

O projeto anti-cristão da agenda gay

A inversão de valores propagada pela mídia revela um projeto incisivo de destruição da moral cristã
 

 
Os noticiários não falam de outra coisa. O liberalismo sexual, no qual se inclui a causa gay, ganhou de vez as manchetes dos principais jornais do país, numa avalanche que parece não ter mais freio. A unanimidade da imprensa em decretar o novo padrão de moralidade é tão eloquente que os mais desavisados sentem-se quase que impelidos a concordar com ele, mesmo que a contragosto. Mas enganam-se aqueles que, ingenuamente, atribuem essas movimentações ao curso natural da história. Trata-se, pelo contrário, de uma agenda compacta, determinada e amplamente financiada, cuja única meta é: minar os fundamentos da sociedade ocidental - o direito romano, a filosofia grega e a moral judaico-cristã - e, em última análise, a natureza humana.
Não é mais segredo para ninguém a hostilidade com que inúmeras nações se referem ao cristianismo. Praticamente todos os programas de governos atuais têm por política o combate aos últimos resquícios de fé católica que ainda restam na sociedade. E essa agenda ideológica encontra eco sobretudo nas Organizações das Nações Unidas, logicamente, a mais interessada na chamada "Nova Ordem Mundial". Essa perseguição sistemática à religião cristã e, mais especificamente à Igreja Católica, se explica pelo fato de ela ser única a levantar a bandeira da lei natural, que é a pedra no sapato dos interesses globalistas.
Em linhas gerais, o direito natural refere-se ao que está inscrito no próprio ser da pessoa. Isso supõe uma ponte de acesso a uma moral humana já pré-estabelecida, com direitos e deveres naturais, conforme a ordem da criação. Não corresponde a um direito revelado, mas a uma verdade originária do ser humano, que através da razão indica aquilo que é justo ou não. Essa defesa do direito natural foi o grande diferencial do cristianismo em relação às demais religiões no início do primeiro milênio, como assinala o Papa Emérito Bento XVI ao Parlamento Alemão, em um dos discursos mais importantes de seu pontificado:
"Ao contrário doutras grandes religiões, o cristianismo nunca impôs ao Estado e à sociedade um direito revelado, nunca impôs um ordenamento jurídico derivado duma revelação. Mas apelou para a natureza e a razão como verdadeiras fontes do direito; apelou para a harmonia entre razão objectiva e subjectiva, mas uma harmonia que pressupõe serem as duas esferas fundadas na Razão criadora de Deus", (Cf. Bento XVI ao Parlamento Federal da Alemanha em 2011).
A partir do último meio século, ressalta o Santo Padre, o direito natural passou a ser menosprezado, em grande parte, devido à razão positivista. Passou-se a considerá-lo como "uma doutrina católica bastante singular, sobre a qual não valeria a pena discutir fora do âmbito católico, de tal modo que quase se tem vergonha mesmo só de mencionar o termo". Com efeito, para o teórico positivista Hans Kelsen, a ética deveria ser posta no âmbito do subjetivismo e, por conseguinte, o conceito de justiça.
Criou-se, portanto, uma situação perigosa da qual o próprio Kelsen foi vítima posteriormente, quando perseguido pelo regime nazista por ser judeu. A justiça e a ética caíram no relativismo. Cada um julga-se a si mesmo, julga-se o conhecedor do bem e do mal. E "quando a lei natural e as responsabilidades que implica são negadas, - alerta outra vez Bento XVI em uma catequese sobre Santo Tomás de Aquino - abre-se dramaticamente o caminho para o relativismo ético no plano individual e ao totalitarismo de Estado no plano político". Como condenar os regimes nazistas, fascistas e comunistas por suas atrocidades se a justiça é um conceito relativo a cada um?
A Igreja condena a perversidade do relativismo justamente por essa falsa sensação de liberdade propagandeada por ele. É a mesma liberdade oferecida pela serpente do Éden à Eva, a falsa beleza que, na verdade, é escravidão. Quando exposta em termos claros e diretos, a lei natural se torna evidente e com ela, todo o arcabouço que a sustenta: o direito romano, a filosofia grega e a moral judaico-cristã. A lei natural encontra apelo no ser humano justamente por ser verdade e estar de acordo com a razão criadora, o Creator Spiritus. O Magistério Católico é, neste sentido, um dos únicos baluartes da justiça e da dignidade da pessoa humana, por falar quase que solitário em defesa da lei natural.
O trabalho da elite globalista - diga-se ONU, imprensa, ONGs esquerdistas e etc - consiste, neste sentido, única e exclusivamente na destruição desses pilares da lei natural. Assim, sepultam-na numa espiral do silêncio, enquanto reproduzem na mídia uma moral totalmente avessa e contrária à família. Desse modo, abrem espaço para a educação das crianças pelo Estado conforme a cartilha ideológica que defendem. É um programa totalmente voltado para a subversão e o controle comportamental que está sendo colocado em prática, descaradamente, por países como Estados Unidos, França, Suécia, Holanda e até mesmo o Brasil.
Neste momento, em que a Igreja vê-se atacada por todos os lados e se joga com a vida humana como se fosse algo qualquer e sem valor, urge o despertar de pessoas santas, imbuídas por uma verdadeira paixão à Verdade. Todas as grandes crises pelas quais a Igreja passou nos últimos séculos foram enfrentadas por santos de grande valor: São Luís Maria Grignion de Montfort, São João Maria Vianney, Santa Catarina de Sena, São Pio X... E essa crise atual requer a mesma fibra, o mesmo destemor e parresia com os quais aqueles santos estavam dispostos a entregar suas vidas, suas fortunas e até mesmo os seus nomes, sem medo da humilhação, firmes na Providência Divina e na certeza de que no alvorecer do novo dia será de Deus a última e definitiva palavra.


Fonte original:
Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

quarta-feira, 5 de junho de 2013

ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL: Uma metodologia ultrapassada

 
Nesta entrevista, Fernando César Capovilla (professor de Neuropsicologia da USP e especialista em distúrbios da comunicação e da linguagem) fala sobre a superioridade do método fônico de alfabetização em relação ao ideovisual, sobre a baixa qualidade do ensino brasileiro e sobre por que o Brasil continua a adotar o método ideovisual, apesar dos resultados das pesquisas internacionais confirmarem a eficácia do método fônico.

