segunda-feira, 30 de maio de 2011

A UTOPIA


Por Anatoli Oliynik

A utopia tem dominado a mente dos seres humanos desde a mais remota antigüidade. Seus precursores mais destacados foram Antístenes, Hipódamo de Mileto, Zenão de Cicio, Teopompo, Jambulos, Thomas More, Tommaso Campanella, Abade Labat, Padre Périer, De Gomberville, Pierre Bergeton, Du Tertre, Hannepin, dentre outros. Mais recentemente, surgem Jean-Jacques Rousseau, Saint-Simon, Robert Owen, Charles Fourier, Karl Marx e H.G. Wells e uma dezena mais.

A utopia é uma doença mental que encontra terreno fértil nas mentes fracas e doentias dos seres humanos que desejam substituir o desconforto de viver no mundo real, que é sempre tensional, pelo conforto de um mundo imaginário que só existe na mente deles. Assim, o utopista constrói a sua gaiola e se aprisiona dentro dela.

Este fato em si mesmo, não seria um grande problema, pois cada um faz da sua cabeça o que bem entender. O problema maior é que o utopista quer colocar todo mundo e o mundo todo dentro da sua gaiola. A partir dela, da qual não consegue se libertar, quer construir um mundo novo e um novo homem, porque acha que a criação Divina foi imperfeita. Ele, o utopista, é que tem a fórmula perfeita.

Dentro desse quadro psicótico, o utopista tem a pretensão de matar Deus, pois a sua mente demente alimenta a crença de que matando Deus, poderá se colocar no lugar d’Ele. E assim surge a figura do revolucionário, do esquerdista, do marxista, do socialista, do comunista e outros assemelhados, todos eles pretendendo reformar o mundo e a própria humanidade colocando sua pretensão psicótica em ação.

Na tentativa de colocar todo mundo e o mundo todo dentro da sua gaiola, o psicopata utópico utiliza os mais variados instrumentos de convencimento, tais como: a retórica, a mentira, a falsidade, a falácia, o cinismo, a heresia, o niilismo, a dialética hegeliana [1], a subversão feuerbachiana [2], o humanismo, o desconstrucionismo, a luta de classes, o sincretismo religioso, o ateísmo, o paganismo, o gnosticismo [3], dentre muitos outros. Assim, eles criam a segunda realidade, onde o reino dos céus é substituído pelo poder da lei estatal na salvação das massas.

O reino da segunda realidade descoberta por Cervantes na sua obra “Dom Quixote” e que narra com requintes literários essa alucinação típica dos tempos modernos, é o reino dos revolucionários, dos jacobinos empenhados em moldar a sua realidade a seus preconceitos, cuja proposta é a criação de um mundo melhor mediante a concentração de poder nas mãos deles e jamais nas suas.

O que os revolucionários utopistas psicóticos fazem, é condenar os seus militantes, simpatizantes e companheiros de viagem à condição de eternos proletários e os idiotas úteis a condição de eunucos intelectuais, ou seja, aqueles que só sabem aquilo que lhes é embutido no pequeno espaço que existe entre as orelhas.

O Padre Paulo Ricardo diz com muita propriedade que “Todos aqueles que quiseram implantar um paraíso aqui na terra, a única coisa que conseguiram produzir foi o inferno”. E eu complemento o seu pensamento dizendo que nada se pode esculpir sobre a madeira podre.

Finalizo com a seguinte assertiva para reflexão do leitor: Você não pode morar nas suas idéias; você só pode morar num mundo real e concreto. Você não é Deus, portanto não queira substituí-Lo, pois isso não é uma boa idéia.

Pense nisso!

[1] A dialética de hegeliana é um poço sem fundo, pois nela nada “é” e tudo vive em permanente transformação.
[2] Feuerbach subverteu o sagrado divinizando o homem e humanizando o Divino.
[3] Através da gnose o psicopata utópico pretende construir um mundo novo, colocando abaixo o mundo antigo por meio da retórica.

sábado, 28 de maio de 2011

O FUTURO QUE A RÚSSIA NOS PROMETE


Olavo de Carvalho e Alexandr Duguin


Olavo de Carvalho
O prof. Alexandre Duguin, à testa da elite intelectual russa que hoje molda a política internacional do governo Putin, diz que o grande plano da sua nação é restaurar o sentido hierárquico dos valores espirituais que a modernidade soterrou. Para pessoas de mentalidade religiosa, chocadas com a vulgaridade brutal da vida moderna, a proposta pode soar bem atraente. Só que a realização da idéia passa por duas etapas. Primeiro é preciso destruir o Ocidente, pai de todos os males, mediante uma guerra mundial, fatalmente mais devastadora que as duas anteriores. Depois será instaurado o Império Mundial Eurasiano sob a liderança da Santa Mãe Rússia.

Quanto ao primeiro tópico: a “salvação pela destruição” é um dos chavões mais constantes do discurso revolucionário. A Revolução Francesa prometeu salvar a França pela destruição do Antigo Regime: trouxe-a de queda em queda até à condição de potência de segunda classe. A Revolução Mexicana prometeu salvar o México pela destruição da Igreja Católica: transformou-o num fornecedor de drogas para o mundo e de miseráveis para a assistência social americana. A Revolução Russa prometeu salvar a Rússia pela destruição do capitalismo: transformou-a num cemitério. A Revolução Chinesa prometeu salvar a China pela destruição da cultura burguesa: transformou-a num matadouro. A Revolução Cubana prometeu salvar Cuba pela destruição dos usurpadores imperialistas: transformou-a numa prisão de mendigos. Os positivistas brasileiros prometeram salvar o Brasil mediante a destruição da monarquia: acabaram com a única democracia que havia no continente e jogaram o país numa sucessão de golpes e ditaduras que só acabou em 1988 para dar lugar a uma ditadura modernizada com outro nome.

Agora o prof. Duguin promete salvar o mundo pela destruição do Ocidente. Sinceramente, prefiro não saber o que vem depois. A mentalidade revolucionária, com suas promessas auto-adiáveis, tão prontas a se transformar nas suas contrárias com a cara mais inocente do mundo, é o maior flagelo que já se abateu sobre a humanidade. Suas vítimas, de 1789 até hoje, não estão abaixo de trezentos milhões de pessoas – mais que todas as epidemias, catástrofes naturais e guerras entre nações mataram desde o início dos tempos. A essência do seu discurso, como creio já ter demonstrado, é a inversão do sentido do tempo: inventar um futuro e reinterpretar à luz dele, como se fosse premissa certa e arquiprovada, o presente e o passado. Inverter o processo normal do conhecimento, passando a entender o conhecido pelo desconhecido, o certo pelo duvidoso, o categórico pelo hipotético. É a falsificação estrutural, sistemática, obsediante, hipnótica. O prof. Duguin propõe o Império Eurasiano e reconstrói toda a história do mundo como se fosse a longa preparação para o advento dessa coisa linda. É um revolucionário como outro qualquer. Apenas, imensamente mais pretensioso.

