terça-feira, 28 de maio de 2013

REFLEXÕES SOBRE O TERRORISMO


Carlos Ilich Santos Azambuja

 

“A complacência de hoje se paga com as angústias de amanhã. E se ela persiste, com o sangue de depois de amanhã” (SUZANNE LABIN, livro “Em Cima da Hora”).

 

Dificuldade de um Conceito
 
Inicialmente deve ser dito que todas as opções para o combate ao terrorismo internacional são conflitantes, em graus variados, com objetivos de política exterior, econômicos ou de políticas domésticas.
 
Por isso, definir o que seja terrorismo de uma forma aceitável a todas as pessoas e Estados não é uma tarefa fácil, considerando que o termo dá margem a interpretações diversas, pois aqueles que para uns são terroristas, para outros são “combatentes da liberdade”.
 
Até mesmo a Organização das Nações Unidas tem se mostrado incapaz de desenvolver uma definição que distinga o terrorismo de outros crimes. Entretanto, num esforço para estabelecer uma estrutura básica de ação, órgãos estatais e grupos privados envolvidos com análises e acompanhamento de atos terroristas, têm estabelecido definições diversas:
 
-        o FBI, dos EUA, define o terrorismo como “o uso ilegal da força ou violência contra pessoas ou propriedades para coagir um governo, a população ou quaisquer desses segmentos em proveito de objetivos políticos ou sociais”;
 
-        o Departamento de Estado dos EUA assinala que o terrorismo “é a violência politicamente motivada e premeditada, perpetrada contra alvos não combatentes, por grupos nacionais ou agentes clandestinos de Estados, geralmente com a intenção de influenciar uma audiência”;
 
-        o Centro de Referência de Justiça Criminal Nacional dos EUA diz que “um simples acidente ou uma campanha de violência empreendida fora das normas e procedimentos aceitáveis, é terrorismo”;
 
-        finalmente, para a Rand Corporation, o terrorismo é definido “pela natureza do ato e não pela identidade dos autores ou pela natureza de sua causa. As ações são, geralmente, realizadas de forma a alcançar publicidade máxima e os terroristas são, quase sempre, membros de um grupo organizado que, ao contrário de outros criminosos, fazem questão de assumir a identidade de suas ações, considerando que o ato terrorista objetiva produzir efeitos além do dano físico imediato”. Em suma, segundo a visão da Rand Corporation, o terrorismo é uma forma de propaganda armada.
 
O conceito de terrorismo, qualquer que ele seja, vem, no entanto, perdendo significado através dos tempos por força de sua aplicação indiscriminada a toda variação de insurgência, rebelião armada ou conflito civil. Os termos “terrorista” e “terrorismo”, com a alta carga pejorativa que carregam, vêm tendo aplicação extremamente ampla, por um lado, e seletiva, por outro, o que não deixa de ter reflexos no plano internacional para oferecer-lhe um combate coordenado. Esses termos vêm sendo transformados, assim em figuras de retórica cada vez mais utilizadas quando se trata de censurar ou condenar um inimigo.
 
Todavia, o certo é que o objetivo básico do terrorismo é estabelecer um clima de insegurança que facilite a eclosão ou o desenvolvimento de um processo revolucionário. Seus objetivos podem ser tão variados como os fatores que o geram. Entre as metas mais comuns almejadas por indivíduos ou grupos que utilizam o terrorismo estão a derrubada de um governo, a criação de um Estado, a obtenção de autonomia política para uma região, a reivindicação de direitos para minorias raciais ou religiosas, a eliminação de um inimigo político ou a mera vingança contra Estados, pessoas ou grupo de pessoas hostis a quaisquer dessas causas.
 
Estratégias Utilizadas
 
Dois tipos de estratégias vêm sendo, basicamente, utilizadas pelos terroristas que atacam uma sociedade num esforço para causar uma crise de confiança que a comunidade deposita num regime.
 
A primeira consiste em direcionar seus ataques aos pilares da sociedade ou do regime que toma como alvo. Isto é, os altos funcionários, os juízes, os empresários e outras personalidades proeminentes, bem como suas famílias. Atacam também prédios públicos, instituições e instalações que desempenham funções importantes e simbolizam a ordem vigente.
 
A segunda estratégia consiste em lançar ataques indiscriminados e ao acaso contra a população, visando atingir suas atividades quotidianas, em supermercados, lojas, restaurantes, aeroportos, trens, metrôs e estações rodoviárias e ferroviárias. Nesse caso, o objetivo é fomentar um clima generalizado de medo e o sentimento de que ninguém estará seguro em parte alguma, independentemente de sua importância política.
 