Folha Dirigida — Como o sr. avalia nossos alfabetizadores?
 
Fernando César Capovilla — São pessoas dedicadas e que querem fazer um bom trabalho. No entanto, são impedidas de fazê-lo porque os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) do Ministério da Educação (MEC) estão completamente errados. Quando comparamos os PCN’s brasileiros com os britânicos, finlandeses, franceses ou americanos notamos uma disparidade extraordinária. Eles dizem para não fazer o que o Brasil faz. Existem dois métodos para alfabetização: o ideovisual e o fônico. O mundo inteiro, que usa a escrita alfabética, usa o método fônico porque uma revisão da literatura, de 115 mil estudos científicos publicados, provou que o método fônico é superior ao ideovisual, que continua sendo usado no Brasil e no México.
 
Folha Dirigida — O que é exatamente o método ideovisual? E o fônico? Qual a diferença entre eles?
 
Capovilla — No ideovisual o professor dá o texto para o aluno. O MEC recomenda, por meio dos seus PCN’s, que se dê o texto à criança (um texto, como eles dizem, complexo, rico), e afirma ainda que não há necessidade de ensinar a criança a converter letras em sons e sons em letras. Diz também que o professor deve aceitar tudo o que a criança escreve como uma produção legítima. O professor não pode ensinar, corrigir, treinar ou guiar a criança ao longo do processo. O MEC acredita que a criança aprende praticamente sozinha, que basta ter livros no entorno que ela vai aprender a ler e escrever, e isso é falso. O mundo inteiro descobriu, por meio de atividades científicas, que ler e escrever são atividades complexas que requerem um treinamento específico. São necessárias instruções sobre a relação entre as letras e os sons para que a criança possa codificar fonografenicamente (a partir da fala escrever) e decodificar grafonemicamente (a partir da palavra decodificar o texto e produzir fala). O método fônico evoca a fala, a mesma fala com a qual a criança pensa e se comunica. Por isso é um método muito natural.
 
Folha Dirigida — O Brasil sempre utilizou este método?
 
Capovilla — Antes a alfabetização era feita pelo método silábico. A partir dos anos 80, com o Construtivismo, foi introduzido o método ideovisual que produziu péssimos efeitos. O Brasil é recordista mundial de incompetência de leitura. O México está em segundo lugar e tanto um quanto outro seguem Emília Ferrero (psicopedagoga argentina), ou seja, o Construtivismo. O mundo inteiro deixou isso como sendo um mito, como sendo pernicioso para a criança. Pelos resultados se conhece o método. Quais são os resultados do método ideovisual empregado no Brasil? Incompetência. Por isso somos recordistas mundiais em incompetência.
 
Folha Dirigida — O método de alfabetização utilizado no Brasil está ultrapassado?
 
Capovilla — Ultrapassado, desacreditado e condenado pela França, Dinamarca, Itália, Suécia, Finlândia, Canadá, pelo mundo.
 
Folha Dirigida — O sr. poderia apontar diferenças entre os alfabetizadores brasileiros e os estrangeiros?
 
Capovilla — Os alfabetizadores dos países que investem em pesquisa científica para descobrir como melhor alfabetizar são formados para respeitar as etapas de desenvolvimento da linguagem da criança. Começam do simples para o complexo. O Brasil faz o oposto, começa do complexo. O MEC diz: dê um texto rico para a criança, um texto complexo. Isto é ridículo, é criminoso. O Ministério Público devia investigar o que acontece na educação desse país. Por isso que agora a Câmara dos Deputados vai começar a examinar a educação brasileira à luz do conhecimento científico internacional. O Brasil trata suas crianças como se elas fossem marcianas e, depois, elas são taxadas de incompetentes. Será que somos tão inferiores? Uma subraça? Não. A educação é que é inapropriada.
 
Folha Dirigida — Uma das críticas que se faz é que os jovens não sabem interpretar. Isto seria conseqüência do modelo de nossa alfabetização?
 
Capovilla — Exatamente. Quando se usa o método fônico se melhora a compreensão do texto. No método ideovisual, onde o professor dá logo o texto, o que acontece é que a criança tende a memorizar as palavras. Porém, o código alfabético não se presta à memorização fácil porque as letras são muito parecidas. Com isso, o que acontece é que a criança troca as palavras quando lê (paralexia) e troca palavras na escrita (paragrafia). Esses erros ocorrem porque o alfabeto não se presta à memorização visual. Ele tem que ser decodificado. Ele foi inventado pelos Fenícios para mapear sons da fala, por isso é eficiente. Se você sabe decodificar não precisa memorizar.
 
Folha Dirigida — Para introduzir este método seria necessário mudar a formação do professor?
 
Capovilla — Sim, mas isto é fácil. Quem opta por ser alfabetizador o faz por amor, por idealismo. Uma pessoa idealista é a primeira a se apaixonar pelo seu trabalho quando ele funciona. O método fônico produz resultados extraordinários. Em três meses uma criança está lendo o que não lia em dois anos sob o método ideovisual. As professoras que empregam o método fônico ficam maravilhadas com sua eficácia.
 
Folha Dirigida — É certo que quando o professor vê um resultado positivo ele se anima. Mas os docentes costumam apresentar resistências a mudanças…
 
Capovilla — Isto é humano. Mas quando eles experimentam a mudança, se ela for boa, acabam convencidos da importância de mudar.
 
Folha Dirigida — Há experiência no Brasil de alfabetização pelo método fônico?
 
Capovilla — Já temos pelo menos 40 escolas, em diversos estados, empregando o método no Brasil. Isto porque as escolas particulares, sensíveis à matrícula, se sentem pressionadas pelos pais que ameaçam cancelar o registro dos seus filhos se elas não produzirem bons resultados. Isto está acontecendo em São Paulo e certamente acontece no Rio. As escolas cujos egressos não passam para universidade pública gratuita são questionadas pelos pais. Preocupadas, algumas escolas perceberam que pelo método ideovisual as contradições e problemas se acumulavam ao longo das séries. Em São Paulo, as escolas que empregavam o Construtivismo viam os seus alunos irem para as universidades pagas. Pressionadas pelos pais começaram a procurar eficiência e descobriram no método fônico o caminho.
 
