sábado, 30 de abril de 2011

SUBSERVIÊNCIA DO PT COM A CHINA

Meus Amigos,

O PT se alinha ideologicamente com a China de maneira servil e adota politicas que favorecem os chineses, em detrimento da indústria nacional. A destruição está em processo acelerado, com plantas inteiras deixando o país no rumo do Oriente. Já passou da hora de dar um basta. O PT repete o antigo Partido Comunista Brasileiro, de Luiz Carlos Prestes. Faz tudo que o Partido Comunista chinês manda.

Meus comentários em vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=i7gP39k0s-M

Cordialmente,

Nivaldo Cordeiro
video

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O SACRIFÍCIO DE ANDRÔMEDA

A imensa vantagem da esquerda sobre as forças conservadoras (ou de direita) é que aquela é infinitamente mais bem organizada e articulada do que estas, mesmo sendo a minoria do pensamento de todo povo brasileiro.


ANDRÔMEDA, na mitologia da Grécia antiga, era uma jovem, filha de Cassiopéia e de Cefeu, reis da Etiópia. Cassiopéia ousou comparar sua própria beleza à das nereidas, que serviam a Possêidon. Furioso, Possêidon mandou um monstro marinho atacar a Etiópia.
Um oráculo disse que Andrômeda deveria ser sacrificada à serpente para salvar sua gente. Perseu viu Andrômeda acorrentada a um rochedo, apaixonou-se por ela e matou o monstro. Depois de sua morte, Andrômeda transformou-se em uma constelação. 

O artigo Gado Fardado tem sido interpretado por alguns como sendo a prova de que nossas Forças Armadas estão acovardadas e que os comandantes militares perderam sua coragem.
O post é passível desta interpretação, mas não é exatamente a mais correta.
O texto não é uma afirmação, mas uma análise de como o silêncio pode ser visto como falta de pulso, de coragem.
Afinal, fica por demais complicado de se entender porque nossos chefes se calam diante de tamanha falsificação da história brasileira que é diuturnamente incutida na cabeça de nossa juventude universitária, de onde sairão formadores de opinião e líderes de todos os setores.
É claro que existem oficiais, subtenentes e sargentos marcados com a ideologia do partido.
Mas estes compõem a minoria dos integrantes de nossas Forças Armadas.
O problema é que o silêncio destas acaba por deixar margem para interpretações equivocadas.
E é justamente isto o que está colocado naquele post.
O fato é que vivemos uma situação inusitada.
A grande maioria da população é simpática aos militares e aos valores morais que eles defendem e representam.
Acontece que a minoria é barulhenta e faz parecer justamente o contrário.
Estes estão no poder hoje (tanto político quanto cultural) e nos fazem crer que sua ideologia revolucionária e amoral é a vontade de toda a população o que, de fato, não é verdade.
A imensa vantagem da esquerda sobre as forças conservadoras (ou de direita) é que aquela é infinitamente mais bem organizada e articulada do que estas, mesmo sendo a minoria do pensamento de todo povo brasileiro.
Neste contexto, os militares também estão inseridos.
A eles cabe a guarda das instituições e não das pessoas que as representam.
A eles cabe manter a ordem de todo o Estado Brasileiro.
A eles cabe garantir que, mesmo cercados por antigos desafetos, a segurança interna e as garantias individuais sejam respeitadas. 
O movimento de 31 de março de 1964 não foi articulado pelos militares.
Não saíram dos quartéis pura e simplesmente para acabar com a ameaça comunista.
Eles atenderam o clamor popular da época pelo fim de atos de violência praticados pelo PCB e, especialmente, pela ameaça à propriedade privada sinalizada pelas reformas de João Goulart.
Por trás de cada homem fardado estava (assim como hoje está) a vontade popular, a defesa do Brasil como nação livre que, por pouco, não se tornou mais uma república popular comunista com seus fuzilamentos, assassinatos e fome generalizada.
Hoje pode parecer que os comandantes militares, se acovardam diante do status quo.
E foi justamente esta a essência do post "Gado Fardado": que, para quem enxerga de fora, nossos militares estão marcados e castrados, fruto do silêncio da instituição a respeito daqueles conturbados anos e da situação atual.
O problema é que a verdade precisa ser redescoberta pela população.
É preciso que grupos de pessoas se reúnam, se organizem em busca dos fatos que ocorreram na nossa história recente.
É preciso que se criem grupos de estudos conservadores que não tenham vergonha de sê-lo.
Aqueles que possuem o conhecimento precisam difundí-lo e mostrar para nossa sociedade que ela não está sozinha, que por mais que a esquerda tente impor sua ideologia como sendo a vontade popular, a maioria conservadora brasileira estará  atenta e organizada para, pelo voto, por artigos em jornais, produção cultural e partidos políticos devolver o país a seu verdadeiro caminho.
Enquanto isto não acontece os militares permanecem em silêncio, mas certos de suas convicções.
De nada adianta a caserna se revoltar e retomar o poder à força pois, quando o fizer, estará perdendo a sua credibilidade.
É preciso que a sociedade dita civil levante-se contra a doutrinação moral e ideológica que a envolve.
Assim os aparentes gados fardados nada mais são do que a representação do grande rebanho brasileiro. Enquanto a população não despertar do transe os cidadãos fardados nada poderão fazer.
Os sargentos, oficiais, chefes e comandantes militares, aparentemente acovardados, não se esqueceram dos valores que moldam nossa sociedade.
Não se esqueceram dos horrores do comunismo, e estão a par do que acontece em nosso país.
Entretanto, não podem simplesmente agir e quebrar a atual conjuntura.
Defendem, como já disse, as instituições, não as pessoas que as representam.
Como a princesa Andrômeda fizera pelo seu povo, oferecendo a vida à Posiedon, sacrificam seus ideais em prol de algo maior que é a estabilidade da nação.
Resistem como rochas à toda sorte de críticas e provocações para manter viva a possibilidade de mudança sem derramamento de sangue.
Mesmo amarrados por correntes invisíveis que restringem seus movimentos, os comandantes militares jamais deixaram de acreditar naquilo que sempre defenderam, sem se preocupar se sua determinação, coragem e honra serão questionadas. Suas convicções não serão abaladas por isso; não podem abalar-se por isto.
Precisam cumprir o seu juramento de defender a integridade e as instituições da pátria mesmo que custe a sua vida ou sua reputação.
Em algum tempo, a verdadeira história irá surgir.
Em algum momento, pesquisadores sérios deixarão o mundo das idéias e partirão para a prática, organizando o difuso, porém majoritário, pensamento conservador.
Em alguma hora, a maioria da população irá se organizar para resgatar aquilo que mais de 20 anos de governos de esquerda subtraíram de seus direitos, de sua moral e de sua religião.
E, pelo voto e pelo despertar da hipnose, os verdadeiros representantes da maioria irão ascender aos cargos mais alto do poder.
Quando este dia chegar lá estarão os militares, prontos a legitimá-los e a defendê-los, como sempre fizeram.

Tal como Andrômeda, o sacrifício não terá sido em vão.

Lenilton Morato





segunda-feira, 25 de abril de 2011

DO MARXISMO CULTURAL

Para aqueles que não conhecem a origem do câncer que se impregnou no mundo pós Primeira Guerra Mundial, notadamente no Brasil com a ascensão ao poder de governantes socialistas revolucionários, este artigo é uma aula magna, límpida e cristalina, sobre a redução política, moral e religiosa brasileira.
O Editor.
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Por Olavo de Carvalho

Segundo o marxismo clássico, os proletários eram inimigos naturais do capitalismo. Lênin acrescentou a isso a idéia de que o imperialismo era fruto da luta capitalista para a conquista de novos mercados. Conclusão inevitável: os proletários eram também inimigos do imperialismo e se recusariam a servi-lo num conflito imperialista generalizado. Mais apegados a seus interesses de classe que aos de seus patrões imperialistas, fugiriam ao recrutamento ou usariam de suas armas para derrubar o capitalismo em vez de lutar contra seus companheiros proletários das nações vizinhas.
Em 1914, esse silogismo parecia a todos os intelectuais marxistas coisa líquida e certa. Qual não foi sua surpresa, portanto, quando o proletariado aderiu à pregação patriótica, alistando-se em massa e lutando bravamente nos campos de batalha pelos “interesses imperialistas”!
O estupor geral encontrou um breve alívio no sucesso bolchevique de 1917, mas logo em seguida veio a se agravar em pânico e depressão quando, em vez de se expandir  para os países capitalistas desenvolvidos, como o previam os manuais, a revolução foi sufocada pela hostilidade geral do  proletariado.
Diante de fatos de tal magnitude, um cérebro normal pensaria, desde logo, em corrigir a teoria. Talvez os interesses do proletariado não fossem tão antagônicos aos dos capitalistas quanto Marx e Lênin diziam.¨
György Luckács (1885-1971)
Mas um cérebro marxista nunca é normal. O filósofo húngaro Gyorgy Lukacs, por exemplo, achava a coisa mais natural do mundo repartir sua mulher com algum interessado. Pensando com essa cabeça, chegou à conclusão de que quem estava errado não era a teoria: eram os proletários. Esses idiotas não sabiam enxergar seus “interesses reais” e serviam alegremente a seus inimigos. Estavam doidos. Normal era Gyorgy Lukács. Cabia a este, portanto, a alta missão de descobrir quem havia produzido a insanidade proletária. Hábil detetive, logo descobriu o culpado: era a cultura ocidental. A mistura de profetismo judaico-cristão, direito romano e filosofia grega era uma poção infernal fabricada pelos burgueses para iludir os proletários. Levado ao desespero por tão angustiante descoberta, o filósofo exclamou: “Quem nos salvará da cultura ocidental?

Felix Weil:
Fundador da Escola de Frankfurt
A resposta não demorou a surgir. Felix Weil, outra cabeça notável, achava muito lógico usar o dinheiro que seu pai acumulara no comércio de cereais como um instrumento para destruir, junto com sua própria fortuna doméstica, a de todos os demais burgueses. Com esse dinheiro ele fundou o que veio a se chamar “Escola de Frankfurt”: um “think tank” marxista que, abandonando as ilusões de um levante universal dos proletários, passou a dedicar-se ao único empreendimento viável que restava: destruir a cultura ocidental. Na Itália, o fundador do Partido Comunista, Antônio Gramsci, fora levado à conclusão semelhante ao ver o operariado trair o internacionalismo revolucionário, aderindo em massa à variante ultranacionalista de socialismo inventada pelo renegado Benito Mussolini. Na verdade os próprios soviéticos já não acreditavam mais em proletariado: Stálin recomendava que os partidos comunistas ocidentais recrutassem, antes de tudo, milionários, intelectuais e celebridades do “show business”. Desmentido pelos fatos, o marxismo iria à forra por meio da auto-inversão: em vez de transformar a condição social para mudar as mentalidades, iria mudar as mentalidades para transformar a condição social. Foi a primeira teoria do mundo que professou demonstrar sua veracidade pela prova do contrário do que dizia.

António Gramsci
Fundador do PC Italiano
Os instrumentos para isso foram logo aparecendo. Gramsci descobriu a “revolução cultural”, que reformaria o “senso comum” da humanidade, levando-a a enxergar no martírio dos santos católicos uma sórdida manobra publicitária capitalista, e faria dos intelectuais, em vez dos proletários, a classe revolucionária eleita. Já os homens de Frankfurt, especialmente Horkheimer, Adorno e Marcuse, tiveram a idéia de misturar Freud e Marx, concluindo que a cultura ocidental era uma doença, que todo mundo educado nela sofria de “personalidade autoritária”, que a população ocidental deveria ser reduzida à condição de paciente de hospício e submetida a uma “psicoterapia coletiva”.
Estava, portanto, inaugurada, depois do marxismo clássico, do marxismo soviético e do marxismo revisionista de Eduard Bernstein (o primeiro tucano), a quarta modalidade de marxismo: o marxismo cultural. Como não falava em revolução proletária nem pregava abertamente nenhuma truculência, a nova escola foi bem aceita nos meios encarregados de defender a cultura ocidental que ela professava destruir.
Expulsos da Alemanha pela concorrência desleal do nazismo, os frankfurtianos encontraram nos EUA a atmosfera de liberdade ideal para a destruição da sociedade que os acolhera. Empenharam-se então em demonstrar que a democracia para a qual fugiram era igualzinha ao fascismo que os pusera em fuga. Denominaram sua filosofia de “teoria crítica” porque se abstinha de propor qualquer remédio para os males do mundo e buscava apenas destruir: destruir a cultura, destruir a confiança entre as pessoas e os grupos, destruir a fé religiosa, destruir a linguagem, destruir a capacidade lógica, espalhar por toda parte uma atmosfera de suspeita, confusão e ódio. Uma vez atingido esse objetivo, alegavam que a suspeita, a confusão e o ódio eram a prova da maldade do capitalismo.
Da França, a escola recebeu a ajuda inestimável do método “desconstrucionista”, um charlatanismo acadêmico que permite impugnar todos os produtos da inteligência humana como truques maldosos com que os machos brancos oprimem mulheres, negros, gays e tutti quanti, incluindo animais domésticos e plantas.
A contribuição local americana foi a invenção da ditadura lingüística do “politicamente correto”.
Em poucas décadas, o marxismo cultural tornou-se a influência predominante nas universidades, na mídia, no show business e nos meios editoriais do Ocidente. Seus dogmas macabros, vindo sem o rótulo de “marxismo”, são imbecilmente aceitos como valores culturais supra-ideológicos pelas classes empresariais e eclesiásticas cuja destruição é o seu único e incontornável objetivo. Dificilmente se encontrará hoje um romance, um filme, uma peça de teatro, um livro didático onde as crenças do marxismo cultural, no mais das vezes não reconhecidas como tais, não estejam presentes com toda a virulência do seu conteúdo calunioso e perverso.
Tão vasta foi a propagação dessa influência, que por toda parte a idéia antiga de tolerância já se converteu na “tolerância libertadora” proposta por Marcuse: “Toda a tolerância para com a esquerda, nenhuma para com a direita”. Aí aqueles que vetam e boicotam a difusão de idéias que os desagradam não sentem estar praticando censura: acham-se primores de tolerância democrática.
Por meio do marxismo cultural, toda a cultura transformou-se numa máquina de guerra contra si mesma, não sobrando espaço para mais nada.

sábado, 23 de abril de 2011

BEATIFICAÇÃO DE JOÃO PAULO II e CUBA: dilema de consciência para os católicos cubanos

Armando Valladares
Não me consta que durante o processo de beatificação deste Pontífice se tenham dado a conhecer publicamente interrogações sobre seu pensamento com relação ao comunismo cubano, pensamento que inclusive parece ir além do campo diplomático e adentrar-se no plano doutrinário, daí a necessidade de consciência de expor, da maneira mais respeitosa e filial possível, as presentes reflexões.
Armando Valladares

A anunciada beatificação de S.S. João Paulo II, prevista para se realizar no próximo 1º de maio, coloca muitos fiéis católicos cubanos em um dilema de consciência sem precedentes que, por causa de sua fé, da veneração à sua Pátria e do amor por suas famílias se opõem ao comunismo. Com efeito, esses fiéis católicos vêem com perplexidade e com o coração dilacerado tudo aquilo que o referido Pontífice teria feito em algumas circunstâncias, e deixado de fazer em outras, para favorecer direta ou indiretamente o comunismo cubano.

Cito na continuação, resumidamente, alguns exemplos que tive oportunidade de comentar extensamente ao longo dos anos, em diversos artigos sobre a colaboração eclesiástica com o comunismo na ilha-cárcere, e conto antecipadamente com a compreensão dos leitores. Faço-o enquanto fiel católico e enquanto cubano, com todo o respeito possível à Igreja, disposto a ouvir e analisar eventuais explicações de fontes sabidamente autorizadas, que até o momento não são de meu conhecimento, sobre os dolorosos fatos históricos que se concede sucintamente na continuação.

Em 8 de janeiro de 2005, ao receber as cartas credenciais do novo embaixador cubano, João Paulo II pronunciou uma alocução elogiando as "metas" que as "autoridades cubanas" teriam supostamente obtido em matéria de saúde, educação e cultura. Na realidade, trata-se de uma sinistra trilogia que o regime tem utilizado como instrumento, durante mais de meio século, para corromper as consciências de gerações inteiras de cubanos desde sua mais tenra idade, provocando um genocídio espiritual sem precedentes na história da Igreja nas Américas.

Não obstante, João Paulo II, na mesma alocução, insistiu em seus elogios chegando a asseverar que mediante essa trilogia as "autoridades" de Cuba - ou seja, os membros do regime castrista - colocariam "pilares do edifício da paz" e incentivariam o "crescimento harmônico do corpo e do espírito". Com isso o Pontífice pareceu ignorar que Fidel Castro, Che Guevara e seus sequazes, em nome dessa trilogia, provocaram a destruição e a morte "do corpo e do espírito" de tantas pessoas em tantos países da América Latina, África e Ásia.

O elogio ao comunismo e aos integrantes da ditadura castrista não poderia ter sido maior. Para os cubanos que sentiram e continuam sentindo em sua própria carne a obra destruidora da revolução comunista em sua Pátria, as referidas considerações papais são particularmente dolorosas e, sinceramente, não consigo vislumbrar como justificá-las. Essas considerações, que vão além das mais benévolas fórmulas de cortesia diplomáticas, vistas desde uma perspectiva histórica, alcançam em cheio e até laceram a memória daqueles jovens mártires católicos cubanos que morreram nos paredões de fuzilamento gritando "Viva Cristo Rei! Abaixo o comunismo!".

Na mesma alocução, uma das mais importantes sobre Cuba em seu longo Pontificado, o reconhecimento de João Paulo II se estendeu a um alegado "espírito de solidariedade" do internacionalismo cubano, que se manifestaria no "envio de pessoal e recursos materiais" a outros povos, por ocasião de "calamidades naturais, conflitos ou pobreza".

Na realidade, como se acaba de lembrar, longe de refletir um espírito de "solidariedade" cristã, o internacionalismo comunista colocou Cuba no triste papel de exportador de conflitos na América Latina, África e Ásia, com "pessoal e recursos materiais" utilizados, não para solucionar conflitos ou diminuir a pobreza, mas para exacerbá-los, suscitando guerrilhas que, por sua vez, contribuíram para provocar sangrentas calamidades piores do que as da natureza. Na realidade, o internacionalismo cubano contribuiu para afundar nações na pior "pobreza" material e espiritual, algo que historicamente resultou diametralmente o contrário de tirá-las dessa triste condição.

Para Cuba comunista, o modelo "solidário" internacionalista teve como uma de suas principais figuras o guerrilheiro argentino-cubano Ernesto Che Guevara, que chegou a afirmar que o "ódio" é um motor capaz de transformar o revolucionário em "uma efetiva, violenta, seletiva e fria máquina de matar". Por isso, a alusão papal a esse suposto "espírito de solidariedade" do internacionalismo cubano não pode deixar de produzir consternação (cf. A. Valladares, "João Paulo II, Cuba e um dilema de consciência", Diario Las Américas, Miami, 15 de janeiro de 2005).

Na referida alocução, S.S. João Paulo II não citou Che Guevara, porém já o havia feito em janeiro de 1998, em breves palavras elogiosas e até laudatórias, no avião que o conduzia a Cuba. Em conversação informal com os jornalistas, consultado a respeito de seu pensamento sobre Che Guevara, disse textualmente o referido Pontífice: "Deixemos a Ele, o Senhor nosso, o julgamento sobre seus méritos. Certamente, eu estou convencido de que ele queria servir aos pobres" (Vatican Information Service, "Os jornalistas entrevistam o Papa durante o vôo a Cuba", Cidade do Vaticano, 21 de janeiro de 1998).

A fonte informativa, a própria agência de notícias da Santa Sé, não podia ser mais oficial, e isso faz com que as palavras do Pontífice causem especial mal-estar. Como uma árvore má poderia gerar bons frutos como, por exemplo, o serviço cristão aos mais pobres e desamparados? (cf. São Mateus, 7,18). Por ventura não foi Guevara um "satânico açoite" - segundo certeira expressão de S.S. Pio XI ao referir-se ao comunismo - para Cuba e para tantos outros países, promovendo revoluções sangrentas que prejudicaram especialmente aos mais pobres, precisamente àqueles a quem o Pontífice afirma que Guevara queria servir? (cf. A. Valladares, "Monsenhor Céspedes: João Paulo II e o Che Guevara", Diario Las Américas, Miami, 26 de junho de 2008).

Por uma lamentável coincidência, essas declarações elogiosas a Che Guevara foram feitas por João Paulo II, precisamente quando o avião que o levava à Havana passava em frente às costas da Flórida, onde concentra-se o maior número de cubanos desterrados. As referidas declarações resultaram dessa maneira especialmente dilacerantes, do ponto de vista espiritual, para esses cubanos desterrados que não puderam deixar de lembrar que 11 anos antes, por ocasião da visita de João Paulo II a Miami, se sentiram abandonados espiritualmente quando o Pontífice não visitou nessa cidade a tão simbólica Ermida da Caridad del Cobre, não recebeu uma delegação representativa do desterro que lhe solicitou uma audiência, e pareceu não ver as dezenas de milhares de bandeirinhas cubanas, ondeadas por cubanos desterrados que foram saudá-lo nos atos públicos, e que esperaram em vão uma palavra de consolo para si mesmos, para suas famílias e para a sua querida Pátria escravizada.

Os raios, relâmpagos e centelhas que interromperam a mais importante e concorrida dessas celebrações por ocasião da visita de João Paulo II a Miami, contribuíram para formar um marco tragicamente apropriado para interpretar o sentimento de abandono que sentiram essas dezenas de milhares de desterrados cubanos, pelo fato de não ter ouvido uma palavra de consolo do Pontífice ante a tragédia de sua Pátria amada, e ante suas próprias tragédias pessoais e familiares.

Da recepção oferecida ao ditador Castro em Roma, em 1966, e da posterior viagem de João Paulo II a Cuba, em 1998, muito se poderia comentar, e de fato se comentou, do ponto de vista dos enormes dividendos publicitários e diplomáticos obtidos pelo regime de Havana. Opto então por destacar aqui, da viagem a Cuba, alguns aspectos pouco ou nada comentados de suas importantes alocuções. Baseio-me no estudo "Cuba comunista depois da visita papal", editado em 1998 pela Comissão de Estudos pela Liberdade de Cuba, de Miami.

Em Havana, em uma de suas alocuções, depois de lançar a discutível premissa de um "diálogo fecundo" entre crentes e não-crentes, ou seja, com os comunistas cubanos, João Paulo II fez um chamado a encontrar uma "síntese" cultural pelo fato de que supostamente as partes no processo de "diálogo" teriam "uma finalidade comum", a de "servir ao homem".

Com toda a veneração e o respeito devidos, não se compreende como possa ocorrer uma "síntese" entre elementos totalmente antagônicos e incompatíveis como são os princípios da fé católica e os da anti-cultura marxista. Como seria possível uma "síntese" entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, entre Jesus Cristo de um lado e Karl Marx, Che Guevara e Fidel Castro do outro?

Tampouco é possível compreender a afirmação de João Paulo II de que a Igreja e as "instituições culturais" do sistema comunista cubano podem ter uma "finalidade comum" ao serviço de progresso espiritual dos cubanos, como se a "finalidade" do regime não tivesse sido a de aplicar todos os seus esforços, de maneira metódica, durante quarenta anos, para destruir a "alma cristã", ou seja, uma "finalidade" que não somente não é comum, senão que é diametralmente oposta.

Outro aspecto do Pontificado de João Paulo II que provocou perplexidade e inquietação em inumeráveis cubanos, foi a série de pedidos de perdão por aquilo que o Pontífice considerou como pecados passados e presentes dos filhos da Igreja, nos quais, entretanto, não foi possível encontrar a mais mínima referência à conivência ideológica e à cumplicidade estratégica de tantos eclesiásticos com o comunismo em Cuba, e também em outros países do mundo, por ação ou omissão, durante décadas (cf. A. Valladares, "O pedido de perdão que não houve: a colaboração eclesiástica com o comunismo", Diario Las Américas, Miami, 22 de março de 2000).

Nesse sentido, João Paulo II apoiou, durante todo seu longo Pontificado, os colaboracionistas Bispos cubanos, especialmente por ocasião do Encontro Nacional Eclesial Cubano, em 1986. Em mensagem transmitida pelo cardeal Pironio, João Paulo II manifestou seu "merecido reconhecimento" ao extenso documento de trabalho, no qual se estabelecia como meta uma inédita e ousada "síntese vital" comuno-católica, reafirmada no documento final, e nomeou cardeal o arcebispo de Havana, monsenhor Jaime Ortega y Alamino, um dos maiores artífices do processo de aproximação comuno-católico em Cuba.

Nesta relação de exemplos de favorecimento de João Paulo II ao comunismo cubano, direta ou indiretamente, com palavras, obras e omissões, menciono, finalmente, em ordem cronológica, três filiais e reverentes cartas de cubanos desterrados a João Paulo II que, lamentavelmente, ficaram sem resposta, as três assinadas por dezenas de personalidades representativas do desterro cubano. Em 1987, em Miami, por ocasião da visita de João Paulo II a essa cidade: "Santo Padre, liberta Cuba!" (Diario Las Américas, Miami, 7 de agosto de 1987). Em 1998, em Roma: "Os cubanos desterrados apelam a João Paulo II: Santidade, protege-nos da atuação do Cardeal Ortega!" (Diario Las Américas, Miami, 24 de outubro de 1998). E em 1999, também em Roma: "Santo Padre, resgata do esquecimento os mártires cubanos, vítimas do comunismo!" (Diario Las Américas, Miami, 21 de setembro de 1999).

Consta-me que, por ocasião do processo de beatificação de João Paulo II, personalidades católicas manifestaram publicamente sua perplexidade por palavras, obras e omissões de João Paulo II no campo religioso. Porém, não me consta que durante o curso desse processo de beatificação tenham-se estabelecido publicamente interrogações sobre o pensamento deste Pontífice com relação ao comunismo cubano, pensamento que inclusive parece ir além do campo diplomático e adentrar-se no plano doutrinário. Daí a necessidade de consciência de expor, da maneira mais respeitosa e filial possível, as presentes reflexões.

Neste sentido, sinceramente não vislumbro como os católicos cubanos de dentro e fora da ilha, que concordaram com as teses de meus artigos, porém especialmente com as brilhantes análises e comentários de outros compatriotas na mesma linha, possam ver João Paulo II como um exemplo a ser seguido e imitado, por causa do tratamento que deu ao problema do comunismo em nossa Pátria, segundo mostrou-se nos parágrafos anteriores.

Sei que nos processos de beatificação os teólogos esquadrinham os escritos daqueles candidatos a ser beatificados. É possível que esses teólogos tenham analisado os textos de João Paulo II que acabo de citar e de comentar respeitosa e filialmente. Se assim o fizeram, queira Deus que os católicos cubanos possamos tomar conhecimento dessas sábias explicações. De outra maneira, o dilema de consciência não fará senão aumentar, porque, como compreender então que um Pontífice que tanto fez pelo comunismo cubano chegue a ser proclamado Beato da Igreja? Peço e até suplico que os tão delicados ditos e feitos acima citados de S.S. João Paulo II sejam devidamente esclarecidos e explicados. De outra maneira, a beatificação de João Paulo II, anunciada para o próximo 1º de maio, poderá estar indelevelmente marcada pelo sinal da perplexidade, da contradição e da confusão.

Enquanto fiel católico cubano, creio que tenho não somente o direito, mas a obrigação de consciência de dar a conhecer estas considerações. Já disse e reitero nesta dramática conjuntura. Tenho um compromisso com aqueles jovens mártires católicos que morreram na sinistra prisão de La Cabaña gritando "Viva Cristo Rei! Abaixo o comunismo!"; com meus amigos assassinados nas prisões; com a luta pela liberdade de minha Pátria; com a História e, acima de tudo, com Deus e a Virgem da Caridad del Cobre, Padroeira de Cuba. A análise da vida e da morte de qualquer ser humano, por extraordinária que tenha podido ser, não deveria apagar, mudar, alterar ou ignorar as conseqüências dos atos que eventualmente praticou.


Armando Valladares, escritor, pintor e poeta. Passou 22 anos nos cárceres políticos de Cuba. É autor do best seller "Contra toda a esperança", onde narra o horror das prisões castristas. Foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da ONU sob as administrações Reagan e Bush. Recebeu a Medalha Presidencial do Cidadão e o Superior Award do Departamento de Estado. Escreveu numerosos artigos sobre a lamentável colaboração eclesiástica com o comunismo cubano e sobre a "ostpolitik" vaticana para com Cuba. E-mail: armandovalladares2011@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Tradução: Graça Salgueiro

O COMUNISMO DEPOIS DO FIM



Prof. Olavo de Carvalho
Jornalista, Filósofo e Ensaista

Por Olavo de Carvalho

Imagine que, finda a II Guerra Mundial, morto o Führer nas profundezas do seu bunker, restaurada a democracia na Alemanha, um consenso tácito universal decidisse que os crimes de guerra nazistas não deveriam ser investigados nem punidos, que o Partido Nazista continuaria na legalidade sob denominações diversas, que uma boa parte dos campos de concentração deveria continuar funcionando ao menos discretamente, que ninguém na Gestapo ou nas SS seria demitido ou interrogado e que alguns bons funcionários dessas lindas instituições deveriam ser mesmo postos no comando da nação.
Nessas condições, você acreditaria em "fim do nazismo"? Ou antes, perceberia aí um imenso "upgrade" desse movimento satânico, despido de sua aparência mais óbvia e comprometedora, sutilizado e disseminado no ar como um vírus para contaminar toda a humanidade?
Você acreditaria em "fim do nazismo" se, preservados os meios de subsistência e expansão desse movimento, a mídia internacional e a opinião elegante decretassem instantaneamente a mais drástica repressão moral a todo antinazismo explícito, acusando de paranóico e antidemocrático quem ousa especular, mesmo de longe, sobre os riscos de um retorno do regime nazista sob outro nome?
Você acreditaria em "fim do nazismo" se, decorrido meio século de sua pretensa extinção, toda tentativa de investigar e divulgar a extensão dos seus crimes fosse condenada publicamente como uma inconveniência, um pecado, um maldoso revanchismo?
Você acreditaria em "fim do nazismo" se, na Alemanha e fora dela, qualquer crítica mais pesada aos que em outras épocas fizeram a apologia desse regime genocida fosse banida e perseguida como um delito ou no mínimo como um sinal de patologia mental?
Você acreditaria em "fim do nazismo" se por toda parte os que fizeram propaganda nazista  fossem paparicados e homenageados não só como grandes figuras da vida intelectual e artística mas como defensores da liberdade e dos direitos humanos?
Você acreditaria em "fim do nazismo" se notórios militantes pró-nazistas estivessem subindo ao poder por via eleitoral em várias nações do Terceiro Mundo, enquanto em outras espocassem guerrilhas, revoluções e golpes de Estado inspirados na pregação nazista?
Você acreditaria em "fim do nazismo" se as nações que supostamente o venceram estivessem cercadas por uma campanha de ódio internacional apoiada por partidos e organizações nazistas?
Você acreditaria em "fim do nazismo" se todos os que se auto-rotulassem "ex"-nazistas fizessem apenas críticas muito vagas e genéricas ao regime de Hitler, mudando de assunto rapidamente, mas em contrapartida continuassem atacando o antinazismo como o pior dos males?
Pois então, santa misericórdia, por que acredita em "fim do comunismo"? O movimento comunista internacional não foi desmantelado, nem debilitado, nem mesmo acusado do que quer que fosse. Na Rússia o Partido Comunista conserva um bom número de cadeiras no parlamento, a KGB (com nome trocado pela milésima vez desde Lênin) continua funcionando a pleno vapor com verbas superiores às de todos os serviços secretos ocidentais somados, o Gulag continua repleto de prisioneiros. Na China, no Vietnã, na Coréia do Norte e em Cuba um bilhão e quatrocentos milhões de pessoas vivem ainda sob o Estado policial comunista que, a cada nova promessa de liberalização feita para seduzir investidores estrangeiros, mais aperta as engrenagens da repressão e estrangula qualquer veleidade de oposição organizada. Na América Latina e na África, novos regimes comunistas ou pró-comunistas surgem e, diante dos olhos complacentes da mídia internacional, desmantelam pela violência ou pela chicana todas as oposições, demolem as garantias de liberdade individual e o direito de propriedade e fomentam guerrilhas e revoluções nos países vizinhos, com o apoio das redes de tráfico de entorpecentes montadas pela KGB e pela espionagem chinesa desde os anos 60, hoje crescidas ao ponto de controlar a economia de países inteiros. Nas nações capitalistas supostamente triunfantes, slogans, valores e critérios da "revolução cultural" marxista dos anos 60 se impõem oficialmente nas escolas e nos lares como um dogmatismo inquestionável, ao mesmo tempo em que um lobby comunista de dimensões tricontinentais controla rigidamente o fluxo do noticiário nos principais jornais e canais de TV, e nas universidades a ortodoxia marxista consegue calar pela intimidação e pela chantagem as poucas vozes discordantes.
Como, em sã consciência, alguém que saiba dessas coisas pode afirmar que o comunismo acabou ou que ele não representa mais perigo algum?

sábado, 16 de abril de 2011

A PREGAÇÃO TOTALITÁRIA

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O desarmamento civil é ponto programático dos globalistas que controlam a ONU e seus agentes no Brasil estão fazendo todos os esforços para essa fim. Vimos que o invertebrado José Sarney teve a brilhante idéia de chamar um novo plebiscito, a fim de tentar novamente proibir de vez a comercialização de armas. Hoje foi o sinistro Luiz Fux que falou ao site da Globo.com. O sinistro nomeado pela corriola do PT opinou que não é necessário plebiscito, que basta cumprir a hedionda lei em vigor. Mas foi além. Como o Estado tem autoridade para entrar nas casas das pessoas para combater o mosquito da dengue, o sinistro ensina que teria a mesma autoridade para vasculhar as residências, a fim de apreender armas. Idéia tão hedionda só passou pela cabeça de gente ilustre do porte de Hitler e Stalin. É essa ralé moral que está a nos governar, que ocupa os altos postos da magistratura. As liberdades correm perigo. O Brasil caminha rápido para uma ordem totalitária.


As asnices do “iluminado” Fiat Fux


 

O Ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux adora alardear suas origens hebréias como descendente de refugiados do holocausto nazista. “O primeiro judeu ministro do STF” é o que se vende por aí na imprensa, na mídia e até em setores da comunidade judaica, como sinal de avanço e modernidade no judiciário brasileiro. Se os ancestrais do magistrado podem ter sofrido violentas perseguições de um regime totalitário, no entanto, ao que parece, o Sr. Fux não aprendeu nada sobre as lições que seu povo guardou durante sua história. Se depender das opiniões do novo juiz, é possível que o país se torne uma verdadeira ditadura nacional-socialista, só que petista.

Em entrevista ao G1 Globo, na data do dia 15 de abril de 2011, Fux afirma que não é necessário fazer novo plebiscito para o desarmamento civil. O magistrado, que até então dizia elevar a vontade do povo como um bem supremo, acima de tudo e de todos, mudou de idéia, conforme suas conveniências ideológicas. Na reportagem, ele demagogicamente afirma: “É um exemplo de defesa do povo contra o povo. Eu acho que o povo votou errado. Para que serve você se armar? Quando você se arma, pressupõe que se vive num ambiente beligerante. Muito melhor é uma sociedade solidária, harmônica. Eu acho que os políticos têm que avaliar o clima de insegurança do país. E já há o Estatuto do Desarmamento. Tem que fazer valer a lei, implementar políticas públicas no afã de desarmar a população. Não tem que consultar mais nada. O Brasil é um país que tem uma violência manifesta. Tem que aplicar essa lei e ter política pública de recolhimento de armas. Não [se] entra na casa das pessoas para ver se tem dengue? Tem que ter uma maneira de entrar na casa das pessoas para desarmar a população”.

Na Folha de São Paulo, em 16 de abril de 2011, Fux reitera suas idiossincrasias nazi-petistas com argumentos visivelmente ridículos: “Acho que a questão do desarmamento tem que ser resultado de ato de império do Estado. O Estado tem que decidir através de uma legislação austera. Não tem plebiscito nenhum, não tem que perguntar se o povo quer se armar, tem que desarmar o povo com legalidade.” E ainda acrescenta: “Isso revelou que o povo se equivoca por falta de formação e informação. Então, isso tem que ser uma ação de Estado. O povo está lá no parlamento representado pelos seus deputados e senadores. Tem que deixar por eles, e tem que ter uma ação de Estado”.

Em outras palavras, o juiz está dizendo que o referendo sobre o desarmamento, realizado em 2005, não vale absolutamente nada. Era apenas uma farsa para enganar a população. Como o magistrado acha que o povo votou contra si mesmo, logo, o “iluminado” Fux já nos receita a farmacopéia: rasgar valores constitucionais como o direito de propriedade e a inviolabilidade do domicílio e mesmo a força de lei de uma consulta popular para retirar à força, as armas legalizadas que ainda estão em poder de cidadãos honestos. Tudo em nome de um simulacro de legalidade, seja bem dito. Ou do “império do Estado”. No "sapientíssimo" parecer jurídico do magistrado, usar a polícia arbitrariamente para invadir casas alheias é como "combater a dengue". Resta-nos saber se o Sr. Fux não estava com malária quando afirmou uma sandice dessas!


A opinião deste homem é de uma leviandade, de uma baixeza intelectual e de uma vulgaridade espantosa. Se o Sr. Fux se limitasse apenas a pregar as asneiras chorosas sobre desarmamento, vá lá. Ele adora aparecer na mídia. No entanto, um ministro do STF está nos brindando com uma solução totalitária para o desarmamento da população civil. Invadir casas, destruir a privacidade alheia e forçar a população honesta a entregar suas armas contra sua vontade, revogando os direitos básicos elementares de autodefesa é uma idéia que soaria familiar a Hitler e ao Partido Nazista. Algo que faz lembrar a selvageria da Kristallnacht!

Por falar em nazismo, na cabecinha vazia do ministro, a “harmonia” não é uma condição de equilíbrio, visando garantir a paz e a ordem armada contra os inimigos. É tão somente um pacifismo inócuo e vulgar, que na prática deixa os homens de bem à míngua em vista da sanha dos criminosos. Eu bem gostaria que tal lógica fosse aplicada, por exemplo, ao Estado de Israel. Como bem se sabe, os judeus, desde que se entendem por israelenses, andam armados até os dentes. Do homem à mulher, da criança ao velho, todos sabem usar uma arma e como atirar. E por quê? Por que vivem na sociedade-harmônica-de-faz-de-conta do sr. Fux? Não, porque viveram a quatro mil anos de perseguições e massacres, quase sempre desarmados. E atualmente estão cercados de inimigos por todos os lados, jurados que são de morte pelas ditaduras e terroristas islâmicos. Se Fux apregoasse desarmamento em Israel, seria internado num asilo de loucos. Ou no máximo viraria bobo da corte de alguma sinagoga.

O magistrado relata: “Para que serve você se armar? Quando você se arma, pressupõe que se vive num ambiente beligerante. Muito melhor é uma sociedade solidária, harmônica”. Será que o Estado de Israel representa essa “desarmonia”? Ou quem sabe a Suíça, país também muito bem armado, embora os índices de criminalidade sejam baixíssimos? O Rio de Janeiro, com a lei do desarmamento, é um poço de “harmonia”, em particular, dos traficantes, que controlam as favelas como verdadeiros feudos.

Hitler primeiramente confiscara os judeus alemães para depois deportá-los aos campos de extermínio. Bastou que o gueto de Varsóvia se armasse na Polônia ocupada, para que os judeus investissem numa luta inglória, mas extremamente traumática para a SS, impondo muitas baixas aos alemães. Se Fux fosse um magistrado alemão, provavelmente aprovaria o desarmamento, em nome da “legalidade” e do “império do Estado” nazista!

Não se está falando apenas de um ministro judeu, mas de um judeu que vive numa sociedade longe de ser “harmônica” como o Rio de Janeiro, terra dominada pelo banditismo mais infame e pelo crime organizado. Mas Fux não se contenta em desarmar a população civil. Acha que o Estado tem previsões mágicas de quem vai fazer o crime. Ele diz: “Nos Estados Unidos, tem o monitoramento de pessoas potencialmente perigosas. Hoje, com esse acesso à internet, a esses sites de redes terroristas, pessoas desequilibradas têm acesso a informações que exacerbam seu desequilíbrio. Olha essas fitas que antecederam a essa tragédia, onde esse sujeito gravou isso? É um sujeito que não podia estar solto nunca. Tinha que ter uma medida restritiva de liberdade. Será que ninguém viu isso? Porque não acharam antes isso? Esse homem não tinha um pendor para aquilo? Será que ninguém teve oportunidade de denunciar isso? É um problema que interessa à família e ao Estado também”. Ninguém, em sã consciência, pode prever o crime. Pode-se, no máximo, evitar o crime ou preveni-lo, através de cidadãos honestos armados e polícia preparada. E quem adivinharia que aquele rapaz problemático e solitário faria toda aquela mortandade em Realengo? Porém, a lógica de Fux nos leva às características de um Estado policial, algo digno de NKVD soviética ou Gestapo alemã, na idéia doentia de um governo que tudo vigia e tudo vê, como gigantesco Grande Irmão. Cada indivíduo será vigiado como “potencialmente criminoso”, contrariando o princípio básico da Constituição Federal e de qualquer democracia livre, da presunção de inocência. Essa barbaridade existe no sistema penal cubano, a chamada “conduta pré-delituosa”: qualquer cidadão pode ser preso, se o Estado presumir subjetivamente que o indivíduo fará um crime que não cometeu!

Todavia, Fux guarda uma idolatria nazista e comunista pelo Estado. Os políticos, a burocracia governamental (incluindo o magistrado), a polícia, substancialmente, sabem mais do que nós mesmos sobre os nossos direitos e nossos interesses. Mas ele mesmo se contradiz e se enrola, quando perguntado se possui porte de arma: “Eu sempre tive o porte de arma, mas nunca andei armado. Era importante ter o porte de arma, porque a gente ia sozinho para comarca do interior, não tinha cultura de segurança, mas eu não ia armado. Eu entendo que o povo tem que estar absolutamente desarmado. Se esse sujeito não tivesse acesso a arma e carregadores, quando muito ele entraria ali com uma faca, ia tentar matar um e todos iam correr para tentar evitar aquela tragédia”. Ou seja, o Sr. Fux se acha no direito de se armar quando se sente ameaçado. Ou melhor, quando não há “cultura de segurança” (sabe-se lá o que é isso?). Porém, ele recusa ao cidadão comum esse direito, já que a tal “cultura de segurança” já deixou de existir faz tempo neste país. Por que ele não propõe que os juízes percam o porte de armas, em nome da “sociedade harmônica, solidária”? Deve ser pelo fato de que juízes socialistas como ele se achem membros de uma casta diferenciada de toda uma população, com direitos distintos da massa. Na verdade, Fux deve se achar mais inteligente e esclarecido do que a maioria dos brasileiros que votara no referendo contra o desarmamento civil. O pior de tudo é que o direito natural de autodefesa estará sendo revogado por essa mesma classe de pessoas imbecis que diz nos oferecer justiça e segurança.


E quem disse que o assassino de Realengo comprou armas legais? Neste aspecto, o argumento do Sr. Fux é visivelmente estúpido e desonesto. O mero fato de o jovem homicida ter se armado ilegalmente apenas comprova que a legislação do desarmamento não afeta o direito de se armar dos criminosos e tampouco o crescimento da violência. De fato, a lei do desarmamento cria "cultura de segurança" sim, mas para o bandido, cônscio de que a sociedade estará inerme, sem meios para se defender. Na lógica capciosa do ministro do STF, é como se um criminoso, para arranjar um revólver ou um fuzil, necessitasse registrá-los na Polícia Federal. Dentro do mundinho estranho do Sr. Fux, os bandidos e traficantes vão usar facas, por conta das "políticas públicas" do governo. Que tal então proibir as facas?

Irresponsável, cretino, tosco, perverso. Na verdade, Luiz Fux representa a ascensão dos medíocres, dos homens-massa nos tribunais superiores, agora servis e apaniguados com o governo federal. Fux é o retrato cabal da imbecilidade monstruosa da magistratura deste país.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

GADO FARDADO

Por Lenilton Morato

Na cultura e na tradição gaúcha, existem dois eventos que são muito comemorados nas estâncias (fazendas): a marcação e a castração do gado. No primeiro, o ferro em brasa com as iniciais do dono do rebanho queima o couro da rês para que todos saibam a quem ela pertence. No segundo, retiram-se os culhões dos touros, que passam a ser chamados de bois, com o objetivo de torná-los mais mansos e de engorda mais rápida, preparando-os para o abate. Os indivíduos que possuem características de boa performance e genética são poupados da castração para que se tornem reprodutores, garantindo ao proprietário melhores exemplares para o abate.

Dentro da sistemática da esquerda, ocorre algo semelhante. Indivíduos são marcados e castrados com a ideologia do partido. A marca, entretanto, só é perceptível quando a infeliz criatura abre a boca para repetir o batido discurso revolucionário, em apoio cego a toda forma de dominação intelectual, cultural, moral e religiosa. A castração ocorre quando, ao observar potenciais opositores, a esquerda trata logo de capar as lideranças, seja através de perseguição ideológica, seja pela utilização de cargos em estatais para retirar dos opositores a vontade de lutar pelo que acreditam. Assim, tal qual nas estâncias gaúchas, o gado fica sob controle, esperando a hora do abate.

Dentro dos quartéis não é diferente. Mesmo antes da chamada redemocratização, a esquerda foi progressivamente marcando sargentos, oficiais e comandantes para que abraçassem o seu ideal de "um mundo novo é possível". Progressivamente, a geração de militares nascidos e formados após a retomada do poder pelos partidos políticos foi sendo trabalhada para acreditar que o passado seria esquecido e que a anistia seria realmente para todos. Como coelhos, os cidadãos fardados foram caindo na armadilha. Foram marcados em sua mente, em sua alma para serem apolíticos, sem opinião ideológica formada. E pouco a pouco foram esquecendo os porquês da necessidade do movimento de 31 de março de 1964 e seu posterior enrijecimento. Passaram a acreditar na história contada por aqueles que perderam a batalha militar, mas venceram a guerra cultural.

Aos poucos oficiais de alta patente que ousaram tentar manter viva a história daqueles conturbados anos, o partido tratou logo de castrá-los. Retirando o comando de muitos, enviando para a reserva outros tantos ;a regra do jogo ficou muito clara: aqueles que se posicionarem a favor da Revolução Democrática de 1964 não poderiam ascender aos postos mais elevados da hierarquia militar. E caso já os tivessem galgados, seriam castrados, ou seja, destituídos de seus grandes comandos e retirados para a inatividade. Assim, foi sendo minada a resistência militar aos mandos e desmandos da esquerda, ao mesmo tempo que promoveu-se o acovardamento dos comandantes. A moeda de troca? Cargos, dinheiros, e uma "boquinha" numa estatal como a Petrobrás ou a Vale. A esquerda tem, enfim, o seu rebanho fardado.

O ápice, porém não desfecho, deste processo pode ser observados em duas decisões recentes: a da POUPEX em não mais patrocinar o periódico INCONFIDÊNCIA e a do Comando do Exército em retirar do calendário, as comemorações alusivas à Revolução Democrática de 31 de Março de 1964. Além de não divulgar de maneira clara esta decisão para a tropa, fica evidente o acovardamento moral de nossas Forças Armadas diante desta manifestação clara de tentar forjar ainda mais a história. De olho em seus vencimentos , para não serem ejtados da vida militar e com possibilidade de arrumar um carguinho nas diversas empresas, agências, secretarias e ministérios do governo, os comandantes militares deixam de defender a história de seu país, deixam de lutar pela verdade dos fatos daqueles anos tão distorcidos pela historiografia oficial da academia.

Cada vez mais rapidamente, as nossas Forças Armadas vão fazendo parte do grande rebanho esquerdista. São tratados como gados, marcados e castrados, para depois serem abatidos. Não levantam a voz em defesa de seus ideais. Não mexem uma pena para tentar resistir a esta sem-vergonhice socialista. Entregam suas almas ao partido. Quebram o sagrado juramento de lutarem em defesa da HONRA da Pátria, tão maculada por aqueles que hoje governam o país. Apenas baixam a cabeça e repetem o mantra: sim senhor (a).
Ignoram completamente que estão sendo vítimas de um processo que os levará à sua destruição. Em breve, os outrora defensores da democracia e da liberdade de 1964 serão acusados de torturadores, assassinos e genocidas pelos próprios militares. Estes simplesmente ignoram o mundo a seu redor, limitando-se à rotina de batalhas fictícias contra um inimigo imaginário, enquanto o verdadeiro os governa e comanda.

O triste e preocupante é saber que a cada geração de novos generais a ignorância acerca das forças que atuam no mundo e no Brasil é cada vez maior. Não conseguem enxergar além daquilo que foram programados, além do que permite a marca ideológica imposta pela esquerda, mesmo quando eles sequer se dão conta que a possuem, como gados.

Os que reagem são castrados. Consequentemente, não deixam novas descendências. E o rebanho segue engordando, cada vez mais pronto para o abate.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

31 DE MARÇO DE 1964: Bandidos e Heróis, Disciplina e Hierarquia

Por Gen Marco Antonio Felicio da Silva
A recente suspensão das comemorações do 31 de Março mostra que valores perenes da Instituição estão mudando e, com eles, a própria Instituição, a qual é um reflexo da sociedade à qual se integra.  Esta mudança é parte da criação de uma nova estória, de fundo ideológico, mentirosa, na qual, hoje,  os que se autoproclamam “defensores” da democracia, da justiça e dos direitos humanos eram, em verdade, nas décadas de 60 e 70, a maior parte deles, subversivos e guerrilheiros marxistas de variadas tendências. Buscavam por meios violentos, incluso assassinatos e torturas de inocentes, a "ditadura do proletariado" (aliás, como declararam dois importantes ex-ativistas da esquerda revolucionária: Jacob Gorender e Fernando Gabeira). 
A mesma estória mentirosa apresenta, àquela época, as Forças Armadas como golpistas e os militares como torturadores, os mesmos que, então, respondendo à insegurança e ao medo da população de ser submetida à tirania comunista, em comunhão com muitos civis, arriscaram, e alguns perderam, suas vidas em defesa da liberdade, da ordem e da paz social, propiciando, ao longo de quase 20 anos, índices de crescimento econômico e de desenvolvimento, período conhecido em todo o mundo como o "milagre brasileiro". 
Como contribuição para o fortalecimento dessa estória mentirosa, foi estabelecido o politicamente correto, isto é, ter qualquer opinião, atitude ou comportamento contrário ao que está sendo imposto pela chamada "esquerda progressista" é inaceitável, é ser contrário à democracia e à liberdade. É ser preconceituoso, autoritário e retrógrado. 
Paralelamente, intensa ação psicológica tem sido desencadeada, principalmente, sobre a juventude por meio do ensino e da mídia, e sobre a população em geral, manipulando fatos e situações passadas ( vejam, como exemplos, os livros didáticos distribuídos pelo MEC, os quase 8 milhões de CDs, recentemente distribuídos aos alunos do primeiro grau, as centenas de escolas do ódio do MST, programas de TV e, agora, a novela do SBT, assistida por milhões de pessoas), robustecendo os alicerces do que vai se tornando a realidade, nada mais do que deslavada mentira (como a de que lutavam pela democracia) e tremenda inversão de valores. 
Tais ações, aliadas à ignorância da grande massa, aos interesses financeiros de alguns aproveitadores da situação, constroem a nova estória, a qual vem se sobrepondo, a cada dia, com maior intensidade, à verdade, até mesmo com o consentimento de quem tem o dever, perante a Nação, de resguardá-la. 
Não passaram desapercebidas as palavras do Gen Heleno, após a proibição de sua palestra sobre a data em tela : "Finalmente, quanto à palestra sobre 31 de março de 1964, não iria ferir os princípios da hierarquia e da disciplina, após 45 anos de serviço e no mais alto posto da carreira. Minhas palavras não iriam modificar os fatos, apenas contar a verdade aos mais jovens”. (Gen Augusto Heleno Pereira).
Esse discurso, nessa situação de proibição de uma manifestação em defesa da verdade, em comemoração de feito reconhecidamente épico das nossas Forças Armadas, a única do mundo que derrotou amplamente a subversão e as guerrilhas urbana e rural comunistas, nos leva a refletir sobre o verdadeiro sentido dos dois pilares básicos de qualquer organização que busca o sucesso, principalmente aquela que tem sob sua guarda os meios violentos do Estado, a Instituição Militar: disciplina e hierarquia.
A disciplina e a hierarquia militares podem ser comparadas a um edifício, sustentado por colunas traduzidas pelos valores e virtudes, respectivamente cultuados, em conjunto, pela Instituição e, isoladamente, por seus integrantes. Assim, a disciplina e o respeito à hierarquia têm o seu maior nível quando praticadas de forma consciente e voluntária. Neste caso não há a necessidade de coerção. Elas são aceitas, abraçadas como se aceita ou se abraça a fé religiosa. A diferença é que na Instituição Armada não há dogmas nos quais se crê, embora, sem explicação. Aceitamos e abraçamos uma gama de valores e de virtudes. Cremos nos valores e praticamos as virtudes com convicção, tendo sempre como fito maior o bem servir à Nação, seja na paz ou na guerra.
Juridicamente, a disciplina militar pode ser definida como o cumprimento do dever legal. O respeito e obediência aos superiores consubstanciam a hierarquia, o que se torna também exercício da disciplina e, portanto, um dever legal. Por ser a disciplina o exercício legal do dever, suas bases fundamentais estão definidas por leis, decretos, estatutos, e regulamentos, devidamente aprovados por autoridades legalmente constituídas. E as normas legais, inerentes ao estamento militar, privilegiam, como não poderia deixar de ser, os valores e virtudes acima citados. Como exemplo, podemos citar o Regulamento Disciplinar de qualquer uma das forças militares e veremos que valores e virtudes como a verdade, a lealdade, a honestidade, a coragem, o bem-servir, a camaradagem, o exato cumprimento de ordens, posturas e comportamentos que traduzem o respeito à imagem da Instituição e aos superiores, o devido cuidado com a apresentação pessoal, etc.. são motivos de elogios ou de punições, no caso do Regulamento, disciplinares. O Código Penal Militar trata da lesão de forma mais grave a esses valores e virtudes que se traduzem por crimes. Por exemplo, a insubordinação, que fere a hierarquia, se comprovada, é crime, passível de pena. 
Do acima exposto, podemos concluir que nenhum militar pode ser obrigado, em nome da disciplina e da hierarquia, a fazer algo ilegal ou ter uma conduta ou postura que o leve a ser omisso em relação à verdade, principalmente frente à disseminação da mentira que macula a imagem da Instituição e dos seus integrantes ou tem intenções, até mesmo, criminosas, pois, desagregadoras da Nação.
Que crime ou indisciplina cometeria o Gen Heleno em contar a verdade sobre os fatos ocorridos no passado, hoje escamoteados por interesses escusos e ideológicos, esclarecendo jovens brasileiros em benefício do futuro da Nação ? Crime, de lesa-pátria foi a proibição de fazê-lo !
Da teoria para a realidade, é assim que vejo a ordem proibindo as comemorações da Contra-Revolução de 31 de Março. Não acredito que a ordem tenha partido de um COMANDANTE MILITAR, o qual não manda, mas comanda e lidera. A ordem partiu de quem manda, coage, desagrega, não respeita as tradições e a imagem da Força e não se porta com a compostura e postura dos militares, pois, não tem a formação e o sentimento da caserna. 
Seria uma ótima oportunidade para que a voz dos militares se manifestasse, dando vez à verdade, principalmente no que tange à ação das Forças Armadas, como em tantas outras ocasiões, em defesa da liberdade e da soberania do País.
Infelizmente, cedemos, mais uma vez, convalidando a mentira, por omissão da verdade, alargamos ainda mais a estrada para a chegada e legitimação de uma nova estória que transforma bandidos em heróis e heróis em bandidos, denegrindo o passado, integrantes e caras tradições, bem como a mística, da Instituição Militar, na direção de um revanchismo e socialismo ultrapassados. 

Fonte: PAPÉIS Avulsos



REVISTA DO CLUBE MILITAR Nº 440 – MARÇO-ABRIL 2011

31 de Março de 1964

Com os Olhos no Futuro

“É necessário, no plano de ação, regular todos os pormenores. Cada oficial suspeito à revolução deverá ter um agente responsável pela sua eliminação.
Essa eliminação terá que ser executada na hora prescrita, sob pena de morte do responsável por ela. Quanto aos sargentos, é preciso fazer a ficha de todos os que puderem prejudicar o movimento, pelo seu prestígio na tropa, pela sua inteligência e coragem, para que sejam incluídos no plano de eliminação.”
(Plano Revolucionário do Partido Comunista, apreendido pela PMMG)


            Avistei-me com alguns Ministros e duas vezes com San Tiago Dantas, cujas ideias e opiniões eu não partilhava, mas em quem via um possível elemento estabilizador e moderador dos desvarios populistas de Jango.
Mas já era tarde. San Tiago estava doente e Jango irremediavelmente comprometido com uma linha política que o levaria fatalmente a um desastre total.
Ao viajar, deixei no Brasil um ambiente tenso e prenunciador de graves acontecimentos.
            Lavrava um surdo, mas profundo desassossego entre os oficiais das três Forças Armadas, preocupados com o discurso e os gestos cada vez mais rasgadamente populistas do Presidente da República, e vendo a crescente influência junto a ele de elementos comunistas ou pró-comunistas entre os seus aliados políticos e validos do círculo íntimo palaciano. Desde Miguel Arraes em Pernambuco com suas “Ligas Camponesas”, até Leonel Brizola no Rio Grande do Sul com seus “Grupo dos Onze” havia um forte cheiro a filocomunismo. Junto ao Presidente, desde o loquaz e trepidante Secretário da Presidência até o lacônico e sóbrio Secretário de Imprensa, tudo era mais ou menos matizado de vermelho, vermelho claro ou vermelho carregado.
O Exército havia guardado uma terrível recordação dos sangrentos acontecimentos de novembro de 1935 em Natal, no Recife e no Rio de Janeiro, quando unidades amotinadas sob o signo do comunismo haviam dominado as duas primeiras cidades e por pouco não haviam se apoderado da terceira, e com esta do próprio Governo.
Dali ficara o Exército marcado por um horror quase obsessivo ao comunismo e a todos os seus agentes, partidários e simpatizantes. Cada ano, no dia 27 de novembro, na cerimônia tradicional do culto aos mortos de 1935 no Cemitério de S. João Batista e em todas as guarnições do país, era reacendida a chama sagrada, renovado o compromisso de barrar o caminho ao comunismo no Brasil.
A Marinha tinha as suas próprias e terríveis recordações. No Exército, todos os levantes haviam ocorrido por iniciativa e ao mando de oficiais que arrastavam os seus subordinados. A Marinha tinha o seu pesadelo, e esse pesadelo chamava-se João Cândido:
um motim chefiado por um simples foguista; o São Paulo, orgulho da Marinha, e capitânia da Esquadra, transformado em um “encouraçado Potemkim” sul-americano, em poder da marujada amotinada, oficiais assassinados ou aprisionados, marinheiros e foguistas donos do sacrossanto passadiço.
E justamente o Governo Goulart buscava o apoio de sargentos e praças, insuflava a formação de Clubes de sargentos e de marinheiros. No Exército nem mesmo o “Marechal do Povo”, o General Lott, no auge de suas ambições presidenciais, ousara dar as mãos à subversão da disciplina entre as praças. Agora, porém, na Marinha surgira um Almirante “de esquerda”, para cobrir com o seu nome a formação de agremiações políticas de praças. A Marinha olhava tudo isso, e atrás do Almirante Aragão, atrás de Jango, via o fantasma de João Cândido.
A Marinha tem um grande senso da História. Não só de nossa História, mas da História das outras Nações em tudo o que se relaciona com o Poder Naval. Em 1963, sob o agitado tribunato esquerdista de Jango, ela lembrava-se de que foi um tiro de canhão do cruzador Aurora surto frente a São Petesburgo que deu em 1917 o sinal para a Revolução de Outubro que abriu o caminho para a “ditadura do proletariado” e o regime dos Soviets. Ela tinha também presente o que foi a rebelião dos marinheiros da Frota em Kiel, que iniciou em 1918 na Alemanha a revolução spartakista dos “soviets de operários e soldados”, com sua sequela de humilhações e assassinatos de oficiais das forças de terra e mar.
Marinha, Exército e Aeronáutica eram unânimes na desconfiança com que viam a politização de associações de sargentos e a participação de praças em atos públicos de apoio ao populismo janguista, e sentiam que a Nação, em suas forças vivas e sãs, partilhava os receios da oficialidade. As classes produtoras, o empresariado de vários setores, haviam mesmo organizado um Instituto de estudos, atuando, na realidade, para angariar recursos e articular
esforços para a defesa das Instituições e da ordem  social contra um eventual golpe de Estado. Para Secretário Executivo desse Instituto haviam contratado um militar da reserva, homem notável, profundo pensador e analista político: o General Golbery do Couto e Silva, que seria por perto de vinte anos o Chefe do Serviço Nacional de Informações, o SNI, sob os Governos da Revolução.
Cada vez que fui ao Brasil durante o período janguista, nunca deixei de trocar impressões com amigos, tanto das Forças Armadas como do meio civil, comprometidos com a causa da resistência à marcha do esquerdismo. Na Marinha o meu interlocutor principal era o Contra-Almirante Augusto Alcântara, Chefe da Segunda Seção do Estado- Maior da Armada e depois Comandante do Centro de Instrução Almirante Wandenfolk, na ilha das Enxadas, onde fui mais de uma vez procurá-lo para trocar ideias. No Exército eu tinha inúmeros amigos e ex-camaradas com quem conversava largamente, mas o principal interlocutor era o então General-de-Brigada Jurandir Bizarria Mamede, Comandante da Escola de Estado-Maior do Exército, que fora, ainda Coronel, o orador da cerimônia de 27 de novembro, no Cemitério de São João Batista, da qual SanTiago Dantas, Ministro do Exterior de Jango e tido por esquerdista, fora enxotado pela assistência indignada com a sua presença. Ou seja, em uma palavra e com todas as letras, eu conspirava contra o Governo, e a vitória da Revolução de 31 de março de 1964 representou a coroação de minhas mais caras esperanças.
Enquanto isso, os elementos esquerdistas que cercavam, adulavam, e crescentemente dominavam João Goulart não tinham a menor ideia do que os esperava, seguros que se achavam graças ao apoio do Presidente. Na noite da recepção no Palácio do Planalto em homenagem ao Marechal Tito, aproximou-se de mim um Deputado de extrema-esquerda, que fora meu condiscípulo nos bancos do primeiro ano primário — época na qual ele ainda não professava idéias subversivas — e disse-me, em tom de brincadeira, que ele e os seus correligionários já estavam no Governo, e em breve estariam no poder; que então, não podendo cogitar de converter-me, teriam que fuzilar-me. Respondi, no mesmo tom, que nós, os antiesquerdistas, é que íamos correr com eles, “a grito e a ponta de laço”. Riu muito; mas riria menos dali a seis meses, quando teve que procurar refúgio às pressas em país estrangeiro, com medo de ser preso.
O curioso é que os janguistas, filocomunistas, et caterva, julgavam-se seguros, não só do apoio do Presidente da República, mas também dos Estados Unidos da América. Ao contrário da lenda espalhada pelos vencidos de 31 de março, a Revolução Libertadora não teve o apoio dos Estados Unidos, nem sequer suas simpatias. Muito pelo contrário. Chegando eu ao Rio de Janeiro pouco depois da viagem de João Goulart ao México, recebi um recado do Embaixador Lincoln Gordon, que eu conhecera em Chicago até onde ele acompanhara desde Washington o Presidente brasileiro, pedindo que fosse vê-lo. Fui.
O Embaixador norte-americano perguntou-me o que eu pensava da situação política no Brasil. Não lhe ocultei a apreensão que me causava a crescente influência das esquerdas no Governo, e a agitação que promoviam entre as massas populares. Lincoln Gordon, que me ouvia com um sorriso irônico, tirando baforadas do seu inseparável cachimbo, respondeu-me com ar zombeteiro que não partilhava as minhas apreensões, tanto assim que o seu Governo resolvera apoiar no Brasil the Democratic Left. Observei-lhe, irônico por minha vez, que ele estava desde muito pouco tempo no Brasil; ficando um pouco mais tempo, descobriria que no Brasil a esquerda não era democrática, nem os democratas estavam à esquerda. Isso concluiu a nossa palestra, e nunca mais interessou-me encontrar aquele Professor universitário lambuzado das convicções “liberais” no mau sentido da palavra, que era o sentido dos meios universitários americanos, isto é, da tolerância com as idéias inimigas da Democracia liberal autêntica. No que ele, aliás, comungava com o bestalhão do seu Presidente.
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Tive a satisfação de receber mais uma vez no México o ex-Presidente Juscelino Kubitschek. O Presidente estava apreensivo com a situação no Brasil e lamentava os desmandos de Jango, que ameaçavam por em risco os resultados do surto de desenvolvimento e de prosperidade imprimido ao país na “era JK”. Não acreditava muito, porém, em uma intervenção militar. Eu não só acreditava, mas sabia que ela se produziria no momento psicológico, que seria quando ela fosse desejada pela Nação. Em dado momento parecera-me que aquela intervenção estava tardando muito; mas fui tranqüilizado por uma frase de um amigo e ex-camarada meu de Regimento: “O Exército”, disse-me, "é tão forte que com um piparote pode derrubar esse Governo que aí está. Precisamos, porém, esperar que correntes significativas da opinião pública reclamem a nossa ação." O que foi exatamente o que ocorreu no 31 de março.
No dia 31 de março, pois, eclodiu no Brasil a Revolução. Recebi a notícia com imensa alegria... No dia 1° de abril Jango era obrigado a deixar o Rio por Brasília, e no mesmo dia a deixar Brasília para refugiar-se em Porto Alegre. Já estava selado o seu destino, tanto assim que o Congresso Nacional declarou no mesmo dia a vacância do Poder e elegeu Presidente da República, interinamente, o mesmo Ranieri Mazini, a quem já coubera tomar o lugar de Jânio Quadros demissionário. No dia 3 de abril a situação ficava totalmente definida com a fuga de João Goulart para o Uruguai, onde solicitou e obteve asilo político.

NR: o texto acima foi extraído do livro "O Mundo em que vivi" de autoria do Embaixador Manoel Pio Corrêa. É um relato autobiográfico que retrata boa parte da história contemporânea brasileira e mundial.