domingo, 31 de março de 2013

RESGATANDO A VERDADE - Parte VI

Continuação...


A GUERRA REVOLUCIONÁRIA

GENERAL FERDINANDO DE CARVALHO

1976


SEGUNDA PARTE

A GUERRA REVOLUCIONÁRIA NO BRASIL ATÉ 1964


1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

A partir de 1953, após a morte de Stalin, o Partido Comunista do Brasil lançou um novo programa, intensificando a aço comunista em todas as áreas. Esse documento conclamava o Partido à “luta irreconciliável e revolucionária para a conquista do poder, através de um novo governo de libertação nacional”, seguindo a orientação dos congressos internacionais dos partidos comunistas que periodicamente se reúnem sob a direção do PCUS.
No ano seguinte, o PCB realizou o IV Congresso que aprovou os termos desse Programa e os Estatutos do Partido, verdadeira transcrição dos estatutos do PCUS.
Até 1956, o Partido Comunista conservou essa linha política, mas após o discurso secreto de Khrushchev, no XX Congresso do PCUS, atacando a memória de Stalin e proclamando a política da “coexistência pacífica”, uma luta interna se travou nas hostes partidárias entre “estalinistas” tradicionais e “Khrushchevistas” renovadores, criando uma cisão da qual resultaria a expulsão de vários membros que defendiam a linha tradicional.
O PCB refletiu fielmente a nova política adotada pelo PCUS, realizando uma autocrítica dos erros do passado, uma imitação provinciana do que Khrushchev havia feito da metrópole do comunismo mundial. Em declaração publicada em 1958, dizia o PCB:
“Os documentos do XX Congresso do PCUS motivaram nas fileiras do nosso Partido uma intensa discussão, no curso da qual foram submetidos à crítica os graves erros de caráter dogmático e sectário da orientação política do Partido”.
Assim, o PCB, seguindo a orientação do PCUS, ingressou em uma nova fase, traduzindo a política da “coexistência pacífica” de Khrushchev em uma edição nacional chamada “caminho pacífico da revolução brasileira” que, em síntese, consistia na busca do poder através das ações da Guerra Revolucionária.
O “caminho pacífico” acarretava uma intensificação das ações políticas para a conquista do poder. O apelo à violência seria feito caso o adversário não aceitasse essa imposição e reagisse. Declarava, nessa época, uma Resolução Política do Partido:
“A escolha das formas e meios de transformar a sociedade brasileira não depende do proletariado e das demais forças patrióticas. No caso em que os inimigos do povo brasileiro venham a empregar a violência contra as forças progressistas da Nação é indispensável ter em vista outra possibilidade – a de uma solução não pacífica. Os sofrimentos que recaírem sobre as massas, em tal caso, serão da inteira responsabilidade dos inimigos do povo brasileiro”.
Eis a engenhosa concepção do “caminho pacífico”. A violência é usada quando os democratas não aceitam passivamente o domínio comunista. Em outras palavras, os comunistas desejam apossar-se tranquilamente do poder. Se houvesse reação, a culpa não seria deles.
Com essa orientação, em agosto de 1960, à sombra da proteção oficial do governo, os comunistas se reuniram na Cinelândia, no Rio de Janeiro, onde realizaram o seu V Congresso, no qual condicionaram o seu apoio à candidatura LOTT-JANGO a uma série de requisitos entre os quais se contavam os seguintes:
- concessão de legalidade ao PC;
- restabelecimento de relações diplomáticas com a União Soviética, China Comunista e demais países socialista;
- anulação dos tratados militares com os EUS;
- reforma agrária radical; e
- defesa do regime cubano.
O objetivo do Partido era a formação de um governo em que o poder estatal fosse entregue “nas mãos das forças mãos revolucionárias da sociedade, interessadas em transformações antiimperialistas e democráticas radicais”.
Caberia ao Partido Comunista a missão histórica de vanguarda consciente e organizada desse movimento que denominavam: “a Revolução Brasileira”.
Com esse propósito, os comunistas adotaram nos sete meses do governo de Jânio Quadros, uma atitude de expectativa, emergindo esperançosos durante a renúncia presidencial, em 1961.
 