Folha Dirigida — O sr. disse que o professor tem que ensinar, tem que avaliar. Como o sr. vê a aprovação automática?
 
Capovilla — Isto está completamente errado. O objetivo dessa política é melhorar o fluxo, diminuir a disparidade entre a idade e a série escolar. Pelo Brasil existem 8 milhões de crianças fora da série. Isto é resultado de evasão ou repetência, ou seja, fracasso escolar. Nos dois casos isto ocorre porque a escola não está ensinando. Se passarmos a ensinar com eficiência, as crianças aprenderão e serão aprovadas sem precisar de progressão continuada ou do sistema de ciclos. O sistema de ciclos é ruim porque, se a criança não aprende, isto só será percebido daqui a dois, três, quatro anos. Então está se perdendo o que é mais precioso para o desenvolvimento humano, que é tempo. A janela de desenvolvimento da linguagem é até 6 anos, e desperdiçar este tempo prejudica fortemente a criança. Da mesma forma a alfabetização. Se ela não for feita na idade apropriada, que é 6, 7 anos, até 8 anos, na pior das hipóteses, ela vai ser feita num custo muito maior e com resultados muito menores. O método ideovisual não ensina, ele queima o tempo da criança.
 
Folha Dirigida — O sr. diz que para aprender é necessário decodificar. O que é decodificar?
 
Capovilla — É converter os grafemas em fonemas. Aprender a pronunciar a palavra em presença da escrita. Quando pensamos em palavras usamos nossa voz interna. Quando lemos em voz baixa escutamos nossa voz. Isto é o processo fônico: a invocação da fala interna em presença do texto. O método ideovisual desestimula esta fala interna. Ele tenta estimular a leitura visual direta, portanto, a memorização. Só que não é possível memorizar ideograficamente todas essas palavras. A forma correta é aprender a decodificar. Quando fazemos isso, naturalmente se consegue produzir a fala e entender o que se está lendo.
 
Folha Dirigida — Como o sr. avalia a qualidade da nossa educação?
 
Capovilla — A educação brasileira é a pior do mundo.
 
Folha Dirigida — Na sua visão, este resultado negativo tem relação com nosso processo de alfabetização?
 
Capovilla — Eu não acho, eu sei que sim! Pesquisas mostram isso, não é questão de discussão. Nos Estados Unidos houve a guerra de leitura. De um lado os cientistas que defendiam o método fônico e, do outro, os pedagogos que defendiam o ideovisual. O governo, consciente da importância da educação – sabia que era importante formar bem as crianças e jovens americanos para continuar à frente dos outros países – e dividido na briga entre cientistas e pedagogos, resolveu chamar um painel de especialistas para analisar 115 mil artigos comparando os dois métodos. Eles descobriram que o fônico era infinitamente mais eficiente do que o ideovisual.
 
Folha Dirigida — Se este método é tão superior e seus resultados positivos amplamente conhecidos, por que o MEC ainda não os usa?
 
Capovilla — É fácil entender isso. Os anos 80 foram anos de contestação ao governo militar. As esquerdas começaram a arregimentar as massas. Tanto que, hoje, temos um líder operário como presidente. No Brasil, houve uma reação muito forte aos governos militares. Foram anos de espontaneismo, de liberdade civil. Mas as pessoas acabaram confundindo as coisas. Confundiram ensino sistemático com ensino militarizado, clareza conceitual e especificação de currículo, de objetivos, de competências da criança com autoritarismo. Dessa forma, acharam que deixando a criança sozinha ela iria se desenvolver maravilhosamente. “O bom selvagem”, de Rousseau. É uma visão romântica maravilhosa, mas se o objetivo é tornar a criança competente, pesquisas mostram que este modelo não funciona. A própria Emília Ferrero, a ideóloga desta teoria construtivista que ainda domina o Brasil com garras de aço que nos levam à incompetência, nos seus estudos em psicogêneses da língua escrita constatou uma diferença entre crianças pobres e ricas no seu método. As crianças ricas chegavam ao nível 5, 6 de aprendizagem. As pobres paravam no nível 3. E olha que as crianças pobres de Emília Ferrero eram as nossas crianças de classe média. O melhor método é o que permite às crianças mais pobres um aprendizado tão bom quanto o recebido pelas crianças das melhores classes sociais. Isto porque a escola tem a função de justiça social. Ao aumentar a competência da criança, a escola permite a ascensão social.
 
Folha Dirigida — O modelo que temos hoje aumenta a desigualdade social?
 
Capovilla — Exatamente, porque se a escola brasileira não ensina, as crianças vão fracassar, se evadir, repetir de ano. Os pais, vendo isso, têm duas opções: os ricos contratam tutor, compram livros. Já os pais pobres, operários, não podem ajudar os seus filhos. Sob o construtivismo os filhos dos pobres se tornam mais pobres, e os dos ricos mais ricos, porque eles têm profissionais para lhes dar o que a escola está sonegando.
 
Folha Dirigida — Falamos que a alfabetização no Brasil é feita de forma incorreta. E com relação à formação dos professores? Como o sr. vê esta questão?
 
Capovilla — Piaget fazia a seguinte pergunta: Por que o professor tem tão má reputação (no sentido de respeito) em relação a outras profissões? Por que um médico é respeitado e o professor não, se educação e saúde caminham lado a lado? Segundo ele, isso ocorre porque o professor não faz pesquisa, não descobre por si mesmo o que funciona e o que não funciona. Ele não conquista o respeito intelectual como as outras profissões fazem.
 
Folha Dirigida — O sr. acha que a formação do professor alfabetizador deve ter preocupação com a pesquisa?
 
Capovilla — Sem dúvida. Se o professor tiver uma formação de metodologia de pesquisa ele poderá publicar artigos, livros, trocar idéias em congressos.
 
Folha Dirigida — É comum se falar na desvalorização do professor e atribuir isto à questão salarial. O sr. diria que não é só isso, mas sim que ele deve se impor enquanto bom profissional?
 
