sábado, 30 de julho de 2011

A TRADIÇÃO REVOLUCIONÁRIA - Parte 3

Olavo de Carvalho | Artigos - Movimento Revolucionário
Que poder, no mundo, jamais se organizou para enfrentar uma coisa dessas? Por favor, não caiam no ridículo de mencionar a CIA, organização incomparavelmente menor, cuja inermidade ante essa máquina infernal já se comprovou centenas de vezes.
A monstruosa superioridade do movimento revolucionário ante seus adversários de todos os matizes não se limita, é claro, ao campo da desinformação estratégica. Nada se compara à sua capacidade de mobilização de massas em qualquer país do mundo, quando não em todos eles, e em tempo quase instantâneo. Dois exemplos clássicos:
(1) A guerrilha de Chiapas, que, derrotada mil vezes no terreno militar, acabava obtendo tudo o que queria no campo político, graças aos protestos que se seguiam imediatamente, em dezenas de países, a cada vitória do governo mexicano.
(2) As manifestações populares que se seguiram em prazo recorde ao atentado mortífero de dezembro de 2003 na Espanha, voltadas, não contra os terroristas, mas contra… o governo espanhol.
Nesses episódios, como em centenas de outros, salta aos olhos a articulação do movimento revolucionário, unificando terrorismo, desinformação e protestos de massa.
A invulnerabilidade política da guerrilha de Chiapas serviu de modelo para o estudo The Advent of Netwar , de John Arquilla e David F. Ronfeldt, publicado pela Rand Corporation, que pode ser descarregado do site http://www.rand.org/publications/MR/MR789/, que pioneiramente descreveu a nova estrutura “em redes”, infinitamente mais eficaz, que havia substituído a velha hierarquia monolítica dos partidos revolucionários.
A mobilização instantânea dessa rede colocava o governo mexicano numa luta inglória contra um inimigo evanescente, “onipresente e invisível”, que nenhuma força armada poderia jamais controlar. (V. o meu artigo “Em plena guerra assimétrica”, DC, 24 de julho de 2006, http://www.olavodecarvalho.org/semana/060724dc.html).
O caso espanhol ilustra ainda mais claramente a força da hegemonia cultural como preparação do terreno para grandes operações que articulam desinformação e protestos de massa. Ante a brutalidade dos atentados, um governo conservador intoxicado e enfraquecido por temores “politicamente corretos”, plantados na mente da classe dominante com décadas de antecedência, sentiu-se inibido de ferir suscetibilidades islâmicas e preferiu, num primeiro momento, atribuir o crime ao ETA, a guerrilha basca. Em menos de vinte e quatro horas a massa organizadíssima, claramente preparada de antemão, estava nas ruas protestando contra a ineficiência do governo em localizar os verdadeiros culpados. Foi o fim do gabinete conservador (v. meu artigo “Exemplo didático”, Jornal da Tarde, 25 de março de 2004, http://www.olavodecarvalho.org/semana/040325jt.htm).
Por favor, pensem um pouco e respondam: existe no mundo alguma articulação direitista, conservadora ou reacionária habilitada a brincar assim de gato e rato com os governos revolucionários como estes fazem com todos os demais governos?
Vejam só o caso da Rússia: com o seu contingente duplicado, a KGB conta, hoje em dia, com milhares de pseudópodos espalhados pelo mundo, operando legalmente sob o disfarce de bancos, indústrias, firmas de consultoria, o diabo; tem ademais a seu serviço a máfia russa, que desde o começo dos anos 90 possui o domínio sobre todas as grandes redes criminosas do mundo, da Sibéria à Venezuela e à Colômbia (v. Claire Sterling, Thieves’ World: The Threat of the New Global Network of Organized Crime, New York, Simon & Schuster, 1994, bem como Helène Blanc e Renata Lesnik, L’Empire de Toutes les Mafias, Paris, Presses de la Cité, 1998), mais o terrorismo islâmico que é criatura sua (v. Ion Mihai Pacepa, The Arafat I Knew em http://www.weizmann.ac.il/home/comartin/israel/pacepa-wsj.html) e todos os movimentos revolucionários militantes do mundo, agora unidos a ela por laços cada vez mais complexos e difíceis de rastrear. Que poder, no mundo, jamais se organizou para enfrentar uma coisa dessas? Por favor, não caiam no ridículo de mencionar a CIA, organização incomparavelmente menor, cuja inermidade ante essa máquina infernal já se comprovou centenas de vezes.
Para piorar ainda mais as coisas, resta o fato de que a elite econômica ocidental, que uma opinião pública boboca pode ainda imaginar empenhada em defender a democracia e a liberdade, há muitas décadas já se deixou seduzir pela proposta de “governo mundial”, que traz as marcas inconfundíveis do ideal revolucionário: um projeto de sociedade hipotética a ser realizado mediante a concentração do poder.
Concentração aliás muito mais densa que aquela prevista em qualquer dos projetos revolucionários anteriores, já que baseada no total controle da psicologia das massas por uma elite de “engenheiros comportamentais” iluminados (v. Pascal Bernardin, Machiavel Pédagogue - Ou le Ministère de la Réforme Psychologique, Éd. Notre-Dame des Grâces, 1995).
A convergência desse projeto com a utopia socialista é tão acentuada que, nos países ocidentais, a KGB não precisa gastar um tostão para promover a demolição “politicamente correta” da moral e das instituições: o serviço é feito inteiramente sob os auspícios da elite globalista bilionária, em cuja vanguarda se destacam George Soros e a família Rockefeller.
O segredo da hegemonia revolucionária é simples: continuidade e intensidade do debate interno. Em qualquer conflito, cruento ou incruento, o contendor que dura mais é, por definição, o vencedor. O clássico simbolismo chinês já representava o poder ativo, soberano, por uma linha contínua, a passividade por uma linha quebrada. A fragilidade das resistências que se opõem ao avanço revolucionário advém do fato de que mesmo as entidades mais antigas, mais aptas, portanto, a sustentar objetivos de longo prazo, como a Igreja Católica, a Casa Real Britânica, a comunidade judaica, a Maçonaria ou mesmo o governo americano, têm suas finalidades próprias, distintas e limitadas, só ocasionalmente e pontualmente entrando em disputa direta com o movimento revolucionário na luta pelo poder mundial que é, para ele, o objetivo constante e o foco unificador de todos os seus esforços. A visão que essas entidades têm do processo revolucionário é acidental e quebradiça. É nos intervalos dessa linha descontínua que o movimento revolucionário se insinua, utilizando para seus próprios fins as energias daqueles que teriam tudo para ser seus mais eficientes e temíveis adversários.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A TRADIÇAO REVOLUCIONÁRIA - Parte 2

Olavo de Carvalho | Artigos - Movimento Revolucionário
O sucesso dos mais espetaculares ardis de desinformação estratégica postos em prática pelos governos revolucionários seria, no entanto, impossível sem a hegemonia cultural e psicológica de que o movimento revolucionário desfruta em escala mundial.
Os efeitos da hegemonia revolucionária são visíveis por toda parte. Não faltam exemplos mais perto de nós. O “Plano Colômbia”, de Bill Clinton, fornecendo ajuda ao governo colombiano para o combate ao narcotráfico sob a condição de que “não tocasse nas organizações políticas”, serviu apenas para, desmantelando os antigos cartéis, dar às FARC o monopólio do comércio de drogas na América Latina, fazendo daquela incipiente organização guerrilheira uma potência de dimensões continentais e o sustentáculo financeiro do Foro de São Paulo que hoje domina doze países latino-americanos e vai rapidamente estendendo seus tentáculos por todos os outros. Ao mesmo tempo, o plano serviu de pretexto para que as mesmas FARC desencadeassem uma violenta campanha de publicidade contra a “agressão americana” personificada no mesmo plano. Dialeticamente, não há contradição nenhuma em beneficiar-se da ajuda recebida e usá-la como instrumento de propaganda contra o desastrado benfeitor. Muitos críticos do movimento revolucionário dizem horrores do “pensamento duplo” que o inspira, mas raramente entendem que por trás de uma aparente contradição lógica se esconde uma ação de mão dupla inteiramente racional do ponto de vista prático.
Por mais chocante que pareça, esse exemplo é rigorosamente nada em comparação com as grandes operações de desinformação estratégica com que o velho governo soviético conseguia — e o atual governo russo ainda consegue — fazer seus adversários trabalharem para ele, realizando integralmente o ideal de Sun-tzu, segundo o qual a mais brilhante das vitórias se obtém sem combate, moldando à distância as decisões do governo inimigo por meio de um bem calculado fluxo de informações entre verdadeiras e falsas.
Outro caso notável foi a facilidade com que a desinformação soviética, apelando à confiança dos americanos na invulnerabilidade das suas instituições democráticas e agitando na sua frente o fantasma da “perseguição macartista” (em cuja realidade a mídia e o establishment continuam acreditando até hoje), logrou bloquear investigações decisivas sobre a penetração comunista nas altas esferas do governo de Washington, só para que quarenta anos depois a abertura dos arquivos de Moscou viesse a confirmar, tarde demais, as piores suspeitas do senador Joe McCarthy, com a única diferença de que os infiltrados não eram dezenas, como ele supunha, mas sim milhares.
Duas décadas atrás, a diplomacia chinesa, repetindo o truque que Lênin já aplicara aos investidores europeus em 1921 conseguiu convencer políticos e empresários americanos de que a abertura para a economia de mercado traria automaticamente a liberalização do regime. Mesmo após o massacre da Praça da Paz Celestial os sábios de Washington continuaram afirmando anestesicamente que “a China estava no bom caminho”. Com toda a evidência, o instrumento de desinformação utilizado no caso foi uma das crenças mais queridas dos liberais e conservadores: o nexo de implicação recíproca entre liberdade econômica e liberdade política.
O sucesso dos mais espetaculares ardis de desinformação estratégica postos em prática pelos governos revolucionários seria, no entanto, impossível sem a hegemonia cultural e psicológica de que o movimento revolucionário desfruta em escala mundial. Hegemonia cultural significa ser o controlador dos pressupostos embutidos no pensamento do adversário, de tal modo que o trabalho dos agentes envolvidos numa operação concreta de desinformação estratégica se reduz ao mínimo. Quando o agente de desinformação trabalha num ambiente já antecipadamente preparado pela hegemonia cultural, ele pode controlar facilmente as reações do adversário sem precisar abusar dos expedientes usuais da espionagem que tornariam a sua ação mais visível, mais material. Por isso o velho Willi Münzenberg chamava essas operações de “criação de coelhos”: basta juntar um discreto casal de bichinhos e contar com a propagação automática dos efeitos esperados. Uma ação clássica do tipo “medidas ativas” pode ser investigada e denunciada pelos meios usuais dos serviços de inteligência, mas uma operação fundada em prévia hegemonia cultural pode tornar-se tão evanescente que qualquer tentativa de denunciá-la acabe assumindo as aparências da mais louca “teoria da conspiração”. Por isso é que Antonio Gramsci qualificava a influência do partido revolucionário, quando escorada na hegemonia cultural, de “um poder onipresente e invisível”. Tanto mais invisível quanto mais onipresente.
Enquanto o movimento revolucionário se move com a destreza alucinante de uma dialética capaz de absorver e aproveitar todas as contradições, as elites ocidentais, nominalmente liberais ou conservadoras, se apegam a uma lógica linear de tipo positivista que, quando não encontra um elo material de causa e efeito escancaradamente visível, acredita que nada está acontecendo.
Os filósofos escolásticos ensinavam que, para agir, é preciso antes existir. A existência, por sua vez, pressupõe unidade e continuidade. Um ser dividido em pedaços, desprovido de vida unitária, não é de maneira alguma um ser: é uma ilusão fantasmal que se agita no ar por instantes, deixando livre o espaço histórico para a ação do ser genuíno.
Não há nenhum exagero em dizer que o movimento revolucionário mundial é a única força política que conta para alguma coisa na história do mundo. Enquanto seus adversários não o perceberem como unidade, nada poderão contra ele. Lutando contra uma de suas alas, acabarão servindo a alguma outra, como tem acontecido invariavelmente. No fim das contas, toda a política mundial corre o risco de acabar se reduzindo a um leque de conflitos internos do movimento revolucionário.
Se e quando isso acontecer, não será excesso de pessimismo anunciar o início de mil anos de trevas.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O IMBECIL, O "DOENTE" E O ESPERTO


Márcio Del Cístia

"Um calo profissional, originado da necessidade de explicitar conceitos tão claramente que conseguissem adentrar as cucas mais amuralhadas em defesas, faz-me buscar precisão clínica na escolha de palavras. Assim, nada de tecnalidades preciosistas, nem eufemismos nebulizantes: apenas termos comuns construindo pontes onde a comunicação possa fluir com a limpidez - e, se necessário, com a dureza - de um cristal." - De um psicoterapeuta

São as três condições humanas que, isoladamente ou somadas, explicam-nos a adesão ao esquerdismo sociopata. O primeiro adjetivo sumariza um espectro de denotações, desde o jovem, muito jovem, que, ainda inocente, bondoso e sensível à crueldade do mundo, aceita a rósea propaganda esquerdista sobre justiça social, igualdade e fraternidade entre os homens. Sua pureza de intenções, inexperiência e ignorância sobre os fatos tornam-no vítima ideal e fácil das falácias publicitárias das conhecidas insídias comunistóides. Tanto é assim que as escolas, desde as primárias, vêm se fazendo crescentemente campos prioritários de adestramento ideológico por agentes de influência travestidos de professores.

(Igualmente crescentes são as manifestações de repúdio por parte de pais e alunos, inteligentes e suficientemente corajosos para se insurgirem contra o establishment [vide Miguel Nagib, www.secolasempartido.org]. Estas eu as conheço por ouvi-las no consultório. Jovens secundaristas e universitários, invariavelmente donos de inteligência superior, estigmatizados, constrangidos e perseguidos por fazer questionamentos cuja lógica férrea encosta à parede seus corruptores).

São aqueles os primeiros objetos da frase de Carlos Lacerda, sublinhando o contraponto entre ingenuidade, idealista e crédula, e a maturidade crítica: Quem não é comunista aos 18 anos, é um imbecil; quem é comunista aos 30 anos, é um imbecil.

Segue-se o imbecil por escolha. Este que, por comodismo, engole sem mastigação analítica os arrazoados sofísticos da ideologia canhota: é o comunista dos 30. Dos 40, 50... Também, como os primeiros, é vítima do treinamento estupidificador que, entre nós, passa por ‘sistema de ensino’; vítima também da planejada e sistemática desinformação gramsciana, generalizada pelos diversos graus escolares; nas mídias; veiculada por políticos, scholars e exemplares do beautiful people, sempre dispostos – uns e outros - a baixarem as calcinhas se o cachê for convidativo.

Há várias subespécies nesta categoria.

Dentre outras: o imbecil intelectual que mente com bem articulado discurso e vibrante orgulho revolucionário, é entusiástico repetidor de sofismas, altamente criativo na invenção de factóides, fértil na remodelação da História segundo suas conveniências; o imbecil filosofante que discorre – e o faz a sério!!! – sobre luta de classes, polilogismo, intelectualismo-não-engajado, ‘a construção do novo homem socialista’ e similares pérolas da genialidade vermelha; o imbecil verde-oliva ou nacionalisteiro, para quem o comunismo morreu, o KGB é só um clube e acredita que o que se tem aí é o ‘socialismo caboclo’, brasileiro genuíno e patriota - para este, o único grande inimigo são os ianques; o imbecil gregário, née 'festivo', tipo maria-vai-com-as-outras para quem o importante é ser in, é fazer parte; o imbecil fashion, crente que o esquerdismo é o plus da intelectualidade elegante; o imbecil de batina, jurando sobre a cruz que Jesus de Nazaré foi um socialista martirizado pelos capitalistas do Templo; o imbecil interesseiro que adere a qualquer coisa, repete qualquer coisa, divulga qualquer coisa, assina qualquer coisa, desde que ‘leve o dele’...

Invariavelmente pertencem a um grande grupo de indivíduos que por razões várias – incluindo bloqueios psico-emocionais severos – jamais alcançaram maturidade intelectiva ou emocionalmente responsável. Funcionam a partir de slogans e conceitos vazios em atraente embalagem emocional.

Não se questionam a si ou aos mentores que generosamente lhes ditam o que pensar. Deglutem as bestialidades óbvias dos agentes de influência - ou flatulência - com a facilidade deliciada com que se despeja uma ostra – zip! E em não havendo dúvidas, não há porque buscar certezas: nenhuma análise, nada de pesquisas, nada de leituras desafiadoras, nenhuma curiosidade em relação a outras óticas e, sobretudo, nenhum questionamento sobre suas motivações. É o imbecil esférico: perfeito sob qualquer ângulo de exame. Também conhecido como imbecil-penedo, privilegiado por uma estupidez maciça, robusta, confiante, auto-suficiente, literalmente inabalável. Alta freqüência nos sindicatos, nos órgãos da mídia ‘engajada’ e universidades...

Junto aos primeiros, formam as ‘massas de manobras’, gado facilmente manipulável e, com a devida pressão nos botões corretos, extremamente destrutivo. De preferência a outrem, mas inclusive a si mesmos quando utilizados como ‘bucha de canhão’. É deste curral que saem os ‘mártires da revolução socialista’, pobres coitados oferecidos como alvos à cuidadosamente provocada reação dos ‘lacaios da burguesia capitalista’.

 (Perfil idêntico têm os “antas de Alah” que amorosa e alegremente se explodem para despedaçar os ‘inimigos do Deus do Amor’. Tal os messetistas, estes também são seres de amorosidade ímpar!)

Fazem-se sempre ferramentas do ativismo da segunda categoria: os “doentes”. Assim mesmo, entre aspas posto que sua patologia anímica não é oficialmente reconhecida como tal. Ao contrário, são exemplares que se mesclam lindamente à humanidade ‘normal’. Normalidade muito estatística, note-se.

O conhecimento sobre este tipo proveio do consultório psicoterapêutico e foi aberto por trabalho analítico sobre a questão: porque este indivíduo põe tanto empenho em agarrar-se a tal crença, mesmo com tantas e tão concretas provas de sua falsidade? Mesmo com tanta evidência de sua destrutividade? Mesmo sabendo que ela o corrompe e aos demais, o infelicita a si e aos demais?

A resposta foi um típico ovo-de-colombo: tão óbvia que não enxergamos. O venenoso ovo vermelho é a inveja, tão tóxica quanto cuidadosamente ignorada. E aí entra a ideologia como um tapa-olho conceitual, racionalizante, uma lente pré-fabricada, intencionalmente distorcida para justificar-se a manutenção do ódio destrutivo, corolário inevitável da inveja.

Hoje, já são tantas e tão claras as evidências da intrínseca, repetida e inevitável destrutividade das ideologias sinistrosas, aí incluída a falência do modelo socialista nos países europeus e a derrocada do mito sueco (tão cuidadosamente cevado pelos 'intelectuais orgânicos') que sua ignorância pelos esquerdopatas não pode ser crível. Posso dar-lhe, a você que me lê, a garantia de que a real natureza maléfica dos vieses canhotos é conhecida por seus portadores. Ninguém, hoje, é tão estupidamente cego que não perceba – ainda que em pré-consciência – o horror resultante da aplicação prática desta sinistrose. Ou o nível de corrupção de alma que enseja.

Aliás, permita-me acentuar um dado oriundo do setting analítico: a sólida adesão destes espécimes à ideologia se mantém não apesar de sua comprovadíssima destrutividade, mas - atenta! - precisamente por causa dela. A expectativa de poder destruir - a riqueza, a inteligência, a cultura, a beleza, a elegância, o bem-estar, a felicidade "da zelite" - é o alimento principal da inveja azeda e crônica.

Entretanto, a cavalgadura não pode afastar o tapa-olho sob pena de ter que encarar a própria podridão: uma pústula de inveja supurando ódio venenoso, da qual se alimenta e que lhe dá – pobre diabo! – um arremedo de sentido existencial. As lentes inversoras completam o quadro: “Sou um idealista revolucionário em nobre luta por justiça social num mundo melhor”. Se, por acaso, de algum obscuro recanto do espírito qualquer resíduo de sanidade ética o ameaçar, lançará mão do santo-onipotente band-aid dos canhotos – os fins justificam... Tudo! A mentira sistemática, destruição da ordem, corrupção, roubo, assassinato, genocídio... Absolutamente tudo. Incluindo - em especial! - a auto-cegueira.

Um dos sustos seguidamente experimentados por pessoas que tentam debater racionalmente com tais espécimes de bípedes canhotos, é sua espantosa impermeabilidade às provas factuais, concretas. Não importa o quão comprovado seja um fato, a clareza, racionalidade ou fidedignidade de sua natureza e origem: entra-lhes por uma das longas e peludas orelhas e escafede-se de imediato pela outra, peluda e longa - sem deixar traços!

Penso que o leigo, mesmo muito inteligente, não tem a experiência necessária para avaliar o grau de perversão cognitiva causado pelo medo à realidade pessoal insuportável. Wilhelm Steckel, um dos discípulos de quem Freud dizia ser "fortemente intuitivo, mas fraco de raciocínio", assumia ao pé-da-letra uma máxima do mestre - "A verdade liberta" - e pespegava na cara do cliente a verdade reprimida. Conseguiu uma quantidade de suicidas em sua agenda de realizações.

É freqüente que um psicoterapeuta identifique nas primeiras sessões a natureza do núcleo neurótico reprimido, mas nada raro que se demande anos de trabalho cuidadoso até que o cliente tenha condições de aceitá-lo conscientemente, sem riscos de implodir em psicose. Ou suicídio.

Assim, é baldado tentar despertar o esquerdótico por abordagem racional, mesmo delicadamente formulada.

Ele a receberá como agressão insuportável, revidando com ataques pessoais: 'burguês reacionário', 'porco capitalista'... enquanto não tiver poder. Quando o consegue, ele não o xinga apenas - ele o mata. Um dado concreto do conhecimento em psicologia é ser o assassínio a face externa do suicídio. A mesma pulsão destrutiva que muda de objeto. Lembra do Chê?

E, finalmente, temos o último tipo. É aquele que, podendo ter partido de um dos perfis anteriores, alcançou clara consciência de ser o marxismo e suas variantes apenas um monte de lixo intelectual arrumadinho sobre uma pilha de pseudos – pseudo-filosófico, pseudo-econômico, pseudo-sociológico, pseudo-justiceiro, pseudo-humanitário, pseudo-... Não sabe, nem se interessa em saber que esta visão-de-mundo foi cuidadosa e astutamente composta como uma armadilha intelecto-emocional para enganchar-se precisamente no que o humano inferior tem de pior em vícios de caráter: inveja, rancor, astúcia, hipocrisia, anseio compulsivo pelo poder... potencializados pela militância numa infinita espiral descendente de corrupção de alma.

Mas sabe que é uma excelente armadilha pega-otários, os quais, devidamente manipulados compõem degraus ascendentes em direção à gratificação de seu vício máximo: poder. Ou o ‘pudê’, conforme um exemplar planaltino não adjetivável por pessoas sensíveis.

Em geral esta espécie tem alto escore de Q.I. - o que não significa I.E., Inteligência Efetiva, só existente em concomitância com elevados níveis éticos. Um tal tipo é voltado para o externo, motivado pelo ‘lá fora’ onde ocorrem os jogos de influência, as lides por poder. Seus esforços por conhecimento não buscam a Verdade, ainda menos o equilíbrio criador da sabedoria, mas municiar-se para a eficácia em influenciar e manipular. O auto-conhecimento é superficial. Mercê de boa articulação discursiva, notável habilidade sofística e inegável talento manipulatório, sobreviveu aos mortíferos pegas-pra-capar das disputas grupais, políticas, partidárias, tornando-se um sobrevivente, um vencedor na corrida darwiniana. Fato que alicerça sua vibrante auto-estima, justifica e alimenta sua fome de poder e lhe permite presentear-se com o adjetivo máximo de sua espécie – “sou esperto, sou um homem de poder”.

Sua astúcia, fortemente intuitiva, já lhe deixou evidente que não se pode perder apostando na estupidez humana e a estupidez - ignorante e presunçosa - é uma de nossas mais óbvias características, enquanto povo.

Esta criatura não sabe – não pode saber – que algum dia, em algum lugar, por alguma maneira construída pela essência da Verdade, fatalmente ser-lhe-á feita uma oferta de percepção realista que não poderá recusar:

“Enquanto resultante de suas escolhas você é o produto de si mesmo: um ser que se constrói, atualiza e se revela não em posses, cargos, fama... mas em seus atos livremente escolhidos. Por isso é respon-sável, por isso terá que responder.

Teve a oportunidade e os meios para trabalhar pelo bem do povo em que nasceu. Poderia ter ajudado a construir uma nação próspera, livre e dinâmica, com valores sadios capazes de - gradualmente como é preciso - elevar as interações humanas a níveis de excelência; um Jardim do Homem onde, natural e pacificamente como é preciso, começassem a florescer ações induzidas pelo respeito, pela confiança, pela fraterna generosidade dos felizes.

Mas, você escolheu semear a discórdia através da mentira e da calúnia. Perseguiu inocentes, espalhou o medo e a insegurança ao deturpar as leis e incentivar o crime; corrompendo valores essenciais, criou confusão angustiante para facilitar-se a manipulação.

Onde facilmente cresceria cooperação e amizade, atiçou inveja, desconfiança e ódio entre as pessoas adubando o caos em que cevar seu vício. Onde poderia haver abundância, instilou fome e miséria para servir seus interesses. Plantou a estupidez e mesquinha crueldade onde poderia medrar compreensão, tolerância e compaixão generosas. Deturpou fatos em benefício próprio, mentiu, enganou, corrompeu, roubou, assassinou, vampirizando o suor e o sangue de seu povo. Traiu a confiante esperança dos ingênuos, estes pobrezinhos a quem deveria proteger e alimentar com a Verdade.

Ao longo do caminho, fiel a seu princípio de “quanto pior, melhor”, semeou e fez crescerem ignorância, medo, desalento, confusão, dor, desesperança, ódio, destruição, e infinito – e absurdamente desnecessário! - sofrimento humano.

Poderia ter somado forças construtoras de prosperidade e paz entre as pessoas; poderia – facilmente - ter multiplicado para a bonança e a alegria.
Você escolheu enganar, dividir, corromper, confundir, enfraquecer, degradar.

Você, que poderia ter sido um anjo semeador de Luz, preferiu ser uma pústula supurada infectando os Homens com horror e escuridão.

Em suma, traiu os dons da Vida e fez da sua um exercício de destruição.
Não, você não é esperto.

Você se fez menos que um zero; fez-se um traço negativo - apenas um pobre e imbecil canalha”.

terça-feira, 19 de julho de 2011

ACORDA BRASIL!

O revanchismo explícito ou acorda Brasil

     Durante o chamado regime militar assistimos a um forte recrudescimento de siglas de ideologia comunista que se multiplicaram e clamavam para si o título de libertadoras da Nação brasileira.
     Como sabemos, não era verdade. Os registros implacáveis mostram que mesmo antes da contra-revolução de 31 de março, grupos em nome da ideologia marxista-leninista lutavam para a tomada do poder.
     Eles eram admiradores e subordinados ao Movimento Comunista Internacional (MCI).
     Tiveram sua chance na fracassada intentona de 1935. Após 1960 julgavam que era chegada a hora da vingança. À época, tumultuavam, agitavam, entravam em greve, incendiavam, sacudindo a Nação com seus brados de guerra, com suas foices e seus martelos.
     Infiltraram-se e dominaram os sindicatos, subverteram jovens estudantes que os seguiam sem pensar, inebriados como tantos adolescentes mundo a fora. Era moda ser de esquerda.
     Intelectuais foram cooptados e passaram a ser a voz dos letrados, dos filósofos, dos esclarecidos, dos cultos, dos avançados.  Muitos artistas embarcaram na troupe, e atraíram multidões de ingênuos, de inocentes uteis, de sabichões e sedentos de agirem às margens da lei.
     Encantados, não vacilavam em roubar, seqüestrar, de quebrar a lei e infringir a ordem pública.
     A história da repressão a estes crápulas, nós conhecemos. O aparato policial, sem qualquer auxílio estrangeiro, aprendendo na própria pele foi conhecendo e dominando as práticas da subversão e do terrorismo.
     Assim, com o sangue de brasileiros em suas mãos foram dominados, nas cidades e nos campos.
     Como em 35, habilmente, mas sem “paredón”, sem matança, o aparato da repressão sufocou uma  a  uma as organizações que tumultuavam a vida nacional.
     Retornamos à vida democrática, e foi estabelecida uma ampla anistia.
     Este poderia ser o fim de um período terrível, mas não foi. Uma medonha vergonha, uma clara verdade surgiu que eles lutavam para a implantação do regime comunista no Brasil.
     Na medida em que a situação voltou à normalidade, eles voltaram mais audaciosos, agora adeptos do Gramscismo, e foram galgando postos, conquistando eleitores e, quanto mais subiam, mais o rancor da derrota ressurgia, por isso clamavam por justiça, que só viria pela manutenção e a preservação de um revanchismo implacável.
     O revanchismo está aí, presente e explícito, e amiúde mostra as suas garras. Contudo, os últimos acontecimentos têm demonstrado que ele ultrapassou o ódio contra os órgãos de repressão de antanho e, acintosamente, voltou-se contra a própria Nação.
     Por certo, num tacanho exame de consciência, eles devem desprezar este povinho que não lhes deu guarida, cujos ouvidos não acolheram seus feitos terroristas e criminosos, como a luta de heróis, um povo que os reconheceu como mercenários e como malfeitores.
    Uma gigantesca mágoa está aninhada na mente dos fracassados heróis.  
     Hoje, ao assistirmos o que estão fazendo com a Nação brasileira, manipulando, incutindo as práticas mais torpes, subvertendo, não seus pensamentos, aspirações ou ideologias, mas os princípios básicos do cidadão, esfacelando a família, decompondo costumes, acirrando dicotomias. Por tudo que testemunhamos, chegamos à triste conclusão, de que o revanchismo de há muito ultrapassou o ódio aos militares, e surge à nossa vista uma certeza terrível, a de que eles não sossegarão enquanto não colocarem esta Nação de quatro.
     Hoje, provavelmente, se perguntados, dirão que não professam nenhum credo, nenhuma ideologia. Pode ser, seu objetivo é outro. Talvez atenda pelo nome de vingança, para outros de revanchismo, o que nos soa como mais correto.
      Assim, quando perguntamos o porquê deste ódio, a razão de tantas atrapalhadas e atitudes que beiram ao suicídio da grandeza nacional, se indagarmos porque se dedicam a destruir esta Nação, subverter os seus costumes, seus padrões de cidadania, porque implantam o caos, a resposta só poderá ser, “por puro revanchismo”.
Lembrai - vos de Raposa Serra do Sol, da Base de Lançamento de Alcântara, da Reserva Ianomâmi, das Cotas, de Batistti, da “família” Gay, do PNDH 3, do 52º Congresso da UNE, dos KIT sexuais e dos primorosos livros didáticos ... ainda querem mais?
Brasília, DF, 19 de julho de 2011
Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A CRISE DA UNIÃO EUROPÉIA

Por Nivaldo Cordeiro
Tenho escrito reiteradas vezes que a crise econômica atual é reflexo do fracasso político da social-democracia, força que ganhou musculatura desde o final da II Guerra e é o modelo político imperante em quase todo o mundo, exceto China e Cuba, comunistas (esqueço algum dinossauro?). A social-democracia é a tentativa contraditória de implantar igualdade econômica e política, ao preço da supressão da lei da escassez, o sonho socialista desde sempre. Sonho impossível, posto que essa fórmula mágica não é conhecida e não sobrou remédio que não os países adotarem a economia keynesiana como instrumento, o que equivale a implantar o truque mefistofélico tão belamente cantado por Goethe no magnífico poema Fausto, no começo do século XIX. A prosperidade inflacionária pode ser obtida, sim, por certo tempo, mas seu preço é caro. Depois da alegria do pileque embriagador vem sempre a desagradável ressaca e a respectiva dor de cabeça.
Emitir moeda em profusão é tomar pinga na boca da garrafa. É o que estamos a ver na União Européia, e não apenas; nos EUA também, que seguiram por outras formas a mesma fórmula.
Aproveito dois artigos publicados na página Três da Folha de São Paulo hoje para comentar o assunto. A Folha propôs a pergunta: A crise dos países europeus ameaça a zona do euro? Mario Ramos Ribeiro disse “Sim” como resposta, enquanto Roberto Luis Troster disse “Não”. Ao ler ambos os artigos fiquei com a sensação de que os economistas escaparam ao tema central da questão e suas repostas, aparentemente contraditórias, na verdade convergiram no essencial.
A questão central não respondida é que o modelo social-democrata inerente à zona do euro faliu. Não é possível ter um Estado tão agigantado e pagante de contas para as quais não tem recursos e nunca os terá, ainda que eleve a tributação aos céus. A social democracia vende aos eleitores a idéia de bem-estar social como sinônimo de enriquecimento fácil e ócio gracioso: acesso a serviços caros e sofisticados por toda a gente, sem a responsabilidade de trabalhar para obtê-los. Pior: o Estado quis bancar um sistema irracional de aposentadorias sem um custeio prévio consistente. Claro que déficits viriam a seu tempo e a bancarrota pública está evidente pela situação de países como Grécia, Portugal e Itália. Do outro lado do Atlântico, os EUA debatem-se no afogamento inflacionário sem precedentes (no momento Obama precisa de autorização do Congresso para aumentar a dívida ainda mais e os republicanos, que controlam a Casa, não parecem dispostos a ceder sem um profundo corte nos gastos públicos, que decretaria o fim da social-democracia norte-americana). O festim de gastos públicos no bem-estar social (locução mal empregada, slogan publicitário enganador, eleitoral) levou à explosão da dívida pública e da emissão de moeda, à inflação.
Roberto Luis Troste, embora tenha dito “Não”, argumentou o óbvio: “Faltam também recursos e autoridade para atuar de forma contundente quando aparecerem dificuldades”. Reparem na palavra autoridade, voltarei a ela. Se faltam recursos, obviamente há uma ameaça imediata à zona do euro. O autor não se apercebeu da contradição com que argumentou, negando sua negativa. E, como a se sustentar numa escora sonambúlica, completou: “O projeto do euro é um projeto ganhador: há mais países interessados em fazer parte dele e as cotações da moeda corroboram sua força. A integração do continente avança, mas ainda é fraca”. Falso argumento porque não era essa a questão. O critério não é saber se outros governos tolos querem, ou não, entrar no festim inflacionário. É saber se o sistema se sustenta.
Sob a palavra “autoridade” vejo que Troster enxerga a solução tecnocrática de um governo central tirânico, que possa ditar a todos suas regras de gastos. Nem sei se tem consciência disso, mas o suposto de sua defesa da moeda comum é a tirania, com a abolição das autonomias nacionais. Em suma, o governo mundial sobreposto a todas as instâncias locais. O pesadelo de todos aqueles que lutam e perseveram pelas liberdades individuais.
O “Sim” de Mario Ramos Ribeiro é mais consistente e mais lógico, embora convirja com Troster para a saída tecnocrática e tirânica. Começa o artigo com uma pergunta muito pertinente: Quanto tempo pode resistir uma união monetária sem a ocorrência conjunta de uma união fiscal? Ou, mais ainda, sem uma união política?” O autor colocou o dedo na ferida: a união monetária carrega consigo o germe do Estado totalitário, que poderá exigir o fim dos Estados nacionais e a respectiva supressão das liberdades individuais.
Em seguida, Mário Ribeiro Ramos argumentou, de forma assaz equivocada: “Crises financeiras são epifenômenos. Estão apenas na superfície de uma doença mais profunda e ainda não declarada. O fenômeno, que é a própria patologia, é a ‘crise de governança’.” Claro que crises financeiras não são meros epifenômenos, são a crise em si. Mas Ribeiro Ramos afirma essa bobagem porque julga, como bom tecnocrata que é, que tem a chave para a superação dos problemas monetários. E qual é a chave? Claro, a tirania. Dê a Bruxelas o poder de dizer a cada país, e até mesmo a cada europeu, o que pode e o que não pode gastar, o quantum e em que, e aí a crise monetária tornar-se-ia mero epifenômeno. É a crença de Milton Friedman e de Keynes de que a humanidade conhece as leis monetárias últimas, bastando, para administrá-las, que se dê aos tecnocratas o poder total sobre a vida das pessoas e se transforme toda gente em escravos de um tirano mundial.
Mario Ramos Ribeiro é tão ingênuo em sua crença tecnocrático-totalitária que escreveu, sem qualquer pudor: Governança na zona do euro requer regras do jogo bem definidas, exige um mapa contratual em que as responsabilidades e a segregação de atribuições sejam acordadas de modo supranacional, mas que não abafem o ethos nacional de cada país-membro e que, assim, possam ser razoavelmente factíveis.Governança requer instituições comuns.” Governança, nesses termos, requer apenas a tirania, nada mais. O fim das liberdades.
O que esses dois não viram é que é preciso seguir o caminho contrário ao da social-democracia: redução do Estado, deixar o cidadão cuidar da sua própria vida, de sua sobrevivência, de sua aposentadoria, de sua saúde. Não é preciso burocratas para gerir a vida prática. Essa mentira política é a raiz da crise. Ela precisa ser desmascarada, do contrário a tese de que só a tirania é que poderá superá-la pode prevalecer. Deus nos livre e guarde dessa maldição, que é a mesma pensada por Hitler e Lênin.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A TRADIÇÃO REVOLUCIONÁRIA - Parte 1

Olavo de Carvalho


O dado mais importante da história mundial desde há mais de dois séculos é também, por força de sua onipresença mesma, o mais freqüentemente negligenciado – quando não totalmente ignorado – pelo comentário político usual.

Esse dado é o seguinte: o movimento revolucionário é a única tradição de pensamento político-estratégico que tem uma existência contínua e um senso de unidade orgânica desde pelo menos o século XVIII. Todas as correntes adversárias são efusões parciais, locais, temporárias e inconexas.

A marcha avassaladora do pensamento revolucionário é como uma enchente que não se defrontasse pelo caminho senão com velhos pedaços de muro erguidos a esmo, um aqui, outro ali, em toda a extensão de uma planície aberta.

A unidade da tradição revolucionária não consiste, é claro, de uma coerência em bloco, de um acordo universal em torno de princípios explícitos, tal como se tentou criar na URSS sob o nome de “marxismo-leninismo”. Ao contrário, existem no seio dela antagonismos profundos, talvez insanáveis, que com freqüência se exteriorizam em lutas sangrentas. O que caracteriza a sua unidade é que toda a multidão das suas correntes e facções compõe um patrimônio comum do qual os intelectuais revolucionários estão conscientes e que alimenta, de geração em geração, os debates dos partidos e organizações revolucionárias.

Nenhum intelectual revolucionário que se preze pode se dar o luxo de ignorar as variedades internas do movimento, nem as mais remotas e insignificantes, nem as que lhe pareçam extravagantes, estéreis, desprezíveis ou abomináveis. Até mesmo entre as facções mais hostis do movimento revolucionário, como o fascismo e o comunismo, o diálogo foi intenso, não só no campo das idéias, mas no da estratégia e da tática. Josef Stálin enxergava o corpo inteiro do nazifascismo como uma peça bem integrada dos seus planos de dominação mundial, manobrando-o para seus próprios fins mediante a alternância maquiavélica de apoio estratégico e combate mortal (v. Viktor Suvorov, Iceberg. Who Started the Second World War? Bristol, UK, Pluk Publishing, 2009).

Nada de semelhante observou-se jamais na “direita”. Entre as suas facções e divisões reina a mais incompreensiva hostilidade, quando não aquele desprezo olímpico que torna a ignorância mútua uma espécie de dever. Só para dar um exemplo mais flagrante, até hoje não foi possível nenhum diálogo entre a direita americana e a européia, que se movem em esferas epistemológicas e semânticas incomunicáveis. Um fator complicante é acrescentado pelo fato de que muitos movimentos soi disant reacionários ou conservadores só o eram no seu discurso de auto-justificação ideológica: na prática, erguendo utopia contra utopia, acabavam se integrando no próprio movimento revolucionário que alegavam combater. De nada adiantou, nisso, a advertência antecipada de Joseph de Maistre: “Não precisamos de uma contra-revolução, mas do contrário de uma revolução.” Os movimentos contra-revolucionários, nos quais tantos reacionários e conservadores apostaram suas belas esperanças, nunca passaram da ala direita do processo revolucionário, fortalecendo-o na medida mesma em que imaginavam debilitá-la.

Até hoje, todas as reações que se oferecem ao movimento revolucionário são apenas pontuais, reagindo às suas manifestações particulares e esgotando-se em combates periféricos que deixam incólume o coração do monstro. É como se cada conservador, reacionário, liberal, cristão tradicionalista ou judeu ortodoxo só se desse conta da malignidade do processo revolucionário quando este fere os valores que são caros à sua pessoa ou comunidade, sem reparar na infinidade de outros pontos de ataque em torno de bolsões de resistência dispersos, onde franco-atiradores oferecem uma obstinada e vã resistência parcial a um cerco geral e multilateral.

Para complicar um pouco mais as coisas, o movimento revolucionário é uma entidade protéica, infinitamente adaptável às mais variadas circunstâncias, de tal modo que lhe é sempre possível absorver em seu proveito, reinserindo-as dialeticamente na sua estratégia geral, todas as bandeiras de luta parciais e isoladas, levantadas aqui e ali por adversários que só o enxergam por partes e fragmentos. Isso faz dos governos revolucionários os dominadores absolutos da “desinformação estratégica”, onde há pelo menos um século vêm realizando as proezas mais espetaculares, reduzindo seus adversários à condição de “idiotas úteis” a serviço de planos que transcendem infinitamente seus horizontes de consciência. Na medida em que essas derrotas e humilhações do campo reacionário se sucedem e se acumulam, formando um patrimônio negativo considerável, mais forte é a tendência de negar os fatos deprimentes mediante um discurso de autolisonja triunfal perfeitamente ilusório, recobrindo a ação revolucionária com novas e novas camadas de invisibilidade protetora.

Os políticos e os serviços de inteligência dos EUA continuam se gabando de que “venceram a Guerra Fria”, quando tudo o que conseguiram foi aumentar consideravelmente o poder mundial da KGB – inclusive dentro do território americano –, servindo de intrumentos para a realização de planos traçados já desde os anos 40 por Lavrenti Beria para ampliar o raio de ação do movimento revolucionário por meio de um simulacro de autodesmantelamento do Estado comunista.

Note-se que Beria não foi nem mesmo pioneiro no uso desse artifício. Em 1921 Lênin conseguiu persuadir os governos, os serviços secretos e os investidores ocidentais de que o comunismo recém-implantado na Rússia estava em vias de extinção e ia ser em breve substituído por um sistema capitalista democrático. Com isso, não só obteve os capitais de que necessitava para consolidar o regime comunista, mas também se livrou de milhares de opositores exilados, que, persuadidos a voltar à Rússia para lutar contra o regime alegadamente moribundo, foram aprisionados e assassinados tão logo desembarcaram em território russo (v. Edward Jay Epstein, Deception. The Invisible War between the KGB and the CIA, New York, Simon & Schuster, 1989, pp. 22-30).

Esse vexame colossal parece não ter ensinado nada aos serviços de “inteligência” Ocidentais, que vêm caindo no engodo de novo e de novo, com a solicitude mecânica de cães de Pavlov, sem jamais admitir que foram enganados.

Na II Guerra, novamente foram feitos de otários, despejando ajuda bilionária nos cofres de Stalin porque acreditaram que a URSS era a vítima desprevenida de um ataque alemão, quando o fato era que o governo soviético, além de instigar e apoiar em segredo os nazistas para que desencadeassem uma guerra mundial, já havia começado ele próprio a guerra antes de Hitler, atacando os países neutros que separavam a URSS da Alemanha e assim preparando a invasão da Europa, que deveria seguir-se aos primeiros e aparentes sucessos do Exército alemão no Ocidente. O dinheiro americano praticamente criou o parque industrial soviético, que até hoje é enaltecido na Rússia como realização pessoal de Stalin.

O mais admirável em tudo isso foi que o plano concebido por Stalin para usar os alemães como “navio quebra-gelo da Revolução” não eram nem mesmo secretos. Foram alardeados mil vezes em documentos oficiais e no Pravda, sem que os líderes e os serviços de inteligência das democracias ocidentais conseguissem ver neles nada mais que efusões verbais de patriotismo inócuo. Quando terminou a guerra, a URSS saíra definitivamente do seu isolamento e se tornara a potência mundial que dominava, com a força de seus exércitos de ocupação e governos locais títeres, metade da Europa, precisamente como Stálin vinha anunciando desde os anos 30.

sábado, 9 de julho de 2011

Está tudo dominado


Percival Puggina Artigos - Governo do PT
A blindagem não é do Palocci, da Erenice, do Lula ou do filho do Lula. O que está blindado é o projeto revolucionário, o projeto de poder.

O sujeito me parou na rua: "Cadê os caras-pintadas? Cadê os caras-pintadas?" A mão no meu peito parecia disposta a impedir qualquer possibilidade de que a pergunta ou o perguntador fossem driblados. Era preciso responder. Respondi: "Você não está querendo sugerir que os caras-pintadas expressavam espontaneamente uma sentida revolta popular, está?". Ele me olhou surpreso: "Como que não? Como que não?". Em sua indignação ele dizia tudo duas vezes. Acho que uma para si mesmo e outra para mim.

Tentarei resumir o que falei àquele meu interlocutor. Ele não sabia que contingentes expressivos de caras-pintadas saíram às ruas para derrubar o Collor, não só porque ele forneceu motivos, mas, principalmente, porque faziam parte de uma grande corrente aparelhada pelo PT e seus parceiros, ou foram por ela levados a pintar o rosto.
Há muitos anos, desde antes da nossa redemocratização, teve início um processo revolucionário, de ação gradual, mediante infiltração e ocupação de espaços para tomada do poder através da cultura. Não foi e não é um fenômeno apenas brasileiro ou latino-americano. Trata-se de algo que aconteceu e segue acontecendo em todo o Ocidente. O Foro de São Paulo organiza o trabalho na América Latina e no Caribe e o Brasil é um dos casos de sucesso. A revolução é cultural, mas o objetivo é político: a esquerda no poder, para ficar.

A melhor maneira de mostrar o que aconteceu é adotar como ponto de partida não uma sequência cronológica de fatos, mas exibir a obra já feita, o produto acabado, porque não há consequência sem causa. Não há laranja sem que tenha havido laranjeira. Não há corrente sem que elos sejam criados e unidos. Não há hegemonia sem construção de hegemonia.

Vamos, então, às laranjas. Recentemente, houve eleição para o sindicato dos professores do Rio Grande do Sul. Digladiaram-se três chapas, sendo duas encabeçadas por petistas. A eleição se travou no que deveria ser o pior período possível para essas duas chapas. O magistério estadual acabara de ver frustradas as expectativas de que o governo Tarso fosse atender as exigências que seu partido, em coro com as lideranças classistas, fazia aos que o antecederam no Piratini. Calote puro e simples. Não bastante isso, o PT estava, nesses mesmos dias, adicionalmente, elevando a alíquota de contribuição previdenciária de todos os servidores com vencimentos superiores a R$ 3,6 mil. Pois o pacote de maldades em nada afetou o alinhamento ideológico do magistério público. As duas chapas de esquerda perfizeram mais de 90% dos votos! Por quê? Porque para gente bem doutrinada o projeto político subordina tudo e todos.

Com raras, raríssimas exceções, quando contemplamos, em visão de conjunto, a educação nacional, pública ou privada, leiga ou religiosa, em todos os níveis, a situação é a mesma. Através da Educação e seus agentes, já nas salas de aula do ensino fundamental, a hegemonia vai subindo os degraus do sistema, envolvendo professores e alunos. Não é por acaso que a UNE vem sendo comandada pelo PCdoB desde quando o Aldo Rebelo era adolescente. A porta de entrada dos cursos de pós-graduação raramente não inclui uma banca com o poder de filtrar as ideias que ganharão assento nas salas de aula. Daí para o domínio das carreiras de Estado, dos concursos públicos, e até mesmo de suas provas, não vai mais do que um passo de dedo.

Assim, aos poucos, as teses da esquerda foram vestindo toga e chegaram aos tribunais. Primeiro, como vozes discordantes. Mais tarde, nas câmaras, os desembargadores comprometidos com a revolução pela cultura perdiam por 2 a 1. Depois, inverteram o placar. Aos poucos, passaram a controlar os Plenos. Chegaram aos tribunais superiores. Hoje dominam o STF.

Mais laranjas da mesma laranjeira podem ser contempladas na mídia. Os textos que saem das redações, as pautas, os enfoques, as análises servem notavelmente à revolução através da cultura. Direita não presta, conservador é nome feio, as religiões são culpadas por todos os males, católicos são seres desprezíveis. Pouco importa que a posição editorial seja diferente quando a informação, o comentário, o tópico mais lido, a manchete que resume a matéria, o tom de voz do locutor experiente, a imagem selecionada para ir à tela, afirmam num outro viés. Na televisão, a hegemonia da Rede Globo facilitou o projeto, mormente no que se relaciona com o enfraquecimento da instituição familiar, a lassidão dos costumes, a agenda gay, a ridicularização da religião e dos valores ainda apreciados pela sociedade.

Mesmo que escrutine os escaninhos da memória, não é de meu conhecimento instituição mais una do que a Igreja Católica, ao menos nos últimos cinco séculos. Pois esse baluarte foi rompido internamente por dissensos ideológicos promovidos pela mesmíssima revolução através da cultura. Não há o que os dois últimos pontífices tenham afirmado desde 1978 que seja capaz de afastar a CNBB, a maioria dos bispos, padres e seminaristas da herética Teologia da Libertação (TL). Nada nem ninguém prestou melhor serviço à hegemonia da esquerda do que a TL quando substituiu o pobre dos Evangelhos pelo excluído em nome do qual ela se proclama formulada. O pobre dos Evangelhos é objeto da caridade cristã, da virtude do amor ao próximo. O excluído da TL é parte ativa de um projeto revolucionário. Serviço feito.
Eu poderia prosseguir, apontando obviedades como a hegemonia exercida sobre os sindicatos e suas centrais, os movimentos sociais, a Justiça do Trabalho, a maior parte dos conselhos profissionais e suas confederações, as associações de bairro, e por aí afora. Mas não creio que seja mais necessário. Já provei o que queria. Note-se: tudo isso foi feito antes de Lula chegar lá.

Quando ele chegou, completou o serviço promovendo o encontro de todas essas estruturas - que o PT chama de "sociedade civil organizada" (por ele, claro) - com a brutal concentração de poderes que constitucionalmente convergem à pessoa do presidente e ao seu partido: chefia simultânea do Estado, do governo e da administração, das estatais e fundos de pensão; comando das principais fontes de financiamento interno (BB, BNDES, CEF), de 24% do PIB nacional, de poderosas e polpudas contas de publicidade capazes de excitar favoravelmente parcela expressiva da mídia; poderes para legislar por medida provisória, nomear ministros dos tribunais superiores, conceder e renovar concessões de emissoras de rádio e tevê, criar e distribuir cargos e favores.

Se o partido do governo detém tal poder e, simultaneamente, controla tudo que está organizado na sociedade, de onde, raios, poderão surgir os caras-pintadas? Das piedosas senhoras idosas da hora do Ângelus? Do clube de mães da vila Caiu-do-céu? O que podem eventuais organizações não alinhadas, dispersas e desprovidas de qualquer poder, contra quem coloca quatro milhões de militantes numa Parada Gay? (N. do E: número dado pelos organizadores gayzistas e repetido pela grande mídia.)

Nesse ponto, meu interlocutor já queria ir embora e era eu que o travava colocando a mão sobre seu peito. "Mas ainda existe a oposição! Ainda existe a oposição!", bradou, por fim, em sua desesperada dose dupla de santa ira. "Oposição? Não há oposição política no mundo capaz, neste momento, de sequer arranhar a teflon da máquina hegemônica petista. A blindagem não é do Palocci, da Erenice, do Lula ou do filho do Lula. O que está blindado é o projeto revolucionário, o projeto de poder. É de setores do próprio PT que surgem, eventualmente, problemas para o PT. E quando a oposição política mais forte leva o nome de "dissidência", é porque está tudo dominado e o totalitarismo está instalado". Quod erat demonstrandum.