segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

MANIFESTAÇÃO DE APOIO AOS BISPOS DO URUGUAI NA LUTA CONTRA O ABORTO



Caro Leitor:

Você pode encaminhar seu e-mail individualmente a cada Bispo ou para o grupo. Os endereceços eletrônicos individuais e do grupo se encontram a seguir.

O Duque.

Conferencia episcopal de Uruguay
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Diócesis de Salto, Obispo Mons. Pablo Jaime Galimberti Di Vietri
obispadodesalto@adinet.com.uy

Diócesis de Tacurembó, Obispo Mons. Julio César Bonino
recepcióntbo@adinet.com.uy; ceutbo@adinet.com.uy; ceurivera@adinet.com.uy

Diócesis de Melo, Obispo Mons. Heriberto Bodeant
obispadodemelo@hotmail.com; vicariapastoralmelo@gmail.com; frmabbtd@adinet.com.uy

Diócesis de Minas, obispo Mons. Jaime Rafael Fuentes
obispojaime@gmail.com

Diócesis de Maldonado, Obispo Mons. Rodolfo Wirz
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Canelones, Obispo Mons. Alberto Sanguinetti Montero
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Diócesis de Florida, Obispo Mons. Martín Pérez Scremini
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Arquidiócesis de Montevideo, Obispo Mons. Nicolas Domingo Cotugno Fanizzi
vicariopastoral@gmail.com;secretariadjunta@arquidiocesis.net

Diócesis de San Jose Mayo, Obispo Mons. Arturo Eduardo Fajardo Bustamente
catsj@redfacil.com.uy

Diócesis de Mercedes, Obispo Mons. Carlos María Collazzi
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