Capovilla — Para o professor ser valorizado ele tem que se valorizar, ou seja, tem que obter resultados melhores do que tem obtido. Quando alguém obtém bons resultados se sente bem, se valoriza, o auto-respeito aumenta e ele pode falar de igual para igual com qualquer pessoa. Neste caso, o professor pode conseguir financiamento para pesquisa e melhorar o orçamento. Ele deve fazer pós-graduação, que ensina metodologia de pesquisa. Na própria faculdade deve fazer estatística, noções de pesquisa, experimentos para que possa descobrir o que é melhor para as crianças e não ficar dependendo do cientista. Deve especializar-se em descobrir como melhorar o desempenho das mais variadas crianças. Hoje, a escola tem que incluir as crianças portadoras de necessidades especiais, e isto demanda pesquisa.
 
Folha Dirigida — Os docentes estão preparados para lidar com estes alunos?
 
Capovilla — Os meus professores estão. O que faço na educação especial faz com que as crianças possam ir para a sala de aula. Se dermos aos professores os instrumentos que eles precisam para avaliar estes alunos e às crianças os instrumentos para que possam aprender a ler, escrever e fazer o dever de casa a inclusão é possível. Estou fazendo pesquisas sobre isso há 25 anos e tenho todos os instrumentos. Basta o governo querer usar. Sou da USP, universidade pública e gratuita. Então, o instrumento do meu trabalho como pesquisador deve estar nas mãos do professor e compete ao governo pegar este material e dar para o professor. Mas o governo fala muito e deixa o professor desassistido. Não dá ao professor instrumento de avaliação, não dá a criança instrumentos de comunicação e espera que ela seja incluída. Como fazer isso? Por milagre? Não, por meio de pesquisa científica, de implantações tecnológicas.
 
Folha Dirigida — A exigência de que os professores tenham nível superior vai melhorar a qualidade do ensino?
 
Capovilla — Demandar educação é a tendência universal. Cada vez mais educação, sem dúvida, é bom. Agora é preciso avaliar a qualidade da formação universitária que vai ser dada a estes profissionais. Esta formação deve necessariamente incluir metodologia de pesquisa científica, estatística, como descobrir o que fazer. Assim, o educador brasileiro não vai depender dos outros para lhe dizer o que fazer. Ele poderá observar a melhor forma de alfabetizar.
 
Folha Dirigida — O Sr. é psicólogo, atuava numa clínica de reabilitação de leitura. Como caminhou para a pesquisa na área educacional?
 
Capovilla — Comecei como clínico. Tratava de distúrbios de leitura, mas minha clínica não parava de receber crianças. Percebi que uma parte delas tinha um problema de natureza biológica que chamamos de dislexia (distúrbio de aquisição de leitura). Crianças dislexas existem no mundo inteiro, mas no Brasil a taxa parecia ser extraordinariamente maior. Quando avaliava percebia que muitas crianças não eram dislexas, não tinham histórico de dislexia na família. Então, como elas tinham na escola um desempenho tão próximo de dislexia? Na análise descobrimos que os casos ocorrem em crianças de uma mesma turma, de uma mesma escola. O que este país está fazendo? Enchendo as clínicas de reabilitação, públicas e gratuitas, porque a escola não está alfabetizando.
 
Folha Dirigida — Por isso o sr. resolveu investir na pesquisa nesta área?
 
Capovilla — Eu já fazia pesquisa. Isto me encaminhou para uma atuação política nas escolas. Vi que o problema não era clínico, e sim educacional. Que é necessário atuar preventivamente para fazer justiça social. Se a escola fizer o seu trabalho, só vai para a clínica quem precisa de tratamento. O Brasil se dá ao luxo de sacrificar, de crucificar as suas crianças no altar da incompetência para adorar a deusa, Emília Ferrero, dos construtivistas. Isto é um crime.
 
(Entrevista retirada do site RedePsi)
Publicado por Mariana em Alfabetização

sábado, 1 de junho de 2013

EDUCAÇÃO COMO FERRAMENTA DE ENGENHARIA SOCIAL



Arthur Rizzi Ribeiro

1 – Introdução.
Atualmente vivemos uma revolução cultural; a globalização possibilitou conectar pessoas em muitos lugares do mundo e viabilizou influencias culturais de um povo em outro. O aumento do fluxo de informações tornou os grupos políticos e ideológicos mais organizados, e a grande estrela desse acontecimento é sem dúvidas a internet. A Primavera árabe é uma demonstração eficaz deste acontecimento. Governos caíram enquanto manifestantes se organizavam pelo facebook.
Contudo, a revolução cultural não se limita aos âmbitos virtuais, ela se encontra hoje dentro da escola. O objetivo deste artigo é justamente este, não só dar nota dessa modificação da cultura, mas como analisá-la e questionar que sentido elas tomam, quais as idéias por trás delas.

2 – Metodologia de Pesquisa.
Este trabalho foi feito através de pesquisa bibliográfica, em livros, artigos, e-books, periódicos e sites da internet. Todas as citações foram retiradas de textos que trabalham integralmente ou parcialmente os conteúdos envolvidos neste de maneira a dar suporte ao conteúdo desta unidade.

3 – Resultados e Discussão.
Engenharia social é um conceito de ciência política que se refere a iniciativas de influência popular, atitudes e comportamento social em larga escala por governos. A engenharia social, normalmente tem ação na modificação de idéias e conceitos do imaginário social das pessoas.
O pensador francês Pierre Ansart nos dá uma definição de imaginário social como “sistemas de representações através dos quais as sociedades se autodesignam, fixam simbolicamente suas normas e seus valores”. (ANSART apud FERREIRA, 2002, p.49)
Bem, como sabemos a educação é uma das áreas de atuação dos governos, o ensino público, apesar de suas mazelas, tem recebido investimentos cada vez maiores e cada vez mais materiais didáticos do governo. Como resultado disso não é somente a ciência que chega às escolas, mas também os pontos de vista de determinado governante ou partido político.

