quarta-feira, 31 de agosto de 2011

PROJETO GLOBALISTA E O GOVERNO MUNDIAL ÚNICO

Caro leitor:

Ouça esta importante análise do Nivaldo Cordeiro e pense a respeito.

O Editor.

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terça-feira, 30 de agosto de 2011

A instrumentalização das Forças Armadas

Escrito por Ivanaldo Santos Artigos - Governo do PT

No Brasil, o PT está usando a tese de Louis Althusser para instrumentalziar o Estado em seu próprio benefício.

 
A partir da década de 1970 foi sendo popularizado o conceito de Aparelhos Ideológicos do Estado (AIE) desenvolvido pelo filósofo marxista Louis Althusser. No livro Aparelhos ideológicos de Estado, um livro muito popular entres os marxistas, Althusser defende a tese que o Estado é uma entidade autônoma e quase absoluta, uma espécie de semi-Deus. Por causa disso o Estado controla, planeja e orienta tudo dentro da vida social. E o Estado realiza essa gigantesca tarefa por meio dos Aparelhos Ideológicos do Estado (AIE). Para Althusser, o Estado usa os AIE para orientar e controlar a cultura e as consciências individuais. Para ele os principais AIE são a escola, a religião, a família, o poder político, especialmente o parlamento, e a mídia. No entato, Althusser faz uma ressalva em sua teoria. Para ele os Aparelhos Ideológicos do Estado estão a serviço apenas da burguesia e da elite econômica. As outras classes sociais, sejam quais forem, por algum princípio que o próprio Althusser não explicou, se, por acasso, tomarem o poder político não usarrão os Aparelhos Ideológicos do Estado.

 
É claro que a burguesia faz uso dos Aparelhos Ideológicos do Estado. Desde a antiguidade greco-romana que o Estado faz uso de estruturas não estatais para colocar em prática suas políticas e sua forma de organização social. Por causa disso, desde o mundo antigo existe uma luta antagônica entre o Estado e a sociedade civil. Todavia, há duas possibilidades de se compreender a tese de Althusser. Primeira, ele é um filósofo muito ingênuo, pois acredita que apenas o Estado burguez faz uso dos Aparelhos Ideológicos do Estado. Segunda, na condição de filósofo marxista e, logo, preocupado com a tomada do poder pela esquerda, ele está dando conselhos de como a esquerda deve controlar o Estado e, quase que ao mesmo tempo, a sociedade.

No Brasil parece que a segunda possibilidade está sendo posta em prática, desde que o PT chagou ao poder. O PT é um partido que está tentando aparelhar o Estado, ou seja, tornar amplos setores do Estado como parte integrante, íntima, do próprio partido. Com isso, não haverá mais diferença entre o PT e o Estado. Será o PT-Estado ou o Estado-PT. O PT abandonou o velho jargão que dizia que apenas o Estado burguês faz uso dos Aparelhos Ideológicos do Estado e, por sua vez, está aparelhando o Estado a seu gosto. O PT está transformando o Estado na sua própria imagem e semelhança.

O mais recente capítulo da tentativa de instrumentalização do Estado por parte do PT diz respeito às Forças Armadas. E esse capítulo teve seu ponto mais forte com a nomeação e posse de Celso Amorim como ministro da defesa. Celso Amorim é um velho marxista, que sempre acreditou e lutou pelas teses de dominação de classe pregadas pelo marxismo.

É preciso recordar o velho sonho, nutrido pela elite esquerdista nacional, de transformar o Brasil numa espécie de grande Cuba. O Brasil seria, em tese, a grande nação marxista da América Latina e talvez do mundo. Essa elite pensa da seguinte forma: o marxismo trouxe fome, morte e destruição para diversos países no mundo, mas no Brasil será tudo diferente. O Brasil será finalmente o paraíso marxista, onde haverá uma saudável ditadura do proletariado e a democracia, um valor burguês decadente, será esquecida e enterrada.

Uma das estruturas sociais que podem atrapalhar os planos da esquerda nacional e internacional para o Brasil são as Forças Armadas. Apesar de todos os problemas que as Forças Armadas enfrentam (baixos salários, falta de equipamentos, deficiência na formação dos oficiais, etc), elas ainda são um fator de proteção nacional e um empecilho ao projeto de dominação total do Estado por parte do PT e da esquerda.

A ida de Celso Amorim, um estrategista da esquerda e um marxista radical, ao comando das Forças Armadas visa, entre outras coisas, minar essa resistência. Na verdade o PT está colocando em prática o plano de infiltração e controle das altas esferas do Estado. E, com isso, instrumentalizar o Estado em seu próprio benefício, criando o tão sonhado “Estado-PT”.

O projeto de Celso Amorim não é o de reequipamento e modernização das Forças Armadas. Pelo contrário, ele deseja fazer com que elas deixem de ser forças de segurança nacional e, por isso, defensoras do povo brasileiro, e passem a ser partes do PT – serão as FA do PT – e, por causa disso, defendam os interesses do PT e não da nação. Estamos diante do maior projeto de instrumentalização das formas armadas nacionais. Parece que a tese de Louis Althusser de que os Aparelhos Ideológicos do Estado (AIE) estão a serviço apenas da burguesia, está errada. No Brasil, o PT está usando a tese de Louis Althusser para instrumentalziar o Estado em seu próprio benefício. E o mais recente capítulo dessa instrumentalziação é das Forças Armadas.    


Ivanaldo Santos, filósofo e professor na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, é autor de oito livros.

sábado, 27 de agosto de 2011

O SIGNIFICADO DA QUEDA DE KADAFI

É o fim para o regime de Muammar Kadafi na Líbia. É preciso meditar sobre esse acontecimento. Kadafi fez o bem à Líbia, apesar de seu comportamento grotesco, seu mau gosto consumista e dos seus arroubos de terrorista. Deu ao seu país quarenta e dois anos de paz em uma região em que a paz é um bem raro. E também prosperidade. A Líbia, sob seu comando, era uma das economias melhor administradas da África. Sua presença pacificadora garantiu a prosperidade fornecida pelo farto petróleo.

Quem derrubou Kadafi? Certamente não foram os rebeldes, minoritários de tribos minoritárias, eles que, inicialmente, eram mal armados e mal treinados. Kadafi foi derrubado pela vontade da França, que obteve o nihil obstat de Barack Obama e o apoio da Otan. A França fez uma guerra de conquista. No começo, as forças da Otan limitaram-se a neutralizar a Força Aérea Líbia, que lhe dava absoluta vantagem sobre os rebeldes, e a sua marinha de guerra. Há notícias de que tropas de elite da Otan também entraram em ação. Em suma, estamos diante de um golpe de Estado perpetrado por potências estrangeiras, usando como gendarme o arremedo de revolucionários maltrapilhos. O primeiro navio com o petróleo da área conquistada teve como destino a França, fato que simboliza o real motivo da guerra: pilhar o petróleo líbio.
Estamos diante de um ato novo de imperialismo, o renascer dos velhos tempos, anteriores à Segunda Guerra Mundial, em que as potências européias invadiam países militarmente mais fracos para tomar à força suas riquezas. É isso que estamos vendo acontecer com a Líbia. E por que a Líbia? Porque ela combina três fatores: riqueza abundante, fraqueza militar e um governante antipático ao Ocidente. Foi o mesmo que tirar pirulito de criança. Claro, a Líbia sempre esteve na esfera de influência francesa, que viu sua hegemonia minguada com o voluntarismo de Kadafi, de se aproximar da China e dar uma banana aos seus antigos “amigos” espoliadores.
Gerou-se um paradigma, que poderá ser repetido no futuro. Essa guerra foi completamente diferente da guerra no Iraque e no Afeganistão. Há motivos militares relevantes para que estas últimas tenham ocorrido. Na Líbia, pelo contrário, foi uma guerra de conquista, mais especificamente, um ato de pirataria puro e simples. A França garantiu para si fonte abundante e barata (preços politicamente administrados) de petróleo, nos termos que ela tinha com o Iraque de Saddam Hussein. Penso que a motivação francesa está calçada na forte crise econômica que atravessa a Europa. O preço do petróleo tem subido muito e o inverno se aproxima. Resolvido um gargalo econômico com o uso puro e simples da força bruta.