OS EXTERMINADORES DO FUTURO IV - 3ª Parte: LA NUOVA SCUOLA FASCISTA

Escrito por Heitor De Paola Artigos - Movimento Revolucionário        

Os anos entre Gentille e Bottai.
Maria MontessoriComo vimos anteriormente, a reforma fascista do ensino passou por duas fases: a Reforma Gentile, iniciada em 1923, e da Carta della Scuola, de Giuseppe Bottai, de 1939. Resta saber como foram administradas as escolas fascistas durante este intervalo em que se sucederam oito ministros da Educação. Sem analisar a escola fascista é impossível estudar as organizações juvenis como a Opera Nazionale Balilla.
Da mesma forma que Trotsky foi retirado das fotos após a morte de Lenin e a posse de Stalin, várias são as falsificações do Ministério da Verdade esquerdista com o sentido de refazer a história a seu bel prazer, ocultando seus erros e, como no caso abordado a seguir, fatos históricos que os constrangeriam muito se descobertos. É o caso do sumiço de doze anos da biografia de Maria Montessori. Por ser seu método de ensino o queridinho das esquerdas, qualquer relação com o fascismo precisa ser sonegada. A esquerda tem um enorme interesse em transformá-la numa heroína cujo método de ensino deve ser aceito como válido modernamente. Portanto, o que se sabe de sua biografia? Muito, exceto a respeito dos anos 1922 a 1934. Tudo o que as principais biografias dizem é que Montessori criou as Case dei Bambini na Itália em 1907, foi recebida com honras nos EUA em 1913 e foi para Barcelona em 1916, segundo alguns, para evitar que seu marido fosse convocado para a I Guerra Mundial. As únicas referências mais explícitas mencionam que ela retornou à Itália em 1922, foi nomeada inspetora geral das escolas fascistas e saiu em 1934 por ser pacifista e “reconhecer que os métodos de Mussolini eram brutais” [i]. Isto é apenas a ponta visível do iceberg.
Em 1920 saiu a terceira edição de seu Il Metodo della Pedagogia Scientifica e Maria Montessori começa a retomar contatos com sua terra natal. A verdade é que voltou para seu país exatamente por apoiar Mussolini no exato ano em que ele era nomeado Presidente do Conselho do Reino. Inicialmente proferiu uma série de conferências em Nápoles a convite do então ministro Antonio Anile. Um ano depois Giovanni Gentile é nomeado ministro e, influenciado pela rainha-mãe, Margherita de Saboia, demonstra interesse em colaborar com Montessori e disseminar seu método pedagógico por todo o país. Mussolini se interessou muitíssimo pelo método pedagógico considerado muito promissor para ser incorporado ao sistema escolar da Reforma Gentile [ii].
Em abril de 1924 a Societá Amici del Método se torna a Opera Nazionale Montessori, fundação criada por decreto real, presidida por Gentile e com Maria Montessori como presidente de honra. A fundação penetrou até mesmo nos colégios religiosos como o Suore Francescane Missionarie di Maria in via Giusti [iii]. Mussolini autorizou Gentile a estruturar um curso montessoriano para professores em Milão. Cento e cinqüenta alunos assistiram às aulas de Montessori, sessenta deles por ordem direta de Gentile. Mussolini era o “presidente de honra” do curso.
Em 1926, Mussolini é escolhido presidente da Opera e Gentile passa a diretor dos escritórios de Roma. O Duce provê com fundos estatais as escolas que seguissem o método, contribuindo com 10 mil liras de seu próprio bolso. Já em 1925, ano em que Maria se tornou membro honorário do Partido Fascista, Mussolini dizia que “pessoas que objetassem ao método montessoriano eram todos ignorantes” [iv] e “recomendou o método a outros ditadores” [v]. No mesmo ano foi estabelecida em Roma uma escola montessoriana de preparação de professores, a Scuola Magistrale Montessori, e o ministro Gentile anunciou que este era o próprio método fascista de ensino. Neste ano (1926) foi fundada a Opera Nazionale Balilla, responsável pela educação política e física das crianças em curso primário. Estudaremos adiante estas organizações juvenis, basta aqui ressaltar a “coincidência” com a institucionalização do método montessoriano.
Em 1927, outras escolas foram estabelecidas e a partir de 1929, Montessori passou a controlar todo o sistema de ensino fascista [vi]. Neste mesmo ano foi realizado o chamado “plebiscito” (24/03/1929) em que o povo deveria votar a favor ou contra a lista de 400 nomes apresentada pelo PNF. O comparecimento foi maciço: 89,63% dos eleitores. O sim obteve 8.519.559 votos e o não 135.761 e 8.092 nulos [vii]. O poder fascista tornava-se total!
Em 1931, o Gran Consiglio Del Fascismo instituiu a obrigatoriedade de todos os professores jurarem lealdade ao fascismo e ao Duce. Vários professores que aberta ou reservadamente criticaram o regime, ou mesmo frente a meras suspeitas ou denúncias anônimas, foram expulsos do magistério. Logo depois foi criado um juramento adicional, o de “viver e morrer pelo Duce”. O ensino não mais poderia ser neutro, mas fascista em seu cerne, justificando a nova “ética” de violência, obediência e uniformidade intelectual. Os que não aceitaram foram demitidos. Como a grande maioria, Maria Montessori manteve seu emprego. Acredita-se, portanto, que tenha aceitado os juramentos.
Em 1934, a obrigatoriedade do ensino fascista atingiu os jardins de infância para, desde a mais tenra idade, começar a formação do “novo homem fascista”. Foi então que aparentemente Maria começou a desconfiar das iniciativas do Duce. (Depois de doze anos é que percebeu isto?!). Sua idéia inicial sempre fora uma “educação para a paz”, o que conflitava diretamente com a visão de Mussolini, de fazer uso do método para fabricar fanáticos o quanto fosse possível. Maria admitiu que “as implicações de sua teoria iam longe demais. Era através da atuação sobre as crianças que os governos totalitários conseguiam produzir enormes reservas de jovens fanáticos, totalmente devotados ao seu líder e tomados de espírito guerreiro” [viii]. Era exatamente isto que o Duce queria e soube se aproveitar muito bem de um método baseado em falsas premissas psicológicas! Montessori saiu da Itália, mas não mudou seu método, hoje grandemente difundido pelo mundo.
Apresentação sumária do método
Nos países livres a formação das crianças é deixada para os pais, a escola deve ser informativa, embora participe minimamente da formação pelo contato com um meio externo, suas regras e disciplina, que nem sempre correspondem às de casa. Há um momento, ao redor dos 5-6 anos de idade, em que a criança precisa aprender a conviver num mundo mais amplo e já desenvolveu as condições mentais, até de amadurecimento do sistema nervoso central, para tanto. Gentile, conforme suas inclinações totalitárias, afirmava que a escola – de preferência estatal - deveria ser formativa, e não informativa. O método construtivista montessoriano é o mais adequado para isto.
No sistema montessoriano o educando é “educador de si mesmo”, tendo a possibilidade de escolher o seu trabalho, de se mover por conta própria, de se tornar “responsável pelo seu progresso e crescimento”. Pelo método o educando caminha para a independência e liberdade numa atitude auto-dirigida. A integração da criança com o ambiente, com o material montessoriano e com o professor, resulta na aprendizagem significativa e individualizada. A cada fase do desenvolvimento vivenciada pelo educando, ele está auto-construindo, internalizando conceitos e valores sociais, de forma segura e de acordo com o momento histórico atual.
Nas palavras de Maria Montessori: “educação não é o que o professor dá, mas um processo natural espontâneo levado a efeito pelo indivíduo, não através de escutar palavras, mas de experiências no ambiente. (...) A tarefa do professor é preparar uma série de motivos culturais num ambiente especialmente preparado (...). Os professores humanos só podem ajudar o grande trabalho que está sendo feito, como servos ajudam seu senhor (...). Assim poderão testemunhar o desvelar da alma humana e o surgimento de um Novo Homem (...)”.
O programa de educação infantil baseado no construtivismo estrutura-se no conceito de educação integral (cuidar e educar), visando o desenvolvimento da criança na sua totalidade: cognitivo, psicomotor, físico, social, intelectual, afetivo. A psicologia escolar tem como objetivo assessorar o trabalho pedagógico. Na escola montessoriana, a criança encontra um ambiente preparado para o seu aprendizado, o que permite a autoconstrução de seu desenvolvimento cognitivo e psicomotor. Quando isso não acontece, o professor funciona como um investigador para saber o que há de errado, tendo o acompanhamento do psicólogo na busca de “soluções”.