Em Ideologia e aparelhos ideológicos do Estado, Althusser faz, a partir de pressupostos marxistas, um estudo sobre o papel da escola como um dos aparelhos do Estado, como uma das instâncias da sociedade que veicula a sua ideologia dominante, para reproduzi-la. (LUCKESI, 2011, p.58)

Como veremos abaixo, a educação é enxergada desde a antiguidade como a maneira mais eficaz de se reproduzir os comportamentos necessários que se desejam para uma sociedade.
Platão, no livro no livro IV da república, estava através das palavras de Sócrates a discutir sobre como se deveria construir uma cidade ideal, a Politeia, e durante sua argumentação, ele chega à conclusão de que uma boa educação é essencial para a formação do bom cidadão.
[...] a república, uma vez que esteja bem lançada, irá alargando como um círculo. Efetivamente, uma boa educação e instrução honestas que se conservam tornam a natureza boa, e, por sua vez, naturezas honestas que tenham recebido uma educação, assim tornam-se ainda melhores que seus antecessores, sob qualquer ponto de vista, bem como sob o da procriação, tal como sucede com os outros animais. (PLATÃO, 2000; p.117)

Platão ainda alerta para o perigo de que alterações indesejadas podem causar a desestabilização da sociedade.

"Portanto, resumindo em poucas palavras, devem os encarregados da cidade apegar-se a este sistema de educação, a fim de que, não lhes passe despercebida qualquer alteração, mas que a tenham sob vigilância em todas as situações, para que não haja inovações quanto às regras estabelecidas nem na ginástica nem na música." (idem, p. 117)
Ao final da página Platão (idem, p.117-118) ainda alerta que a “inobservância das leis facilmente se infiltra passando por despercebida” e que “nada mais faz, na realidade, do que introduzir-se aos poucos, deslizando-se mansamente pelo meio dos costumes da das usanças” e que daí passaria as convenções sociais e às leis. Platão era, acima de tudo, um conservador e sua preocupação era quanto os valores que os jovens carregavam para as gerações seguintes; abaixo, abordaremos isso num cenário mais atual.

3.1 – Cultura e valores.
A cultura e os valores de determinado povo e localidade pode nos dizer muito acerca das pessoas que ali vivem e que compartilham das experiências pessoais com determinados indivíduos. Não é preciso ser um antropólogo, sociólogo ou filósofo, para perceber que os valores, tradições e traços culturais do Brasil são majoritariamente cristãos e católicos. Obviamente nós temos influencias minoritárias oriundas de vários grupos étnicos, porém ainda assim é inegável que o catolicismo se constitui de longe a força dominante de nossa sociedade.
Porém, nos últimos anos temos observado a perda desses valores, o desaparecimento de tradições e a morte de inúmeros aspectos culturais que, outrora, poderiam ser facilmente encontrados em nosso país, e a verdade é, que isso ocorreu demasiadamente rápido para serem apenas os ventos da mudança.
A verdade é que desde sempre a educação sempre foi vista como uma forma importante de transmitir valores e conhecimentos, mas ultimamente um novo grupo de valores e idéias tem surgido no lugar das velhas idéias e antigos costumes, que não são tradicionais destes países; e através de uma pesquisa foi possível encontrar alguns fatores que corroborem estas modificações.

3.2 – O Marxismo Cultural e a Escola de Frankfurt.
Podemos dizer que, depois de Platão na antiguidade, a escola de Frankfurt, elaborou o primeiro grande plano de engenharia social no século XX, a teorizar o uso da educação com o intuito de em longo prazo, modificar hábitos e costumes da sociedade; ao contrário dos marxistas tradicionais, que pretendiam uma revolução proletária construída a base de propaganda e do uso de violência, como pode ser observado na Revolução Russa de 1917 e que pode ser visto através dos escritos de Marx & Engels apud Rosemary Dore.

"Esboçando em linhas gerais as fases do desenvolvimento proletário, descrevemos a história da guerra civil, mais ou menos oculta, que lavra na sociedade atual, até a hora em que essa guerra explode numa revolução aberta e o proletariado estabelece sua dominação pela derrubada violenta da burguesia.” (p.81)

A Escola de Frankfurt pretendia implantar o socialismo gradualmente através da subversão de valores culturais que lhe eram contrários; e é reconhecido entre eles (membros da Escola de Frankfurt), que isso poderia demorar anos, talvez décadas.
O primeiro grande pensador nesse sentido foi Antônio Gramsci, o qual foi grande influência sobre Paulo Freire; e sua tendência libertadora.

“Para concluir, algumas reflexões de pensadores identificados com a causa da libertação, que podem ser importantes para a construção de reais alternativas: Pessimismo da inteligência, otimismo da vontade. – Antônio Gramsci. (GANDIN, 1999, p.93) (grifos meus)

A Tendência Libertadora de Paulo Freire segundo Gandin (1999, p. 94) pretendia analisar o mundo tendo em vista uma alternativa real a sociedade capitalista; Gandin critica o neoliberalismo sob tantos aspectos que sua fala quase beira a um “discurso de ódio”, porém o que vem ao caso aqui é a sua delimitação da concepção de Educação Libertadora:

“A Educação Libertadora supõe a esperança e a crença em uma utopia. A educação libertadora crê na igualdade fundamental entre os homens acima de qualquer diferença. [...] A educação libertadora pensa a participação como um processo em que o poder (domínio dos bens, recursos) esteja distribuído. [...] A educação libertadora tem como centro do seu processo um projeto social. (GANDIN; 1999, p.94) (grifos meus)

Gramsci pretendia que lentamente o indivíduo através de uma escola única, unitária e de uma educação fundamentada em valores marxistas, fosse paulatinamente guiado a se desvencilhar de valores tradicionais da moral judaico-cristã e futuramente a ingressar na força revolucionária.

“A construção da escola unitária começaria já no próprio capitalismo, tendo como horizonte alcançar novas relações entre vida e cultura, uma situação de igualdade social. Propunha a elevação civil das massas populares, que não seria conseqüência mecânica de mudanças econômicas, mas resultaria de um intenso trabalho cultural. O princípio unitário, por isso, deveria estar presente ‘em todos os organismos de cultura, transformando-os e lhes dando um novo conteúdo’” (GRAMSCI apud DORE, 2007, p.80)

Como podemos observar Antônio Gramsci tinha um projeto de engenharia social que visava atingir o socialismo, conforme nos mostra a Escola de Frankfurt; o marxismo cultural é a forma como os socialistas hoje tencionam alcançar seu objetivo através de intervenções na cultura e na sociedade, ao contrário do marxismo tradicional que visava intervenções cada vez maiores na economia até o fim da propriedade privada.
A pergunta é, estas idéias continuam em transito hoje? Sim, mas quanto a finalidade delas que é o socialismo não posso afirmar categoricamente, mas os mesmos métodos têm sido utilizados ideologicamente, e ainda enriquecidos com práticas que são usuais na psicologia e psicopedagogia.

