terça-feira, 28 de junho de 2011

PRINCÍPIOS DE UMA POLÍTICA CONSERVADORA

Por Olavo de Carvalho Artigos - Conservadorismo        

Nenhuma proposta revolucionária é digna de ser debatida como alternativa respeitável num quadro político democrático. A revogabilidade das medidas de governo é um princípio incontornável da democracia, e toda proposta revolucionária, por definição, nega esse princípio pela base.
Estes princípios não são regras a ser seguidas na política prática. São um conjunto de critérios de reconhecimento para você distinguir, quando ouve um político, se está diante de um conservador, de um revolucionário ou de um "liberal", no sentido brasileiro do termo hoje em dia (uma indecisa mistura dos dois anteriores).

1) Ninguém é dono do futuro. "O futuro pertence a nós" é um verso do hino da Juventude Hitlerista. É a essência da mentalidade revolucionária. Um conservador fala em nome da experiência passada acumulada no presente. O revolucionário fala em nome de um futuro hipotético cuja autoridade de tribunal de última instância ele acredita representar no presente, mesmo quando nada sabe desse futuro e não consegue descrevê-lo se não por meio de louvores genéricos a algo que ele não tem a menor ideia do que seja.

Quando o ex-presidente Lula dizia "não sabemos qual tipo de socialismo queremos", ele presumia saber: (a) que o socialismo é o futuro brilhante e inevitável da História, quando a experiência nos mostra que é na verdade um passado sangrento com um legado de mais de cem milhões de mortos; (b) que ele e seus cúmplices têm o direito de nos conduzir a uma repetição dessa experiência, sem outra garantia de que ela será menos mortífera do que a anterior exceto a promessa verbal saída da boca de alguém que, ao mesmo tempo, confessa não saber para onde nos leva.

A mentalidade revolucionária é uma mistura de presunção psicótica e de irresponsabilidade criminosa.

2) Cada geração tem o direito de escolher o que lhe convém. Isto implica que nenhuma geração tem o direito de comprometer as subsequentes em escolhas drásticas cujos efeitos quase certamente maléficos não poderão ser revertidos jamais ou só poderão sê-lo mediante o sacrifício de muitas gerações. O povo tem, por definição, o direito de experimentar e de aprender com a experiência, mas, por isso mesmo, não tem o direito de usar seus filhos e netos como cobaias de experiências temerárias.

3) Nenhum governo tem o direito de fazer algo que o governo seguinte não possa desfazer. É um corolário incontornável do princípio anterior. As eleições periódicas não fariam o menor sentido se cada governo eleito não tivesse o direito e a possibilidade de corrigir os erros dos governos anteriores. A democracia é, portanto, essencialmente hostil a qualquer projeto de mudança profunda e irreversível da ordem social, por pior que esta seja em determinado momento.

Nenhuma ordem social gerada pelo decurso dos séculos é tão ruim quanto uma nova ordem imposta por uma elite iluminada que se crê, sem razão, detentora do único futuro desejável. No curso dos três últimos séculos não houve um só experimento revolucionário que não resultasse em destruição, morticínio, guerras e miséria generalizada. Não se vê como os experimentos futuros possam ser diferentes.

4) Nenhuma proposta revolucionária é digna de ser debatida como alternativa respeitável num quadro político democrático. A revogabilidade das medidas de governo é um princípio incontornável da democracia, e toda proposta revolucionária, por definição, nega esse princípio pela base. É impossível colocar em prática qualquer proposta revolucionária sem a concentração do poder e sem a exclusão, ostensiva ou camuflada, de toda proposta alternativa. Não se pode discutir alternativas com base na proibição de alternativas.

5) A democracia é o oposto da política revolucionária. A democracia é o governo das tentativas experimentais, sempre revogáveis e de curto prazo. A proposta revolucionária é necessariamente irreversível e de longo prazo. A rigor, toda proposta revolucionária visa a transformar, não somente uma sociedade em particular, mas a Terra inteira e a própria natureza humana.

É impossível discutir democraticamente com alguém que não respeita sequer a natureza do interlocutor, vendo nela somente a matéria provisória da humanidade futura. É estúpido acreditar que comunistas, socialistas, fascistas, eurasianos e tutti quanti possam integrar-se pacificamente na convivência democrática com facções políticas infinitamente menos ambiciosas. Será sempre a convivência democrática do lobo com o cordeiro.

6) A total erradicação da mentalidade revolucionária é a condição essencial para a sobrevivência da liberdade no mundo. A mentalidade revolucionária não é um traço permanente da natureza humana. Teve uma origem histórica - por volta do século 18 - e terá quase certamente um fim. O período do seu apogeu, o século 20, foi o mais violento, o mais homicida de toda a História humana, superando, em número de vítimas inocentes, todas as guerras, epidemias, terremotos e catástrofes naturais observadas desde o início dos tempos.

Não há exagero nenhum em dizer que a mentalidade revolucionária é o maior flagelo que já se abateu sobre a humanidade. É uma questão de números e não de opinião. Recusar-se a enxergar isso é ser um monstro de insensibilidade. Toda política que não se volte à completa erradicação da mentalidade revolucionária, da maneira mais candente e explícita possível, é uma desconversa criminosa e inaceitável, por mais que adorne sua omissão com belos pretextos democráticos, libertários, religiosos, moralísticos, igualitários, etc.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A HERANÇA MALDITA

Por Nivaldo Cordeiro
 
 
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A morte do ex-ministro a Educação Paulo Renato de Souza impõe uma reflexão de sua herança como educador e como agente da revolução gramsciana no meio da Educação. Paulo Renato, por sua ação política, pode ser considerado o anti-pedagogo, aquele que ajudou a afundar o processo educativo em escala nacional. A começar pelo material pedagógico escrito, passando pela criação do inútil e oneroso ENEM, tudo que fez foi depois aprofundado pelos petistas, que jogaram a Educação no pior nível em nossa história.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

RECEITA PARA BANDIDO

Para um bandido procurado em outros países receber asilo no Brasil:

1- Entre com Passaporte falso.

2- Mostre que tem preferência pelo Comunismo!

3- Procure emprego em cidades onde o PT comanda.

4- Imediatamente fique amigo de um deles. Mas tem de ser rápido.

5- Monte uma historinha que é perseguido no seu país de origem, mesmo que seja um bandido comum, porque para eles não existe diferença.

6- Faça qualquer serviço para um petista e o adule bastante. Eles adoram ser bajulados.

7- Diga que é escritor. Faça alguns rabiscos e de vez em quando dê para o mais ingênuo deles ler. Eles não conseguem interpretar textos e repassarão aos outros que você é um grande escritor. Aí você já está com meio caminho andado.

8- Manifeste vontade de conhecer os chefões do PT, principalmente aqueles que um dia foram presos. Eles amam ex-presidiários por pura empatia.

9- Quando estiver com eles não se esqueça de chorar ao contar sua história. Nunca vi gente de coração tão mole!

10-Faça servicinhos de graça para os chefões, como carregar malas cheia de dinheiro para pagar falsos dossiês. Você ficará para sempre no coração deles.

11-Não os entregue jamais, porque pela lei do silêncio eles farão tudo por você.

12-Se um dia você for preso e por acaso seguiu todos os itens acima, seus novos amigos irão contra tudo e todos para te defender, até rasgar a Constituição Brasileira. Darão um jeito junto aos "juízes" para que você não seja extraditado e receba o visto de cidadão brasileiro.

Ahhh, ia me esquecendo! Se você mostrar que odeia os Imperialistas Norte americanos ainda pode receber um emprego garantido no Governo Federal!

Ou quem sabe você faça um livro. Mesmo que seja de péssima qualidade e a sociedade brasileira se recuse a comprá-lo, eles darão um jeito do Ministério da Educação distribuí-lo na rede pública! Sem dinheiro para viver com certeza você não ficará. Eles são eternamente gratos aos seus.

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br  - São Paulo

Fonte:
O Estado de São Paulo, 24-06-2011
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110624/not_imp736408,0.php

terça-feira, 14 de junho de 2011

GOETHE E O ANDRÓGINO

Por Nivaldo Cordeiro

É essencial compreender o simbolismo do andrógino na obra FAUSTO, de Goethe, para captar o significado do poema. Vimos em artigos anteriores que o livro é um épico que cantou o mal em toda sua extensão, daí porque é o cântico de louvor por excelência da modernidade. A honestidade intelectual de Goethe se agiganta e ele nada oculta de suas intenções, até porque ele fazia a crônica dos tempos. O cântico ao mal é sobretudo o cântico ao seu símbolo maior, o microcosmo (Fausto, o personagem, recebe a alcunha de Dom Microcosmo, enquanto Mefistófeles a de Dom Satã).

A representação do microcosmo é o pentragrama, cuja imagem se tornou o estandarte da modernidade e, desde o século XVIII, se espalhou e ocupou lugar de  destaque em toda parte. O comunismo tem no pentagrama seu signo indissociável. Nós próprios vimos acontecer no Brasil essa troca dos símbolos sagrados pelo do Inimigo na Proclamação República. O Escudo Imperial, que tinha na cruz a sua marca, foi substituído pelo Escudo da República. O microcosmo irradiando sua marca a partir do símbolo máximo do Estado que então se formou, no pentagrama que ocupa toda sua área. No momento o partido governante tem também no microcosmo o signo de sua presença no poder.

Na expressão épica da poesia de Goethe vemos que essa tentativa de tornar o homem (e o diabo) o centro da criação, no lugar de Deus, está associada à simbólica alquímica do solve et coagula (dissolve e combine), o Rebis que se expressa na união entre o Rei e a Rainha. O solve exprime é a própria rebelião contra a Criação (a negação) e o coagula a arrogância perfectibilista do homem no lugar de Deus. Note-se que aqui não se trata da união entre dois seres de sexos opostos, separados pela vontade de Deus, mas a do suposto princípio masculino e feminino que se encontra em cada indivíduo. É uma espécie de casamento interior, que se expressa também num ato físico masturbatório, que o personagem Fausto pratica em vários momentos durante a narração do poema, particularmente importante quando ele desce ao Reino das Mães e tem nas mãos a própria chave lhe dada por Mefistófeles, que afinal é seu próprio falo, sua própria potência vital. É daí que nascerá a figura feminina de Helena, personagem central do drama fáustico.

Assim, ao ascético cristianismo, que procura respeitar e contemplar a Criação e ter por orientação os ensinamentos sagrados contidos nas Escrituras, com sua moral estrita e conduta sexual que supõe o homem e a mulher criados por Deus enquanto opostos complementares, os modernos irão construir uma cosmologia e uma moral  oposta, produto na negação, e dentro desse processo a androginia – e a sua expressão prática, o homossexualismo militante – será a sua manifestação mais aguda. E não se diga que isso é de hoje. No século XX vimos chegar ao seu auge. A figura emblemática de Thomas Mann (e sua obra), que imita e tem em Goethe o guia artístico e espiritual, descreve como isso aconteceu na máxima dimensão. A tragédia pessoal de Mann é a do homem fáustico e o homossexualismo está presente na sua vida como libido dominante, na temática da sua obra e também na vida dos seus filhos. A tragédia pessoal de Thomas Mann e da Alemanha se confundem, que é a tragédia predita na obra de Goethe (esse é um assunto, vida e obra de Thomas Mann, que no momento estudo com afinco e, no tempo oportuno, irei abordá-lo com mais detalhes. A obra e a vida do homem de Lubbeck como espelho e crônica da tragédia do século XX).

A ânsia alquímica de aperfeiçoar a natureza, a própria Criação, é o escudo da entidade que preside os cultos satânicos das sociedades secretas, Baphomet. Seu lema – solve et coagula – é essa manifestação da vontade demoníaca de perfectibilismo, dando materialização simbólica. Negar tudo que vem de Deus para recriar: a construção da Segunda Realidade é vislumbrada por Cervantes no magnífico "Dom Quixote". Esta obra só foi lida por Thomas Mann quando já estava no exílio, a bordo do navio que o levaria à América pela primeira vez, aos 59 anos. Naquele instante o curso da obra do autor foi modificado e vieram então suas criações máximas, o DOUTOR FAUSTO e o notável O ELEITO.

[Há um elo entre a figura de Baphomet e o islã. A própria palavra teria sido uma corruptela de Maomé. Veja-se que o microcosmo é uma estilização do Crescente, expresso na forma minimalista da estrela cadente, a Vênus. Não podemos perder de vista que o islamismo é uma seita gnóstica cristã, nascida para negar a ortodoxia. Isso também foi percebido por Cervantes, cuja obra é a denúncia do domínio do islamismo sobre o território cristão, inclusive e sobretudo na dimensão do poder de Estado. O Estado moderno nasceu modelado pelo Estado islâmico, que é deificado como a própria manifestação sagrada, fazendo dele um substituto de Deus. Cervantes foi profético. É de se notar que a contribuição à ocidentalização do islamismo se dá na transferência da lei do Corão  para a constituição nascida da vontade de Dom Microcosmo, o próprio homem moderno. A lei positiva passará então é ter a força da lei natural,  em oposição ao Direito Romano fundado em Aristóteles, que vigia até então.]

Em artigo anterior (Os Filhos de Fausto) procurei mostrar que há um elo entre os três nascimentos narrados no poema: o filho humano de Fausto com Gretchen, assassinado pela própria mãe, o filho da filosofia alquímica, traduzido magistralmente no personagem Homúnculo, que sucumbe por não ter como sobreviver no universo manifesto, e o filho de Helena e Fausto, um ser inflado que se confunde com Eros e com Mercúrio, o próprio Baphomet. Ele tem a psicologia do próprio Hitler avant la lettre, o ego inflado e desprovido de condições de sobrevivência. Ele se precipita de sua altura alucinada, do seu “sonho impossível” (como não evocar Cervantes?) de grandeza, que é de crueldade, de maldade, de tudo que não presta. Ao morrer deixa de herança a Fausto sua pele de serpente, que eram suas vestes. Esta identificação com o mal é um dos momentos mais criativos da peça. “Esses gracejos muito sérios”, como ao Fausto se referiu Goethe, não deixaram nada de fora da dimensão trágica dos tempos modernos.

Sublinho aqui como se deu o nascimento Eufórion. O intercurso entre Fausto e Helena ocorre na “Gruta”, em oposição à concepção do filho natural de Fausto, precedido de seu delírio amoroso na “Floresta e Gruta”. O segundo símbolo é uma expressão para se referir à genitália feminina. O primeiro é claramente uma referência ao coito anal. Afinal, Helena e Mefistófeles são um único e mesmo ser e no momento do intercurso Mefisto estava fantasiado de Fórquia, o horrendo ser hermafrodita. Goethe nos conta de maneira assaz realista que Eufórion é concepção alquímica de Fausto em coito homossexual, possuído pelo próprio diabo. É esse o filho da modernidade, é a própria modernidade. Por isso que a agenda da causa gay é a decorrência natural dos tempos modernos e o renascer fortalecido das idéias dos albingenses, destacadas na obra de Hilaire Belloc resenhada por mim (AS GRANDES HERESIAS). Recupero aqui a citação que sublinhei na resenha, referindo-se ao albingenses:

Todos os sacramentos foram abandonados. Em seu lugar, um estranho ritual foi adotado, que envolvia a adoração do fogo, chamado ‘a consolação’, por meio do qual acreditava-se que a alma era purificada. A propagação da espécie humana foi atacada; o casamento era condenado e os líderes da seita espalhavam todo tipo de extravagâncias que se podem encontrar pairando sobre o maniqueísmo e o puritanismo, onde quer que apareçam.  O vinho é mal, a carne é má, a guerra era sempre absolutamente má, e assim também a pena capital; mas um pecado sem perdão era a reconciliação com a Igreja Católica”.

Hoje essa agenda integral está na ordem do dia. A procriação humana é tida como indesejável, como ecologicamente incorreta, como empobrecedora (reduz a renda per capita), como a fonte do mal. Daí provêm políticas como a do aborto, do gaysismo, do ambientalismo e toda militância contra as coisas sagradas. Era assim no início do século XX, como registrado por Thomas Mann, e deu no que deu. O que nos espera agora, no momento em que a mesma agenda está na ordem do dia? Vivemos tempos de grandes perigos.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

UMA GERAÇÃO DE PREDADORES

Por Olavo de Carvalho




Desde que me distanciei do Brasil, tenho visto a inteligência dos meus compatriotas cair para níveis que às vezes ameaçam raiar o sub-humano. Não posso medi-la pela produção literária, que veio rareando até tornar-se praticamente inexistente num país que já teve alguns dos melhores escritores do mundo. Meço-a pelas teses universitárias que me chegam, cada vez mais repletas de solecismos e contra-sensos grotescos, pelos comentários de jornal, pelos pronunciamentos das chamadas “autoridades” e, de modo geral, pelas discussões públicas. Em todo esse material, o que mais salta aos olhos não é o vazio de idéias, não é a estupidez dos raciocínios, não é nem mesmo a miséria da linguagem: é a incapacidade geral de distinguir entre o essencial e o acessório, o decisivo e o irrelevante. Não há problema, não há tema, não há assunto que, uma vez trazido ao palco – ou picadeiro –, não seja infindavelmente roído pelas beiradas, como se não tivesse um centro, um significado, um sentido em torno do qual articular uma discussão coerente. Cada um que abre a boca quer externar apenas algum sentimento subjetivo deslocado e extemporâneo, exibir bom-mocismo, angariar simpatias ou votos, como se se tratasse de uma rodada de apresentações pessoais num grupo de psicoterapia e não de uma conversa sensata sobre – digamos – alguma coisa. A coisa, o objeto, o fato, o tema, este, coitado, fica esquecido num canto, como se não existisse, e depois de algum tempo cessa mesmo de existir. A impressão que me sobra é a de que toda a população legente e escrevente está sofrendo de síndrome de déficit de atenção. Ninguém consegue fixar um objeto na mente por dez segundos, a imaginação sai logo voando para os lados e tecendo, embevecida, um rendilhado de frivolidades em torno do nada.

Se me perguntarem quais são os problemas essenciais do Brasil, responderei sem a menor dificuldade:

1) A matança de brasileiros, entre quarenta e cinqüenta mil por ano.

2) O consumo de drogas, que aumenta mais do que em qualquer país vizinho, e que alguns celerados pretendem aumentar ainda mais mediante a liberação do narcotráfico – o maior prêmio que as Farc poderiam receber por décadas de morticínio.

3) A absoluta ausência de educação num país cujos estudantes tiram sempre os últimos lugares nos testes internacionais, concorrendo com crianças de nações bem mais pobres; num país, mais ainda, onde se aceita como ministro da Educação um sujeito que não aprendeu a soletrar a palavra “cabeçalho” porque jamais teve cabeça, e onde se entende que a maior urgência do sistema escolar é ensinar às crianças as delícias da sodomia – sem dúvida uma solução prática para estudantes e professores, já que o exercício dessa atividade não requer conhecimentos de português, de matemática ou de coisa nenhuma exceto a localização aproximada partes anatômicas envolvidas.

4) A falta cada vez maior de mão-de-obra qualificada de nível superior, que tem de ser trazida de fora porque das universidades não vem ninguém alfabetizado.

5) A dívida monstruosa acumulada por um governo criminoso que não se vexa de estrangular as gerações vindouras para conquistar os votos da presente, e que ainda é festejado, por isso, como o salvador da economia nacional.

6) A completa impossibilidade da concorrência democrática num quadro onde governo e oposição se aliaram, com o auxílio da grande mídia e a omissão cúmplice da classe rica, para censurar e proibir qualquer discurso político que defenda os ideais e valores majoritários da população, abomináveis ao paladar da elite.

7) A debilitação alarmante da soberania nacional, já condenada à morte pela burocracia internacional em ascensão e pelo cerco continental do Foro de São Paulo (aquela entidade que até ontem nem mesmo existia, não é?).

8) A destruição completa da alta cultura, num estado catastrófico de favelização intelectual onde a função de respiradouro para a grande circulação de idéias no mundo, que caberia à classe acadêmica como um todo, é exercida praticamente por um único indivíduo, um último sobrevivente, que em retribuição leva pedradas e cuspidas por todo lado, especialmente dos plagiários e usurpadores que vivem de parasitar o seu trabalho.

Se me perguntam a causa desses oito vexames colossais, digo que é a coisa mais óbvia do mundo: quarenta anos atrás, as instituições que se gabam de ser as maiores universidades brasileiras lançaram na praça uma geração de pseudo-intelectuais morbidamente presunçosos, que na juventude já se pavoneavam de ser “a parcela mais esclarecida da população”. Hoje essas mentes iluminadas dominam tudo – sistema educacional, partidos políticos, burocracia estatal, o diabo –, moldando o país à sua imagem e semelhança. Matança, dívidas, emburrecimento geral, debacle do ensino, é tudo mérito de um reduzido grupo de cérebros de péssima qualidade intoxicados de idéias bestas e vaidade infernal. Dentre todas as gerações de intelectuais brasileiros, a pior, a mais predatória, a mais destrutiva.

Se querem saber agora por que os temas fundamentais não podem ser enxergados e discutidos na sua essência, por que as atenções são sempre desviadas para detalhes laterais e por que, em suma, nenhum problema neste país tem solução, a resposta também não é difícil: quem molda os debates públicos, por definição, é a elite dominante, e esta não permite que nada seja discutido exceto nos moldes do seu vocabulário, dos seus interesses, da sua agenda, da sua irresponsabilidade psicótica, da sua ambição megalômana, da sua auto-adoração abjeta.

Enquanto vocês não perderem o respeito por essa gente, nada de sério se poderá discutir no Brasil.


terça-feira, 7 de junho de 2011

A DESTRUIÇÃO DO IDIOMA E SEUS PROPÓSITOS (NÃO TÃO) OCULTOS




O objetivo da Novilíngua não é apenas oferecer um meio de expressão para a cosmovisão e para os hábitos mentais dos devotos do IngSoc, mas também impossibilitar outras formas de pensamento. Tão logo for adotada definitivamente e a Anticlíngua esquecida, qualquer pensamento herético será literalmente impossível, até o limite em que o pensamento depende das palavras. Quando esta for substituída de uma vez por todas, o último vínculo com o passado será eliminado.

George Orwell, 1984

O mais importante sucesso de uma revolução ocorrerá quando uma nova filosofia de vida for ensinada para todos e, se necessário, mais tarde forçada sobre eles. (...) A principal tarefa da propaganda é ganhar o povo para a nova organização. A segunda é a ruptura do estado de coisas existente permeando-o com a nova doutrina.

Adolf Hitler, Mein Kampf





No último artigo para o Jornal Inconfidência iniciei uma nova série denominada A Quarta Fronteira e abordei primeiramente a fronteira lingüística, continuada aqui. Existem vários caminhos para a destruição revolucionária de um idioma com o objetivo de romper o estado de coisas existente.

A substituição da norma culta por um linguajar popular, sem "preconceitos", como demonstrei naquele artigo, a diabólica imposição forçada do politicamente correto e, derivada desta, a censura a autores renomados da literatura nacional, como se está fazendo com Monteiro Lobato, alegadamente racista - como pelo mesmo motivo as novas edições de Huckleberry Finn, de Mark Twain retiraram as palavras nigger e injun (consideradas hoje ofensivas aos negros a aos índios), que na época nada tinham de racista, por slave. Como observa Jamelle Bouie, no The Atlantic, apagando nigger do Huckleberry Finn "não muda nada. Não cria esclarecimento racial nem nos livra do legado da escravidão e da discriminação racial. Tudo o que consegue é criar nos americanos a aversão à história e à reflexão histórica".

O mesmo certamente acontecerá com a censura às passagens carinhosas escritas por Lobato em relação à Tia Anastácia - 'a melhor quituteira do mundo' - que vendo a onça chegar perto, "tal como um macaco trepou rapidamente numa árvore para se salvar". Segundo o politicamente correto isto é inaceitável porque compararia todos os negros com macacos, e não que a palavra macaco possa ter sido empregada para expressar a agilidade de subir agilmente em árvores!

O Professor Evanildo Bechara[1] aborda corretamente a estreita ligação dos "preconceitos lingüísticos" e a imposição do "politicamente correto" e acrescenta: "Esta questão do 'preconceito lingüístico' foi algo que os sociolinguistas trouxeram à discussão para estabelecer na sociedade quem manda mais e quem pode menos. No entanto este preconceito não tem mão única. Ele surge tanto da pessoa que fala a norma culta em relação à norma popular, como daquele que fala a norma popular em relação à norma culta. Porque o preconceito resulta da diferença e esta não é só do mais para o menos, mas também do menos para o mais". E relaciona diretamente com o politicamente correto: "hoje não se pode dizer o preto ou o negro. Porém o negro diz do branco: 'o branco azedo'".

Pode-se notar claramente que apenas uma das mãos é interditada, a outra não, não só é aceita como até mesmo estimulada. É exatamente aí que os críticos do politicamente correto se enganam: a aparente eliminação dos "preconceitos", sejam raciais, sejam de linguagem, não passa de uma mensagem sedutora para encobrir o desígnio revolucionário de criar uma Novilíngua para destruir a cultura, como alto conceito de saber, cujo aprendizado só pode ser adquirido com grande esforço, suor e lágrimas.

William Lind se refere ao politicamente correto como "AIDS intelectual" [2]:

"Tudo que ela toca adoece e finalmente morre". Os politicamente corretos não querem que ninguém saiba uma verdade: "Politicamente correto não é nada mais do que marxismo traduzido do econômico para o cultural. (...) Enquanto o marxismo clássico prega que a história é determinada pela propriedade dos meios de produção, o cultural diz que a história é explicável pela identificação de quais grupos - definidos por sexo, raça, normalidade ou anormalidade sexual - têm poder sobre os outros grupos".

O marxismo cultural, imperante na deseducação desde 1994 com a gestão de Paulo Renato Souza no Ministério da Educação[3], considera que a revolução deve "expropriar" os homens brancos, heterossexuais e cultos deste poder, concedendo-o às "minorias" - homossexuais, feministas, negros, índios, quilombolas. Mulheres não feministas ou negros e índios que não aceitam esta ideologia são rejeitados como submissões aberrantes.

No que toca ao assunto que estou abordando o mesmo se dá com relação à cultura: os que aprenderam e usam a norma culta são os poderosos, e devem ser expropriados deste poder elevando a linguagem popular, errada ou inculta, ao mesmo nível. Rejeitam-se os que querem aprender a falar corretamente como submissos ao "poder cultural". Bechara (loc. cit.) mostra que até a expressão "língua culta" sofreu este processo de depuração politicamente correta, na medida em que é considerada pejorativa, e por isto usa-se hoje em dia "língua padrão". Mas, embora diga que concorda com isto, em toda a entrevista só usa o tradicional "culta", o que não poderia deixar de ser em se tratando de um dos maiores gramáticos brasileiros.

Gramsci, a cultura e a linguagem

A "filosofia" de Gramsci resolve-se assim num ceticismo teorético que completa a negação da inteligência pela sua submissão integral a um apelo de ação prática, [4] ação que, realizada, resultará em varrer a inteligência da face da Terra, por supressão das condições que possibilitam o seu exercício: a autonomia da inteligência individual e a fé na busca da verdade.

Olavo de Carvalho, A Nova Era e a Revolução Cultural

A concepção gramscista da linguagem é centrada sobre a comunicação, o seu "ser social". A linguagem é, sobretudo o elemento onde se estratificam e se exprimem as distinções sociais, as desigualdades culturais fossilizadas. A linguagem contém filosofia e, inversamente "para criar uma ordem intelectual é necessária uma linguagem comum. "A materialidade das ideologias próprias à gnosiologia da política não se reduz exclusivamente à materialidade do conteúdo e das instituições. "A materialidade específica na qual se produz a ideologia é a linguagem, e de modo geral o significado" [5].

Gramsci estudou o que chamava de "duas Culturas": a erudita e a popular: do folclore à novela, passando pelo romance popular, a cultura popular, é vista como cultura subalterna, essencialmente assistemática e não elaborada, que implica num novo objeto para a determinação do conceito de cultura: uma história das classes subalternas. Seu estudo corresponde a uma corrente da atual pesquisa histórica, a história das mentalidades.

A reforma intelectual e moral da sociedade visa elevar as classes subalternas da condição de 'classe corporativa' (interesse meramente econômico) à 'classe nacional', com consciência de classe e protagonismo, adequando a cultura popular à função prática de realizar a transição para o socialismo, exercer a hegemonia e o consenso, capacitando-a ao exercício do poder[6]. Para isto são necessários dois fatores principais: a ampliação do conceito de intelectual e a criação de uma escola para os intelectuais orgânicos, conscientes de sua posição classista que comandarão o processo a se dar de forma totalmente inconsciente nas massas por via emocional e evitando o uso da razão.

A ampliação do conceito de intelectual inclui a totalidade dos indivíduos com qualquer nível de instrução, que possam atuar na propaganda ideológica: atores e atrizes do show business ou jogadores de qualquer esporte, publicitários, funcionários públicos, sambistas, roqueiros, letristas, etc. Pessoas que dificilmente sabem articular um pensamento completo, contrariando o conceito clássico de intelectual. São os intelectuais orgânicos[7]. Mas para Gramsci, 'todo mundo é um filósofo', pois na linguagem está contida uma específica concepção de mundo. Assim, a lingüística, o estudo da linguagem, está diretamente relacionado aos estudos de política, cultura, filosofia e 'senso comum'[8].

Os intelectuais orgânicos devem se organizar e homogeneizar sua classe com vistas à hegemonia, uma casta consciente preparada para a produção de atividades propagandísticas travestidas de intelectuais. Esta casta forma uma verdadeira escola para atuar como agentes transformadores da consciência e a paulatina modificação do senso comum: são os 'formadores de opinião', conscientes de sua atuação.

Nestes pontos Gramsci também está de acordo com Hitler: "Quando um movimento objetiva pôr abaixo um mundo e construir outro no seu lugar, deve manter a total clareza nos altos escalões de suas lideranças" [9]. Hitler também recomendava, a par de jamais encarar o individuo como pessoa, mas sempre como membro de um grupo social, "peneirar o material humano em dois grandes grupos: apoiadores e membros. Um apoiador é aquele que se declara em acordo com os objetivos, um membro é aquele que luta por eles, e corresponde à minoria" (id.). Alguma diferença entre as massas de idiotas úteis e os intelectuais orgânicos?

Deve-se lembrar que durante os governos militares, quando a palavra comunista era proscrita e podia dar cadeia, os comunistas rapidamente encontraram uma palavra substituta: intelectuais. Estes se reuniam abertamente em locais como o Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, sem despertar suspeitas e sem correrem riscos, pois seria um absurdo prender intelectuais que "apenas estavam discutindo assuntos de sua exclusiva competência" [10]. Na verdade eram os intelectuais orgânicos - a intelectualidade ampliada - que cumpriam duas tarefas: primeiramente estas reuniões eram usadas para tornar públicas as decisões tomadas à sombra pelos comitês centrais das diversas organizações revolucionárias em segundo lugar, como recomendava Gramsci, tentavam assimilar e conquistar ideologicamente os intelectuais tradicionais e isolar os recalcitrantes expelindo-os de seus lugares, títulos, cargos e tudo o mais, assumindo assim a hegemonia. Restou a estes a convicção do reconhecimento da sua dignidade, o que é muito mais dos que os primeiros podem ostentar com todas as comendas e currículos acadêmicos.

Depois da "redemocratização" e, principalmente, desde 1994 com a ascensão ao poder desta corja, chegou-se à situação atual de termos hoje uma imprensa canalha totalmente dominada[11] e uma academia de formar burros e idiotas. A educação básica não poderia ser diferente do que é.

Os intelectuais e o Estado

Há um erro fundamental na crítica às mudanças gramaticais, kit gay e a doutrinação política nas escolas: atribuir a culpa ao Estado tucano ou petista. Na verdade, o desenvolvimento por mais de 30 anos do exposto acima já atingiu uma das principais metas gramscista: a modificação do senso comum, levando a doutrinação das classes intelectuais e subalternas a uma existência autônoma com relação ao Estado e à política. Pode-se pensar, e muitos assim raciocinam, que basta eleger outros governantes de corte conservador para conseguir mudar esta situação da educação brasileira. Certamente isto pode, é e será explorado por aspirantes a cargos públicos que se apresentem como conservadores, liberais ou genericamente 'de direita'. Nada mais falso! A modificação do senso comum no Brasil já atingiu o nível no qual seu desenvolvimento, ampliação e aprofundamento adquiriram por assim dizer vida própria e não dependem mais do Estado.

"para as classes produtivas (burguesia e proletariado) o Estado só é concebível como forma concreta de um mundo econômico determinado (...). No Entanto (...) a classe portadora das novas idéias é a classe dos intelectuais, e a concepção de Estado muda de aspecto. O Estado é concebido como uma coisa em si, como um absoluto racional. Podemos dizer o seguinte: o Estado sendo o quadro concreto de um mundo produtivo dado, e os intelectuais o meio social que melhor se identifica ao pessoal governamental, a transformação do Estado em absoluto é a função própria dos intelectuais. Assim, sua função histórica vê-se concebida como absoluto e sua existência como que racionalizada (...) Cada vez que os intelectuais parecem dirigir, a concepção do Estado enquanto Absoluto reaparece, com todo o cortejo reacionário que a acompanha inevitavelmente" [12].

A força do Estado nada mais pode fazer para impedir que as ações revolucionárias sigam seu curso, pois estas possuem uma força inercial de tal grandeza que somente uma fortíssima repressão, frente à qual a contra-revolução de 1964 ou mesmo a de 1973 no Chile, pareceriam um acidente num passeio na Disney. O poder a ser enfrentado não está mais na ponta de um fuzil ou em atentados terroristas, mas já ultrapassou a Quarta Fronteira, a fronteira mental da quase totalidade da população de tal forma que não basta enfrentar um establishment identificável; o establishment é a força das idéias hegemônicas do que Gramsci recomendava: o 'Estado ampliado', a sociedade civil orgânica por ele idealizada.

Ao examinar a situação escolar brasileira há um imenso risco em adotar uma visão antitética das relações entre Estado e sociedade civil na atual cultura política brasileira, pois a sociedade civil já é capaz de se autoproduzir e reproduzir independentemente da luta política institucionalizada, como observa Magrone[13]:

Não se trata apenas de um esgotamento das energias utópicas, mas algo mais fundo que se assemelharia à aceitação universal da idéia panglossiana de que vivemos hoje no melhor dos mundos possíveis. A indiferença parece ser hoje o subtexto de quase todos os movimentos da vida pública, gerando uma apatia cidadã que começa a preocupar até mesmo os espíritos menos sensíveis aos efeitos da omissão coletiva na esfera política. Idéias e valores tradicionais perderam o seu poder de configuração. Cada vez mais, a competição agonística dos interesses particulares tem como conseqüência um expressivo estreitamento dos futuros possíveis, a ponto de reduzir qualquer ação social aos limites do lucro próximo.

Cada vez mais me convenço de que Olavo de Carvalho está certíssimo ao dizer que o brasileiro é o povo mais dinherista do mundo: aos pobres, Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e outras benesses, principalmente cerveja e cachaça baratas. À classe média, controle da inflação, dólar barato, crédito fácil para casas, carros importados, bebidas de qualidade, freqüentes viagens ao exterior. Aos ricos, empresários, banqueiros e principalmente empreiteiros, créditos do BNDES a perder de vista, obras governamentais que facilmente são superfaturadas e, com a expansão do Foro de São Paulo uma penca de governos cúmplices e tão corruptos quanto o nosso para expandir negócios muitas vezes escusos. Usufruindo deste mundo panglossiano, cultura para quê? Perder tempo com estudo de gramática quando nem mais cheques precisamos preencher, bastam o meios eletrônicos de pagamento nos quais é só digitar uma senha?

Se Magrone (op.cit.) acerta numa parte do diagnóstico, erra no principal ao dizer:

Está-se, portanto, diante de uma crise do modo mesmo pelo qual até hoje vivemos e representamos o mundo. Em tal contexto, as idéias de Gramsci parecem não encontrar um terreno propício ao seu desenvolvimento, a despeito do fato de ele ser considerado por muitos intelectuais como o "teórico da crise". Além disso, a recepção dos Cadernos do cárcere no seio da intelligentsia educacional brasileira é ainda um problema em aberto.

Magrone parece não perceber que não há necessidade de ler os Cadernos, pois no Brasil já estamos vivendo em pleno mundo gramscista!



Notas:

[1] Entrevista a Alessandra Moura Bizoni, na Folha Dirigida, 31-5 a 6-6/2011


[3] Equivocam-se os que pensam que as mudanças revolucionárias na educação brasileira correspondem a um projeto originalmente petista. É demasiado elaborada para a maioria tosca que impera no PT, com raras exceções como Marco Aurélio Garcia. O dedo dos intelectuais tucanos deixou nítidas impressões digitais.

[4] Gramsci era pessimista em relação à razão e otimista em relação à vontade e ação, tal como Hitler. Não é por outra razão que em maior louvação ao Führer e seus sequazes, o filme de Leni Riefensthal chama-se O Triunfo da Vontade.

[5] Gramsci e o Estado, Christine Buci-Glucksman, Ed. Paz e Terra, 1980

[6] Sérgio A. A. Coutinho, A Revolução Gramscista no Ocidente, Ed. Ombro a Ombro

[7] Ver Antonio Gramsci, Os Intelectuais e a Organização da Cultura, Civilização Brasileira. Ver também o capítulo III do meu O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial, É Realizações

[8] Peter Ives, Language, agency and hegemony: a Gramscian response to Post-Marxism, in Critical Review of International Social and Political Philosophy, vol 8, n 4, 455-468, Dezembro de 2005.

[9] Mein Kampf. Ver também Karl Mannheim, Diagnóstico de Nosso Tempo

[10] Um amigo que entende de Gramsci protestou quando eu contestei as versões de que Vladimir Herzog, por não ser guerrilheiro nem terrorista, não deveria ter sido preso. Ao contrário, se os militares deixassem os terroristas e guerrilheiros de lado e prendessem os cabeças gramscistas e frankfurtianos, essencialmente mandantes covardes como Herzog, Chico Buarque et caterva, não estaríamos hoje na situação em que estamos. Se tivessem aprendido com Gramsci, tivessem cortado as cabeças pensantes e não os executores, a contra-revolução de 64 teria tido muito mais êxito. Mas os militares só sabem enfrentar forças militares opostas. Prender todos os participantes das reuniões no Teatro Casa Grande e seus similares em outras paragens seria muito mais proveitoso do que enfrentar a guerrilha do Araguaia.

[11] Na Alemanha, Hitler e Goebbels liquidaram de forma inicialmente anestésica com a imprensa liberal. Ver Modris Eksteins, The Limits of Reason: the German Democratic Press and the Collapse of Weimar Republic, Oxford Historical Monographs

[12] Caderno I, Crítica ao livro de Caica: Origini del Programma nazionale.

[13] Gramsci e a Educação: a renovação de uma agenda esquecida, in Cad. Cedes, Campinas, vol. 26, n. 70, p. 353-372, set./dez. 2006