E se a crise se agravar na Europa, algo que me parece o cenário mais provável? A experiência na Líbia, fácil e rendosa, pode ser tentada novamente em outra parte. Claro, uma presa tão fácil não há mais, mas os benefícios podem valer os riscos. A social-democracia agoniza em desespero pelas ruas das grandes cidades da Europa. Podemos aqui até parafrasear a célebre frase de Lênin: o estágio superior da social-democracia é o imperialismo. É essa a lição mais completa que podemos retirar desse fato histórico. Quanto mais a crise econômica se agravar, mais haverá a tentação da ação direta contra países com matérias primas fartas e baratas e fraqueza militar. Melhor ainda se tiver internamente um movimento de rebelião organizado, a ser usado como aríete.
A queda de Kadafi só comprova que os velhos demônios do imperialismo, de triste memória, estão novamente à solta. Um mau sinal. Tempos de grandes perigos. (Nivaldo Cordeiro)

A LIBIA E O GOVERNO MUNDIAL

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Inteligência Cubana em apoio às atividades comunistas do atual Governo do Uruguai

Coronel Ernesto Ramas e Major Enrique Mangini




No jornal País Digital há uma reportagem com o Sr. Rolando Arbesún, cubano de origem, e os que o tenham lido talvez não aquilataram a gravidade do trabalho que ele desenvolve no mencionado Centro.
No I.N.A.U (uma instituição dedicada às crianças e adolescentes) criou-se uma organismo denominado SEMEJI (Sistema de Execução de Medidas para Jovens em Infração) e por sua vez, criou-se o SIRPA (Sistema de Responsabilidade de Adolescentes), e surge a pergunta: por que um cubano e com os títulos que o adornam?
Isto leva a pensar em quantos cubanos há infiltrados a esta altura em lugares como o Ministério do Interior, Ministério de Saúde Pública, ou organismos como ensino e o I.N.A.U.
Analisando o trabalho de longo prazo do Partido Comunista vemos que não é algo novo. Devemos nos remontar ao ano de 1920, depois da Primeira Guerra Mundial, e encontraremos um funesto personagem braço direito de Lenin, chamado Djzerzinski, que entre outras coisas criou os tristes Serviços de Inteligência russos, primeiro a tcheka, que depois se chamou GPU e finalmente ao tristemente famoso KGB.
Entre outras coisas se lhe encomendou o trabalho de organizar todos os menores infratores e delinqüentes que depois da guerra civil, na qual haviam lutado, estavam armados. O trabalho de Djzerzinski consistiu primeiro em criar-lhes o sentimento de pátria soviética, e depois classificá-los por seus níveis culturais ou por sua capacidade para executar ações.
Treinava-se os primeiros para ser agentes e depois os disseminavam pelo mundo. Os segundos eram treinados para realizar ações de campo, execuções, etc.
Se retrocedermos no tempo veremos que nosso país sempre foi campo fértil para o desenvolvimento das atividades conspirativas do Partido Comunista. Assim, por exemplo, temos o caso do escritor e pianista Felisberto Hernández que foi infiltrado por uma famosa agente do KGB, chamada “África de las Heras”, que faleceu ostentando o grau de coronel do Exército Vermelho.
Casaram-se e vieram para o Uruguai, onde ela na forma mais humilde dedicou-se a montar um ateliê de costura que trabalhava com a alta sociedade, obtendo informação de políticos, e também percorria o país visitando cemitérios e obtendo informação de pessoas falecidas que depois, através de seus contatos, obtinha passaportes uruguaios para os agentes soviéticos com o nome dos mortos.
Tais feitos podem-se remeter ao livro da escritora argentina, Alicia Dujovne Ortiz, chamado A Boneca Russa”, onde narra todas as suas atividades e os distintos nomes que utilizou ao longo de sua atividade como espiã.
Também temos o livro “A Orquestra Vermelha”, onde se menciona dois agentes russos com passaporte uruguaio. Poder-se-ia ampliar mais, mas estes exemplos, fáceis de comprovar, demonstram claramente qual foi a atividade do Partido Comunista no Uruguai. Então pergunta-se:
Quantos cubanos há hoje aqui e que tarefas estão desenvolvendo? É casualidade que no caso do arsenal encontrado na rua Elba (Caso Feldman) estivesse um elemento pertencente ao Ministério do Interior que ostenta a hierarquia de coronel cubano?
No Hospital de Olhos, por que um médico cubano desertou e o resto é controlado? E, finalmente, quantos cubanos há trabalhando nos distintos Ministérios como pessoal de inteira confiança, alguém sabe?
Nada é por acaso e ainda menos em se tratando do Partido Comunista. Esperemos que “Djzerzinsk” não ande por aqui. Portanto, depois desta exposição de informes de atividades do comunismo internacional das quais nosso país não é alheio, eis aqui o currículo deste senhor Rolando Arbesún:


ROLANDO ARBESÚN RODRÍGUEZ


País: Uruguai
Instituição: Universidade da República
Cargo: Professor e investigador
Endereço: Burgues 3232 (02), esquina Espinillo
Montevidéu - Uruguai
Telefone: (5982) 400-8640




Currículo


Rolando Arbesún é licenciado em Psicologia pela Universidade de Havana (Cuba) e realizou mestrado em Sociologia na Universidade da República (Uruguai).
Na República de Cuba exerceu a função de 1º Oficial de Investigações Sociais Militares na Seção de Investigações Sociológicas Militares (Direção Política Central das FAR, Estado-Maior Geral), Oficial Operacional da II Seção do Centro de Estudos Estratégicos da Direção de Inteligência Militar (Estado-Maior das FAR) e Professor Principal na CARIMEA da Escola Superior de Guerra.
Atualmente é Investigador Associado da Equipe de Investigação PRIFAS do Instituto de Ciências Políticas na Universidade da República, universidade na qual desempenha a atividade de professor da Faculdade de Psicologia e na Faculdade de Ciências Sociais. É orientador acadêmico de estágio de estudantes do quinto período no Centro Nacional de Reabilitação, Ministério do Interior. Foi designado membro da equipe de Direitos Humanos, correspondente à Câmara de Deputados do Parlamento uruguaio.
Participou de numeroso seminários vinculados à temática da segurança e defesa. Entre suas últimas publicações mencionam-se: “Guerra e pensamento hegemônico”, em Trânsitos de uma Psicologia Social, Psicolibros, Montevidéu, 2005 “Prólogos”, em Eira, Gabriel, a verdade, a certeza e outras mentiras, Psicolibros, Montevidéu, 2005 “Segurança Hemisférica: transferências e dependências”, ensaio apresentado no Concurso Internacional Pensar Contra a Corrente, celebrado em Havana, Cuba, 2005 “Governabilidade e práticas de territorialização policiais” (ficha CEUP - tese para o mestrado em Sociologia), 2004 “Aproximações ao Programa de Segurança Cidadã: análise da pesquisa sobre violência doméstica” (ficha CEUP - tese para o mestrado de Sociologia), 2003 e “Soldados celestes com capacetes azuis. O Exército uruguaio em Missões de Paz: perspectivas, conflitos e problemáticas” (ficha CEUP).
É muito claro que o PCU continua com suas diretrizes históricas. Aqui está a informação: infiltrou as organizações revolucionárias laterais antes e durante o processo militar (MLN, PVP e outros), e depois continuou infiltrando as instituições do Estado e hoje com um mínimo de militantes dirige o Plenário da Frente Ampla. Como resultado de sua aliança estratégica com o MPP no período pré-eleitoral, tem a seu encargo ministérios e intendências, e onde tem ingerência política, encarregou-se de infiltrar para conseguir seu intento. Simples assim, por isso esse senhor Arbesún está onde está.
Quantos são, onde estão, quem são e por que? O povo uruguaio deve saber.

 
Tradução: Graça Salgueiro

COPIANDO OS RUSSOS

Escrito por Olavo de Carvalho Artigos - Cultura

Não há desculpa para a ignorância satisfeita dos economistas liberais que acreditam poder compreender a escola austríaca sem saber de onde ela saiu. Essa atitude reflete uma obsessão dinheirista que, por sua vez, tem sua origem remota no íncubo marxista que há décadas se apossou da mente antimarxista.


No extraordinário relato que publicou sob o título Darkness at Dawn. The Rise of the Russian Criminal State (Yale: Universty Press, 2003), David Satter, ex-correspondente do Wall Street Jounal em Moscou, conta que o novo regime russo subseqüente à queda da URSS já nasceu criminoso porque a comissão de privatizações, no governo Yeltsin, não ligava a mínima para saber de onde vinha o dinheiro com que as empresas estatais eram compradas às pencas em leilões bilionários.
Em geral vinha do próprio governo, pelas mãos de funcionários ladrões. Ou vinha do narcotráfico. Ninguém nem perguntava. Só o que queriam era privatizar tudo o mais rápido possível, para criar do nada uma classe capitalista sem lei, nem ordem, nem moralidade. Nem mesmo combater as quadrilhas criminosas lhes parecia necessário: afinal, elas faziam dinheiro, que era tudo o que importava.
Somada à súbita liberação geral dos preços, essa política – perto da qual o assalto estatal à nação e à Igreja na Revolução Francesa de 1789 fica parecendo uma rifa em colégio de freiras – não demorou a produzir os resultados logicamente previsíveis: em poucos meses, 99% das poupanças tinham desaparecido, deixando o povo à míngua, enquanto no topo da sociedade uma nova casta de barões ladrões abria caminho mediante expedientes singelos – como explodir as casas dos seus concorrentes ou abater a tiros os funcionários do Estado que não se rendessem à sedução das propinas, àquela altura tidas como instrumentos normais de negociação.

Se perguntamos por que os responsáveis pelas privatizações russas optaram por uma estratégia tão obviamente suicida, a resposta é simples e vem da boca dos próprios personagens, com candura admirável: eram todos homens de formação marxista, não só acostumados a um ambiente de crueldade incomum, mas persuadidos de que a "acumulação primitiva do capital" só é possível através do roubo, do saque, da desumanidade e da violência descontrolada. Para eles, o que estava acontecendo na Rússia era simplesmente natural, inevitável, imune a todo julgamento humano.
Ao abdicar do comunismo, adotaram o capitalismo tal como o comunismo o concebia. Simplesmente passaram a achar bom o que antes achavam ruim, sem modificar, por mínimo que fosse, a imagem que faziam dele até então.
Essa imagem é obviamente falsa. O próprio Karl Marx sabia disso quando a inventou como engodo proposital, falsificando os dados estatísticos do Parlamento britânico (os famosos Blue Books) para dar a impressão de que o capitalismo era filho do banditismo, quando a verdade era exatamente o contrário: um capitalismo selvagem primitivo, incipiente, só veio a ganhar força e vigor quando o ambiente social e psicológico foi saneado pelo império da lei e da ordem, incluída aí a influência da fé religiosa.
Se a noção marxista já era falsa com relação à Inglaterra, que Marx tomara como modelo universal, mais absurda ainda ela se revelava no confronto com o exemplo americano, onde um sistema de leis e instituições humanitárias, fortemente impregnado de moral cristã, antecedera de décadas o florescimento capitalista que aí viria a brotar com energia mais pujante do que em qualquer outro país.
Logo no começo de O Capital, Karl Marx avisa que seu modelo de capitalismo não se baseia na sondagem dos fatos históricos, mas na "força da abstração". Ele despe o capitalismo de todos os elementos sociais, culturais, psicológicos, éticos e religiosos que o prepararam, e o descreve como simples esquema econômico descarnado, fundado na exploração de algo que ele chama a "mais-valia".
Com a ambiguidade característica dos pensadores revolucionários, porém, ele se esquece da advertência que acabou de fazer e logo passa a tratar esse capitalismo abstrato como se fosse realidade histórica concreta. O dano que ele trouxe com isso à economia mundial foi duplo: primeiro, o fiasco monumental da economia soviética; depois, o descalabro do capitalismo criminal russo.
Mas houve um terceiro dano, mais sutil e de consequências incalculáveis: ele inoculou o abstratismo econômico na mente de seus adversários, levando-os a apoiar entusiasticamente o desatino das privatizações soviéticas e a acreditar, com maior insanidade ainda, que a introdução da economia de mercado na China traria consigo a liberalização do regime político.
É uma trágica ironia que a crença cega no primado da economia como motor da História tenha se impregnado tão profundamente nas almas daqueles que mais deveriam contestá-la. Tal como os privatizadores russos, muitos "formadores de opinião" ocidentais em matéria de política e economia amam o capitalismo, mas pensam como marxistas. É como achar que entre os encantos peculiares de uma bela mulher está o fato dela sofrer de AIDS.
Uma coisa que sempre me impressionou entre os liberais é a paixão com que aderem à escola austríaca de economia, tratando-a como um conjunto de fórmulas gerais abstratas, transportáveis às mais diferentes situações, sem mostrar o mínimo interesse pelas condições culturais muito peculiares que na Viena do começo do século 20 permitiram e fomentaram a emergência dessa escola.
Esse desinteresse, mais pronunciado entre os economistas brasileiros que os de qualquer outra nacionalidade, é tanto mais imperdoável porque aquele período da história cultural austríaca foi um dos mais vigorosos e criativos de todos os tempos, e não se pode imaginar um surto de genialidade eclodindo entre meia dúzia de economistas sem ter nada a ver com o que se passava em torno.
A Viena daquela época era um ambiente de intercâmbio intelectual intenso, propiciando a fecundação mútua entre os mais diversos campos da atividade intelectual e artística. A economia de Ludwig von Mises e Friedrich von Hayek não é uma "coisa em si", brilhando isolada no céu das ideias puras: é o fruto de uma atmosfera intelectual de intenso diálogo entre todas as disciplinas das artes e das ciências, atmosfera que, por sua vez, não se pode compreender sem a referência ao quadro político do Império Austro-Húngaro.
Ironicamente, duas das fontes mais valiosas para o estudo desse período têm traduções brasileiras. O Mundo que Eu Vi, memórias de Stefan Zweig, e dezenas de estudos sobre obras e ideias austríacas ao longo dos Ensaios Reunidos, de Otto Maria Carpeaux, foram bastante lidos no Brasil nos anos 50 e 60. Hoje estão completamente esquecidos, e a simples sugestão de que um economista as leia deve soar como apelo a um diletantismo indigno de profissionais sérios.
The Austrian Mind: an Intellectual and Social History, 1848-1938, de William M. Johnston (University of California Press, 1972) dará aos interessados uma visão da prodigiosa riqueza intelectual e humana de onde brotaram as instituições econômicas não só de von Mises e Hayek, mas também de Joseph Schumpeter, Carl Menger e outros.
Não há desculpa para a ignorância satisfeita dos economistas liberais que acreditam poder compreender a escola austríaca sem saber de onde ela saiu. Essa atitude reflete uma obsessão dinheirista que, por sua vez, tem sua origem remota no íncubo marxista que há décadas se apossou da mente antimarxista.
Os que hoje pontificam sobre a economia brasileira desde um ponto de vista liberal, sem levar em conta os fatores intelectuais, culturais, psicológicos éticos e religiosos do destino econômico das nações, são privatizadores russos mal disfarçados.

domingo, 21 de agosto de 2011

A CRISE DO SOCIALISMO DEMOCRÁTICO II

Escrito por Armando Ribas Artigos - Movimento Revolucionário 

Ignora-se que a social-democracia não é outra coisa que o marxismo com votos. Foi Edward Bernstein que em 1899 escreveu “As pré-condições do Socialismo”, onde reconheceu que a revolução predita por Marx não teria lugar.


Quanto mais ouço falar de Ocidente mais me convenço da confusão presente a respeito e que, como conseqüência, impede de reconhecer o mundo em que vivemos. E tanto, que insistimos em coincidir com Jorge Manrique: “Como em nosso parecer, qualquer tempo passado foi melhor”. Não vou dizer que vivemos em um mundo perfeito, pois a perfeição parece ser incompatível com o ser humano, mas não me cabe a menor dúvida da razão de Karl Popper quando escreveu em seu “The History of Our Time: An Optimist View” (A História do Nosso Tempo: uma Visão Otimista). Lá ele diz: “Assim eu não digo como Leibinitz, que nosso mundo é o melhor de todos os mundos possíveis. Tampouco digo que nosso mundo social é o melhor de todos os mundos sociais possíveis. Minha tese é meramente que nosso mundo social é o melhor que tenha existido - o melhor, ao menos daqueles dos quais temos algum conhecimento histórico”.
Essas palavras foram ditas em 1956, ou seja, há mais de 55 anos. O que diria Popper se tivesse tido a oportunidade de ver o mundo de hoje? E insistindo com Popper em sua discussão com Bertrand Russel, que havia sustentado que “nosso desenvolvimento intelectual superou nosso desenvolvimento moral”. Esta crença parece estar vigente na atualidade, quando se expressa que perdemos os valores, porém Popper lhe responde: “Nós somos bons, talvez um pouco demasiado bons, mas também somos um pouco estúpidos e é essa mistura de bondade e estupidez a que jaz na raiz do nosso problema”. Nesse sentido, não posso menos que lembrar das acertadas palavras de David Hume com relação à origem do governo: “É impossível mudar ou corrigir algo material em nossa natureza; o máximo que podemos fazer é mudar nossas circunstâncias e situação, e fazer da observação das leis da justiça nosso interesse imediato, e sua violação nosso [interesse] mais remoto”.

Dito isto, podemos ver que em algum momento da história mudaram-se as circunstâncias e produziu-se uma mudança nos comportamentos que determinaram a possibilidade de alcançar a situação do mundo em que vivemos. Como bem explica William Bernstein em seu “The Birth of Plenty”, a criação de riqueza surgiu pela primeira vez no mundo há menos de duzentos anos. A pergunta pertinente então é se foi a modificação das circunstâncias que permitiu essa transformação reconhecida pelo próprio Marx como tal, quando no “Manifesto” reconheceu que: “a burguesia em menos de cem anos de domínio havia criado mais riquezas e mais forças produtivas do que todas as gerações anteriores juntas”.

Evidentemente essa transformação vem como conseqüência do reconhecimento dos direitos individuais, a partir da Glorious Revolution de 1688 na Inglaterra e levada a suas últimas conseqüências nos Estados Unidos com a Constituição de 1787 e o Bill of Rights de 1801. Esse sistema ético-político que permitiu a geração de riqueza se havia fundado em três princípios fundamentais. O primeiro, que a natureza humana é modificável, e assim surgiu o conceito de justiça tal como o prevê David Hume. Foi Locke quem postulou que os monarcas também são homens, por conseguinte, era necessário limitar o poder político. E em terceiro lugar, mas não menos importante, Adam Smith estabeleceu: “Assim, todo indivíduo, perseguindo seu próprio interesse promove o da sociedade mais efetivamente do que quando realmente tenta promovê-lo. Eu jamais soube de algo muito bem feito por aqueles que fingem atuar pelo bem público” (a mão invisível). Esses princípios fundamentais foram reconhecidos nos Estados Unidos e postos em prática através da Constituição.

Lamentavelmente, e por mais que insistamos em reconhecer a Civilização Ocidental como o caráter por antonomásia da virtude política e da moral social, os direitos individuais, a vida, a liberdade, a propriedade e o direito à busca da própria felicidade, como bem reconhece Ayn Rand, jamais se reconheceram na Europa continental. Essa realidade se ignora hoje ante a presente crise que afeta os Estados Unidos e a Europa. Eu vou me permitir então, assinalar que a presente crise foi a presença cada vez mais determinante do poder político do socialismo no mundo ocidental. Em outras palavras, a ignorância do Rule of Law e sua conseqüência, o suposto direito das maiorias, foi determinante da crise européia e em alguma medida da americana. Assim, se ignora um princípio fundamental adotado pelos Founding Fathers de que as maiorias não têm o direito de violar os direitos das minorias e, como conseqüência, produziu-se a confusão da democracia com o socialismo como havia previsto Nietzsche.

Ignora-se que a social-democracia não é outra coisa que o marxismo com votos. Foi Edward Bernstein que em 1899 escreveu “As pré-condições do Socialismo”, onde reconheceu que a revolução predita por Marx não teria lugar. Do mesmo modo, propôs que ao socialismo, que considera a etapa superior do liberalismo, chega-se através da democracia. E que, “dado que não haveria uma universal, instantânea e violenta expropriação, senão só um acordo por etapas por meio da organização e da legislação, não interromperia o desenvolvimento da democracia”. Pois bem, como vemos, Marx está presente democraticamente e me remeto aos fatos onde, se o gasto público supera 50% do PIB, a crise aflora.

Esse pressuposto ignora, como bem diz Rush Limbaugh que: “Sob o disfarce da compaixão o socialismo é realmente o poder da dependência. Estão felizes de penalizar os logros”. Vemos que a crise mundial é o produto da demagogia imersa no socialismo. Porém, mesmo sob estes pressupostos da Civilização Ocidental, torna-se impossível compreender a real situação da China quando abandonou o Grande Salto para a Frente e a Revolução Cultural, com a chegada de Deng Xiaoping que mudou fundamentalmente a política chinesa. Não obstante, ante o mundo “ilustrado” parece que a China é um perigo para o Ocidente, e não se dão conta de que os chineses aprenderam as palavras de Hume quando diz: “Eu me aventuraria a afirmar que o incremento da riqueza e do comércio em qualquer nação, em lugar de prejudicar, comumente promove a riqueza e o comércio de todos os seus vizinhos”. A prova desta atitude dita a respeito, é que eles compram os bônus dos Estados Unidos, e não por fazer-lhe o favor, senão na coincidência de sua própria conveniência.

Posso dizer então que nesse aspecto o mundo mudou do que fora. Hoje a crise dos países industrializados é a conseqüência do socialismo, e o abandono dos princípios liberais que determinaram a liberdade e o progresso. Não é o triunfo da Ásia sobre o Ocidente. O socialismo é a demagogia para alcançar e permanecer no poder. O anti-capitalismo latino-americano é igualmente um instrumento da demagogia, pois ninguém pretende hoje ganhar uma guerra aos Estados Unidos. O socialismo democrático, e assim como o que as guerrilhas promovem, têm um só objetivo: o poder político interno. O resultado está à vista em nosso continente. Cuba e Venezuela são o exemplo da capacidade política do socialismo para destruir a riqueza. O exemplo da crise européia é também digno de se ter em conta dentro da democracia da social-democracia.
Tradução: Graça Salgueiro
Publicado originalmente no Mídia sem Máscara

sábado, 20 de agosto de 2011

Malditos bastardos !

Por Manuel Morales do Val
Há coincidências históricas, como o 50º aniversário do início da construção do Muro de Berlim e o 85º aniversário de nascimento de Fidel Castro, caracterizadas pelo terror e pela miséria que geraram, quando prometiam um mundo justo e belo.
 
Na Espanha deveria irritar os democratas anti-franquistas que Gaspar Llamazares e similares critiquem somente Franco, e que simultaneamente defendam o comunismo de Fidel Castro e da Alemanha do Muro.
 
Democratas são os que rechaçam por igual o general Franco e sua cara contrária, embora pior, o socialismo real soviético, que ainda mantém seu totalitarismo na Coréia do Norte, em Cuba ou na China, de horrível a menos espantoso nesta ordem.
 
Quando se escuta Llamazares, Cayo Lara, Carrillo e os neo-comunistas irritados, tipo Willy Toledo, defender o regime desse ancião sanguinário que é Fidel, ou elogiar a República Democrática da Alemanha que construiu o Muro, os democratas deveriam advertir: esta gente é perigosa!
 
Mas não. Ninguém grita: cúmplices de ditadores, aspirantes a criminosos! Nem a direita se atreve, para que não a chamem de franquista, o que ela já não é mais.
 
Esses falsos progressistas estão imbuídos de um halo de virtude que se perpetua porque se se lhes assinala como perigosos totalitários, contra-atacam chamando de franquista a quem os define, embora tenham passado anos nos cárceres de Franco.
 
O Muro de Berlim, que não é como os fronteiriços para que não entrem imigrantes ou terroristas, foi construído para que ninguém fugisse do Paraíso Socialista para a liberdade. Lá fuzilaram 136 seres que queriam sofrer com o Horrível Capitalismo.
 
Os que continuam defendendo Fidel, e a miséria, e a dor do comunismo, e o Muro, merecem que se lhes grite, como Quentin Tarantino aos nazistas: Malditos bastardos!
 
Tradução: Graça Salgueiro
Pulicado originalmente no blog Papeis Avulsos


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

GUERRILHA COMUNISTA NO BRASIL


Escrito por Félix Maier Artigos - Movimento Revolucionário
A guerrilha comunista teve início em 1961 no Brasil - e não após 1964, como propaga a esquerda mentirosa -, quando o presidente João Goulart ocultou e repassou secretamente a Fidel Castro as provas da intervenção armada de Cuba no Brasil. Provas? Leia os verbetes abaixo, que constarão de meu livro A Língua de Pau - Uma história da intolerância e da desinformação.

Coleção História Nova - Para a formação do “homem novo”, a história também deve ser nova. A Coleção de Pau (de langue de bois - língua de pau) surgiu durante o Governo João Goulart, na “Campanha de assistência ao estudante”, do MEC, em que os livros tradicionais de História foram reformulados, os fatos interpretados sob a ótica marxista. O MEC editou também a cartilha “Viver é lutar”, reconhecida pela Conferência Nacional dos Bispos, para a alfabetização rural - ou melhor, alfabetização marxista. A rádio Ministério da Educação (Rádio da Verdade) era utilizada para propaganda comunista. Nada mais que o Pravda (“Verdade”) em ação.

Contrarrevolução de 1964 - Após a anarquia promovida no Brasil pelo Governo João Goulart (“Jango”), no dia 31/3/1964, sob a exigência dos jornais e a aclamação da população brasileira, é desencadeada a “Revolução de 31 de Março”, apelidada pelos opositores como “golpe militar”, mas que foi na verdade uma Contrarrevolução, por suspender o processo revolucionário em andamento no País. Antecedentes: Quando Jânio Quadros renunciou à presidência, “Jango” estava em viagem à China comunista, acompanhado de “líderes trabalhistas, convocados para observação e estudo das comunas populares daquele país” (AUGUSTO, 2001: 70).


Na China, “Jango” fez “um pronunciamento radical, em que revelou sua intenção de estabelecer também no Brasil uma república popular, acrescentando que, para tanto, seria necessário contar com as praças para esmagar o quadro de oficiais reacionários” (idem, pg. 71) - prenúncio da Revolta dos Marinheiros, no Rio de Janeiro, e da Revolta dos Sargentos, em Brasília. Em janeiro de 1964, Luiz Carlos Prestes viajou a Moscou para prestar contas dos últimos trabalhos do PCB, desenvolvidos à luz da estratégia traçada por ele e Kruschev em novembro de 1961. Nesse encontro, participaram, além de Kruschev, Mikhail Suslov (ideólogo de Kruschev), Leonid Brejnev (Secretário do Comitê Central do Partido), Iuri Andropov e Boris Ponomariov (Chefe do Departamento de Relações Internacionais).

Naquela ocasião, Prestes afirmou:

A escalada pacífica dos comunistas no Brasil para o poder abrindo a possibilidade de um novo caminho para a América Latina. (...) oficiais nacionalistas e comunistas dispostos a garantir pela força, se necessário, um governo nacionalista e antiimperialista. Implantaremos um capitalismo de Estado, nacional e progressista, que será a antessala do socialismo. (...) ... uma vez a cavaleiro do aparelho do estado, converter rapidamente, a exemplo de Cuba de Fidel, ou do Egito de Nasser, a revolução nacional-democrática em socialista (idem, pg. 121-2).

Segundo Luís Mir, em A Revolução Impossível, “a exemplo de 1935, a revolução deveria começar novamente, pelos quartéis” (cit. pg. 122). “É crime lembrar que a direita civil armada, pronta e ansiosa para matar comunistas desde 1963, foi pega de surpresa pelo golpe militar e inteiramente desmantelada pelo novo governo, de modo que, se algum comunista chegou vivo ao fim do ano de 1964, ele deveu isso exclusivamente às forças armadas que agora amaldiçoa” (Olavo de Carvalho, in A História, essa criminosa).
 


Olavo se refere às forças paramilitares formadas, principalmente, pelos governadores Carlos Lacerda, da Guanabara, e de Adhemar de Barros, de São Paulo, que pretendiam trucidar os comunistas. “O regime militar fez várias reformas. Obteve êxito. O papel do Estado na economia foi ampliado numa escala nunca vista. Qualquer setor onde havia alguma dificuldade econômica, a saída encontrada era a criação de uma empresa estatal. E foram surgindo às pencas. O país melhorou a infraestrutura, desenvolveu novos setores produtivos e se integrou à economia mundial diversificando sua pauta de exportações” (Marco Antonio Villa, in “Eles não conseguem desenhar o futuro”, O Globo, 28/6/2011). “Os militares parecem haver sofrido, desde o começo, de uma espécie de ‘má consciência’. O sentimento acabou por dividi-los e provocar hesitações nefastas à administração. Ao princípio, um embaixador inglês, Sir Geoffrey Wallinger, ainda podia comparar os militares de Castello Branco aos puritanos de Cromwell, fanaticamente convencidos de sua missão de limpar a corrupção que contaminava o país. Mas as hesitações e as contramarchas entre ‘linha dura’ e ‘legalistas’ acabou comprometendo o projeto e o próprio bom senso” (PENNA, 1994: 163).
Não há provas de que os Estados Unidos instigaram, planejaram, dirigiram ou participaram da execução do golpe de 1964. Cada uma dessas funções parece ter competido a Castelo Branco e seus companheiros de farda. Ao mesmo tempo, há sugestivas evidências de que os Estados Unidos aprovaram e apoiaram a deposição de Goulart quase que desde o princípio. Os Estados Unidos reforçaram o seu apoio ao elaborar planos militares preventivos que poderiam ter sido úteis para os conspiradores, se houvesse a necessidade” (PARKER, 1977: 128). Leia Projeto História Oral do Exército na Revolução de 1964 - (http://www.rberga.kit.net/hp64/hp64_9/adalto.html).

Folhetos cubanos - Eram disseminados no Brasil pelo Movimento de Educação Popular (MEP), durante o Governo de João Goulart, e serviam de inspiração às Ligas Camponesas, de Francisco Julião, e aos Grupos dos Onze (G-11), de Leonel Brizola. Desde 1961, os comunistas passaram a comprar várias fazendas em Pernambuco, Bahia, Acre, Goiás e Minas, para servirem de centros de guerrilha. Isso prova que o idioma de pau cubano (o comunismo), de inspiração soviética, tentou se estabelecer no Brasil antes da Contrarrevolução de 1964.

Foquismo - Teoria revolucionária de pau, em que a revolução marxista seria iniciada em pequenos núcleos (focos), para começar a guerrilha rural, com o objetivo de dominar a nação. O foquismo foi sistematizado pelo revolucionário comunista francês Jules Debray, e defendida por Fidel Castro e Che Guevara. O PC do B tentou colocar em prática essa teoria na região do Araguaia.

“O treinamento a brasileiros em Cuba continua até os dias atuais, embora somente no terreno político-ideológico, na Escola Superior Nico Lopez, do PC cubano, Escola Sindical Lázaro Peña, Escola de Periodismo José Martí, Escola da Federação de Mulheres Cubanas, Escola da Federação Democrática Internacional de Mulheres e Escola Nacional Julio Antonio Mella, da União da Juventude Comunista. Por essas escolas já passaram mais de 100 brasileiros. Todavia, o mais importante em tudo isso, é que a ida de qualquer brasileiro para fazer cursos em Cuba depende do aval do Partido Comunista Cubano, após entendimentos anteriores, de partido para partido. Atualmente, existem diversos brasileiros, militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra vêm recebendo, em Havana, treinamento em técnicas agrícolas, e outros matriculados na Faculdade Latino-Americana de Ciências Médicas. O site do Partido dos Trabalhadores oferece vagas e publica as condições definidas por Cuba para matrícula nessa Faculdade” (Huascar Terra do Valle, in “Histórias quase esquecidas”, site Mídia Sem Máscara, 10/2/2003).



Frente Única
G-11 - Grupo dos Onze, ou Grupo dos Onze Companheiros: “comandos nacionalistas”, que foram formados em todo o Brasil em 1963, a mando do ex-governador gaúcho Leonel Brizola. Os G-11 seriam o embrião do Exército Popular de Libertação (EPL). Um documento do grupo afirmava que os G-11 seriam a “vanguarda do movimento revolucionário, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na União Soviética”. (Prova a ignorância de Brizola, pois em 1917 havia apenas a Rússia, não a URSS.)

Quando ocorreu a Contrarrevolução de 1964, havia centenas desses grupos espalhados em todo o País e tinham como missão eliminar fisicamente todas as autoridades do Brasil - civis, militares e eclesiásticas, como se pode ler nas “Instruções secretas” do EPL e seus G-11, no item 8, “A guarda e o julgamento de prisioneiros”: “Esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição” (AUGUSTO, 2001: 112). Sobre os G-11, leia os documentos secretos em http://cbn.globoradio.globo.com/hotsites/grupo-dos-onze/GRUPO-DOS-ONZE.htm. Leia, de minha autoria, Brizola, o último dos maragatos, disponível na internet - http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=4886&cat=Ensaios&vinda=S.

Ligas Camponesas - As origens da organização dos camponeses datam da década de 1940, no trabalho do PCB, que estabeleceu as Ligas Camponesas. Essa atividade ressurgiu na década de 1950, em Galileia, com a criação da Sociedade Agricultural de Plantadores e Criadores de Gado de Pernambuco, assistida por um ex-membro do PCB, José dos Prazeres, e depois com a formação de sociedades de direito civis e legais, que rapidamente se espalharam por todo o Nordeste, passando a uma rede de Ligas Camponesas - como eram chamadas pelos proprietários de terras, devido à sua origem da década de 1940. Francisco Julião foi o principal líder das Ligas, com atuação, especialmente, em Pernambuco, do então Governador Miguel Arraes, onde as Ligas colocavam fogo em canaviais e depredavam fazendas. No dia 27/11/1962, na queda de um Boeing 707 da Varig, quando se preparava para pousar em Lima, Peru, estava entre os passageiros o presidente do Banco Central de Cuba, em cujo poder foram encontrados relatórios de Carlos Franklin Paixão de Araújo, filho do advogado comunista Afrânio Araújo, o responsável pela compra de armas para as Ligas Camponesas. Os relatórios detalhavam os atrasos dos preparativos para a luta no campo, acusava Francisco Julião e Clodomir Morais de corrupção e malversação de recursos recebidos. Esses documentos chegaram às mãos do governador Carlos Lacerda, da Guanabara, que fez vigorosa campanha na imprensa, denunciando a interferência cubana em nosso País.

No Brasil, antes de 1964, Cuba financiou ainda as Ligas Camponesas para comprar fazendas que serviram de campos de treinamento de guerrilha. A revista Veja", de 24/1/2001, sob o título "Qué pasa compañero?", faz uma análise centrada na tese de doutorado da pesquisadora Denise Rollemberg, da UFRJ, a qual afirma que "o primeiro auxílio de Fidel foi no Governo João Goulart, por intermédio do apoio às Ligas Camponesas, lendário movimento rural chefiado por Francisco Julião. (...) O apoio cubano concretizou-se no fornecimento de armas e dinheiro, além da compra de fazendas em Goiás, Acre, Bahia e Pernambuco, para funcionar como campos de treinamento”. Após a Contrarrevolução de 1964, as Ligas Camponesas, de inspiração comunista, foram dissolvidas, e Julião obteve asilo no México.

Marcha do Terço - Organizada em fevereiro de 1964, em Belo Horizonte, pelo Padre Peyton, pelo Padre Botelho e por várias organizações femininas patrocinadas pelo IPES. A Marcha condenou Leonel Brizola publicamente como anticristo; também condenou o governo de João Goulart e pediu uma intervenção militar; esse apelo foi reforçado pelo lançamento, em março de 1964, da “Marcha da família com Deus pela liberdade”, semelhante às executadas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

MEB - Movimento de Educação de Base: organização criada pela Igreja Católica, financiada pelo Governo João Goulart e administrada por militantes de esquerda católica, muitos dos quais eram membros da Ação Popular (AP). Baseado nas ideias marxistas de Paulo Freire, autor do livro pauleira Pedagogia do Oprimido, o MEB funcionava através de escolas radiofônicas, sob a direção de um líder local (padre ou camponês), em contato com as Ligas Camponesas.

MEP - Movimento de Educação Popular. O MEP disseminava no Brasil, durante o desgoverno de João Goulart, folhetos cubanos sobre a técnica de guerrilhas. Esses folhetos foram utilizados pelos G-11, de Brizola, e pelas Ligas Camponesas, de Francisco Julião.

Revolução Cubana - No dia 1º de janeiro de 1959 as tropas de Fidel Castro tomam Havana. A “república socialista” cubana, porém, só foi proclamada em maio de 1961, logo após a fracassada invasão de anticastristas ocorrida na Baía dos Porcos, em Cuba, com o (falso) apoio americano. Em 1962, Cuba foi excluída da OEA e em 1964 os países membros da OEA, com exceção do México, romperam relações diplomáticas com o país, devido ao apoio cubano de focos guerrilheiros em vários países da América Latina (Guatemala, Colômbia, Venezuela). Cuba forneceu toneladas de armamento ao governo comunista de Salvador Allende. As residências oficiais de Allende eram verdadeiros paióis, descobertos após a intervenção de Pinochet, que derrubou os comunistas depois da autorização dada pela Suprema Corte, que ainda não era cooptada com Allende.

No Brasil, antes de 1964, Cuba financiou as Ligas Camponesas para comprar fazendas que serviram de campos de treinamento de guerrilha. As prisões políticas de Cuba são muitas: La Cabaña (ainda em 1982 houve 100 fuzilamentos), Boniato (a mais repressiva), Kilo 5,5, Pinar del Río, Guanajay, Guanahacabibes, Castelo do Príncipe, Ilha de Pinos, Camaguey, Holguín, Manzanillo, Sandino (1, 2 e 3). Fidel Castro mandou fuzilar entre 15 e 17 mil pessoas (10 mil só na década de 1960); em 1978, havia em Cuba 15 a 20 mil prisioneiros; em 1997, segundo a Anistia Internacional, havia entre 980 e 2.500 prisioneiros políticos. “Para uma população de apenas 6,4 milhões, Fidel e Che prenderam e executaram mais, em termos relativos, do que os nazistas, e igualmente mais, proporcionalmente, do que os comunistas” (FONTOVA, 2009: 150). A tortura cubana incluía as “ratoneras”, “gavetas”, “tostadoras”, além da tortura “merdácea” - os prisioneiros eram “aspergidos” com fezes e urina. Apesar desses crimes todos, o ditador Fidel Castro é venerado pelos “intelectuais” brasileiros como el comandante, ao passo que Augusto Pinochet, ex-presidente do Chile, não passa de um vil “ditador”, “torturador”, para os “guerrilheiros da pena”, como Emir Sader e Frei Betto. “Quando Che assumiu o Ministério das Indústrias, Cuba tinha uma renda per capita “superior à da Áustria, Japão e Espanha” (idem, pg. 214-5). Um ano depois, o anteriormente “terceiro maior consumo proteico do Ocidente estava racionando comida, fechando fábricas” (idem, pg. 215).

Comparação das rações diárias, entre os escravos (em 1842) e Cuba desde 1962: carne, frango e peixe: 230 g/55 g; arroz: 110 g/80 g; carboidratos: 470 g/180 g; feijão: 120 g/30 g (Cfr. FONTOVA, 2009: 223). Ou seja, os escravos negros se alimentavam melhor do que a população cubana sob Fidel. Só os idiotas e os patifes defendem as excelências da medicina e dos hospitais cubanos da atualidade, coisa que nunca existiu. “Em 1957, Cuba tinha, proporcionalmente, mais médicos e dentistas do que os EUA ou a Grã-Bretanha. Em 1958, tinha a menor taxa de mortalidade infantil da América Latina e a 13ª. do mundo, estando à frente de França, Bélgica, Alemanha Ocidental, Israel, Japão, Áustria, Itália e Espanha. Hoje, pelas cifras oficiais, tem a 25ª. menor taxa – piorou sob o fidelismo. O que, hoje, reduz a mortalidade infantil é a taxa de 0,71 aborto por criança viva nascida em Cuba - o primeiro lugar do Ocidente e um dos primeiros do mundo. É um verdadeiro extermínio de bebês no útero materno” (FONTOVA, 2009: 225). “Havana, que na década de cinquenta era mais rica que Roma ou Dallas, hoje parece Calcutá ou Nairóbi” (idem, pg. 230).

Os prédios tornaram-se decrépitos, à semelhança de el coma andante, e Havana, hoje, é o maior museu a céu aberto de carros velhos do mundo. Doenças erradicadas em 1958, como tuberculose, lepra e dengue, voltaram com força total em 2005. Quase 6.000 empresas norte-americanas foram pilhadas em Cuba, um valor de 2 bilhões de dólares. Nada foi indenizado, assim como os 5 bilhões da União Soviética. Evo Cocales aprendeu rapidinho com Fidel, roubando as refinarias e bens da Petrobras na Bolívia. Eusábio Peñalver ficou preso durante 30 anos. Era negro. Os guardas comunistas o chamavam de “macaco”. “Nós o tiramos das árvores e arrancamos sua cauda” (idem, pg. 238).

“Apenas 0,8 dos cargos políticos do país é ocupado por gente de cor. Em outros lugares, esta mesma situação seria chamada de Apartheid” (idem, pg. 239). “Não é que não exista comida e bens de consumo em Cuba. O problema é que hoje há duas classes de cubanos: os que possuem dólares (os turistas e o apparatchiks, ou seja, a nomenklatura cubana) e os que não possuem (o cidadão cubano comum): Como não tem nada (quer dizer, tem de tudo, nos shoppings, em dólar e a preços de Tóquio), a gente vende esferográficas, isqueiros, envelopes, qualquer miudeza” (GUTIÉRREZ, 1999: 114).

ULTAB - União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil: fundada em 1957 pelo PCB, teve suas principais bases em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Porém, obteve seu maior sucesso em Goiás, onde o movimento tomou as cidades de Trombas e Formoso, e só foi desmobilizado em 1964 pelos militares.

UNE - União Nacional dos Estudantes. Durante o 2º Congresso Nacional de Estudantes (1938), foi feita a proposta de criação da União Nacional de Estudantes (UNE), que teve sua 1ª Diretoria eleita em 1939. Inicialmente, a UNE era apolítica; entre 1940 e 1943, mobilizou a opinião pública e o Governo para participar na II Guerra Mundial contra o nazifascismo. Era tutelada pela ditadura Vargas e funcionava em sala do Ministério da Educação. A partir de 1943, começa a insurreição, com comunistas e democratas lutando contra a ditadura. A partir de 1959, aprofunda-se a marxização da UNE; nos anos 60, as organizações que dividiam as massas operárias, além da UNE, eram a JUC, o PC (que atuava através de seus diretórios estudantis), a Política Operária (POLOP) e a Quarta Internacional. Eram todos de esquerda, com dosagens diversas de ideologia marxista. O Partido de Representação Acadêmica (PRA), criado na Faculdade de Direito da USP, era considerado de Direita. Também nos anos 60, dá-se o encontro ideológico, reunindo a JUC, a Esquerda Católica e o Esquerdismo marxista.

A Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi) desempenhou papel importante na agitação estudantil e no processo de marxização da Universidade. “Onde o professor é de tempo parcial, como na maioria da América Latina, a tendência dos estudantes é dar mais atenção a preocupações não acadêmicas, inclusive políticas”. (Seymor Martins Lipset, “University Students and Politics in Underdeveloped Countries”, in Minerva, Vol. III, nº 1, 1964, pg. 38-39).

No dia 28 de março de 1964, os Diretórios Acadêmicos das Faculdades Nacionais de Direito (CACO) e da Filosofia, da Universidade do Brasil, mais o de Sociologia da PUC, lançaram manifesto de apoio aos marinheiros e fuzileiros em greve na sede do Sindicato dos Metalúrgicos. No dia 31 de março, exigiram de Jango armas para a resistência contra o levante de Minas, mas tiveram que se contentar com “manifestações antigolpistas” na Cinelândia. Com a depredação da sede da UNE, o seu presidente, “apista” José Serra (Ministro da Saúde durante o Governo FHC), empossado em 1963, pediu asilo à Embaixada do Chile. “Terminava, assim, o ciclo de agitação estudantil, que depois iria se desdobrar em trágicas consequências, no terrorismo e na ilegalidade” (José Arthur Rios, in Raízes do Marxismo Universitário). O mesmo Arthur Rios é autor de famosa frase: "Pais positivistas, filhos comunistas, netos terroristas".

Na “campanha nacional de alfabetização”, no Governo Goulart, a UNE recebeu 5.000 dólares de Moscou, por intermédio da UIE. Com a ascensão do PT na Presidência da República, a UNE se tornou importante falange do “fascismo gay”, do qual recebeu mais de R$ 10 milhões no período de 2004 a 2009. Leia, de minha autoria, UNE: organização-pelego, de Getúlio a Lula, disponível na internet.


Bibliografia:
AUGUSTO, Agnaldo Del Nero. A Grande Mentira. Biblioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro, 2001.
AZEVEDO, Reinaldo. O País dos Petralhas. Record, São Paulo, 2008.
FONTOVA, Humberto. O verdadeiro Che Guevara - E os idiotas úteis que o idolatram. É Realizações, São Paulo, 2009.
GUTIÉRREZ, Pedro Juan. Trilogia Suja de Havana. Companhia das Letras, São Paulo, 1999.
PENNA, José Osvaldo de Meira. A Ideologia do Século XX – Ensaios sobre o Nacional-Socialismo, o Marxismo, o Terceiro-Mundismo e a Ideologia Brasileira. Instituto Liberal e Nórdica, Rio de Janeiro, 1994.
PONTES, Ipojuca. Politicamente Corretíssimos. Topbooks, Rio de Janeiro, 2003.
KOTSCHO, Ricardo. Do golpe ao planalto: uma vida de repórter. Companhia das Letras, São Paulo, 2006.

Obs. 1 - Língua de pau - Como visto na Introdução, em sua obra Pequena História da Desinformação, Vladimir Volkoff fala sobre a “língua de pau” (langue de bois, em francês), adotada como língua oficial pelos antigos países comunistas. Friedrich Hayeck, em seu ensaio Os intelectuais e o socialismo já havia observado que vivemos em meio a uma verdadeira guerra semântica: “Uma guerra que se caracteriza por profunda confusão semântica. Rótulos tais como liberal, conservador e libertário apresentam hoje tantas definições que quase perderam todo significado. Se, por exemplo, uma pessoa não utiliza o adjetivo social em seu discurso, como na expressão justiça social, passa a ser classificada como direitista” (PENNA, 1994: 34-35).

Obs. 2 - Fascismo gay - Trata-se do fascismo brasileiro, de tempero gramscista, consolidado pelo sucessor de FHC, o gay fascism. Nesse modelo, não existe oposição e todos os setores da sociedade, inclusive empresários, estão “alegremente” cooptados com as benesses do Poder Central. “O ‘pensamento’ de Marx (e de seus seguidores) continua a causar estragos e até a apresentar-se como ‘hegemônico’, sobremodo em algumas partes da descarnada América Latina. É puro ‘non-sense’. Mas pelo menos no Brasil é inquestionável a supremacia da dogmática marxista, pois o país tornou-se o espaço vital onde milhares e milhares de militantes esquerdistas, comandados por uma máquina bem-azeitada e nutrida o mais das vezes nos fundos públicos (subtraídos a muque do bolso do trabalhador e dos empresários contribuintes), atuam sistemática e proficuamente nas cátedras, parlamentos, púlpitos, quartéis, mídias, associações civis e militares, sindicatos, prisões, palcos, telas e até nos prostíbulos, com o objetivo único e irreversível de ‘socializar’ a nação” (PONTES, 2003: 42-3). “Na medida em que crescem, de forma galopante as escorchantes tributações sobre os bens privados, do trabalhador e dos empresários, aumenta em proporção geométrica o número dos ‘excluídos’, pois uma coisa decorre da outra: é o Estado (com suas elites, suas agências, instituições e burocracia em geral) que se apropria, por força da violência legal (e da inércia ou ignorância da população), da riqueza produzida pela sociedade para usufruto diuturno de privilégios” (idem, pg. 43).

No Brasil, “os antigos militantes da luta armada trocaram as selvas e os ‘aparelhos’ urbanos pelas vias democráticas: alguns tornaram-se parlamentares, ministros, membros do governo, ecologistas, professores, comentaristas da mídia, e outros tranformaram-se simplesmente em líderes religiosos e integrantes ativos das ONGs, constituídas por vasto contingente de ‘intelectuais orgânicos’ muito bem remunerados com recursos do próprio governo e de grupos e empresas internacionais. A estratégia ‘democraticamente’ adotada para tornar o Brasil uma ‘República Popular Socialista’ é a da ‘revolução passiva’, extraída dos ‘Cadernos do Cárcere’ de Antonio Gramsci (1891-1937), um membro do Comitê Central do Partido Comunista italiano que discordava parcialmente das teses revolucionárias de Lênin e pregava a tomada do poder pela ação ‘hegemônica’ dos intelectuais infiltrados no aparelho do Estado e suas instituições” (idem, pg. 57). “O mercado não dá a menor bola para esse tipo de debate. Ele não quer saber qual é a ideologia do petismo. A sua pergunta sempre será a seguinte: o modelo rende? Rende. Então tudo está no seu devido lugar” (AZEVEDO, 2008: 138). “Somos mais governados pelo PT que não vemos do que por aquele que vemos. (...) A mina de ouro está nas diretorias e nos milhares de cargos das estatais. É aí que está alojado o PT. É por isso que eles lamentam tanto as privatizações do governo FHC. Imaginem se essa gente tivesse, por exemplo, a Telebrás nas mãos: 27 presidências regionais, mais os milhares de cargos de confiança. Mais a Vale, a CSN, a Embraer...” (AZEVEDO, 2008: 124-5). “Dezenas de jornalistas aguardavam uma definição na portaria do edifício Rocha. Por pouco não desci para dizer-lhes que não haveria mais a chapa PT-PL. Quando já ia pegar o elevador, fui chamado de volta. As negociações haviam recomeçado, agora no quarto do anfitrião. Embora sempre procurasse me manter à distância nessas horas, esperando por uma decisão para comunicá-la à imprensa, estava claro para todos que o impasse se dava na questão da ajuda financeira que o PL tinha pedido ao PT para fazer sua campanha. Somente três anos depois, quando estourou o ‘escândalo do mensalão’, eu ficaria sabendo que o valor solicitado era de 10 milhões de reais. No início da noite, os dirigentes dos dois partidos anunciaram que a aliança estava selada, como queriam Lula e Alencar” (KOTSCHO, 2006: 223).
- Idealizada pelo ex-ministro San Thiago Dantas, desejava unir todas as esquerdas em uma “Frente Única” (1963), para dar suporte consistente ao Governo João Goulart e suas “Reformas de Base”. Os partidos comunistas e o exibicionismo de Brizola impediram a formação dessa Frente. A “Frente Popular” de Jango, com o PCB e as organizações dominadas pelo “Partidão”, foi o que sobrou da pretensa “Frente Única”. A expressão de pau “Frente Única”, pelo menos, serviu de inspiração para a moda da década de 1960, sendo uma peça feminina bastante sexy - ao mesmo tempo em que debutavam as chinelas havaianas e a camisa “ban-lon”, também conhecida como camisa “volta ao mundo”.