O alvo, para os terroristas, é irrelevante, pois não lhes interessa a identidade do cadáver, mas sim os efeitos obtidos, conforme escreveu Carlos Marighela no “Minimanual do Guerrilheiro Urbano”.
 
Uma das principais características do que pode ser chamado de “terrorismo moderno” é a sua internacionalização, resultado de três fatores, até certo ponto complementares:
 
-        a cooperação existente entre organizações terroristas em diferentes regiões;
 
-        o fato de Estados nacionais soberanos apoiarem grupos terroristas e utilizarem o terror como meio de ação política, especialmente no Oriente Médio;
 
-        a crescente facilidade com que terroristas cruzam fronteiras para agir em outros países.
 
Características do Terrorismo
 
A opção do terrorismo apresenta, para os Estados que dele fazem uso, a vantagem de envolver riscos menores do que os de uma guerra convencional. Além de ser uma forma de ação menos onerosa, apresenta uma característica inquietante, que é a de não reconhecer as normas e regras internacionais para um conflito tradicional. Nesse caso, os alvos normalmente poupados em uma guerra convencional - a população civil, principalmente - são os preferidos dos terroristas.
 
Os terroristas, deve ser salientado, não têm origem no proletariado e sim na classe média, pois a causa do terrorismo não é a pobreza e sim problemas políticos e religiosos.
 
Nas várias definições correntes, observa-se uma certa tendência a enfatizar determinado aspecto dos atentados - seja a motivação, alvos visados ou meios empregados - para caracterizá-los ou não como terroristas. No entanto, parece existir uma concordância generalizada de que a motivação política e religiosa é a característica fundamental dos atos terroristas.
 
A caracterização de um ato como terrorista depende do ponto de vista de quem analisa uma determinada ação, e a decisão de incluí-la no rol dos incidentes terroristas está, quase sempre, sujeita a uma alta dose de subjetividade. Nesse sentido, aos olhos de um governo ou de um grupo de cidadãos indignados de um determinado país, um terrorista pode ser classificado como um “combatente pela liberdade”. Recorde-se que o presidente Ronald Reagan assim denominava aqueles que lutavam, com armas na mão, contra o regime sandinista imposto à Nicarágua na década de 80.
 
Meios Utilizados
 
Para atingir seus objetivos, os terroristas contam com uma poderosa arma: os meios de comunicação de massa que, na medida em que ajudam a difundir uma atmosfera de medo e insegurança no seio da sociedade, indubitavelmente os beneficiam, pois fornecem a oportunidade para que a sua causa seja apresentada ao grande público e, além disso, conferem certa aura de legitimidade a determinados grupos terroristas, ao entrevistar seus líderes e, especialmente, ao utilizarem seu linguajar característico.
 
Os recentes progressos tecnológicos, especialmente no campo da eletrônica e da química, aliados à tendência da moderna indústria à miniaturização de equipamentos sofisticados, têm aberto aos grupos terroristas possibilidades de acesso a material de enorme capacidade destrutiva, como o utilizado para derrubar o avião da Panam, em 1988, em Lockerbie/Escócia: um artefato plástico embutido num rádio de pilha Toshiba.
 
Por outro lado, ações terroristas que envolvem o uso de explosivos detonados à distância, aumentam a cada dia (essa forma de terrorismo é utilizada com freqüência pela Eta-Basca), bem como a possibilidade do emprego de armas químicas por grupos terroristas ou de fanáticos solidários, como ocorreu no metrô de Tóquio, onde foi empregado o gás sarin, por uma seita religiosa.
 
Em 1969, um grupo de peritos apresentou a um órgão da ONU um estudo em que constavam os seguintes dados relativos ao custo de uma operação terrorista de grande escala contra a população civil: 2 mil dólares por quilômetro quadrado, se utilizadas armas convencionais; 800 dólares, se usadas armas nucleares; e um dólar, se empregados métodos químicos ou biológicos.
 
Os Principais Alvos
 
Os padrões de comportamento dos terroristas, sobretudo no Oriente Médio, onde a forte influência da religião dita valores morais peculiares e onde os ataques suicidas são comuns, fogem, muitas vezes, à compreensão dos observadores ocidentais.
 
Os fortes esquemas de segurança que têm sido montados para proteger personalidades políticas e instalações consideradas alvos em potencial, estariam fazendo com que os terroristas se voltem, com maior freqüência, para alvos inocentes, como o público em geral. Hotéis, aviões, aeroportos, metrôs, passaram, como já foi dito, a ser o alvo predileto dos terroristas. Os mais recentes foram os ataques perpetrados pelo grupo fundamentalista Al-Qaeda, em Nova York e Washington, em 11 de setembro de 2001.
 