Os princípios básicos fundamentais da pedagogia de Montessori são: a liberdade, a atividade e a individualidade. Outros aspectos abordados nesta metodologia são: a ordem, a concentração, o respeito pelos outros e por si mesmo, a autonomia, a independência, a iniciativa, a capacidade de escolher, o desenvolvimento da vontade e a autodisciplina [ix].
O método Montessori está inspirado no humanismo integral, que postula a formação dos seres humanos como pessoas únicas e plenamente capacitadas para atuar com liberdade, inteligência e dignidade.
Crítica ao método
Comecemos pelo fim: o humanismo integral. O que significa humanismo?
De acordo com o Humanist Manifesto I [x],
a base do humanismo é de que não existe um Deus Todo Poderoso, Criador e Sustentáculo da vida, os humanistas acreditam que o homem é seu próprio deus. Acreditam que os valores morais são relativos, inventados de acordo com as necessidades de um povo específico, e que a ética também é situacional. Os Humanistas rejeitam a moral e a ética Judaico-Cristã, tais como as contidas nos Dez Mandamentos, tidos como “dogmáticos”, “fora de moda”, “autoritários” e um atraso ao progresso da humanidade. No humanismo a auto-realização, a felicidade, o amor e a justiça são encontrados por cada homem individualmente, sem referência a nenhuma fonte divina. Dentro da ética Judaico-Cristã não existe e não pode existir auto-realização, felicidade, amor ou justiça na Terra, que não seja, em última análise, relacionada com um Deus Todo Poderoso, Criador e Provedor” [xi].
Quando vejo um cristão ou judeu estufar o peito de orgulho para revelar-se humanista fico pasmo de ver a que ponto vai a burrice, a ignorância e/ou a má fé dos seres humanos!
A declaração de que o construtivismo se baseia no humanismo integral já mostra a que veio o tal método: fazer uma lavagem cerebral, eliminando da mente das crianças tudo aquilo que ela traz de casa como crenças e princípios universais, porque a negação de um Deus Criador e Provedor é a destruição de quaisquer valores universalmente válidos.
A “auto-construção” através da internalização de conceitos e valores sociais, de forma segura e de acordo com o momento histórico atual” significa a impregnação da mente infantil das crenças professadas pela onipotente casta professoral aliada a gerações de pais inseguros de suas próprias crenças. Lembremos a afirmação de Mussolini:
O fascismo é um método, não uma finalidade, uma autocracia por sobre a via democrática. “Permitimo-nos ser aristocráticos e democráticos, conservadores e progressistas, reacionários e revolucionários, legalistas e contra a lei, segundo as circunstâncias de tempo, lugar ou ambiente”.
O “desvelar da alma humana e o surgimento de um Novo Homem” é o sonho de todos os ditadores, de um dos quais Montessori foi serva obediente durante doze anos.
O construtivismo não passa de uma falácia. Tenha ou não sido esta a intenção de sua criadora, foi e continua sendo um meio fértil para a introdução das ideologias coletivistas, ambientalistas e a preparação, entre outras coisas, de um mundo de pensamento uniformizado, um mundo de crianças robotizadas a serviço de qualquer totalitarismo. Pois o tal ambiente preparado pode ser preparado para qualquer coisa e utiliza-se a noção de auto-construção para esvaziar a mente dos alunos dos valores que traz de casa e “construir os seus”. Ora, isto é uma impossibilidade, a criança aprende inicialmente imitando, só posteriormente irá fazendo suas próprias opções e criando outras. O que ocorre é uma verdadeira lavagem cerebral, bem ao gosto dos sistemas totalitários. Pode-se, então, introduzir qualquer coisa como se fosse “construção” ou “criação” da própria criança, aumentando falsamente o sentimento de onipotência. Nada mais eficaz do que o fazer o doutrinado acreditar que inventou a doutrina. Foi aí que o Duce encontrou a verdadeira utilização do método montessoriano!
Quando se diz que o professor funciona como um investigador para saber o que há de errado, tendo o acompanhamento do psicólogo na busca de “soluções", a escola se transforma em agente terapêutico! Instaura-se o mundo maquiavélico da “psicopedagogia”, o pior dos mundos para as crianças e famílias!
A falha básica do método “construcionista”
Este método aparentemente se baseia numa teoria psicológica falsa: a de que a criança chega à escola com a mente como uma tela em branco. Nem mesmo ao nascer isto é verdade: a herança genética é fato comprovado. O fato é que Maria Montessori sabia e seus seguidores sabem muito bem disto.
A primeira a observar crianças muito pequenas e tentar entender suas mentes foi Melanie Klein [xii], já em 1919, no Instituto Psicanalítico de Budapeste. Depois de ir para Londres tornou-se mundialmente conhecida como analista de crianças. Seus trabalhos sobre a vida mental infantil [xiii] são ainda hoje considerados fundamentais. Contrariando Freud, que jamais a contestou, mostrou que a vida mental da criança já tem a enorme complexidade da do adulto desde o nascimento. Suas observações sobre o primeiro ano de vida viriam a ser complementadas por Esther Bick [xiv].
Já mesmo a vida intra-uterina é extremamente complexa como foi comprovado por Alessandra Piontelli [xv], pediatra e psicanalista milanesa, com grande experiência em obstetrícia. Usando técnicas modernas de ultrassonografia, Alessandra Piontelli demonstrou que o feto já é um ser humano completo, ri, chora, brinca com o cordão umbilical – seu primeiro brinquedinho – sonha, reage a estímulos externos e internos. As reações físicas e psicológicas da mãe e dos familiares são sentidas e a estas o bebê reage. Os “chutes” na barriga, tão dolorosos como prazerosos para as gestantes, não são movimentos meramente reflexológicos de “arcos reflexos” pavlovianos, mas expressões às vezes de sonhos ou reações a estímulos externos, ou de sentimentos de raiva.
O método montessoriano não é, portanto construtivista, mas desconstrutivista: é preciso “desconstruir” tudo que já está na mente infantil, para deixar a criança inerme nas mãos de professores quem ao invés da admitir que ensinam o que bem entendem, fingem que a criança está auto-construindo seu conhecimento. Com isto eliminam-se todos os valores universais, estimula-se a onipotência da criança para torná-la uma humanista que acredita que não existem conhecimentos universais, mas todos são suas criações.
Voltarei a isto no final desta série com falar da doutrinação ambientalista como a religião da Nova Era.
Notas:
[i] Uma explicação totalmente descabida, de tão ingênua, é a de Barbara Thayer-Bacon:
Montessori was not alone in being blind to Mussolini’s brutality, like many others she was hopeful that her presence and activity might make a difference. She truly believed that her system of education properly carried out under her own supervision would accomplish good results for individual children and in the long run for all of society. She declared herself apolitical, not existing to any political party, and did not openly oppose the Fascist regime until it began to interfere with her own activities as a teacher, and those of her teachers. In Maria Montessori: Education for Peace.
[ii] Erica Moretti, Brown University, Recasting Il Metodo: Maria Montessori and Early Childhood Education in Italy (1909-1926), in http://www.cromohs.unifi.it/16_2011/moretti_montessori.html
[iii] Corso per educare fanciulli col Metodo Montessori, in Vita femminile italiana», a. IV, n. 1910, pp. 348-349. Citado por Moretti.
[iv] Muitas informações sobre a relação de Montessori com Mussolini são da obra de Rita Kramer, Maria Montessori: A Biography, Radcliffe Biography Series
[v] Bruce Walker, Maria Montessoris Hidden Decade, in American Daily
[vi] Bruce Walker, Maria Montessori and the Memory Hole, in Canada Free Press.
[vii] Seis meses antes, em 08/12/1928, Mussolini declarou à Câmara: “Vamos ao plebiscito, que ocorrerá em absoluta tranqüilidade (...) o povo votará perfeitamente livre. Quero apenas recordar, todavia, que uma revolução pode ser consagrada num plebiscito, jamais revertida! (De Felice, op, cit., PP 437-438).
[viii] Ver em Google Books
[x] http://www.americanhumanist.org/Who_We_Are/About_Humanism/Humanist_Manifesto_I. Sugiro sua leitura atenta assim como dos Manifestos II e III.
[xi] Deve ser esclarecido que este manifesto veio à luz em 1933, o mesmo ano em que Hitler foi nomeado chanceler do Reich.
[xiii] The Complete Works of Melanie Klein, Hogarth Press, London.