"Estando claramente definido o objetivo, para atingi-lo são utilizados os resultados da pesquisa pedagógica obtida pelos soviéticos e pelos criptocomunistas norte-americanos e europeus. Trata-se de técnicas psicopedagógicas que se valem de métodos ativos destinados a inculcar nos estudantes os “valores, as atitudes e os comportamentos” definidos de antemão." (BERNARDIN, 2012; p.10)

Como podemos observar os fundamentos são os mesmos, no comunismo e no marxismo cultural, quantos ao objetivo disso, isto será especulado depois. Outro fator importante, que ainda devemos ter em mente é que para Gramsci.

"A única importância de uma idéia reside no reforço que ela dá, ou tira, à marcha da revolução. Gramsci divide os intelectuais em dois tipos: "orgânicos" e "inorgânicos" (ou, como ele prefere chamá-los, "tradicionais"). Estes últimos são uns esquisitões que, baseados em critérios e valores oriundos de outras épocas, e sem uma definida ideologia de classe, emitem idéias que, ignoradas pelas massas, não exercem qualquer influência no processo histórico". (CARVALHO, 1994, p.31)

Como podemos observar, o intento dessas modificações culturais visam atingir o campo político, é nisso que vamos nos prender a priori. Pascal Bernardin através do texto do Conselho Europeu sobre educação nos mostra na página 50 que:

"No entanto, esses resultados não devem provocar resignação nos educadores ou leva-los a concluir que a escola não pode ter nenhuma influência real sobre as idéias políticas e mentais da criança."

Sendo a educação uma concessão do estado, ela está também debaixo da autoridade grupos políticos que estão no poder, nada mais natural. O problema é que estes grupos são ideologizados, e costumam dar preferência a autores que lhe são simpáticos ideologicamente. Prova disso é que recentemente surgiu um movimento chamado Escola Sem Partido , visando combater justamente intromissões de ideologias políticas no sistema educacional com a finalidade de doutrinar professores e estudantes.
Como também sabemos, nenhum outro pensador da educação teve tanta influencia na educação brasileira e mundial quanto Paulo Freire, que sendo explicitamente marxista, não nega as influencias culturais em seu trabalho; inclusive, na gradual erradicação dos “valores ocidentais burgueses”. Mas, quais valores estão impostos em detrimento das tradições culturais do povo brasileiro, que dado a velocidade em que forças culturais nos atingem por causa da globalização, têm sido difíceis de manter?

3.3 – Valores novos e velhos.
A cultura ocidental nada mais é que o resultado do impacto do cristianismo, sobre o direito romano e a filosofia grega. Poucos pensadores conseguiram mesclar com tamanha perfeição a filosofia grega de Sócrates, Platão e Aristóteles com os preceitos do cristianismo como os escolásticos; aqui daremos a justa referência ao grande nome desse período São Tomás de Aquino. A moral que foi lançada no ocidente é aquela em que o homem procura seus fins últimos.

"A Moral estuda os atos do homem do ponto de vista da moralidade, isto é, do ponto de vista conforme as regras ideais de conduta humana, ou ainda, do ponto de vista do seu valor em relação aos fins últimos do homem." (MICHALANY; RAMOS, 1970, p.31)

Sendo assim, a filosofia tomista-aristotélica observa a moral e a felicidade do ponto de vista do dever ser, em função dos fins últimos do homem, da finalidade mais elevada; é perceptível a noção teleológica na visão da filosofia grega, que pode ser entendida através da ética dos intermediários, entre os excessos e a omissão, é o que pode ser chamado de “felicidade perene e suprema de caráter espiritual” nas palavras de Michalany e Ramos (p.32).

"marxismo que parte de uma visão materialista, influenciada por Feuerbarch, Hegel e Epicuro; tende a se utilizar de uma cosmovisão hedonista e utilitarista na ética e na moral. Se este artigo estiver correto em seu raciocínio, poderemos observar isso nos textos básicos de nossa educação; os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 2001, p.55)

"Um dos nomes do bem, como finalidade da vida humana, é felicidade, aqui entendida como concretização de vida humana, que tem sempre um caráter coletivo. Isso não quer dizer que não possa ou não deva haver experiência particular de felicidade. Entretanto, o que se demanda na sua dimensão política, é que se compartilhem as condições de felicidade. O bem-comum é bem coletivo, bem público. O público é o pertencente ou destinado à coletividade, o que é de uso de todos, aberto a quaisquer pessoas.”

Nós vemos aqui um ponto de vista hedonista-utilitarista, que define como objetivo da vida humana a felicidade que só pode sem encontrado através do prazer, e do benefício da maioria (coletivo). O velho conceito de ampliar o bem-estar coletivo, o Welfare; concepção típica da esquerda política; em que o homem só alcança a felicidade, através do prazer, que é alcançado através do bem comum. A típica colocação de que para que as pessoas sejam felizes elas precisam compartilhar os bens que são do estado.

Como a moral no ocidente, parte dos fins últimos do homem, esses fins devem ser objetivos e nunca subjetivos.

"Segundo, existe a diferença entre ser objetivo e subjetivo. Por ‘objetivo’ eu quero dizer ‘independente da opinião das pessoas’. Por ‘subjetivo’ eu quero dizer ‘dependente da opinião das pessoas’. Desta forma, dizer que existem valores morais objetivos significa dizer que alguma coisa é boa ou má independentemente do que qualquer pessoa pense sobre isto. De forma similar, dizer que temos deveres morais objetivos significa dizer que certas ações são corretas ou erradas a nós a despeito do que as pessoas pensam sobre isto. Assim, por exemplo, dizer que o Holocausto foi objetivamente errado é dizer que ele foi errado mesmo que os nazistas que o levaram a cabo pensassem que aquilo era correto, e que isto continuaria sendo errado mesmo se os nazistas tivessem vencido a II Guerra Mundial e tivessem tido sucesso em exterminar ou fazer lavagem cerebral em todos que discordassem deles para que todos, desta forma, acreditassem que o Holocausto era correto." (CRAIG, 2010, p.14)

Como conseqüência, o marxismo cultural tende a trazer o relativismo moral, isso é, conforme mostrado pelo filósofo William Lane Craig, que dependem de um julgamento subjetivo do indivíduo que pratica determinada ação. Portanto, se os valores morais são objetivos, e estão ligados a pressupostos metafísicos, como por exemplo, a existência de Deus, conforme mostrado por Douglas Michalany e Ciro de Moura Ramos, nós os encontraremos nos PCN’s; caso contrário encontraremos a visão subjetiva.