Quanto ao Império Mundial Eurasiano, com um pólo oriental sustentado nos países islâmicos, no Japão e na China, e um pólo ocidental no eixo Paris-Berlim-Moscou, não é de maneira alguma uma idéia nova. Stalin acalentou esse projeto e fez tudo o que podia para realizá-lo, só fracassando porque não conseguiu, em tempo, criar uma frota marítima com as dimensões requeridas para realizá-lo. Ele errou no timing: dizia que os EUA não passariam dos anos 80. Quem não passou foi a URSS.

Como o prof. Duguin adorna o projeto com o apelo aos valores espirituais e religiosos, em lugar do internacionalismo proletário que legitimava as ambições de Stálin, parece lógico admitir que a nova versão do projeto imperial russo é algo como um stalinismo de direita.
Mas a coisa mais óbvia no governo russo é que seus ocupantes são os mesmos que dominavam o país no tempo do comunismo. Substancialmente, é o pessoal da KGB (ou FSB, que a mudança periódica de nomes jamais mudou a natureza dessa instituição). Pior ainda, é a KGB com poder brutalmente ampliado: de um lado, se no regime comunista havia um agente da polícia secreta para cada 400 cidadãos, hoje há um para cada 200, caracterizando a Rússia, inconfundivelmente, como Estado policial; de outro, o rateio das propriedades estatais entre agentes e colaboradores da polícia política, que se transformaram da noite para o dia em “oligarcas” sem perder seus vínculos de submissão à KGB, concede a esta entidade o privilégio de atuar no Ocidente, sob camadas e camadas de disfarces, com uma liberdade de movimentos que seria impensável no tempo de Stalin ou de Kruschev.

Ideologicamente, o eurasismo é diferente do comunismo. Mas ideologia, como definia o próprio Karl Marx, é apenas um “vestido de idéias” a encobrir um esquema de poder. O esquema de poder na Rússia trocou de vestido, mas continua o mesmo – com as mesmas pessoas nos mesmos lugares, exercendo as mesmas funções, com as mesmas ambições totalitárias de sempre.

O Império Eurasiano promete-nos uma guerra mundial e, como resultado dela, uma ditadura global. Alguns de seus adeptos chegam a chamá-lo “o Império do Fim”, uma evocação claramente apocalíptica. Só esquecem de observar que o último império antes do Juízo Final não será outra coisa senão o Império do Anticristo.

COMO OS CRISTÃOS DEVEM SE PROTEGER DAS ILEGALIDADES SUPREMAS?

Por Conde Loppeux de la Villanueva


STF


Paradoxalmente, há um poder na república, cuja institucionalidade está acima de todos os poderes. Ainda que haja leis, ainda que haja o poder legislativo, ainda que haja a Constituição, ele pode arbitrar e passar por cima de todos eles. Até as leis de Deus e do direito natural estão abaixo de suas determinações. Alguém poderá pensar que é o poder executivo. De fato, na história da república brasileira, o executivo quase sempre teve o papel de usurpador dos poderes. Até mesmo o governo Lula foi um exemplo fático dessa tendência, cada vez mais despótica, de passar pela harmonia dos poderes, legislando onde não deve, intervindo onde não é autorizado.
Contudo, esse poder acima de todos os poderes não é o executivo. Este, ao menos, está sujeito aos ditames da Constituição e das leis, além de ter o controle do judiciário e do legislativo. O poder absolutista a que me refiro se revelou recentemente na imprensa e na opinião pública. E houve advogados e juristas que fizeram rasgados elogios à instituição, pela sua abjeta decisão. É claro que essa instituição acima de todos os poderes se chama Supremo Tribunal Federal.

A decisão da Corte Suprema do país, reconhecendo a união estável entre os homossexuais, deixou os cristãos perplexos. Primeiro, porque a artimanha passou por cima do Congresso Nacional e da Constituição para se legitimar judicialmente. E segundo, para fazer isso, crivou de ilegitimidade o próprio direito de família. A mensagem do STF é muito clara: qualquer associação espúria pode ser considerada “entidade familiar”. Basta o tribunal se comover com o assunto, sofrer pressão de grupos minoritários organizados, para ignorar toda uma instituição já consagrada, rebaixando-a a um subjetivismo perigoso e abertamente permissivo. A interpretação que os ministros do STF deram à família fora de um desprezo completo pela moralidade. Tanto faz uma família ou um lupanar que dá no mesmo.

Por outro lado, a ação organizada entre o Supremo e as ongs da militância gay revelaram o quanto os cristãos, sejam eles católicos ou protestantes, estão sedados, paralisados, para uma reação à altura das artimanhas judiciais da chamada “revolução cultural”. O exemplo do Supremo em ter cometido uma ilegalidade e uma afronta à família é motivo de sobra para um novo despertar dos cristãos na defesa dos seus valores mais caros. Na verdade, o fato revelou uma intenção óbvia: os movimentos da esquerda cultural querem destruir todo o patrimônio cultural e simbólico do cristianismo na sociedade. A campanha violenta de secularização completa do Estado, das instituições e da política, quer extirpar o cristianismo do meio social. Na prática, laicidade virou claro sinônimo de materialismo e ateísmo, só que escamoteado, sutil, rarefeito e, portanto, ardiloso. Porque a pregação da laicidade se esconde por detrás de uma suposta idéia de tolerância iluminista contra os desmandos malvados da irracionalidade religiosa. Os valores cristãos incutidos no direito, na política e na sociedade, devem ser expurgados para se implantar uma espécie de pseudo-ética politicamente correta. O governo retira as cruzes das repartições públicas; modifica radicalmente os valores relacionados a vida e a família; e coloca o cristianismo num lugar de insignificância, no foro íntimo do mero capricho ou crença, quando a cosmovisão materialista e atéia e a moral utilitarista se tornam uma espécie de religião civil estatal.

O posicionamento do STF foi abertamente clerical, como se os ministros fossem a encarnação dos deuses, e a Corte, uma espécie de oráculo da “vontade geral” rousseana. Com a diferença de que nem mesmo o povo foi ouvido nessa questão controversa. Pelo contrário, os ministros da Suprema Corte trataram a população como um rebanho cristão estúpido e incapaz de fazer juízos sobre seus próprios assuntos. Aqueles, naturalmente, é que são “iluminados”, arautos do progresso humano e da igrejinha do Estado laico!

A comunidade cristã, seja ela católica ou protestante, está acuada, na defensiva. Muitos ainda não percebem os perigos de uma militância política que almeja destruí-la. O Estado laico, tal como se apresenta, é declaradamente anticristão. O STF, o movimento gay e a esquerda cultural realizam as mesmíssimas ações registradas no decorrer do século XX: transformam os cristãos em categorias de segunda classe, tiram seus direitos elementares de consciência na participação política e os isolam num ostracismo, a ponto de invalidar todos os seus conceitos e neutralizá-los.