Fonte: sitio PAPÉIS AVULSOS
Copiado do sitio: Midia sem Máscara

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

OS FALSÁRIOS

Maria Lucia Victor Barbosa
22/01/2012

Num cacoete stalinista para manter a fachada de esquerda, os petistas se tornaram falsários praticantes. Em dossiês visando acabar com a reputação de adversários, a intriga e a mentira se tornaram suas armas prediletas, em que pese não terem dado nenhum resultado. Os responsáveis pelos falsos documentos são figuras importantes da República Sindicalista, amigos íntimos do ex-presidente, Lula da Silva, ou da atual presidente, Dilma Rousseff. Nada lhes aconteceu e continuam tranquilamente desfrutando as delícias do poder em altos cargos, uma vez que o PT paira acima da lei.
O primeiro ano de Dilma Rousseff, na verdade uma continuidade do governo Lula da Silva, foi um vazio de promessas de campanha não cumpridas e de novas promessas que dificilmente se concretizarão. Em 2011, a única coisa que aconteceu por obra de parte da imprensa foi a queda de sete ministros, sendo que seis foram acusados de corrupção. De fato, deveriam cair não sete, mas doze ministros, pois sobre mais cinco foram levantados pela imprensa fortes indícios de corrupção. Entretanto, os cinco devem ser mais companheiros que os outros, pois permaneceram firmes e fortes em seus cargos. Que farsa!
Apesar do aumento da inflação e da inadimplência, recente pesquisa Datafolha mostra que 59% dos brasileiros consideram a gestão Rousseff ótima ou boa, um recorde com relação aos presidentes anteriores e ao próprio Lula. Nosso povo está cada vez mais otimista no tocante ao futuro e enquanto der para comprar a felicidade em suaves e longas prestações em lojas de departamentos, aumentarem as bolsas esmola e os lucros dos companheiros do andar de cima, a aprovação da presidente tende a aumentar. Afinal, a farsa que induz à crença na ilusão é necessária ao psiquismo coletivo.
Na esteira de farsas e fraudes começam a despontar os candidatos às prefeituras nesse ano eleitoral. Lula da Silva, certamente entusiasmado com o êxito de sua afilhada política e desejando dominar politicamente São Paulo, impôs ao seu partido a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, à prefeitura. Como ministro da Educação Haddad foi reprovado no Enem, pois não acertou nenhum. Adotou um livro que ensina crianças a falarem errado, porque “pobres falam e escrevem errado”. Ninguém objetou que falar e escrever errado em concursos para obter melhores empregos prejudica tanto pobres quanto ricos, ou seja, Haddad instalou no Brasil a democracia do atraso onde todos são iguais na ignorância. Outro livro adotado no seu ministério ensinou que 10-7= 4. Algo inédito no mundo inteiro. O Brasil é o máximo, mudou até a matemática. Outra façanha do candidato de Lula da Silva, mas que acabou não se realizando por conta da interferência de deputados evangélicos foi o chamado  “kit Gay”, que em nome de acabar com o preconceito contra homossexuais influenciava a opção sexual de crianças desde a mais tenra idade numa clara e abusiva interferência estatal sobre a liberdade individual.
Com relação aos direitos humanos somos campões da farsa, pois o governo petista defende e abriga assassinos e terroristas do quilate de Cesare Battisti e de membros das Farc, sem falar nos apaniguados de Mahmoud Ahmadinejad que vivem sem problemas entre nós, como já foi ventilado pela imprensa.
Ahmadinejad esteve recentemente em países latino-americanos em busca de apoio político e econômico diante das sanções norte-americanas e europeias. Na Venezuela o boquirroto e megalômano Hugo Chávez mencionou bombas e mísseis, contra os Estados Unidos, naturalmente. Ahmadinejad retrucou que “o combustível dessas bombas é o amor”. Piada tão ridícula quanto a teoria conspiratória de Chávez que atribuiu aos norte-americanos seu câncer e o de outros companheiros. Não mencionou que os imperialistas falharam miseravelmente no caso de Cristina Kirchner.
Ahmadinejad desta vez não veio ao Brasil abraçar o querido companheiro, Lula da Silva, mas nosso embaixador em Terã, Antonio Salgado, defendeu o iraniano dizendo que aquela sua famosa e abjeta frase, “varrer Israel do mapa”, tantas vezes pronunciada, foi mal compreendida. Entretanto, a intenção de tal varredura pode não ser retórica, visto que material produzido em bunker no Irã pode se tornar material físsil para ogivas.
Em 23 de fevereiro de 2010, um Lula eufórico e sorridente caiu nos braços dos irmãos Castro, enquanto esfriava no caixão o corpo de Orlando Zapata Tamayo. Este morreu depois de ter sido torturado nas masmorras cubanas e enfrentado uma greve de fome. Tamayo pedia condições mais humanas para os demais encarcerados e liberdade para seu país.
Dilma Rousseff irá à Cuba no próximo dia 31. Dia 19 morreu Wilman Villar, que protestava com greve de fome contra a violação dos direitos humanos em Cuba. Não era um bandido, como se referiu Lula com relação aos presos políticos cubanos que fazem greve de fome, mas outro mártir e herói que deu a vida pela liberdade.
Rousseff, a exemplo de seu mestre em política, em breve estará em Cuba para abraçar e beijar o sanguinário déspota, Fidel Castro. Decididamente, direitos humanos à moda petista não passam de uma grande farsa.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