"A Distinção que se faz contemporaneamente entre ética e moral tem a intenção de salientar o caráter crítico a reflexão, que permite um distanciamento da ação, para analisá-la constantemente e reformulá-la, sempre que necessário. Por ser reflexiva a ética tem sempre um caráter teórico. Isso não significa, entretanto, que seja abstrata, ou metafísica." (BRASIL, 2001; p.53)

Uma moral objetiva, não é passível de ser discutida ou reformulada, já que isso pressupõe um subjetivismo; e se ela não é metafísica ou não está ligado a um pressuposto metafísico, com certeza não é objetiva. Ora, para uma efetiva revolução cultural, que mudará as disposições e comportamentos, é evidente, que se deve mudar os valores, e a escola unitária de Gramsci é o ideal. Pascal Bernardin (2012, p.44) nos mostra que os objetivos são disposições e comportamentos, “porém, mais que disposições e comportamentos, são os valores, que fundamentam um e outro que devem ser subvertidos”.

4 – Como estão sendo pedagogicamente realizadas?
As tendências pedagógicas hoje foram fundamentais para isso, não que isso tenha sido feito intencionalmente, mas foi uma condição facilitadora do processo.
Bernardin (2012, p.11) nos mostra que essas influências se constituem numa revolução pedagógica que “está também presente nos estabelecimentos escolares.” Tais técnicas apoiam-se essencialmente sobre o behaviorismo e a psicologia do engajamento. Algumas das estratégias visam criar dissonâncias cognitivas no aluno para que eles aceitem mais facilmente as normas e valores que estão presentes nos materiais, e nas práticas pelas quais os professores se norteiam através dos PCN’s. Os Estudos demonstram que ordens explícitas e/ou forçadas não criam tais dissonâncias, mas, uma ação custosa, precedida por um gesto aliciador com uma falsa sensação de liberdade acaba por criar estas dissonâncias, se bem executadas.
As tendências pedagógicas modernas são majoritariamente não diretivas; tal definição é importante para entender o que está ocorrendo. Tendências não diretivas sejam liberais ou libertárias/marxistas; colocam o aluno no centro do processo educacional concedendo-o uma liberdade que não seria possível através da pedagogia tradicional, ou da pedagogia renovada progressiva. Essa liberdade é extremamente importante para os atos aliciadores.

Tais técnicas requerem a participação ativa do sujeito, que deve realizar atos aliciadores os quais, por sua vez, os levarão a outros, contrários as suas convicções. (BERNARDIN, 2012, p.24) (grifos meus)

O papel fundamental desempenhado pelo sentimento de liberdade experimentado pelo indivíduo durante uma experiência. Na ausência desse sentimento, não se produz qualquer dissonância cognitiva, e conseqüentemente nenhuma modificação de valor. (idem, p.25) (grifos meus)

Se tomarmos, por exemplo, as pedagogias não diretivas, os trabalhos conduzidos no contexto da teoria do engajamento as reconduzem ao que elas sem duvidas não deixaram jamais de ser: aplicação camuflada de uma diretriz que, em certa época, tínhamos alguma dificuldade para admitir abertamente. (MOSCOVICI apud BERNARDIN, 2012, p.36) (grifos meus)

Aqui temos evidenciado o propósito claro destas pedagogias e técnicas empregadas. Para finalizar este tópico, vamos demonstrar como as tendências pedagógicas marxistas estão diretamente ligadas às tendências pedagógicas em prática no Brasil.

A conexão da Pedagogia com a dinâmica concreta das relações sociais encontrou em propostas de inspiração marxista respostas bastante satisfatórias, centradas basicamente na idéia de educação como elemento de emancipação humana e força propulsora da transformação das relações sociais. Nesse caso, ela teria a tarefa sociopolítica de auxiliar os indivíduos a adquirirem autoconsciência do seu lugar na democratização e humanização da sociedade e, ao mesmo tempo, auxiliar os educadores a computarem na sua prática os elementos políticos, sociais, psicológicos, organizacionais etc. (LIBÂNEO, 2005, p. 167)

Essa educação ideologizada é proposta de inúmeros pedagogos brasileiros.
Contudo, outra visão do mesmo autor da citação acima, nos mostra de maneira clara a diferença entre as pedagogias liberais, sejam elas a tradicional e progressivista, e as de tendência não diretivas, seja, a liberal não diretiva ou as de origem marxista. A diferença é gritante, visto que uma se engaja intelectualmente e a outra na mudança de hábitos e comportamentos.

Os conteúdos são separados da experiência do aluno e das realidades sociais, valendo pelo valor intelectual, razão pela qual a pedagogia tradicional é criticada como intelectualista e, às vezes, como enciclopédica. (LIBÂNEO apud LUCKESI, 2011; p.75)

Seria um ensino baseado no intelectual, algo realmente ruim? Se há uma crítica que pode ser feita a pedagogia tradicional, certamente não é esta, mas sim o fato de professor ser colocado a uma altura olímpica, como se fosse o deus e o senhor da sala, tirando do aluno qualquer voz, a não ser que, previamente concordada pelo professor. Porém, continuemos a observar o que Libâneo diz sobre a pedagogia não diretiva, esta última inspirada por Carl Rogers.

A ênfase que esta tendência põe nos processos de desenvolvimento das relações e da comunicação torna secundária a transmissão de conteúdos. Os processos de ensino visam mais facilitar aos estudantes os meios para buscar por si mesmos os conhecimentos, que, no entanto, são dispensáveis. (LIBÂNEO apud LUCKESI, 2011. P. 79) (grifos meus)

É possível ver a incrível subversão no papel da escola aqui, a instituição escolar deixa de ser um lugar para capacitar indivíduos para a vida em sociedade, para se tornar apenas um agente de mudança comportamental.