Um estudo da década de 80 indicava a existência de cerca de 323 grupos terroristas atuando em, pelo menos, 64 países. Desses, 46 estavam ativos, somente nos EUA. Seitas religiosas, como os xiitas e os sikhs, que nunca haviam utilizado o terrorismo, passaram a fazê-lo. Estima-se que no período 1968-1988 tenham sido realizados 24 mil atentados, 5 mil seqüestros, 800 desvios de aviões comerciais e 500 execuções em todo o mundo, que resultaram em 35 mil mortos e 200 mil feridos.
 
Embora os grupos terroristas conhecidos envolvam cerca de 75 diferentes nacionalidades, inegavelmente os mais ativos têm sido os palestinos, sendo que, para os grupos religiosos islâmicos, tanto o capitalismo quanto o socialismo são um mal. Eles dizem agir em nome de Deus, com quem alegam ter ligação direta.
 
As organizações e grupos terroristas começaram agindo sem vínculos entre si e sem inspiração e ajuda externa. Hoje, todavia, são coordenados, prestam serviços uns aos outros, emprestam-se homens e armas, compartilham os campos de treinamento e têm por trás de si Estados que os financiam, que lhes dão guarida e os armam, que lhes fornecem documentação e comandam suas operações.
 
O Terrorismo de Estado
 
A hipótese de que alguns Estados utilizam seus Serviços de Inteligência e outras agências governamentais para se engajarem em atividades terroristas pode ser considerada verdadeira, pois hoje a percepção é a de que o terrorismo vem sendo utilizado, cada vez mais, por governos, como um instrumento de política externa.
 
Isso faz com que o fenômeno extrapole a esfera meramente policial e passe a ser encarado como um problema político de alcance imprevisível. Os Estados terroristas mais comumente citados pela mídia por seu apoio ao terrorismo internacional têm sido a Líbia, Irã, Iraque, Iêmen, Síria e, mais recentemente, o Afeganistão. A ex-União Soviética e seus antigos aliados da Europa Oriental, ainda no tempo da Guerra Fria, por sua vez, foram acusados de prover apoio aos grupos terroristas através desses Estados.
 
Uma Estratégia de Combate ao Terrorismo
 
O terrorismo deve ser encarado e combatido de uma forma total e coordenada, sob pena de fugir ao controle. Uma defesa puramente passiva - o contraterrorismo - não tem constituído obstáculo suficiente para o seu desenvolvimento. O antiterrorismo, ao contrário, sugere uma estratégia ofensiva, com o emprego de toda uma gama de opções para prevenir e impedir que atos terroristas ocorram, levando a guerra aos terroristas. Essa, porém, não é uma tarefa simples, uma vez que, nesse caso, as represálias são levadas a efeito antes que haja qualquer ataque. Antes, portanto, que sejam causados quaisquer tipos de danos. É, portanto, uma resposta sem qualquer ação criminosa anterior. Nesse caso, existe o perigo de que os antiterroristas apareçam, perante a opinião pública, como terroristas, por darem uma resposta a algo que não aconteceu.
 
Hoje, por exemplo, o terrorismo mata estrangeiros na Argélia pelo simples motivo de serem estrangeiros, ou praticam atentados contra seus próprios governantes, como foi o caso do assassinato de Ytzhak Rabin, em Israel.
 
É impossível proteger por todo o tempo todos os alvos em potencial, ficando assim, sempre, os terroristas, com a vantagem da iniciativa. Para que essa proteção fosse efetiva seria necessário implantar um Estado-policial, exatamente o tipo de situação que os extremistas gostariam que fosse criada para terem um inimigo fascista para combater. Segundo Jean-François Ravel, no livro “Como Terminam as Democracias”, “uma democracia não pode utilizar um cidadão em cada cinco para ser policial; não pode fechar suas fronteiras e restringir as viagens dentro do país; deportar parte da população de uma cidade, se necessário; nem manter uma vigilância constante sobre cada hotel, cada prédio, cada apartamento em cada andar; e nem gastar horas revistando carros e bagagens de viajantes”.
 
Uma das únicas defesas contra o terrorismo é a possibilidade de realizar uma infiltração a fim de interceptar e conhecer antecipadamente quando e onde um alvo deverá ser atacado. Esse, porém, é um trabalho para um excepcional Serviço de Inteligência, aliado a um componente essencial: vontade política e decisões que não temam riscos.
 
Os esforços no sentido de elaborar uma convenção global sobre medidas de combate ao terrorismo - que envolvem considerações de ordem política, técnica, logística, legal, conceitual, e até mesmo moral - têm esbarrado no problema de definir o que seja terrorismo, uma vez que os chamados Estados terroristas e nações que apóiam e se valem do terrorismo têm assento e voz na ONU. Não há consenso sobre a definição de terrorismo, pois não está claro quem é o inimigo e contra quem o Acordo seria utilizado. Os países árabes, liderados pela Síria e Egito, insistem que haja uma diferenciação entre atos terroristas e ações de movimentos de libertação nacional. Essa diferenciação teria como objetivo evitar que as ações dos árabes contra a ocupação israelense de territórios palestinos sejam classificados como atos de terrorismo.
 
A União Européia, todavia, após os atentados ocorridos em Washington e Nova York em 11 de setembro de 2001, deu um passo histórico na luta contra o terrorismo, em 6 de dezembro de 2001, ao aprovar uma definição desse delito comum aos 15 Estados membros.
 
Os ministros do Interior e da Justiça europeus, reunidos em Bruxelas pactuaram uma definição coletiva para terrorismo e grupo terrorista que permitirá condenar não apenas as pessoas que lideram grupos terroristas, como também as que forneçam informações ou meios materiais para a prática de atentados, instiguem esse tipo de atividade ou exerçam qualquer tipo de cumplicidade.
 
O terrorismo foi assim definido pela União Européia:
 
“Os atos intencionais que, por sua natureza ou contexto, possam lesionar um país ou uma organização internacional, quando seu autor os cometa com a finalidade de intimidar gravemente uma população; obrigar indevidamente os poderes públicos ou uma organização internacional a realizar um ato ou abster-se de fazê-lo; ou desestabilizar gravemente ou destruir as estruturas políticas fundamentais, constitucionais, econômicas ou sociais de um país ou de uma organização internacional”.
 
Considerando não existir, ainda, uma determinação legal internacional sobre o tema, essa definição é considerada importante.
 
A definição da União Européia para Grupo Terrorista é a seguinte:
 
“Toda organização estruturada com mais de duas pessoas, estabelecida durante um certo período e que atue de forma concertada com o fim de cometer delitos terroristas”.
 
Além disso, as definições aprovadas pela UE também implicam na aplicação das mesmas penas, em todos os países, para castigar os grupos terroristas e os delitos de terrorismo. Nesse sentido, a pena máxima para a direção de qualquer grupo terrorista não poderá ser inferior a 15 anos de prisão, enquanto que para o restante das atividades não poderá ser menor que 8 anos de prisão. Em vão, a Itália tentou impedir que fosse aprovado um projeto relativo a ordens de captura com vigência em todos os países. Todavia, em 12 de dezembro de 2001, intensamente pressionada pelos demais países, decidiu aderir ao Tratado.
 
Enquanto uma definição não chega, combater o terrorismo com a utilização de todos os meios parece ser uma questão de sobrevivência. A natureza do ambiente sob ameaça configurará os limites do que seja possível e moralmente aceitável fazer. Uma resposta considerada inaceitável, hoje, poderá ser aceitável amanhã, dependendo da ousadia dos terroristas. Aquilo que Israel, por exemplo, considera aceitável no combate ao terrorismo, poderá não sê-lo para outras democracias.
 
Por outro lado, a quantidade e a qualidade da Inteligência será sempre julgada aquém do ideal, surgindo daí o perigo de que a constante busca de melhores dados, sempre mais atuais e mais precisos, possa acarretar a perda de uma oportunidade ímpar de agir, o que, em si, poderá causar mais danos do que uma ação baseada em Inteligência incompleta.
 
A opinião do autor é a de que o terrorismo e os grupos terroristas devem ser combatidos com todos os meios, inclusive os legais.
 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

FIM DA EDUCAÇÃO: Objetivo alcançado

por Timothy Matthews

 
A civilização ocidental nos dias de hoje está passando por uma crise que é essencialmente diferente de tudo o que foi experimentado anteriormente. Outras sociedades no passado mudavam suas instituições sociais ou as suas crenças religiosas sob a influência de forças externas ou pelo lento desenvolvimento do crescimento interno. Mas nenhuma sociedade como a nossa, conscientemente, enfrentou a perspectiva de uma alteração tão fundamental das crenças e das instituições sob a quais repousa todo o tecido da vida social. A civilização está sendo arrancada das fundações baseadas na natureza e tradição e sendo reconstituída sob uma nova organização que é tão mecânica e artificial quanto uma fábrica moderna.
 
Examinou-se o trabalho corrosivo da "Escola de Frankfurt " - um grupo de estudiosos alemães-americanos que desenvolveram perspectivas altamente provocativas e originais sobre a sociedade contemporânea e da cultura, com base em Hegel, Marx, Nietzsche, Freud e Weber. Não que a sua idéia de uma "revolução cultural" fosse particularmente nova. "Até agora”, escreveu Joseph, Conde de Maistre (1753-1821) que, por quinze anos, foi um maçom, "as nações eram liquidadas por conquistas, isto é, invasões. Mas aqui surge uma questão importante: podia uma nação morrer no seu próprio solo, sem a reinstalação ou invasão, ao permitir que as moscas da decomposição corrompessem a própria essência ou os princípios e componentes originais que a constituíam."
 
O que foi a Escola de Frankfurt? Bem, no dia seguinte à Revolução Bolchevique na Rússia, acreditava-se que a revolução dos trabalhadores varreria toda a Europa e, finalmente, os Estados Unidos. Mas isso não aconteceu. No final de 1922, a Internacional Comunista (Comintern) começou a considerar quais foram os motivos desse fracasso. Por iniciativa de Lenin foi organizada uma reunião no Instituto Marx -Engels, em Moscou. O objetivo da reunião era esclarecer o conceito e dar uma resposta concreta para uma revolução cultural marxista. Entre os presentes estavam Georg Lukács (um aristocrata húngaro, filho de um banqueiro, que havia se tornado um comunista durante a 1º Guerra Mundial), um bom teórico marxista que desenvolveu a idéia da "Revolução e do Instinto (sexual) de Eros - utilizado como um instrumento de destruição, e Willi Münzenberg (cuja proposta de solução foi a de "organizar os intelectuais e usá-los para fazer a civilização ocidental feder). Só então, depois de terem corrompido todos os seus valores, e tornando a vida impossível, poderíamos impor a ditadura do proletariado'). Foi, disse Ralph Toledano de (1916-2007) o autor conservador e co-fundador da "National Review", um encontro "talvez mais nocivo para a civilização ocidental do que a revolução bolchevique”.
 
A escola incluía entre os seus membros em 1960 o guru da Nova Esquerda, Herbert Marcuse (denunciado pelo Papa Paulo VI pela sua Teologia da Libertação, que abre o caminho para a licença camuflada como liberdade"), Max Horkheimer, Theodor Adorno, o popular escritor Erich Fromm, Leo Lowenthal, e Jurgen Habermas - possivelmente o representante mais influente da Escola. Basicamente, a Escola de Frankfurt acreditava que, enquanto um indivíduo tivesse a crença - ou até mesmo a esperança da fé - o dom divino da razão poderia resolver os problemas da sociedade. Assim então a sociedade jamais alcançaria o estado de desesperança e alienação que considerava necessária para provocar a revolução socialista. Sua tarefa, portanto, era o mais rapidamente possível minar o legado judaico-cristão. Para isso, apelou para a crítica mais negativa destrutiva possível em todas as esferas da vida, que seria destinada a desestabilizar a sociedade e derrubar o que eles viam como uma “ordem opressora”. Suas políticas, eles esperavam, se espalhariam como um vírus “continuando o trabalho dos marxistas ocidentais por outros meios", como um dos seus membros observou.
 
Para avançar ainda mais sua tranqüila "revolução cultural” - mas escondendo suas idéias sobre seus planos futuros - a Escola recomendava (entre outras coisas):
 
1. A criação de crimes de racismo.
2. A mudança constante para criar confusão
3. O ensino do sexo e homossexualidade para as crianças
4. O enfraquecimento das escolas e da autoridade dos professores
5. A imigração enorme para destruir a identidade .
6. A promoção de excessivo consumo
7. O esvaziamento das igrejas
8. Um sistema legal inconfiável, com um viés contra as vítimas de crime
9. A dependência do Estado e de seus benefícios
10. O controle e amordaçamento dos meios de comunicação
11. O incentivo à desagregação da família
 
Uma das principais idéias da Escola de Frankfurt era explorar a idéia de Freud do 'pansexualismo' - a busca do prazer, a exploração das diferenças entre os sexos, e a derrubada das relações tradicionais entre homens e mulheres. Para promover os seus objetivos dever-se-ia:
 
· atacar a autoridade do pai, negar o papel específico de pai e mãe, e afastar das famílias seus direitos de primeiros educadores dos seus filhos.
 
· abolir as diferenças na educação de meninos e meninas
 
· abolir todas as formas de dominação masculina - daí a presença das mulheres nas forças armadas
 
· declarar as mulheres como uma "classe oprimida " e os homens "como opressores”.
 
· Münzenberg resumiu a operação a longo prazo da Escola de Frankfurt assim: " Nós faremos o Ocidente tão corrupto que ele federá".
 
A Escola acreditava que havia dois tipos de revolução: (a) política e (b) a cultural. A Revolução Cultural destrói por dentro. "Formas modernas de sujeição são marcados pela brandura”. Viam-na como um projeto a longo prazo e mantiveram seus enfoques centrados claramente na família, na educação, na mídia, no sexo e cultura popular.
 