INTERMEZZO: A ORGANIZAÇÃO FASCISTA DO ESTADO

Escrito por Heitor De Paola Artigos - Movimento Revolucionário        

MussoliniNota do autor: Iniciei esta série, Os Exterminadores do Futuro, criticando o ambientalismo e a falácia da responsabilidade humana pelo aquecimento global. E continuei examinando a doutrinação ecologicamente correta da juventude por parte de “especialistas” em educação. Depois me dediquei a estudar as doutrinas totalitárias. Para os leitores não perderem o fio da meada, relembro a máxima de Orwell: “quem domina o passado, domina o futuro, quem domina o presente, domina o passado”. É exatamente este o caminho que estou seguindo: os dominadores do presente se mostram mentes bondosas preocupadas com o bem comum e com o futuro da humanidade, mas escondem que são tão bondosos como Lênin, Stalin, Mussolini ou Hitler e visam como eles, um estado totalitário no qual apenas uma casta “superior”, a Nova Classe, poderá viver bem. Nos últimos artigos da série voltarei ao presente e comentarei o futuro.

O que é fascismo?

Antes de entrar no assunto propriamente dito, conforme anunciado - as organizações juvenis totalitárias - é preciso dar algumas informações gerais aos leitores não familiarizados com o fenômeno fascista e a organização política, social, econômica e cultural do regime. A idéia predominante é uma salada de alhos e bugalhos de que se trata de um regime ditatorial “de direita” que defende os capitalistas contra os legítimos interesses populares, representados pela “democracia” socialista.

Este conto de fadas inventado por Stalin até hoje perdura na imaginação popular, mesmo das pessoas que se interessam por política e história. Nos termos que tenho utilizado: a quarta fronteira, ideológica, foi rompida ao ponto de muita gente acreditar em qualquer coisa: fascismo é uma lata de lixo para onde se joga tudo que não for aprovado pelas esquerdas. Por exemplo, considera-se fascista tanto a ditadura do Estado Novo, como o regime implantado pela Contra-Revolução de 1964, iguala-se Pinochet a Perón, a ditadura militar de Myanmar ao Tea Party, Thatcher a Mugabe, tudo num samba do crioulo doido (perdão, do afrodescendente híbrido com processos mentais diferenciados!), numa confusão pior do que o original de Stanislaw. Se há algum regime que mereça este nome na América Latina, mesmo assim com certas restrições que ficarão claras durante a exposição, ele ainda existe em plena atividade: Cuba, o único estado totalitário que sempre existiu neste continente. E o fascismo é o totalitarismo típico, conforme a rigorosa definição de Hannah Arendt.

Na verdade, o fascismo é um movimento revolucionário extremamente complexo, que como tal tem aspectos semelhantes ao comunismo, mas com características próprias que diferem de qualquer outro regime, inclusive do nazismo. O nome fascismo é inseparável de seu criador, Benito Amilcare Andrea Mussolini, e à sua escolha dos fasci littori como símbolo fundador do conceito.

A preparação para o Estado fascista: Os últimos anos do Estado Liberal na Itália
“É certo que devemos examinar atentamente as diversas estratificações da burguesia. Não obstante, devemos examinar a estratificação do próprio fascismo porque, dado o sistema totalitário que o fascismo tende a instaurar, será no próprio seio do fascismo que tenderá a ressurgir os conflitos que não mais podem se manifestar por outras vias”.



Antonio Gramsci

 Comunicazzione al Terzo Congresso del Partito Comunista d’Italia, Roma, 1926.
Quando Gramsci pronunciou este discurso Mussolini já era Presidente do Conselho do Reino há quase quatro anos. Antes fora um dos expoentes do Partito Socialista Italiano (PSI) de cujo jornal, Avanti!, era diretor. O PSI foi contrário à guerra contra o Império Otomano pela posse da Líbia (1911-12), porém em 1914, Mussolini discordou e demitiu-se do partido por ser contra a linha pacifista adotada e apoiou a entrada da Itália na I Guerra Mundial. Fundou então o Il Popolo d’Italia e logo depois da guerra, com o não cumprimento dos compromissos dos aliados para com o país, a chamada vittoria mutilata, uma enorme insatisfação tomou conta da população. O Popolo dItalia tornou-se o foco intelectual dos descontentes. Mussolini funda em 23 de março de 1919 os Fasci Italiani di Combattimento (1), com a publicação de um manifesto, publicado a 6 de junho, no que futuramente (1921) viria a se tornar o Partito Nazionale Fascista, que se apresentou ao país com um programa nacionalista, autoritário e radical.
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No contexto de instabilidade política, social e econômica, além do ressentimento e raiva em relação aos aliados, Mussolini usou suas “squadri fascisti de combattimento” para forçar a tomada do poder através da Marcia su Roma, imensa manifestação na qual tomaram parte voluntários de toda a nação, em 28 de outubro de 1922. Dois dias depois é nomeado pelo Rei Vittorio Emmanule III como Presidente do Conselho do Reino. Governou constitucionalmente até 3 de janeiro de 1925, porém simultaneamente armava o bote contra o Parlamento, instituindo os bandos secretos (Milizia Volontaria per la Sicurezza Nazionale) embrião da futura Organizzazione per la Vigilanza e la Repressione dellAntifascismo (OVRA), a polícia política secreta do regime.
Em 1º de maio de 1923 a Milizia se tornava oficial, com o nome “Guardia armata della rivoluzione, al servizio di Dio e della Patria". De acordo com os discursos e artigos de Mussolini e outros fascistas, a guarda era necessária, pois a revolução se encontrava “na defensiva”, assediada pelas forças da burguesia do velho regime liberal, da esquerda, da direita e do centro. Em 23 de maio o deputado Alfredo Misuri, um dissidente fascista criticou a degeneração do fascismo e pediu o retorno às funções constitucionais do Parlamento. Nesta mesma noite foi violentamente agredido e preso pela Milizia. No mesmo mês surgiram manifestações monárquicas e antifascistas. Seguiu-se um ambiente repressivo de caos e violência. A violência contra aos antifascistas não era voltada apenas para fora, mas também para dentro do próprio Partido e do Estado. Após novos atentados o Popolo d’Italia comentou que “a oposição ao governo fascista é um ato político criminoso mais deplorável do que os atos repressivos!”

Neste ínterim, Mussolini e seus camerati iniciavam um processo de reconstrução radical do Estado, o embrião da futura organização de massa que viria a constituir a ditadura: o fascismo se instalava no interior do próprio Estado. Nas eleições de 6 de abril de 1924, realizada sob um clima de feroz intimidação por parte dos squadristi, venceu o chamado Listone (2), encabeçado pelo PNF com 64,9% dos votos. Estas eleições foram contestadas na sua lisura. A oposição abandona o Parlamento (Secessione dellAventino) e os mais moderados e liberais apresentam uma moção para a destituição de Mussolini. Em 30 de maio o deputado socialista Giacomo Matteotti falou na Câmara de Deputados contra o uso da violência por parte dos fascistas nas eleições daquele ano e contestou o resultado e a validade das eleições. Terminado o discurso disse: “O meu discurso já fiz. Agora vocês preparem minha oração fúnebre” (3).

Foi seqüestrado, torturado e morto a seguir, e o povo italiano não teve dúvidas sobre a implicação dos fascistas no caso, embora a participação pessoal de Mussolini nunca tenha sido comprovada. Mussolini mandou prender os atacantes de Matteotti, desagradando aos mais radicais de seu próprio partido. Na última noite do ano, ocorreu a uma ameaça de golpe de Estado dos mais radicais squadristi contra Mussolini, ameaçando sua própria pessoa se não assumisse poderes ditatoriais.

Em 3 de janeiro de 1925, frente às contestações, Mussolini se dirige à Câmara e, num gesto dramático assume toda a culpa (pode ser visto em parte aqui) pelo assassinato de Matteotti. Neste discurso fala da acusação de que o fascismo formou uma Cheka (como a polícia secreta comunista russa):

“Dizem que o fascismo é uma horda de bárbaros acampados na nação, que é um movimento de bandidos e predadores! Declaro na presença desta Assembléia e de todo povo italiano, que eu assumo, eu somente, a responsabilidade política, moral e histórica de todos os acontecimentos. Se o fascismo não oferece mais que olho de rícino e cassetete e não, pelo contrário, levanta uma paixão soberba do melhor de nossa juventude, a mim a culpa! Se o fascismo não passa de uma associação delinqüente, sou eu o chefe desta associação delinqüente! Se toda a violência foi o resultado de um determinado clima histórico, político e moral, então a responsabilidade é minha, porque este clima histórico, político e moral foram criados por mim. Então chegou o momento de dizer basta! Quando dois elementos estão em luta e são irredutíveis, a solução é a força. O fascismo, Governo e Partido, estão no poder plenamente.

Senhores! Vós viveis em ilusão! Vós acreditásseis que o fascismo estava morto porque eu o castiguei até mesmo com crueldade. A Itália, senhores, deseja a paz, a tranqüilidade, a calma para o trabalho. Nós daremos esta tranqüilidade com amor, se possível for, à força se necessário.”

De Felice (4), na sua monumental biografia do Duce, conta:

“é claríssimo que em 3 de janeiro de 1925 a luta política e a própria história nacional entravam numa nova fase. De fato o Estado liberal e as forças políticas que o ligam internamente e o sustentavam entraram na última fase de sua crise. (...) Começava um novo ciclo político (e indiretamente social e moral) que comumente se chama o regime fascista!”

Em pouco menos de dois anos, entre o final de 1925 e o final de 1927, a Itália passou do estado liberal-democrático ao fascismo propriamente dito. Com o “plebiscito” de 24 de março de 1929 o Fascismo se firmava completamente.

A organização do Estado fascista

“O fascismo é um método, não uma finalidade, uma autocracia por sobre a via democrática. Permitimo-nos ser aristocráticos e democráticos, conservadores e progressistas, reacionários e revolucionários, legalistas e contra a lei, segundo as circunstâncias de tempo, lugar ou ambiente.”

Benito Mussolini

- O Paradoxo da Democracia e a “Terceira Via”: os fascistas sustentavam que a democracia encerra um paradoxo: se a maioria das pessoas desejassem um governo antidemocrático, a democracia deixaria de existir. Todavia, se a democracia se opusesse à sua extinção, desrespeitando a vontade da maioria, deixaria de ser democrática. Sustentamos, portanto que, na prática, a democracia não pode existir, não passa de uma teoria utópica. Como exemplo podemos citar os golpes de Estado sul-americanos. O segundo ponto é um fator “semântico”: as palavras democracia e liberdade não são sinônimas. Frequentemente esta deturpação semântica leva a crer que os antidemocráticos são contra a liberdade, mas a democracia pode existir sem liberdade, como pode existir liberdade sem democracia.