As pedagogias progressistas, normalmente ligadas a bandeiras como marxismo e anarquismo; tem como meta, na verdade, a práxis pedagógica com finalidade políticas de, em longo prazo, começar a marcha revolucionária.

O termo “progressista”, emprestado por Snyders, é usado aqui para designar as tendências que, partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação. (LIBÂNEO, apud LUCKESI, 2011, p. 83).

No mesmo livro de Luckesi (2011, p.107), há uma citação de Snyders que chama as pedagogias conservadoras de reacionárias. Disso conclui-se que, tendo em conta que, reacionário, é aquele que se opõe a revolução; as pedagogias progressistas visam a subversão da sociedade no intuito de levar a concretização política as quais suas bandeiras defendem.

4.1 – A quem interessa essas mudanças?
Bem, as influencias vêm do governo, como sabemos. O livro Educação Moral, Cívica e Política; foi um verdadeiro manual para professores e alunos durante a ditadura militar sobre temas como ética, sociedade, valores e etc. Ela é conhecida nacionalmente pelo seu caráter conservador e pró-regime; o material atendia justamente os interesses da ARENA, partido que fora braço direito do regime militar. Com o retorno a democracia, houve inúmeros debates até a formação de um novo parâmetro educacional para ser adotado pela educação brasileira. Tais parâmetros vieram a ser aplicados no mandato de Fernando Henrique Cardoso, pertencente ao PSDB (Partido da Socialdemocracia Brasileira) que historicamente surgiu com um posicionamento à centro-esquerda. O PSDB até pouco tempo atrás fora filiado a Internacional Socialista.
A constituição dos PCN’s revelou uma mudança muito grande em relação aos materiais da época da ditadura, sendo eles de caráter extremamente progressista, conforme visto nas citações acima neste texto; após o mandato do PSDB, sobe ao poder o PT já em 2002, que também é um partido de esquerda. Há 21 anos o Brasil não tem uma força ideológica partidária conservadora no cargo máximo do país.

5 – Conclusão.
Essas influências de engenharia social, surgem como resultado de políticas mais próximas ao marxismo do que as que tradicionalmente são vistas nas posições a direita como as mais conservadoras. O objetivo dessas mudanças é a alteração dos comportamentos por si mesmo e o gradual estímulo a uma mentalidade classes (luta de classes), com a finalidade de criar uma aceitação deste modelo como forma de relação socioeconômica, entre o povo e o país em longo prazo.
Essas motivações e propaganda ideológicas no ensino são justamente para criar a nova mentalidade revolucionária do cidadão brasileiro, que, no futuro, se tornará mais receptível a propostas cada vez menos individualistas e cada vez mais socializantes; não no sentido de se socializar com indivíduos próximos, como parente e amigos, mas com o intuito de criar a “hegemonia” esquerdista no quadro do senso comum e no imaginário popular.

A concepção de hegemonia foi tomada como um conceito amploinicialmente tendo em vista a ditadura do proletariado e ampliado no sentido de uma estratégia empregada na disputa pela capacidade diretiva das esferas políticas, praticada não só pelas classes proletárias, mas também pelas classes sociais em geral. (MOUFFE apud GOMES, 2012, p.70) (grifos meus).

Esta aí entregue o objetivo deste movimento pedagógico que visa modificar gradativamente o imaginário social de cada indivíduo na sociedade, eis o objetivo: Ditadura do Proletariado, ou o “bom e velho” socialismo, e isso será inevitavelmente atingido a não ser que, uma nova equipe de intelectuais, filósofos, sociólogos e pedagogos se levantarem, este grupo de interessados na ditadura do proletariado tem todo o tempo do mundo, e a cada dia que se passa, eles estão mais próximos de sua meta; reagir é possível, mas deverá ser uma longa jornada até formar esta nova intelectualidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BERNARDIN, Pascal. Maquiavel Pedagogo: ou o ministério da reforma psicológica. Ecclesiae e Vide Editorial. Campinas-SP, 2012.

BRASIL, Secretaria de educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais. MEC/SEF. Brasília, 2001.

CARVALHO, Olavo de. A Nova era e a Revolução Cultural. Fritjof Capra e Antonio Gramsci. IAL e Stella Caymmi. Rio de Janeiro, 1994.

CRAIG, William Lane. O novo ateísmo e os cinco argumentos pela existência de Deus. Tradução: Eliel Vieira. Christian Campus Iniciative, 2010. Disponível em: http://ibpan.com.br/site/images/stories/Downloads/Estudos_Biblicos/O%20Novo%20Ate%C3%ADsmo%20e%20Os%20Argumentos%20Para%20a%20Exist%C3%AAncia%20de%20Deus.pdf – Acessado em 22/02/2013 às 10:00h.

DORE, Rosemary. Atividade editorial como atividade educativa: reflexões de Gramsci sobre as "revistas tipo". Revista Sociologia e Política. Curitiba. 2007, n.29, pp. 79-93.
FERREIRA, Rodolfo. Entre o sagrado e o profano: O lugar social do professor. Editora Quartet. Rio de Janeiro, 2002.

GANDIN, Danilo; GANDIN, Luís Armando. Temas para um projeto político-pedagógico. Editora Vozes: Petrópolis; 6ª edição. 1999.

GOMES, Jarbas Maurício. Religião, educação e hegemonia nos Quaderni del Carcere de Antonio Gramsci. UEM. [online]. Maringá, 2012. Disponível em: http://www.ppe.uem.br/dissertacoes/2012%20-%20Jarbas.pdf – Acessado em 22/02/2013 às 10:25.

LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos, para que? Cortez Editora. São Paulo. 5ª Edição. 2005.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. Cortez Editora. São Paulo, 2011

MICHALANY, Douglas. RAMOS, Ciro de Moura. Educação Moral, Cívica e Política. Brasília, 1970.

PLATÃO. A República. Tradução de Pietro Nassetti. Editora Martin Claret Ltda. São Paulo, 2000.

Copiado do Blog: Pensamentos AVULSOS.