 
(Nota. Focarei aqui a Família e a Educação)
 
A Família
 
"A Escola da Teoria Crítica" pregava que a personalidade autoritária era um produto da família patriarcal - uma idéia diretamente ligada ao livro de Engels “As Origens da Família, da Propriedade Privada e do Estado” a qual promovia o matriarcado. Já Karl Marx tinha escrito no "Manifesto Comunista" sobre a noção radical de uma comunidade de mulheres" e, em A Ideologia Alemã de 1845, escrevia de forma depreciativa a idéia da família como unidade básica da sociedade. Este foi um dos princípios básicos da "teoria crítica": a necessidade de quebrar a família contemporânea. Os estudiosos do Instituto pregavam que "uma quebra parcial da autoridade parental na família podia tender a aumentar a disponibilidade de uma geração que viria a aceitar a mudança social".
 
Na seqüência de Karl Marx, a Escola destacou como a "personalidade autoritária" era um produto da família patriarcal. Tudo isso preparou o caminho para a guerra contra o gênero masculino promovido por Marcuse sob o pretexto de "libertação da mulher” e pelo movimento Nova Esquerda dos anos 1960. Eles propunham transformar nossa cultura em uma cultura feminista. Em 1933, Wilhelm Reich, um dos seus membros, escreveu no The Mass Psychology of Fascism que o matriarcado era o único tipo verdadeiro de família na "sociedade natural”. Eric Fromm também foi um ativo defensor da teoria matriarcal. Masculinidade e feminilidade, segundo ele, não eram reflexos das "diferenças sexuais essenciais", como os românticos tinham pensado, mas eram “diferenças derivadas das funções da vida, que foram, em parte, socialmente determinadas”. Seu dogma foi o precedente para os pronunciamentos radicais feministas que hoje aparecem em quase todos os grandes jornais e programas de televisão.
 
Os revolucionários sabiam exatamente o que queriam fazer e como fazê-lo.
 
Educação
 
Lord Bertrand Russell se juntou à Escola de Frankfurt em seu esforço de engenharia social em massa e se declarou em seu livro de 1951, O Impacto da Ciência na Sociedade. Ele escreveu: "Fisiologia e Psicologia” para dar campo à técnica científica que ainda aguardava desenvolvimento. A importância da psicologia de massa "tem sido enormemente aumentada pelo crescimento dos métodos modernos de propaganda. Destes, o mais influente é a chamada 'educação'. Os psicólogos sociais do futuro terão muitas classes de crianças em idade escolar para as quais eles vão tentar diferentes métodos de produção de uma convicção inabalável, mesmo em absurdos – ex.: a neve é preta. Muitos resultados em breve chegarão. Em primeiro lugar, a influência de casa é obstrutiva. Em segundo lugar, que muito não poderá ser feito a menos que a doutrinação comece antes da idade de dez anos. Em terceiro lugar, versos com música repetidamente entoados são muito eficazes. Em quarto lugar, que a opinião de que a neve é branca deve ser percebida de modo que isso mostre um gosto mórbido de excentricidade. Mas eu antecipo. É para os futuros cientistas fazerem essas máximas precisas e descobrirem exatamente quanto custa por cabeça fazerem as crianças acreditarem que a neve é preta, e quanto menos custaria fazê-los acreditar que o cinza é escuro. Quando a técnica for aperfeiçoada, cada governo que for responsável pela educação de uma geração, será capaz de controlar os seus temas de forma segura sem a necessidade de exércitos ou polícias".
 
Escrita em 1992, em Fidelio Magazine [A Escola de Frankfurt e o Politicamente Correto] Michael Minnicino observou como os herdeiros de Marcuse e Adorno agora dominam completamente as universidades, "ensinando seus alunos para substituir a razão com o ritual de exercícios do “politicamente correto”. Existem muito poucos livros teóricos sobre artes, letras ou lingüística publicados hoje nos Estados Unidos ou na Europa que não reconheçam abertamente sua dívida para com a Escola de Frankfurt . A caça às bruxas nos dias de hoje é apenas a implementação dos conceito de Marcuse da "tolerância repressiva” aos movimentos de esquerda, mas a intolerância para os movimentos da direita - executadas pelos alunos da Escola de Frankfurt ".
 
A Rede
 
Em seu livro Sex & Social Engineering (Family Education Trust, 1994) Valerie Riches observou como no final dos anos 1960 e início dos anos 1970 houve intensas campanhas parlamentares que emanavam de uma série de organizações de controle da natalidade (ou seja, a contracepção, o aborto, a esterilização ). "De uma análise dos seus relatórios anuais tornou-se evidente que um número relativamente pequeno de pessoas estavam envolvidas em grau surpreendente em uma série de grupos de pressão. Esta rede não estava apenas ligada a pessoas, fundos, ideologia: mas também eram apoiadas por interesses pessoais e por concessões, em alguns casos de departamentos governamentais. No coração da rede estava a Associação de Planejamento Familiar (APF), com sua própria coleção de ramificações. Foi descoberta uma estrutura de poder com uma influência enorme.
 