- Diferenças com outras ditaduras: enquanto nas ditaduras clássicas, a Rússia Comunista e a Alemanha Nazista, o Partido era a pedra angular do regime, para Mussolini era o oposto: o fulcro do regime devia ser exclusivamente o Estado, sendo o Partido totalmente subordinado ao Estado e integrado ao regime com funções substancialmente secundárias e burocráticas. Por isto, logo após a supressão dos partidos de oposição, Mussolini dedicou-se a eliminar o próprio partido como força política (De Felice op. cit.). Os Fasci não constituíam um partido, mas, sobretudo um anti-partido, não eram uma organização de propaganda, mas de combate, não pretendiam ser eternos, não tinha um programa imutável, nem prometiam o paraíso na terra e a felicidade universal. Representavam a aristocracia da coragem. Libertários, só pela necessidade anti-demagógica, não tinham preconceitos por andarem contra a corrente. Era uma associação de homens que podiam vir de todos os horizontes, porque entre si descobriam uma afinidade ideal. Somente uma elite que passou por uma mudança espiritual radical poderia estabelecer o estado corporativo industrial que tiraria a Itália do impasse a que tinha sido conduzida pelo liberalismo político. A manifestação coletiva que poderia inspirar o povo e extinguir as diferenças de classe era a guerra (5).

É por esta razão que Gramsci afirmava na epígrafe que seria no próprio seio do fascismo que tenderia a ressurgir os conflitos que não mais podiam se manifestar por outras vias. Mussolini sabia disto e liquidou de vez com as correntes divergentes do partido, liquidando o próprio partido. O lema consagrado por Mussolini era: “tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”. “O indivíduo não existe senão enquanto pertence ao Estado e está subordinado à necessidade do Estado”.

Na organização militar, ao contrário dos nazistas e bolchevistas, que destruíram o espírito das forças armadas, subordinando-as a formações totalitárias de elite (como as SS) ou ao controle político rígido (os comissários comunistas), os fascistas usaram o forte sentimento nacionalista do Exército como espelho para a organização do Estado.

Finalmente, quanto à religião, Mussolini reconheceu o forte sentimento católico do povo italiano e enfrentou a intransigência do velho fascismo que queria “facistizar” totalmente as consciências, eliminando a religião e substituindo-a pelo credo fascista como monopolista de todas as manifestações culturais, morais e religiosas individuais ou coletivas, eliminando qualquer concorrente forte como a Igreja. Assinou o Tratado de Latrão em 7 de junho de 1929, que consistia em três documentos: um tratado político reconhecendo a total soberania da Santa Sé no estado da Cidade do Vaticano, doravante estabelecida. Uma concordata regulando a posição da Igreja Católica e a religião católica no Estado italiano. Uma convenção financeira acordando a liquidação definitiva das reivindicações da Santa Sé por suas perdas territoriais e de propriedade.

O acordo também garantiu ao Vaticano o recebimento de uma indenização financeira pelas perdas territoriais durante o movimento de unificação da Itália. O documento estabeleceu normas para as relações entre a Santa Sé e a Itália, reconheceu o catolicismo como religião oficial deste país, instituiu o ensino confessional obrigatório nas escolas italianas, conferiu efeitos civis ao casamento religioso, aboliu o divórcio, proibiu a admissão em cargos públicos dos sacerdotes que abandonassem a batina e concedeu numerosas vantagens ao clero.

- Economia: a valorização da Lira, a “quota novanta” (6) o programa de expropriação parcial (7), afastando uma solução marxista que muitos sindicalistas queriam, mas que provavelmente destruiriam o capitalismo, sem pôr nada no seu lugar. Taxava-se o capital especulativo, não o produtivo. O único socialismo que poderia servir a toda a nação era o empreendedorismo (8).

- A organização corporativa da nação: “o corporativismo é a pedra angular do Estado fascista, portanto, o Estado fascista ou é corporativo ou não é fascista” (9). Este sistema visava suprimir o individualismo liberal e, ao mesmo tempo, evitar o socialismo marxista. Semelhante a este último afirmava que a economia não pode ficar ao sabor da “lei da oferta e da procura”, diferentemente, entretanto, condenava a “luta de classe” como fator de destruição da produção.

Os princípios basilares do corporativismo são:

1- Toda a população é dividida em “classes orgânicas”;
2- As classes são organizadas em corporações;
3- A administração dos assuntos sociais são transferidas para as corporações.

O corporativismo era um sindicalismo integral, diferente do trabalhista, no qual se reuniam trabalhadores, proprietários, funcionários, homens de negócio, camponeses e todos os indivíduos envolvidos na produção. Devido ao fato de que cada pessoa era membro de uma corporação-sindicato, a nação era constituída de sindicatos e não mais de indivíduos isolados em busca de sua felicidade. Os direitos políticos só seriam exercidos pelos produtores organizados em corporações e a produção seria regulamentada pelos sindicatos (Sternhell et als., op.cit.)

Os sindicatos se reagruparam em três Confederações: Confederação dos Empregadores (subdividida em setores de atividade: agricultura, indústria, comércio e crédito), Confederação dos Trabalhadores (subdividida pelas mesmas atividades) e Confederação dos Profissionais e Artistas.

As Corporações estavam reunidas na Camera dei Fasci e delle Corporazioni. Em última análise, cabia ao Estado, por meio das Corporações, decidir sobre produção, preço e salários, não mais à lei da oferta e da procura da economia liberal. A Corporação Proprietária guiava a produção para os superiores interesses do Estado, sem cair na idéia igualitária do bolchevismo, mas utilizando a taxação como meio de planificação (10).
Notas:
(1) O Fascio (fig. 1) era um feixe de varas carregado pelos litores (ver nota 8 da última parte). A escolha do símbolo foi determinada por três fatores principais: pretendia trazer de volta o esplendor do Império Romano, expressava unidade e, ao mesmo tempo, autoridade, principalmente jurisdicional (através do machado). Um Fascio di combattimento era formado por grupos de indivíduos (as varas) unidos pelo mesmo ideal e dispostos a combater por eles. (Benito Mussolini, dal discorso tenuto alla prima adunata fascista il 6 ottobre 1919)

(2) “Sono invitati a entrare in una grande lista elettorale tutti quegli uomini del popolarismo, del liberalismo e delle frazioni della democrazia sociale, disposti a collaborare con una maggioranza fascista.” (Benito Mussolini, em 28/01/24). A adesão ao Listone deveria ser a título puramente pessoal com o objetivo de superar os velhos grupos e partidos políticos (com exceção, obviamente, dos fascistas).
(3) “Contestiamo in questo luogo e in tronc
o la validità delle elezioni della maggioranza. Lelezione secondo noi è essenzialmente non valida, e aggiungiamo che non è valida in tutte le circoscrizioni (...). Io il mio discorso lho fatto. Ora voi preparate il discorso funebre per me”. Além da obra de Felice, consultar também Duce! Ascenção e Queda de Benito Mussolini, Richard Collier, Ed. Record, SP, 1971

(4) Renzo de Felice, na obra ‘Mussolini Il Fascista, II L’organizzazione delo Stato Fascista’, 3º livro, Giulio Einaudi Editore, Torino, 1969

(5) ‘The Birth of Fascist Ideology’, Zeev Sternhell et als, Princeton Universitary Press, 1994

(6) A inflação do pós-guerra atingiu também os vitoriosos. Quando em 1925 a Inglaterra voltou ao padrão ouro para a libra esterlina, a lira italiana despencou rapidamente para £ 1 : L 153,68. As medidas de controle do câmbio fixaram a libra em 90 liras. Mussolini afirmou, num discurso em 18/08/1926: “La nostra lira, che rappresenta il simbolo della Nazione, il segno della nostra ricchezza, il frutto delle nostre fatiche, dei nostri sforzi, dei nostri sacrifici, delle nostre lacrime, del nostro sangue, va difesa e sarà difesa.

(7) Os programas de privatização dos governos tucanos e do PT têm exatamente este cunho fascista de modo a acomodar os capitalistas: são expropriações parciais, privatizam-se os lucros, mas o controle continua sendo estatal. O fato de aqui ter ocorrido o contrário – antigas estatais se tornaram parcialmente “privadas”, não anula o aspecto fascista das ações.

(8) Outro termo da moda atual!

(9) Mussolini, discurso, 01/10/1930

(10) Outro método fascista empregado aqui no Brasil, na atualidade.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

TCHUTCHUCAS E TIGRÕES

Leitores:

“As Tchutchucas e as eguinhas pocotós agasalharão entre seus quadris as futuras gerações de brasileiros”

Um bom recado para muitos pais, mães, filhos e filhas, notadamente aqueles “avançadinho(a)s” que nos atribuem e pecha de “quadrados”.

Brilhante Puggina! Pena que homens que propagam seu exemplo estejam em extinção. Apropriado repetir as palavras do mestre Olavo de Carvalho: “O século XXI será o século da BARBARIZAÇÃO da humanidade”.

Até a próxima!

O Duque.


TCHUTCHUCAS E TIGRÕES


Percival Puggina


Alguém teve a feliz ideia de me mandar uma seleção de músicas populares brasileiras que, através dos tempos, exaltam a mulher. Nos anos 40, cantava-se que "a deusa da minha rua tem olhos onde a lua costuma se embriagar". Nos anos 50, "o teu balançado é mais que um poema; é a coisa mais linda que já vi passar". Nos anos 60, "nem mesmo o céu nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que meu amor, nem mais bonito". Hoje, a coisa está assim: "Tchutchuca vem aqui com teu tigrão. Vou te jogar na cama e te dar muita pressão". Ou, então: "Pocotó, pocotó, pocotó, minha eguinha pocotó". Ou ainda: "Hoje é festa lá no meu apê. Pode aparecer, vai rolar bunda lelê". E, para arrematar: "Eu sou o lobo mau, au au". "E o que você vai fazer? Vou te comer, vou te comer, vou te comer".


Sei que tem gente adorando. Sei que existem pedagogos deslumbrados com esses exercícios poéticos e libertários através dos quais se está realizando, com prodigalidade, o sonho de uma sociedade de cabeça fraca, destituída de juízo moral, bom gosto e senso crítico, pronta para ser levada pelo nariz para onde bem entenderem seus condutores. Não me perguntem como foi que nos tornamos assim. Minha resposta vai magoar muita gente porque isso não se instalou por geração espontânea. Isso foi espargido estrategicamente, por gente adulta, dedicada a destruir os valores de uma civilização, contando com a colaboração de pais omissos, professores instrumentalizados e religiosos mais interessados em ideologias do que na salvação das almas. O agente laranja que jogaram em cima da sociedade reduziu-a a galhos secos onde não se reconhecem os frutos da boa semente nem a existência de vida inteligente.

Que queiram fazer isso conosco é fácil entender. Os agentes do mal são astutos e insidiosos. Mas que nos deixemos levar para as profundezas da baixaria e do mau gosto, é incompreensível. Que os rapazes das danceterias se deliciem com as sugestões lascivas das letras e com a coisificação da mulher, reduzida à condição de instrumento de prazer, até se pode explicar, num contexto de libertinagem. Mas que as mulheres não se sintam ultrajadas e entrem na pista com prontidão e requebros de vaca para touro, isso fica alguns anos à frente da minha capacidade de compreensão.

"E daí?", talvez esteja se perguntando o leitor. Daí, meu caro, que o mau gosto e o deboche arruínam a dignidade da pessoa humana, afetam seu juízo moral, reduzem o discernimento e a capacidade de compreender a realidade. A superficialidade passa a presidir as ações e as relações sociais e a mente torna-se um disco rígido que vai reduzindo sua capacidade à proporção da minguada utilização que lhe é dada. Eis por que todos correm atrás de um diploma, mas poucos se preocupam em fazer jus a ele através do estudo. Queiramos ou não, a cultura tem um papel determinante nos padrões da vida social e a dedicação ao estudo cumpre função importante no progresso individual e social. O que havia de melhor na nossa cultura e no nosso ensino foi morrendo de velhice e de tristeza. Ou não?

As Tchutchucas e as eguinhas pocotós agasalharão entre seus quadris as futuras gerações de brasileiros. E não é difícil prever o que vem por aí, não é mesmo, Tigrão?


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* Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.