Continua...
 
2. A CRISE POLÍTICA (1961)
 

quarta-feira, 27 de março de 2013

RESGATANDO A VERDADE - Parte V

Continuação...


A GUERRA REVOLUCIONÁRIA

GENERAL FERDINANDO DE CARVALHO

1976

PRIMEIRA PARTE

A DOUTRINA
 
 
6. A AÇÃO
A estratégia comunista é, como vimos, uma estratégia de ação indireta e objetivos limitados e busca o domínio mundial através da Guerra Revolucionária. A tática empregada consiste principalmente em engendrar uma situação revolucionária e transformar a revolução democrática em uma revolução comunista.
Mostramos que para criar uma situação revolucionária e transformar em comunista uma revolução democrática, o movimento comunista internacional explora aliados e organizações de massa.
O Partido Comunista jamais fez uma revolução sozinho. Lenine advertia: “Não é possível triunfar apenas com a vanguarda”.
E o Partido Comunista é a vanguarda, é a direção, é a cabeça.
Os fundamentos do Marxismo-Leninismo ensinam que seria não só estupidez, mas um crime inominável lançar a vanguarda, isto é, o Partido Comunista, na luta decisiva, enquanto as grandes massas não ocuparem posições de apoio direto à vanguarda, ou, pelo menos, de neutralidade favorável em relação a ela e de completa recusa em apoiar o inimigo.
Então, como vemos, cabe ao Partido Comunista a importante missão de jogar as massas contra o regime. A revolução comunista é uma coisa muito séria, dizia Lenine, nunca se deve iniciá-la sem estar convencido que se terá de levá-la até o fim, vencendo todas as resistências, obtendo êxitos diários, mantendo a todo o custo a superioridade moral, colhendo o adversário de surpresa e adotando constantemente a ofensiva.
Mao Tse-Tung aconselhava a tática da fluidez.
- Se o inimigo avança, nós recuamos.
- Se o inimigo pára, nós inquietamos.
- Se o inimigo cansa, nós atacamos.
- Se o inimigo recua, nós perseguimos.
Para aplicar esses princípios tanto na luta política, como na luta armada, os comunistas realizam ações da Guerra Revolucionária.
O teatro dessas ações não é normalmente um campo de batalha convencional, um terreno em que a infantaria e os carros de combate avançam ou defendem, onde explodem as granadas de artilharia ou as bombas lançadas por aviões.
O teatro dessas ações é a população de todo o País, alcança a mentalidade dos indivíduos e dos grupos sociais.
Conquanto cada uma dessas ações seja um complexo de ações elementares, poderemos, para fins de análise, discernir os seguintes tipos gerais:
- ações psicológicas e políticas; e
- ações violentas.
A Guerra Revolucionária é uma guerra de fundo ideológico e político. Pretende conquistar as populações de forma duradoura, total e irreversível. O alcance de guerra psicológica e política é mundial e independente de operações militares. Não existem convenções internacionais contra ataques dessa natureza. Cada nação terá que proteger-se com seus próprios meios. O caráter interno dessa luta tolhe a iniciativa dos países não envolvidos diretamente em relação a quaisquer medidas de apoio e solidariedade que, inclusive, podem ser interpretadas como atentatórias à soberania nacional.
Ações psicológicas e políticas
As ações psicológicas e políticas comportam a combinação dos seguintes tipos característicos:
1°) Ações de propaganda e agitação
Essas ações visam a impregnar a mentalidade das pessoas individualmente (propaganda) ou coletivamente (agitação) de idéias e conceitos favoráveis ao comunismo e desfavoráveis à democracia. Buscam disseminar a doutrina comunista, angariar aliados e exacerbar as massas para conduzi-las a manifestações contra o regime.
As principais ações de propaganda são:
a) propaganda ideológica:
- de aliciamento ou conversão – que buscam a impregnação mental dos indivíduos; e
- de consolidação ou educação – que objetivam firmar convicções ou atitudes favoráveis.