"Investigação mais profunda revelou que a Rede, de fato, estendia-se para mais longe, para a eugenia, o controle populacional, o controle de nascimento, as reformas sexuais, reformas do direito da família, e educação em saúde. Seus tentáculos se estendiam para as editoras, médicos, estabelecimentos de ensino e pesquisa, organizações de mulheres e orientação do casamento; em qualquer lugar onde a influência podia ser exercida. Ela parecia ter grande influência sobre a mídia, e sobre funcionários de departamentos governamentais mais relevantes, fora de qualquer proporção com os números envolvidos.
 
"Durante nossas investigações, um porta-voz de um Simpósio de Educação Sexual em Liverpool definia táticas de educação sexual dizendo: "Se não obtivermos uma nova educação sexual, as crianças vão simplesmente seguir os costumes de seus pais. O fato de que a educação sexual devia ser o veículo para os pedintes do humanismo secular logo se tornou aparente.
 
«No entanto, naquele tempo o poder da rede e todas as implicações de suas atividades não eram totalmente compreendidas. Pensou-se que a situação estava confinada à Grã-Bretanha. As implicações internacionais não tinham sido apreendidas.
 
"Logo depois, um pequeno livro foi publicado com o título intrigante The Men Behind Hitler-Warning (Os Homens por trás de Hitler - Advertência). Sua tese era de que o movimento eugênico, que tinha ganho popularidade no início do século XX, e que tinha ido para as cucuias após o holocausto na Alemanha nazista, ainda estava ativo e funcionando por meio de organizações que promoviam o aborto, a eutanásia, a esterilização, a “saúde mental”, etc. O Autor instava o leitor a olhar para o seu país de origem e os países vizinhos, pois ele certamente descobriria que os membros de comissões dessas organizações tinham se intercruzado de forma notável.
 
"Outros livros e documentos de fontes independentes posteriores confirmaram esta situação. . . . Um livro notável também foi publicado na América, que documentou as atividades do Sexo, Informação e Conselho de Educação dos Estados Unidos ( SIECUS ). Foi intitulado The Circle SIECUS, A Revolução Humanista. SIECUS foi criada em 1964 e não perdeu tempo em se engajar em um programa de engenharia social através da educação sexual nas escolas. Seu primeiro diretor executivo foi Mary Calderone, que também era estreitamente ligada a Planned Parenthood, o equivalente americano da FPA britânico. Segundo o The Circle SIECUS, Calderone apoiava sentimentos e as teorias apresentadas por Rudolph Dreikus, tais como:
 
-        fundir ou reverter os sexos e os papéis sexuais;
-        libertar as crianças de suas famílias ;
-        a abolição da família como a conhecemos.
 
Em seu livro Mind Siege (Thomas Nelson, 2000), Tim LaHaye e David A. Noebel confirmaram os resultados de uma rede internacional. «As autoridades líderes do Humanismo Secular podiam ser descritas como a escalação de um de um time de beisebol: o pitching é John Dewey; a captura é Isaac Asimov; a primeira base é Paul Kurtz; a segunda base é Corliss Lamont; a terceira base é Bertrand Russell; o shortstop é Julian Huxley, o defensor da esquerda é Richard Dawkins, o fielder center é Margaret Sanger, o jogador da direita é Carl Rogers; o gerente é " O Cristianismo é para perdedores” de Ted Turner; o rebatedor designado é Mary Calderone; outras centenas de jogadores utilizados, que incluíam Eugenia C. Scott, Alfred Kinsey, Abraham Maslow, Erich Fromm, May Rollo, Betty Friedan, sentar-se-iam nas arquibancadas. Como patrocinadores ou contribuintes, organizações como a Escola de Frankfurt, a ala comunista do Partido Democrata, os Socialistas Democráticos da América, a Universidade de Harvard, a Yale University, a University of Minnesota, a University of California ( Berkeley ) e duas mil outras faculdades e universidades .
 
Um exemplo prático de como a maré de Maslow engolfou as escolas da Inglaterra foi revelado em um artigo publicado no British Nat Assoc. das famílias católicas (NACF), jornal católico Família (agosto 2000), onde James Caffrey advertia sobre a Cidadania (PSHE), programa que estava prestes a ser esboçado no Currículo Nacional. "Nós precisamos olhar atentamente para o vocabulário utilizado nesse assunto novo", escreveu ele", e, mais importante, descobrir a base filosófica em que se funda. As pistas para esta pode ser encontrada na palavra "escolha", que ocorre com freqüência na documentação para a Cidadania e a grande ênfase colocada sobre os alunos que "discutem e "esclarecem" suas próprias opiniões, valores e opções sobre qualquer assunto. Isso não é nada diferente do conceito conhecido como "esclarecimento de valores" - um conceito anátema ao catolicismo, e mesmo para o judaísmo e o islamismo.
 