Porém, o que fazer? Primeiramente, os cristãos de todos os credos devem se unir para uma causa: a promoção dos valores comuns da Cristandade na sociedade, na política, no direito e na cultura. Devem atacar em todos os aspectos da legislação, do direito e da educação, a secularização ateísta da sociedade. Não basta ficarem acuados, na defensiva. Devem contra-atacar, legitimar na Constituição, no direito, no judiciário, nas escolas e nas universidades, os valores do cristianismo. Devem combater o ativismo judicial disciplinando-o através da estrita legalidade sã. Ou na melhor das hipóteses, denunciar esse ativismo, que é visivelmente antidemocrático e totalitário, já que sujeita as decisões judiciais aos anseios ideológicos de um partido ou de um grupo político.

Alguém objetará, alegando que isso seria o caminho para um Estado totalitário religioso. Isso é abertamente falso. Qualquer cristão de boa consciência não estará pregando a imposição forçada da religião na comunidade. Pelo contrário, a liberdade religiosa e a liberdade de consciência devem ser preservadas. No entanto, ninguém até então chamava de “totalitário” o fato de que a nossa estrutura familiar sempre ter sido monogâmica e heterossexual, inspirada no cristianismo. O mesmo se aplica ao direito à vida ou à propriedade, que tem nos princípios cristãos, um enorme débito. Defender os valores essenciais da vida, da família, dos direitos naturais, na tradição cristã, é a salvaguarda contra o Estado totalitário que ascende, já que não reconhece nenhum outro princípio ou poder, senão ele próprio.

A regra atual é combater as ilegalidades “supremas”. É uma luta, não somente de todos os cristãos, mas do povo brasileiro contra a arbitrariedade judicial. A bancada evangélica e católica do Congresso Nacional, junto com demais deputados que defendem a instituição da família, devem unir esforços para tornar ilegal e inconstitucional o parecer do STF a respeito da “união estável” entre os homossexuais. A farsa do movimento gay e suas fraquezas estão mais do que expostas. Deve-se buscar todos os meios necessários para impor limites aos abusos do Supremo e os métodos sujos da revolução cultural marxista. Se as instituições brasileiras podem se autonomear “democráticas”, nenhum poder político desta república deve estar acima da Constituição e das leis. A sorte foi lançada. Os cristãos devem pegar as armas da apologética e da retórica e combater o processo do Leviatã que ameaça engoli-los. O campo de batalha é o direito, é a lei, é o Congresso, é a universidade, é a escola, é a igreja. Basta despertar.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

TOTALITARISMO EM MARCHA

Conde fala sobre o totalitarismo gay

video

O Conde Loppeux de la Villanueva fala a respeito das conseqüências perigosas da chamada lei "anti-homofobia", criada por gente do nível de Marta Suplicy, Maria do Rosário, Marinor Britto e Jean Wyllys, os arautos do totalitarismo gay.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

ESQUIZOFRENIAS SUPREMAS !



Por Conde Loppeux de la Villanueva

A insólita decisão do STF, estendendo os princípios da união estável aos homossexuais, à primeira vista, chocou-me menos pelo reconhecimento impróprio da homossexualidade do que pelos métodos francamente ilegais com que o Tribunal Excelso usou para validar seus argumentos. O dispositivo constitucional do art. 226, parágrafo 3º, da Constituição Federal, era bastante claro e restrito em caracterizar como “união estável” a junção de homem e mulher, devendo a lei facilitar o seu casamento. No entanto, por conta de uma pirueta argumentativa, o Supremo não interpretou a Carta Magna. Simplesmente agiu como se fosse uma nova “assembléia constituinte”, usurpando os poderes do Congresso Nacional e criando um dispositivo adicional, alheio ao tema. É pior, quando a Suprema Corte apelou ao art. 5º da Constituição Federal para legitimar a união estável entre homossexuais, tornou sumariamente inconstitucional o art. 226 e parágrafos, que caracterizavam, especificamente, a união estável no direito de família. A partir daí, pode-se dizer que o Brasil, através de uma decisão judicial, está caminhando, lenta e gradualmente, para uma crise institucional.

Se a Constituição Brasileira parece não valer absolutamente nada para muitos órgãos institucionais da república, que dirá para uma instituição que existe justamente para protegê-la e resguardá-la? O STF, atualmente, é sinônimo de insegurança jurídica, de violação expressa da lei e da Constituição, justamente porque serve de palco para quizílias políticas, alheias ao interesse público. Na pior das hipóteses, tornou-se arma perfeita do governo federal e de grupos de interesses, que podem pressionar a Corte para uma decisão de caráter legislativo, quebrando a espinha dorsal da constitucionalidade e da harmonia entre os poderes. A politização dos tribunais é apenas o início do totalitarismo em todo o resto, porque a justiça não se torna a vontade expressa e impessoal da lei e de legisladores eleitos, mas tão somente a vontade de facção política governante.
Por outro lado, além de assembléia constituinte, o STF se tornou o legislador usurpador. Ao distorcer e criar um novo conceito de união estável na constituição, invalidou sumariamente a legislação infraconstitucional, qual seja, a do código civil, que diz que é reconhecido a união estável entre homem e mulher. No final das contas, ninguém mais pode confiar na lei, na Carta Magna ou no poder do Congresso Nacional. O Supremo, através de critérios arbitrários, pode revogá-los ou adulterá-los. Basta que um lobby político tenha força para fazer valer as decisões entre os ministros. Na prática, temos um poder institucional na república que está acima da Constituição.
Se o Supremo conseguiu causar um estrago institucional com esse grave precedente formal, não menos grave foi o precedente moral e ético, com a destruição completa do direito de família. Neste interim, os juízes não se contentaram em rasgar ou transcrever a Constituição ao seu bel prazer. Eles quiseram, por decreto, modificar até o direito natural.
As argumentações dos ministros foram de uma assustadora indigência intelectual, uma prova completa da inépcia cultural que tomou conta dos tribunais. Na prática, o homem-massa, a criatura vulgar, tomou conta do STF. Gente que foi encharcada de discursos de Ongs, de DCEs acadêmicos, de projetos de engenharia social, de lugares-comuns da opinião pública. Pode-se dizer que o STF atual é o pior que jamais houve na história do Brasil. A fraqueza de seus postulados e a completa inoperância de seus argumentos é prova do quanto o país está em decadência.
O Ministro Joaquim Barbosa, aquele que diz ouvir a voz das ruas, parece ter ficado surdo ao povo quando aderiu à sua agendinha gay. Ele declarou, em seu voto favorável: “O reconhecimento de uniões homoafetivas encontra seu fundamento em todos os dispositivos constitucionais que tratam da dignidade humana”. A pergunta que não quer calar é: que “dignidade humana” é esse que inferioriza a família e destrói suas referências morais e éticas? Luiz Fux, o ministro ordinário e demagogo, que prega a invasão do Estado em casas alheias para confiscar armas, tal como se entra no domicílio pra matar mosquitos da dengue, afirmou: “A homossexualidade caracteriza a humanidade de uma pessoa. Não é crime. Então por que o homossexual não pode constituir uma família? Por força de duas questões que são abominadas por nossa Constituição: a intolerância e o preconceito.”
Ao que parece, o juiz não conhece nada de filosofia ou história. Como o comportamento homossexual pode ser a “humanidade” de uma pessoa, se fere algo que é inerente à sexualidade humana, que é a heterossexualidade? E desde quando uma prática, quando não-criminosa é necessariamente aceitável? Mas na lógica bizarra de Fux, a família homossexual não existe por causa do preconceito e da intolerância. Não passa nada por detrás dessa mentalidade vazia algo como procriação ou formação de prole.
O ministro Lewandovsky já inventou um conceito biônico de família. Ele afirmou que a junção de dois homens ou duas mulheres já se constitui uma família de fato. "A união homoafetiva é uma realidade de elementar constatação empírica a qual está a exigir o devido enquadramento jurídico, visto que dela se vislumbram direitos e obrigações. A ninguém é dado ignorar que estão surgindo entre nós, em diversos países do mundo, ao lado da tradicional família patriarcal, outras formas de convivência familiar fundadas no afeto e nas quais se valorizam de forma particular a busca da felicidade, do respeito e do desenvolvimento pessoal de seus integrantes."
E completa: “Entendo que uniões de pessoas do mesmo sexo, que se projetam no tempo e ostentam a marcada da publicidade, devem ser reconhecidas pelo Direito, pois dos fatos nasce o direito. Creio que se está diante de outra unidade familiar distinta das que caracterizam uniões estáveis heterossexuais" (...) "Penso que se está diante de um quarto gênero de unidade familiar não previsto na Carta Magna e sobretudo diante da necessidade de dar concreção diante dos princípios da dignidade humana".
É curioso que empiricamente a relação homossexual sempre existiu na história. No entanto, nenhuma alma inteligente jamais cogitou reconhecê-la como uma “entidade familiar”, embora se perceba que o ministro não tenha a menor idéia do que a “entidade familiar” signifique. Nenhum “fato” da homossexualidade no mundo fez nascer o direito de família. Até porque da homossexualidade não se nasce ninguém.
Entretanto, é a mania totalitária dentro do Estado democrático em achar que toda prática social necessariamente deve ser legislada, como se os tribunais tivessem plenos poderes de resolver os problemas e insatisfações do mundo. Ou na pior das hipóteses, o Estado, em nome da legiferança, é capaz de propor uma legalidade fajuta, ao arrepio da realidade, distorcendo e corroendo as instituições tradicionais. Até então os gays jamais se preocupavam com essas questões e nunca nasceu dos homossexuais, o “direito” de constituir família. Porém, o movimento gay, que é produto de uma engenharia social, reivindica o que jamais pertenceu a sua esfera, ou seja, a de ser criadora da célula-mater da sociedade. Na verdade, a interpretação tão subjetivista, tão vaga e tão etérea do Sr. Ministro abriu portas para outros tipos de bizarrices elevadas como “entidade familiar”. Basta que alguém se junte e aí teremos promíscuos, poligâmicos, zoófilos, incestuosos, todos exigindo direitos familiares.
Por outro lado, família patriarcal é diferente de família heterossexual. Uma coisa, substancialmente, não define a outra. Um homem e uma mulher se casam e têm filhos porque é a ordem natural das coisas, porque é assim que a humanidade se reproduz desde que existe. O mandamento do “ide e multiplicai-vos” da bíblia não é mera questão religiosa. Porém, na opinião do ministro, isso é apenas convenção, mutável pelas circunstâncias utilitárias. O Estado, sob pressão de grupos organizados de gays e lésbicas, pode modificar, por decreto, uma tradição milenar, como se os juízes do Supremo encarnassem uma espécie distorcida de sacerdócio da seitazinha politicamente correta.
Supreendentemente, o mais histriônico e o mais estúpido voto dentre esse vendaval de asneiras jurídicas proveio do Ministro Ayres Britto. Às vezes me perguntou se lendo essa decisão eu não estou no hospício! Ele começa: - “Inexiste essa figura da subfamília, família de segunda classe ou família mais ou menos”. Diferentemente do casamento civil ou da união estável, a família não se define como simples instituto ou figura de direito com sentido meramente objetivo”. Traduzindo em termos práticos, tanto faz a junção do homem e da mulher ou um balaio de gatos, cachorros, dois homens, três mulheres, uma suruba de poligâmicos, uma criança, etc. Qualquer união, dentro da cabecinha do Ayres Britto, pode ser considerada “família”. Basta que tal situação seja reconhecida legal ou judicialmente, porque está no amago da “subjetividade”. Todavia, ele não desiste das especulações acacianas e solta a seguinte pérola: “- O órgão sexual é um plus, um bônus, um regalo da natureza. Não é um ônus, um peso, um estorvo, menos ainda uma reprimenda dos deuses” – E acrescenta: “- Não há nada mais privado aos indivíduos do que a prática de sua própria sexualidade. A liberdade para dispor de sua própria sexualidade insere-se no rol de liberdades do indivíduo, expressão que é de autonomia de vontade. Esse direito de explorar os potenciais da própria sexualidade tanto é exercitado no plano da intimidade quanto no da privacidade, pouco importando que o parceiro adulto seja do mesmo sexo ou não”. A falácia de seu argumento parte da seguinte questão: não se está discutindo a sexualidade humana, mas o direito de família e seus princípios éticos, morais e sexuais. Na opinião de Ayres Britto, possuir um pênis ou uma vagina é apenas um capricho arbitrário da natureza. O que conta é o mero desejo sexual, que determina, mais do que os papéis da mãe e do pai, a gênese do direito de família. Partindo da lógica do ministro, qualquer indivíduo munido de parafilia sexual pode exigir a educação das crianças ou formar “casal”. Pelo jeito, isso também pode sensibilizar as aspirações do STF.
O mais assustador é que os magistrados se utilizaram de uma linguagem totalmente viciada para desconstruir a realidade e negá-la. A novilingua politicamente correta parece que turvou seus raciocínios. Percebe-se no conceito famigerado da chamada “união homoafetiva”. Parte-se do pressuposto de que a formação familiar é produto de um afeto, não uma ação própria e ontológica de dois seres de sexos diferentes, dispostos à geração de filhos. Durante uma boa parte da história humana, a afetividade na família quase sempre era considerada supérflua. Não era o que a caracterizava e sim os laços sexuais e consanguíneos gerados dessa relação, além do arquétipo moral a ser seguido e transmitido. Se a família fosse medida pelas relações afetivas, qualquer caso sexual fortuito, promiscuo, poderia ser considerado “familiar”.
Por outro lado, os ministros usaram e abusaram de fundamentos ilógico a respeito da igualdade jurídica e da dignidade humana, para fazer valer seus conceitos (ou preconceitos). Das duas uma: ou os ministros desconhecem ou agem de má fé no uso desses princípios. Na decisão do Supremo, heterossexualidade e homossexualidade se tornaram comportamentos iguais, confundindo a relação de direitos com a proporção entre as condutas. Todavia, igualdade não é nivelamento por baixo. O sofisma está bem claro na decisão judicial: se as pessoas têm direitos iguais, logo, isso torna a homossexualidade igual à heterossexualidade. Na prática, o Supremo cometeu uma monstruosa desigualdade, ao rebaixar as hierarquias valorativas entre as condutas e as instituições. A homossexualidade é um comportamento que pode ser perfeitamente dispensável à espécie humana. A heterossexualidade é uma prática essencial da própria à espécie, cuja ausência é o seu completo desaparecimento na face da Terra.
O terceiro aspecto da falácia linguística é a chamada constituição de “gênero”. É o método sofistico que o movimento gay criou para desmerecer a sexualidade, colocando-a no rol do mais completo relativismo. Em outras palavras, a sexualidade não tem um fim específico, que é a reprodução da espécie. É um processo arbitrário, identificado como “gênero”, partindo do pressuposto dos desejos sexuais subjetivos. Neste caso, inventaram outra terminologia, “hetero-normatividade” e “homo-normatividade”, como se a questão sexual fosse apenas uma norma imposta pela sociedade, que pode ser modificada ao bel prazer dos engenheiros sociais. Daí a loucura de glamourizar a homossexualidade, ao mesmo tempo em que se criam leis no intento de reprimir e prender quaisquer críticas aos gays. No final das contas, pela agenda do movimento gay, a “homo-normatividade” deve ser “norma”!
A consequência lógica da decisão do Supremo, além dos flagrantes ilegalidades constitucionais, é a lenta e gradual destruição da família e do patrimônio moral cristão incutido nela. De fato, a finalidade real mesma desta política é destruir quaisquer tipo de patrimônio moral. Na incapacidade de modificar o direito de família por intermédio do Congresso Nacional, o movimento gay se utilizou do Supremo. E na interpretação relapsa feita pelo Tribunal Excelso, abriram-se portas para outros precedentes, igualmente perversos, que é a legalização do casamento gay e a adoção de crianças por duplas homossexuais. Ou pior, a reivindicação de grupos sexuais igualmente permissivos, exigindo estatuto familiar. Pois nas palavras do Supremo, a família é tão somente uma instituição criada subjetivamente, um produto de “gênero”, de “normatividade” ou de “plus”. Em outras palavras, as taras sexuais serão, a partir daí, modelos para a criação do universo familiar. Salve-se quem puder!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

EROSÃO DA LIBERDADE

Por Maynard Marques de Santa Rosa

Os filósofos humanistas acreditavam que a razão humana é onipotente e ilimitada. Francis Bacon chegou a afirmar que: “a ciência e a lógica podem resolver todos os problemas e ilustrar a infinita perfectibilidade do homem”.
Sob a idolatria da razão, o iluminismo relativizou os alicerces culturais da nossa civilização, privando-a dos referenciais de comportamento que regiam a própria sobrevivência social.
Posteriormente, a insatisfação popular dos novos tempos abrigou-se nas ideologias fratricidas, fazendo grassar a instabilidade. E a religião foi sendo relegada, como “o ópio do povo”.
Parece surpreendente, mas a transformação acelerada dos costumes sociais, que se observa no mundo moderno, não resulta de um processo espontâneo.
Embora admitindo-se que a concentração urbana e a educação do povo favorecem a conscientização, é inegável que a luta pelo poder domina a motivação da maior parte dos fenômenos midiáticos de massificação.
Atualmente, a dialética de formação da opinião pública virou campo de batalha revolucionário. Antes, a força das armas era o último recurso para submeter resistências a interesses vitais. Hoje, é o apelo à propaganda e à mobilização.
A ideologia gramscista intenta subjugar a sociedade, forçando a sua transformação cultural. Para isso, substituiu a luta de classes da doutrina de Marx pela decantada “luta por hegemonia”.
A luta pela hegemonia consiste na defesa de uma idéia minoritária contra o senso-comum tradicional, a fim de levar a maioria das pessoas a aceitá-la como politicamente correta, mudando o seu modo de pensar.
O problema é que não se sabe quem define o politicamente correto; e se a idéia inoculada é válida, justa ou conveniente.
O livre-arbítrio permite, por exemplo, que as pessoas homoafetivas vivam como quiserem, cabendo-lhes o respeito alheio às opções de sua preferência. Contudo, impor o seu ponto de vista ao conjunto da sociedade é um contra-senso ao aforismo aristotélico de que “o todo deve, necessariamente, ter precedência sobre as partes”.
A agenda de luta por hegemonia é permanente e prolífica de temas com potencial de conflito, como: racismo, “bullying”, violência doméstica, machismo, homossexualismo, fumo e muitos outros.
As técnicas mais sutis e criativas de publicidade abusam do sofisma, para convencer uma maioria descuidada. Uma análise superficial do cotidiano permite identificar a engenhosidade dessas campanhas, como podemos observar nos casos abaixo.
A responsabilidade pelo comportamento violento das pessoas cabe às armas de fogo”. Portanto, devem ser proibidas.
O que impede as pessoas de cor de ingressarem na universidade é o racismo do povo”. Portanto, deve ser corrigido pela imposição de um sistema de cotas raciais.
Os pais abusam naturalmente de seus filhos”. Logo, cabe ao Estado dotar os conselhos tutelares de uma atribuição policial.
O castigo é abominável, por deformar a personalidade da criança”. Assim, deve ser criminalizado.
Aprendemos da sabedoria popular que “a ociosidade é a mãe de todos os vícios”. No entanto, hoje, “o trabalho infantil é exploração”. Logo, se uma mãe atribui à criança uma tarefa doméstica, arrisca-se a perder o pátrio poder.
Reprimido artificialmente um costume natural, resta em seu lugar um vácuo de padrão, passível de ser preenchido pela sugestão do comportamento projetado, o “politicamente correto”.
Após assimilado pelo povo, o novo padrão é imediatamente transformado em legislação. Dessa forma, o direito avança agressivamente sobre o campo da moral, produzindo uma sociedade “controlada”. A cada avanço, a liberdade individual fica diminuída.
A sociedade, perplexa e desprotegida, assiste à progressão dos disparates. Um bandido que arrasta e dilacera o filho para roubar o carro da mãe é resguardado por lei, simplesmente, por ser menor de dezoito anos, ignorando-se o direito da coletividade à legítima defesa.
Existem exemplos de que a História se repete, por falta de atenção. Duas gerações após o trauma da Revolução Francesa, Alexis de Tocqueville escreveu que o delírio dos franceses por reformas toldou-lhes a visão dos fatos, levando-os a abstraírem os valores que haviam inspirado a própria revolução. “A primeira vítima, tombada na guilhotina, foi a fraternidade. A igualdade ficou postergada para o futuro, nas trincheiras dos novos proprietários rurais. E a liberdade dissipou-se, progressivamente, no sorvedouro da massificação e da centralização administrativa”.
Se o bom-senso natural for absorvido pelo turbilhão do senso comum artificial, em pouco tempo, teremos uma população de neuróticos e psicopatas. O caráter brasileiro terá perdido a irreverência espontânea e a alegria. E um povo triste é uma sociedade infeliz.
Tudo isso, porém, carrega uma intenção oculta, um fim político desconhecido.
A quem tem “olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”, despertar é preciso!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

QUEM NOS GOVERNA, AFINAL?

Por Olavo de Carvalho


O plano de transição para o governo mundial, que Arnold Toynbee expôs mais de meio século atrás e que mencionei brevemente nesta coluna, já está em avançadíssima fase de implantação, ao ponto de que não há nenhum exagero em dizer que a Nova Ordem globalista-socialista é um fato consumado, irreversível. Que a maioria dos seres humanos ignore isso por completo e ainda tenha a ilusão de poder interferir de algum modo no curso das coisas por meio do "voto", eis aí a prova de que Toynbee tinha toda a razão ao dizer que a nova estrutura de poder não seria democrática, nem democrática a transição para ela. Não há estado de sujeição mais completo do que ignorar a estrutura de poder sob a qual se vive.

É verdade que a mera complexidade crescente da administração estatal moderna já era, por si, conflitiva com as pretensões democráticas de transparência, informação acessível, "voto consciente", enfim, com as presunções da "cidadania".

Mas o que vem acontecendo no último meio século é o aproveitamento deliberado e sistemático da complexidade burocrática para criar, acima do governo representativo, uma nova estrutura de poder que o domina, o estrangula e acaba por eliminá-lo. A maior parte das nações já vive sob o controle dessa nova estrutura global sem ter disso a menor consciência e acreditando que continua a desfrutar das garantias e meios de ação assegurados ao eleitor pelo antigo sistema de governo representativo, hoje reduzido a um véu de aparências tecido em torno do poder mais centralizado, abrangente e incontrolável que já existiu ao longo de toda a história humana.

Não só essa transição já aconteceu, mas ela foi realizada sob a proteção de um conjunto de pretextos retóricos altamente enganosos, criados para dar à população a idéia de que a mudança ia no sentido da maior liberdade para os cidadãos, da maior participação de todos no governo e de mais sólidas garantias para a empresa privada.

Todos os termos-chave dessa retórica – "governo reinventado", "parcerias público-privadas", "terceira via", "descentralização" – significam precisamente o contrário do que parecem indicar à primeira vista.

Os dois diagramas que acompanham este artigo tornarão isso bastante claro. As flechas aí indicam a origem do poder e o objeto sobre o qual se exerce. No antigo sistema representativo, o eleitorado escolhia o governo segundo os programas que lhe pareciam os mais convenientes, e o governo eleito – executivo e parlamento – repassava esses planos aos órgãos da administração pública, para que os executassem. No novo sistema de "parcerias público-privadas", a administração pública é só uma parcela do órgão executor. A outra parcela é escolhida por entidades sobre as quais o eleitorado não tem o menor controle e das quais não chega às vezes a ter sequer conhecimento. Tal como apresentado na sua formulação publicitária, o novo sistema é mais democrático, porque reparte a autoridade do governo com "a sociedade". Mas "a sociedade" aí não corresponde ao eleitorado e sim a ONG's criadas sob a orientação de organismos internacionais não-eletivos – ONU, UE, OMS, OMC, etc – e subsidiadas por bilionárias corporações multinacionais cuja diretoria não é mesmo conhecida do público em geral.

A orientação geral dessas ONG's reflete um conjunto de novas concepções socioculturais e políticas que jamais foram postas sequer em discussão, e que por meio delas são implantadas do dia para a noite, sem que o eleitorado chegue a saber nem mesmo de onde vieram. A própria velocidade das transformações é tamanha, que serve para reduzir as populações ao estado de passividade atônita necessário para tornar inviável não só qualquer reação organizada, mas até uma clara tomada de consciência quanto ao que está acontecendo. Paralelamente, muito do poder de decisão do parlamento é transferido aos órgãos burocráticos, que, agindo já não como braços do eleitorado, mas como agentes a serviço de parcerias controladas pelo triunvirato de ONG's, corporações e organismos internacionais, passa então a introduzir na sociedade mutações radicais que, no sistema de governo representativo, jamais seriam aprovadas nem pela população, nem pelo parlamento.

Ao desfazer-se de uma parte das suas prerrogativas, sob as desculpas de "privatização", "democratização", "descentralização", "desburocratização" etc., o governo não as transfere ao povo, mas a um esquema de poder global que escapa infinitamente à possibilidade de qualquer controle pelo eleitorado. As ambigüidades decorrentes, que desorientam o público, são então aproveitadas como instrumentos para gerar artificialmente novas "pressões populares", que não são populares de maneira alguma, mas que refletem apenas a vontade da chamada "sociedade civil organizada", isto é, da rede de ONGs criadas pelo próprio esquema de poder global.

Subsidiadas pelas grandes corporações e fundações, essas ONGs, prevalecendo-se da "parceria" que têm com órgãos do governo, passam então à parasitagem voraz de verbas públicas, somando aos recursos que as alimentam desde fora o sangue extraído do próprio eleitorado que as ignora e que elas falsamente representam. Essa nova estrutura de poder não é um plano, não é um objetivo a ser alcançado: ela já é o sistema de poder sob o qual vivemos, construído sobre os escombros do antigo governo representativo, que hoje em dia só subsiste como aparência legitimadora da transformação que o matou.

Uma ambigüidade especialmente irônica e por isto mesmo proveitosa da situação é que um dos instrumentos principais para a implantação do novo esquema reside na rede mundial de ONG's e movimentos esquerdistas, desde os mais radicais até os mais brandos e inofensivos em aparência. Ao mesmo tempo, como a violência e rapidez das mutações gera toda sorte de desequilíbrios, temores e insatisfações, essa rede de organizações esquerdistas é usada por outro lado como megafone para lançar a culpa de todos esses males no velho capitalismo liberal, apontado como beneficiário maior das mesmas transmutações que o esmagam. Os sintomas colaterais mórbidos da transformação servem eles próprios como pretextos para acelerá-la e aprofundá-la, canalizando em favor dela as dores que ela gerou.

Numa obra memorável, "Du Pouvoir. Histoire Naturelle de Sa Croissance", Bertrand de Jouvenel mostrou que a história da modernidade não é a história da liberdade crescente, como pretendia Benedetto Croce, mas a história do poder crescente do Estado avassalador. Esse livro é de 1945. Desde então, o curso da História tomou um rumo que o confirma na medida mesma em que aparenta desmenti-lo. A "descentralização" dos governos nacionais, simulando em escala local uma vitória do liberal-capitalismo sobre as tendências centralizadoras e socialistas, foi posta a serviço da construção do Leviatã supranacional que, inacessível e quase invisível, controla dezenas de Estados reduzidos à condição de entrepostos da administração global. Não só o eleitorado foi submetido a essa gigantesca mutação sem a menor possibilidade de interferir nela ou de compreendê-la, porém até mesmo alguns dos mais intelectualizados porta-vozes do liberal-capitalismo, enxergando apenas o fator econômico e recusando-se a investigar a nova estrutura de poder político por trás da globalização comercial, colaboraram ativamente para que o processo de centralização mundial se implantasse pacificamente, sob a bandeira paradoxal da liberdade de mercado.

O camponês antigo, o servo da gleba e até mesmo o escravo romano gemiam sob o tacão de um poder incontrastável, mas pelo menos tinham uma idéia clara de quem mandava neles e compreendiam perfeitamente o funcionamento do sistema que os governava. O cidadão da "democracia de massas" está cada vez mais submetido a decisões que não sabe de onde vieram, implantadas por um sistema de governo que ele nem conhece nem compreende. O globalismo é a apoteose do processo de centralização do poder, centralizando até o direito de conhecer o processo.


Publicado originalmente no Diário do Comércio - SP

terça-feira, 10 de maio de 2011

MACHADO DE ASSIS: Um sonho que se esvai...

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS CONCEDE MEDALHA "MACHADO DE ASSIS" PARA O RONALIDINHO GAUCHO !!!

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Machado de Assis deve estar tendo acesso de engulho. Se vivo estivesse, por certo se suicidaria !
O Editor.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

OPINIÃO DO GRUPO BANDEIRANTES

(Editorial exibido no Jornal da Band no dia 05/05/2011)

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Campanha do desarmamento


O governo brasileiro, apoiado por políticos demagógicos e oportunistas, tenta impor à população uma ideia falsa: a de que uma campanha de desarmamento vai reduzir a criminalidade. Comanda esta ofensiva mentirosa o ministro da Justiça, omitindo fatos que explicariam a realidade do crime no país.

E os fatos são claros: a ameaça vem das armas clandestinas que o ministro e seu governo deveriam combater. E não das armas legais dos cidadãos honestos. Se elas forem retiradas de circulação, restarão apenas as dos bandidos - o que só pode aumentar o perigo de assaltos e de assassinatos.

É chocante como a força da demagogia tapa os olhos de quem deveria ver com mais clareza este cenário, tão simples e tão trágico. Ao empunhar a bandeira da mentira, o ministro e sua campanha de convencimento agridem, não só a realidade brasileira, mas também a vontade da maioria da população.

Há pouco tempo, ela exigiu, em um referendo, o direito de o cidadão honesto ter a sua arma. Exigência legítima, que é praxe em quase todo o mundo, até para se defender sim, em um país em que o Estado não cumpre o seu papel na segurança pública.

Esta é a opinião do Grupo Bandeirantes de Comunicação.
(Editorial exibido no Jornal da Band no dia 5 de maio de 2011)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

KNOWN AND UNKNOWN [CONHECIDO E DESCONHECIDO]

por HEITOR DE PAOLA

There are known knowns: things we know we know. We also know there are known unknowns: that is to say we know there are some things we do not know. But there are also unknown unknowns – the ones we dont know we dont know.
DONALD RUMSFELD

No seu último livro Known and Unknown o Ex-Secretário de Defesa americano traz à luz uma série de indícios que poderiam, se entendidos a tempo, detectar a iminência de um ataque terrorista de grandes proporções ao território americano. E talvez até evitar o ataque ao WTC de 11 de setembro. Os serviços secretos sabiam que sabiam muitas coisas, sabiam que não sabiam de outras e sua função era descobri-las. Mas não sabiam que não sabiam de muitas outras e quando não se tem conhecimento do não saber não há como investigar.

No Brasil estamos frente a situações semelhantes em relação aos riscos de ataques terroristas praticados pelas forças da Al Qaeda, do Hamas, do Hezbollah e outras organizações.

O que sabemos que sabemos: há muitos anos a Tríplice Fronteira (Foz do Iguaçú-Iguazú, Agentina -Ciudad del Este, Paraguay) está infestada de agentes terroristas islâmicos e é alvo de investigações das policias dos três países, nem sempre com grande entusiasmo, também da CIA, do FBI e do Mossad. Desde 1994 que as investigações dos serviços secretos argentinos detectaram que o ataque à AMIA (Asociación Mutual Israelita Argentina) ocorrido em 18 de julho tinha sido perpetrado por agentes do Hezbollah com financiamento e planejamento iraniano e o ponto de entrada tinha sido por lá. Este ataque ocorreu dois anos após o atentado à Embaixada de Israel em Buenos Aires em 17 de março de 1992 pela Jihad Islâmica ou pelo Hezbollah (ambos reivindicaram a autoria, manobra muito usada para confundir e desnortear os investigadores).

O que sabíamos que não sabíamos: o grau, a extensão e a profundidade atingido pela invasão do terror islâmico no Brasil revelada há duas semanas pela revista VEJA na reportagem em que revela que ‘a Polícia Federal tem provas de que a Al Qaeda e outras quatro organizações extremistas usam o país para divulgar propaganda, planejar atentados, financiar operações e aliciar militantes’. Há dois meses, VEJA teve acesso a relatórios da PF sobre a rede do terror no Brasil. ‘Além do já conhecido Khaled Hussein Ali, vinte militantes da Al Qaeda, Hezbollah, Hamas e outros dois grupos, vivendo como se fossem cidadãos comuns, usam ou usaram o Brasil como esconderijo, centro de logística, fonte de captação de dinheiro e planejamento de atentados’.

Com muita propriedade a revista denuncia o discurso dúbio e incoerente da PF que ‘não apenas facilita o enraizamento das organizações extremistas no Brasil como cria grandes riscos para o futuro imediato’.

A reação foi imediata em Foz do Iguaçú: a Câmara de Vereadores, por proposta de um Vereador - advinhem de qual partido? - aprovou moção de censura à revista VEJA. O Jornal A Fronteira - que também se chama Al Hudud, nome de uma província da fronteira norte da Arábia Saudita (Al Hudud ash Shamaliyah), noticia o fato e afirma - em nota que corre sobre o texto - que a reportagem teria sido paga com um bilhão de dólares!

O que não sabíamos que não sabíamos e muito provavelmente continuaremos negando que já sabemos: este futuro já pode ter chegado pelas mãos do assassino da chacina na escola de Realengo no Rio de Janeiro. A imprensa fez de tudo para evitar que fossem divulgados os laços do matador com o Islam, mas era tão evidente que foi impossível mantê-los em segredo por muito tempo. A manobra de despistamento segue com as interpretações dos eternos e malfadados ‘especialistas’ que tentam atribuir unicamente a razões pessoais, seja por diagnósticos psiquiátricos post-mortem – como se existisse algo como necropsia mental, coisa que jamais aprendi em meus mais de 50 anos na área – seja por ter sido ‘vítima’ deste tal bullying, a última moda em idiotice politicamente correta.

Mas, admitamos que o sujeito fosse um esquizofrênico paranóide – hoje dir-se-ia ‘distúrbio esquizo-afetivo’ - pergunta-se: existe algum terrorista que não tenha algum distúrbio mental? Um sujeito que se enche de bombas para explodir matando dezenas de pessoas pode ser normal? O que a psicopatologia tem a ver com seus contatos, físicos ou virtuais, com grupos islâmicos radicais? De que servem as imbecilidades pseudo-psicanalíticas – como a de que ele estaria matando dentro dele sua mãe biológica que o rejeitara – quando o fato é que mais de uma dezena de crianças foram trucidadas por um assassino que freqüentava sites terroristas e usava barba e gorro islâmicos e exigia rituais islâmicos de purificação do seu cadáver?
Até mesmo o Comandante da PM carioca negou a participação do Islam. Como bem o diz Rafik, do website Rafik Responde ao Islam: apesar da incrível ficha que o Sr. Mario Sergio Duarte tem como policial militar, ele agora tenta se passar “expert em religião”. Ele afirma que: “O livro sagrado do Islã, que com certeza nada tem a ver com esse ato tresloucado” ou “o Alcorão, não possui relação com o “desatino de mentes desequilibradas”. Quando foi que Sr. Mario Sergio Duarte se tornou um EXPERT no Islam? Ele abre a boca quando tem CERTEZA, como se ele mesmo soubesse o que o Alcorão fala.
“Ele cita o seguinte versículo do Islam: “As crianças são o ornamento da vida neste mundo.” Quem foi que o instruiu a usar tal verso do Alcorão? Qual é a razão da IMPRENSA e o GOVERNO estar protegendo tanto esta ideologia”?

O que podemos saber agora, para depois não haver arrependimentos: o terrorismo está próximo e, como são os Judeus os principais alvos, as entidades judaicas que aumentem a segurança.


Versão ampliada do artigo publicado no jornal Visão Judaica, Curitiba-PR
Fonte: http://www.heitordepaola.com/ -  (Papéis AVULSOS
)

terça-feira, 3 de maio de 2011

DISTÚRBIO DE PERSONALIDADE

DISTÚRBIO DE PERSONALIDADE
por Fahed Daher


Psicopatas são o que de mais temível e intrigante os descaminhos da mente humana podem produzir.

São eloqüentes, charmosos, sedutores e capazes de impressionar, de cativar, seduzir apoios rapidamente, dizendo algo a favor de alguma idéia ou ação e se desdizendo sempre que convenha aos seus interesses egoístas.
Nestas características a insensibilidade, frieza, brutal capacidade de manipulação sem sentimento de culpa ou arrependimento, apenas se acharem injustiçados.
Podem ser chamadas sóciopatas quando em influência na sociedade são maneirosos e envolventes à busca de vantagens ou exibição da personalidade, muitas vezes sem se dar conta do exibicionismo a que estão se expondo.
O comportamento deles no mundo social, econômico ou cultural, não traduz claramente seus objetivos e suas malícias, passando às vezes como vaidosos, exibidos e mesmo aparentes humanitários, muitas vezes vistos apenas como espertos, não evidenciando intenções finais das atitudes de conquista de pessoas.
Muitas vezes por estas atitudes, sem se dar conta dos aspectos mentais enganadores, chegando a altos cargos da política ou mesmo do mundo comercial econômico no comportamento prazeroso, para eles, de dominar ou se projetar, na aparência de notáveis, mesmo deixando no rastro infelicidades.
Tal personalidade às vezes tem coragem de dizer, outras vezes apenas se definem no comportamento:
- “Só participo das organizações e atividades em que eu possa dominar.”
Ao final, quando pelas conquistas deixam os “feridos da guerra,” de onde conseguiram as vitórias e as vantagens, os prejudicados apenas podem exclamar:
-- “Que safado! Cretino! Parecia tão amigo e tão honesto e a gente embarcou...”.
Quando no mundo da política de busca de comando, com as vantagens oferecidas pelo poder, eles são persistentes e envolventes, sempre encontrando pessoas sobre as quais lançam o ônus dos seus erros ou de seus caprichos.
Entre os acertos com pessoas ou empresas capitalistas, nas disputas eleitorais são capazes de “vender a alma ao diabo” para conseguir, e financiamentos para campanhas eleitorais.
Tais estados mentais, nos quais as pessoas não se reconhecem e sempre se declaram injustiçadas, podem decorrer de frustrações ou de soberba e inveja.
A psicopatia paranóica se faz um pouco mais exagerada de maneira, às vezes, mais exuberante, bem se ajustando na sociedade, tanto como pode se manifestar de maneira muito visível e mesmo desajustada.
Diante de tantas manifestações, no turbilhão da vida das grandes cidades, muitas vezes o diagnóstico é difícil, confundido com estados de stress.
As pressões dos programas televisivos, em áudios - visuais - emocionais, as músicas agitadas o turbilhão dos sons do trânsito, das máquinas, os apressamentos dos acontecimentos e dos compromissos de sobrevivência ou de super – vivência, condicionam a um maior número de pessoas neste desajustamento, sem contar a ingestão de bebidas alcoólicas, imperiosa.
Fahed Daher - Médico
Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. Academia de Letras de Londrina.
Academia Centro Norte do Paraná. Centro de Letras do Paraná


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segunda-feira, 2 de maio de 2011

PARAÍSO DE PATÍFES

Como estava previsto todos os envolvidos no escândalo do mensalão estão tendo suas “filiações” ao PT normalizadas e, também, terão seus crimes prescritos por responsabilidade do STF. Todos estão melhores de vida graças aos empregos em que foram colocados pela influência do PT.
Esse é o PT que tinha um presidente que acusou dezenas de parlamentares de picaretas e acabou se mostrando como o maior dos picaretas de política de toda a nossa sórdida história.
As nossas raízes sórdidas que foram controladas pelo Regime Militar se soltaram e se desenvolveram durante a Fraude da Abertura Democrática, transformando o país em um Paraíso de Patifes e o poder público em um Covil de Bandidos.
O Brasil durante os desgovernos petistas mostrou a essência de suas oligarquias políticas e de todos os canalhas esclarecidos que trocaram o suborno moral e financeiro por apoio quase irrestrito
ao PT no jogo sujo do poder: de uma forma quase padronizada nossa sociedade demonstrou NÃO TER INTEGRIDADE.
Não importa se a classe social seja A, B ou C.
Não existe mais integridade nas relações público-privadas por covardia, por omissão ou pelo suborno moral e financeiro.
Contrariando o discurso dos estelionatos eleitorais do PT, os ricos ficaram muito mais ricos, os sócios fiadores da degeneração moral do país passaram a pertencer à rica burguesia que o petismo está fortalecendo no país, os banqueiros se empanturraram com o dinheiro da extorsão praticada pelo mercado financeiro e milhões de menos favorecidos melhoraram suas condições de vida graças à extorsão tributária que tira o dinheiro dos que ganham mais para os milhões de beneficiados pelo assistencialismo promotor do crescente desinteresse da superação de desafios pelo trabalho e pelo estudo continuado.
A questão que fica é como vai ser paga a conta do endividamento público-privado  e da criação da cultura do empreguismo estatal em todas as áreas de governo.
O petismo sórdido, temos que reconhecer, dominou o país por explorar com uma competência sem par aquilo que de pior temos: FALTA DE INTEGRIDADE, CIDADANIA E PATRIOTISMO. Encontrou no Poder Legislativo e no Poder Judiciário o apoio que precisava para promover uma degeneração moral geral e quase irrestrita. Associados nessa criminosa deformação do poder público estão unidos, cada vez mais, classes sociais formadoras de opinião, especialmente a imprensa marrom, a academia e o meio artístico.
Nas Forças Armadas, outrora defensores da Constituição e da Democracia encontro um clima de covardia, omissão e cumplicidade de muitos de seus comandantes.
Todos os dias lendo as manchetes dos jornais temos as comprovações que o Brasil é um Paraíso de Patifes e está sendo governado por um Covil de Bandidos.
Geraldo Almendra

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