b) propaganda política:
- de divisão – visando alcançar a desunião ou enfraquecimento dos laços internos das organizações;
- de recrutamento, sedução ou adesão – visando angariar auxiliares;
- de desmoralização – procurando desprestigiar e inutilizar personalidades; e
- de intimidação – que visam atemorizar as pessoas e implantar a idéia da inviabilidade da reação.
As principais ações de agitação são:
a) de mobilização de massas – visando congregar grupos para atividades comunistas;
b) de divisão – visando desarticular os grupos e as comunidades; e
c) exaltação de ânimos – procurando levar massas a desatinos.
2°) Ações de construção
Essas ações têm em vista construir e aperfeiçoar o organismo partidário. Como exemplos de ações dessa natureza, citamos:
- campanhas financeiras;
- campanha de recrutamento de novos quadros; e
- cursos de capacitação política de comunistas (educação).
3°) Ações de infiltração
Têm por objetivo conseguir a penetração de comunistas nas organizações políticas, econômicas ou sociais, por forma a obter o domínio palatino e conseguir a hegemonia dos comunistas e o enquadramento final dessas organizações dentro da orientação partidária.
A técnica de infiltração obedece a um esquema que compreende as seguintes etapas:
1- Penetração e obtenção de um elevado conceito;
2- Formação do grupo de apoio; e
3- Conquista dos pontos chaves.
Atingida a primeira fase, a organização se diz infiltrada. Após a segunda, a organização é considerada como sob controle. Finalmente ultimada a terceira fase, a organização está dominada.
O conjunto de elementos do Partido Comunista que se infiltra em uma organização constituiu a chamada fração.
Lenine escreveu, em seu livro “O esquerdismo, doença infantil do Comunismo”:
“E para fazer frente a isto, devemos submeter-nos a quaisquer sacrifícios e, mesmo se necessário, recorrer a todas as espécies de estratagemas, de artifícios, métodos ilegais evasivos e subterfúgios, tudo com o fito cínico de penetrar nos sindicatos, permanecer neles e continuar a executar o trabalho comunista neles a todo o custo”.
A infiltração é normalmente dirigida pelo Partido, embora todo comunista tenha a obrigação de procurar infiltrar-se, sempre que puder, em organizações democráticas e lá empreender o trabalho comunista sob a direção indireta do PC.
O partido pode designar elementos compulsoriamente para ingressar em determinadas organizações como sindicatos, institutos de ensino, partidos políticos, etc. Um estudante, por exemplo, pode receber a missão de freqüentar uma universidade em que não desejava estudar.
O trabalho das frações é regulado nos Estatutos do Partido. De acordo com as normas, esse trabalho está sujeito à orientação e ao controle do Partido, embora a fração não seja considerada como um órgão partidário.
4°) Ações de movimentação de massas
Essas ações destinam-se à manipulação das massas, conduzidas para objetivos construtivos ou destrutivos do Comunismo.
Entre as ações desse tipo, citamos:
- Manifestações de rua (concentrações, passeatas, manifestações de desagrado ou solidariedade, protestos, comícios, etc);
- Manifestações de interior (assembléias, sessões, reuniões, etc);
- Resistência passiva (operações “tartaruga”); e
- Greves políticas.
Ações de violência
As ações violentas da GR compreendem, com as ações psicológicas e políticas, uma imensa variedade de manifestações. Citaremos as principais:
(1°) Ações de violência clandestina:
- sabotagem; e
- terrorismo (seletivo e sistemático).
(2°) Ações de violência coletiva:
- perturbações da ordem pública (desordens, depredações, conflitos, distúrbios, tumultos, apedrejamentos, saques, empastelamentos, linchamento, quebra-quebra, etc); e
- greves revolucionárias.
(3°) Ações de violência específica:
- perseguições de pessoas ou grupos;
- prisões, afastamento ou deportação;