"Este conceito foi introduzido pioneiramente na Califórnia na década de 1960 pelos psicólogos William Coulson, Carl Rogers e Abraham Maslow. Era baseado na "psicologia humanista”, no qual os pacientes eram considerados os únicos juizes de suas ações e comportamentos morais. Tendo sido pioneira a técnica de “esclarecimento de valores’ dos psicólogos introduziu-se em escolas e outras instituições, como conventos e seminários - com resultados desastrosos. Conventos esvaziados perderam sua vocação religiosa e houve grande perda da crença em Deus. Por quê? Como as instituições católicas se baseiam em crenças absolutas, por exemplo, o Credo e os Dez Mandamentos. “Esclarecimento de valores” supõe um relativismo moral no qual não há direito absoluto ou errado e sem dependência de Deus.
 
"Este mesmo sistema está a ser introduzido nas mentes das crianças vulneráveis, juniores e adolescentes a partir do ano 2000 e seguintes. A filosofia de “esclarecimento de valores” que impedem os professores de promoverem as virtudes como a honestidade, a justiça ou a castidade, constitui doutrinação de crianças e "viola" a sua liberdade moral. Recomendando ainda que as crianças devem ser livres para escolherem seus próprios valores, o professor deve apenas " facilitar", e deve evitar qualquer moralismo ou crítica. Como um advogado comentou recentemente sobre as tendências preocupantes no ensino brasileiro, "a clarificação dos valores” tem como tema central que não existem valores do certo ou do errado.
 
"Na ausência de uma orientação moral clara, as crianças naturalmente fazem escolhas baseadas em sentimentos sob pressão poderosa dos seus iguais libertos dos valores que provinham de uma fonte divina. Certifiquem-se que se fundem sobre valores partilhados segundo o menor denominador comum”. As referências à sustentabilidade ambiental levam a uma mentalidade anti-vida, onde os argumentos para o controle da população são os desejáveis e responsáveis. Da mesma forma, "as escolhas informadas” sobre saúde e estilos de vida são eufemismos para atitudes antitéticas sob o ponto de vista cristão sobre a maternidade, a paternidade, o sacramento do matrimônio e a vida familiar. O “esclarecimento de valores” é secreto e perigoso. Ele sustenta a lógica inteira de cidadania (PSHE) e está a ser introduzido por lei no Reino Unido em breve. (No Brasil já existe há duas décadas) Isso dará aos jovens valores seculares e os imbuirá de uma atitude que só eles podem ter a autoridade final e o julgamento sobre suas vidas. Nenhuma escola católica pode incluir o novo tema, tal como formulado no Curriculum 2000 sem infligir danos à sua própria existência. O Dr. William Coulson reconhece que a técnica de Rogers infligia danos psicológicos aos jovens e dedicou sua vida a denunciar os seus perigos.
 
"O que nós estamos enfrentando no momento", escreve Philip Trower em uma carta para o Autor, "é uma mistura de duas escolas de pensamento - a Escola de Frankfurt e a da tradição liberal que remonta ao Iluminismo do século 18. A Escola de Frankfurt, evidentemente, tem as suas origens remotas no Iluminismo do século 18. Mas como o marxismo de Lênin, é um movimento separatista. Os objetivos imediatos do liberalismo clássico e da Escola de Frankfurt foram no essencial, os mesmos (vide o seu onze pontos acima), mas o objetivo final é diferente. Para os comunistas eles conduzem a cultura ocidental à "melhoria" e ao "aperfeiçoamento”; para a Escola de Frankfurt, levam à sua destruição .
 
"Ao contrário dos marxistas linha-dura, a Escola de Frankfurt não faz quaisquer planos para o futuro. (Mas) a Escola de Frankfurt parece ser mais previdente que os nossos socialistas e secularistas. Pelo menos eles vêem os desvios morais que irão promover no final, fazendo a vida social impossível ou intolerável. Mas isso deixa um grande ponto de interrogação sobre como seria o futuro realizado por eles."
 
Enquanto isso, a Revolução Cultural e Tranqüila vai em frente.
 
Timothy Matthews é o editor do britânico Catholic Family News.
Um serviço de notícias da Associação Nacional das Famílias Católicas, Reino Unido.
O artigo foi publicado no semanário Católico Americano,
 
The Wanderer, 11 de dezembro de 2008.

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Escola de Frankfurt: Conspiração para a Corrupção Moral
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Excerto do artigo citado. Tradução de Charles London.