- execuções; e
- dissolução de organizações.
(4°) Ações de violência armada
- emboscadas (de inquietação ou destruição);
- insurreição ou levantes armados; e
- guerrilhas.
Quanto à luta armada, os comunistas consideram-na como a resposta revolucionária à oposição das forças legalistas. Julgam, entretanto, que a luta política é a base da luta armada, pois a luta política tem em vista “aumentar o número de amigos e diminuir o número de inimigos”.
Sobre a correlação entre as duas formas de luta, declaram:
“As duas formas de luta devem marchar paralelamente até a vitória final. Em determinados períodos e circunstâncias predominarão uma forma ou outra. A luta armada predomina nos lugares em que a violência impede a forma política. É preciso, entretanto, observar que a luta armada tem sempre fins políticos”.
Assim, a luta política a luta armada são as manifestações da mesma luta no quadro da Guerra Revolucionária. São as duas faces da mesma hidra, cujo cérebro é o Partido Comunista.
Meus senhores
Desejamos encerrar e ao fazê-lo, cremos que, através desta exposição, estamos cumprindo um indeclinável dever: o de alertar os homens de bem sobre os ardis e os perigos da Guerra Revolucionária Comunista.
Temos a convicção de que este País, que segue hoje um curso notável de desenvolvimento moral e material, deve ser resguardado do fluxo de desordens e violências que se alastraram em tantas áreas de nosso Planeta.
O mundo tem períodos em que a luz brilhante da inteligência de alguns e da compreensão de muitos ilumina a consciência da humanidade. Hoje, porém, vivemos uma hora crepuscular, cheia de dúvidas e contradições.
Ouvimos as advertências de Kerenski e de Soljenitsin que nos denunciaram a realidade escondida por trás das muralhas comunistas: os cárceres, deportações, os campos de concentração, os fuzilamento de inocentes, o trabalho forçado, a brutal violação das leis, as distorções da moral, a instituição de uma atmosfera de espionagem, de delações e de perseguições.
É preciso nos convencermos de que não se pode permitir aos adeptos e aos simpatizantes da causa comunista ajudarem a expansão desse movimento e dessa mentalidades, mesmo que pretextem fazê-lo sob a proteção das franquias democráticas.
Não devemos deixar que doutrinem nossos jovens, nossos trabalhadores, nossos soldados, nosso povo, em suma, impregnando-os com as falsidades de suas promessas e com o desrespeito pelos nossos padrões sociais.
Não devemos deixar que das tribunas deformem as intenções e deturpem as realizações de nossa Revolução democrática, para criarem a desilusão e a desconfiança.
Não devemos deixar que saiam às ruas para exarcebar o ânimo das pessoas, levando-as a desatinos e a demonstrações destrutivas.
Não devemos deixar que confabulem nos desvão da clandestinidade, programando suas mistificações e atividades ilegais.
Vamos identificá-los, desmascará-los, tirar-lhes todos os disfarces, porque perdem quase totalmente a sua virulência quando expostos à luz da verdade.
Não importa que reclamem ou que seus aliados levantem críticas descabidas.
É da técnica dos comunistas fingirem-se de agredidos, quando na realidade são os agressores.
É da técnica dos comunistas acusarem de arbitrários os que defendem as instituições contra as ilegalidades por eles cometidas.
Somente importa que mantenhamos a ordem e a integridade deste País para que ele alcance pacificamente a sua destinação histórica de grande potência mundial.
Tenho a certeza de que, sob a proteção de Deus e com o esforço dos bons brasileiros, haveremos de construir, numa obra de gerações, uma Pátria maior, sem que o seu povo necessite ser acorrentado a grilhões de uma ditadura comunista.
 
Continua...
 
SEGUNDA PARTE
A GUERRA REVOLUCIONÁRIA NO BRASIL ATÉ 1964
1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES