quinta-feira, 31 de março de 2011

31 DE MARÇO DIA DA INTREGRAÇÃO NACIONAL





Forças Armadas do Brasil
  



Exército Brasileiro - Braço Forte e Mão Amiga



O dia 31 de Março deveria ser comemorado como o “Dia da Liberdade”, pois foi o dia em que as nossas Forças Armadas brava, honrada, digna e heroicamente livrou o Brasil de uma ditadura comunista, como a imposta em Cuba por Fidel, desarticulando todos os movimentos terroristas e subversivos que assolavam nossa Pátria até então. 


Mas infelizmente não é o que acontece. O que se vê por aí, divulgado por uma minoria detentora do poder midiático, é pura falsificação da História. Aqueles que heroicamente tombaram no campo de batalha defendendo a nossa liberdade são rotulados de “torturadores impiedosos”, ao passo que terroristas e subversivos são vistos como “heróis”. Até quando a mídia sustentará essa falsificação? 


Para se ter um exemplo da inversão, basta ver o caso de Theodomiro Romeiro dos Santos (Marcos), militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), que assassinou com um tiro na nuca o Sargento da Força Aérea Brasileira, Valder Xavier de Lima; o primeiro, um terrorista, assassino frio e cruel, é visto como um cidadão indefeso, ao passo que o segundo, um bravo soldado que morreu defendendo o nosso País, é visto como um “torturador cruel”, e que, portanto, mereceu a morte. Isto, na prática, significa que a esquerda pode matar, torturar, colocar bombas em colégios para despedaçar criancinhas, até cuspir na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo dentro da Igreja, tudo isto, vindo da esquerda é legítimo, ao passo que a direita, quando dá uns tabefes na cara desses vagabundos, é vista como torturadora. 


Não sou a favor de se matar ninguém, mas já que o mal é inevitável, porque é que a esquerda pode tudo, e é vista como heróica, ao passo que a direita não pode nem ao menos se defender, pois já é, de antemão, vista como vilã? 

Evidentemente que pessoas comuns não têm culpa de pensarem desta forma, pois são diariamente bombardeadas como as mentiras divulgadas por esta mídia hedionda e repleta de esquerdistas revolucionários, que buscam a desintegração social visando destruir as nossas instituições para, enfim, implantar a ditadura comunista tão sonhada por eles. 


Sei que muitos, ignorando o que realmente acontece em nosso País, vão sair por aí dizendo que isso não passa de “teoria da conspiração”, mas digo que este projeto já tem nome, e se chama União das Repúblicas Socialistas da América Latina (URSAL). 
Para que não haja dúvidas, vejam este vídeo do PT: 


http://www.youtube.com/watch?v=csbyN33Mfqo&feature=related
 



Entretanto o tema de hoje não é esse, mas o terrorismo que obrigou as nossas Forças Armadas a tomar o poder e implantar a ordem. 


Qualquer um que conhece história sabe dos movimentos revolucionários que eclodiam no mundo todo, entre os mais significativos temos a Revolução Russa, a Revolução Cultural na China, e a Revolução Cubana. Temos outras mais, entretanto estas são as que mais diretamente influenciam o Brasil. Pois bem, tais ideologias usam a retórica da “justiça social”, mas quando em posse do poder a realidade é bem diferente. Os revolucionários, na Rússia, mataram mais de 20 milhões; na China o número de mortes ultrapassa os 65 milhões; e em Cuba, mais de cem mil. 


No Brasil o objetivo era implantar o regime cubano, Fidel já matou mais de cem mil pessoas, já o regime militar no Brasil matou tão somente 424 pessoas, melhor, 424 terroristas, vagabundos, assassinos, estupradores e violadores de todos os direitos humanos. Mas esse número, apesar de pouco — repito, não sou a favor de se matar ninguém, mas, se comparado com os números de mortos dos regimes revolucionários, é realmente insignificante — tal contagem carece ainda de investigações sérias, pois aí se incluem vítimas de acidentes, suicídios, pessoas que morreram no exterior e inclusive vítimas de justiçamentos (comunistas vítimas de comunistas executados por traição). E antes que me peçam fontes, este é o número oficial retirado do livro escrito pela própria esquerda: “Dos Filhos Deste Solo”, Nilmário Miranda, ex-ministro, petista, e Carlos Tibúrcio jornalista (jornalista esquerdista é pleonasmo). E mesmo dentre esses supostos assassinados, a própria esquerda reconhece que a maioria tombou na guerrilha do Araguaia, ou seja, era gente armada e pronta para matar. 

Já do lado dos verdadeiros heróis, aqueles que tombaram defendendo a honra e dignidade do nosso País, desses ninguém se lembra. 

Salve a memória dos que morreram pela Liberdade!


Viva as Forças Armadas do Brasil! 
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Para saber mais acesse o Google em: stricta observantia: 31 de março



ADENDO 1

 FFAA  BRASILEIRAS, NOSSOS PÊSAMES

            Acabo de chegar do quartel do 23 BC de Fortaleza, onde haveria uma solenidade para comemorar a data de 31 de março. Seria uma comemoração “intra muros”, pois que já há umas duas semanas, o convite explicava que não haveria as costumeiras celebrações de homenagens de datas militares, que todos OS SOLDADOS BRASILEIROS, independente de patente, faziam de coração e garbosamente. Em todo país – mesmo entre muros – todos integrantes das FFAA, esperavam este dia para comemorar a coragem de antigos CHEFES. Acredito que o “golpe surpresa” foi nacional, Ainda não tive notícias de outras unidades militares.
            Quando chegamos no quartel, onde seria comemorada a data com desfile da tropa, esperava-nos o Cel. Comandante, com o pátio pronto para a solenidade. Acredito que só não esperava, a notícia  que recebeu momentos antes da nossa chegada. Fui em companhia do General Torres de Melo, e quando cumprimentávamos o Cel. Comandante, seu tom de voz, sua fisionomia não disfarçava o que lhe ia no coração de SOLDADO. Após os cumprimentos ele acrescentou: “General, acabo de receber ordem que a comemoração foi cancelada.” Seu tom de voz, traduzia tudo que seu coração de SOLDADO sentia.
            À medida que os convidados – Generais, Coronéis e autoridades civis iam chegando, a notícia era como um soco na cara de cada um. A medida terá sido tomada pela MÃE DO PAC, ou os antigos guerrilheiros do 31 de março de 1064 – hoje em postos “chave” – acharam por bem ir à forra, enquanto a “presidenta” e Lula estavam chorando por Jose de Alencar, em plagas européias. Ou então, o atual “democrático desgoverno” está sendo para valer, e a turma “do livre arbítrio” achou por bem, tomar a acintosa decisão?
            Os Comandantes das TRÊS FFAA, foram surpreendidos como nós, ou já teriam sido comunicados e concordaram com a medida, que caiu como as bombas que a “presidenta” usava, como no caso do soldado Koesel?  Quem irá fazer parte das NOVAS FFAA que Dilma, Estela, Wanda, Lucia, Luiza, Marina e etc., quer criar? Quem irá fazer parte das NOVAS FFAA, que a “presidenta” quer criar? Os egressos das prisões, os chefes de gangues que planejam assaltos, queima de carros nas ruas. E outros com “escolaridades diferentes”
            BRASIL, BRASIL, que contingentes seus vão cuidar da segurança do país? Lembra-se quando a NORMA do Exército Brasileiro eram esta?:UMA NAÇÃO TERÀ SEMPRE  UM SÓ EXÉRCITO. O SEU; OU DE OUTRA NAÇÃO. Que tal voltar para o que tínhamos? O PAÍS inteiro será GRATO.
            Glacy Cassou Domingues – Grupo Guararapes. Fort.31 DE MARÇO de 2011       


ADENDO 2


 
Gen de Exército Augusto Heleno

General Heleno posto na reserva e proibido pelo comandante do Exército de falar sobre a contrarevolução de 1964, palestra que estava agendada para acontecer hoje, dia 31/03, às 9h15m, no Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCTE).
Por Luiz Carlos Azedo

O chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, deixa o posto hoje e passa à reserva.
Considerado o mais brilhante oficial de sua geração, era o último linha-dura do Alto Comando do Exército. Recebeu ordens do comandante do Exército, General Enzo Peri, para esquecer as comemorações do golpe militar de 1964 ao se despedir dos colegas.

(Correio Braziliense, 31/03/2011).http://www.jgpimentel.com.br/
 

terça-feira, 22 de março de 2011

THE TRAP [A ARMADILHA]

THE TRAP [A ARMADILHA]

“Seres humanos sempre te trairão”


“YOU CAN ONLY TRUST THE NUMBERS”
[SÓ SE PODE CONFIAR NOS NÚMEROS]

O objetivo final da política atual, na nossa era, é a idéia da liberdade individual.
George Bush:
-        “Eu acredito que a liberdade é o futuro de toda a humanidade”.
Tony Blair:
-        - Na Grã-Bretanha, o nosso governo, preparou-se para iniciar uma revolução que iria libertar os indivíduos de todas as elites e burocratas. Um novo mundo, ode somos livres de escolher as nossas vidas, sem sermos limitados por classe ou rendimentos, em papéis predestinados.
-        - Para libertar a Grã-Bretanha, de todas as velhas divisões de classes, todas as estruturas, todos os preconceitos. Para libertar o indivíduo.
E no exterior, no Iraque e no Afeganistão, Grã-Bretanha e a América preparam-se para libertar os indivíduos da tirania. Para os que os lideram, seria apenas o primeiro passo, num processo revolucionário global. Mas se olharmos para trás, e olharmos para o resultado, é uma espécie de liberdade muito estanha.
A tentativa de libertar as pessoas da interminável burocracia levou a uma nova e crescente forma de controle gerencial, executada por metas e números. Enquanto os governos se comprometeram com a criação de liberdade de escolha em todas as áreas, acabaram por provocar um aumento da desigualdade e um colapso dramático da mobilidade social. A conseqüência foi o retorno ao poder da classe e do privilégio.
E no estrangeiro, a tentativa de criar uma democracia não levou apenas a um derramamento de sangue, mas à rejeição da campanha liderada pela América para trazer a liberdade.
Gritam as multidões:
-        Voltem para casa ‘Yankees’!”
Grita o soldado:
-        “Nós estamos aqui pela (impronunciável) da sua liberdade!
Mas para Moktada al-Sadr, um autoritário islâmico antidemocrático, o que isso inspirou foi a execução de ataques na própria Grã-Bretanha. Em resposta, o governo desmantelou leis antigas feitas para proteger a nossa liberdade.
Comentários:
O documentário, The Trap [“A Armadilha”] é uma serie de filmes sobre como este mundo estranho e paradoxal acabou sendo criado. Começa nos sombrios e assustadores dias da Guerra Fria, e mostra que o que temos hoje, é uma idéia muito peculiar e estreita do que é a liberdade que nasceu da paranóia daquele tempo. Baseia-se numa imagem dos seres humanos como criaturas egoístas, isoladas e suspeitas, que observam e planejam constantemente umas contra as outras!
Os filmes da série mostrarão como os políticos e cientistas acabaram por acreditar que esta idéia da natureza humana, podia ser a base de um novo tipo de sociedade livre. Mas o que nenhum percebeu, foi que dentro dessa visão sombria e suspeita estão as sementes de um novo e revolucionário sistema de controle social. Usa a linguagem da liberdade, mas na realidade acabou por nos aprisionar e nossos líderes numa armadilha, num mundo limitado e vazio.

“WHAT HAPPENED TO OUR DREAM OF FREEDOM”
[O QUE ACONTECEU COM O NOSSO SONHO DE LIBERDADE]

-        “Liberdade... Liberdade...”

PRIMEIRA PARTE
“F**K YOU BUDDY”
[VOCÊ QUE SE F**A, CARA]

No fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA e os filmes americanos celebravam, não apenas a vitória, mas o que muitos acreditavam ser o nascer de uma nova era.
Naquela época, a liberdade não significava apenas se ver liberado dos nazistas, mas também do caos econômico e da incerteza que causaram a depressão na década de 1930.
Os governos agora acreditavam que o seu papel, era o de planejar e de controlar a economia. E o de proteger a sociedade dos perigosos interesses do capitalismo.
Comentário:
-        “Nós não mais prestávamos culto no templo do capitalismo sem restrições. Não! Nós passamos pela grande depressão da década de 1930, passamos pela Segunda Guerra Mundial, e agora falávamos da necessidade de que o governo fosse o fator principal de equilíbrio econômico. O indivíduo continuava a ser importante, mas o governo iria garantir que nunca mais seríamos levados a uma grande depressão de novo.”
Nos anos seguintes, a burocracia do estado cresceu enormemente. O seu trabalho era o de criar regras para o capitalismo que beneficiassem a todos. Numa era de otimismo, eram poucos que desafiavam esta nova visão.
Mas um homem de fora, estava convencido de que isso nos levaria a um desastre. Ele era um aristocrata austríaco, chamado Friedrich von Hayek.
Hayek estava convencido de que o uso de políticas no planejamento da sociedade, era bem mais perigoso do que qualquer problema criado pelo capitalismo, porque levaria inevitavelmente à tirania e ao fim da liberdade.
O exemplo terrível apontado por Hayek foi o da União Soviética. Na sua busca pela utopia, os líderes soviéticos tentaram planejar e controlar tudo. E isso os levou à tirania e ditadura. O mesmo acabará inevitavelmente por acontecer ao Ocidente, dizia ele. Era o que ele chamou de “O Caminho da Servidão”.
A única forma de evitar o desastre seria voltando ao passado. Voltar à idade de ouro do mercado livre, onde os indivíduos seguem os seus próprios interesses e o governo representasse pouco ou nenhum papel.
Disto, resultaria o que Hayek chamou de um “sistema auto direcionado automático”, uma ordem espontânea criada por milhões de pessoas, indo atrás dos seus interesses próprios.
Hayek
-        “Beneficiaremos mais o nosso semelhante, se nos guiarmos apenas pelas aspirações de ganho. Para o propósito teremos de voltar para um sistema automático. Um sistema auto direcionado, que por si só pode restaurar a liberdade e prosperidade. Esta é a minha concepção fundamental.”
Entrevistador
-        “Essa filosofia não se baseia essencialmente no egoísmo? E o altruísmo? Onde é que ele entra?”
Hayek
-        “Não entra!
As idéias de Hayek foram rejeitadas por políticos e economistas.
A noção de que se poderia criar uma ordem social, num complexo mundo moderno, pela simples liberação dos interesses pessoais, era vista como uma idéia falha e desacreditada. Mas a prova de que ele poderia estar certo estava prestes a surgir da fonte mais improvável. De cientistas envolvidos em novas e aterrorizadoras incertezas da Guerra Fria.
No final da década de 1950, a 50 quilômetros ao norte de Nova Iorque foi construído um abrigo à prova de explosões. Possuía o maior computador do mundo, ligado a um sistema de radares distribuídos pelo mundo, que constantemente observava a União Soviética. A cada segundo, milhares de informações entravam nesta sala para serem analisadas, em busca de sinais de perigo.
Os estrategistas nucleares projetaram este sistema sabendo que estavam lidando com um novo tipo de conflito. Nenhum dos lados podia permitir que saísse de controle, por causa das conseqüências aterradoras. Assim, os estrategistas tinham de encontrar uma forma de usar a informação, para poder se antecipar ao que os soviéticos estavam para fazer. E para fazer isto, eles usaram uma nova idéia chamada de “Teoria dos Jogos”.
A Teoria dos Jogos tinha sido desenvolvida como uma forma matemática de se analisar jogos de Pôquer. Encarava o jogo como um sistema, onde os jogadores estão ligados, cada um tentando perceber o que o outro pensava que ele iria fazer. A partir disso, a Teoria dos Jogos mostra racionalmente quais eram as melhores jogadas para cada um dos jogadores.
Professor Philip Mirowski
-        “Esta era um tipo de guerra nunca antes feita. E como sabemos todos seria tão devastadora que é quase impossível ara nós considerar todas as suas conseqüências. Eles continuavam dizendo que havia uma abordagem racional para esta guerra virtual. E a Teoria dos Jogos parecia oferecer isso. Que de certa forma, podia-se incorporar o inimigo no nosso raciocínio. Que se poderia compreender matematicamente o que o inimigo faria a ponto de que você e o seu inimigo jogariam seguindo exatamente a mesma estratégia.”
O centro de desenvolvimento da estratégia era um núcleo de pensadores da “RAND Corporation”. Os estrategistas da RAND usaram a Teoria dos Jogos para criarem modelos matemáticos que previam como os soviéticos iriam se comportar, como resposta ao que vissem os EUA fazendo. Daqui nasceu a estrutura fundamental da era nuclear. Centenas de mísseis protegidos em silos subterrâneos e frotas de bombardeiros no ar, 24 horas por dia.
Tal como num jogo, eram feitas jogadas estratégicas para convencer os soviéticos de que, se atacassem, os EUA teriam sempre mísseis suficientes para destruí-los como represália. E pelas regras deste jogo, foi o medo e o interesse pessoal que impediram os russos de atacarem. E criou uma condição estável, chamada de equilíbrio delicado do terror.
Alain Enthoven
-        “Recomendando mísseis subterrâneos, em submarinos, e tudo mais, foi uma forma de torná-los muito mais estáveis. Outra forma que eu explicava era: O que nós estamos tentando com muito empenho, é reduzir a possibilidade de uma guerra nuclear, criando incentivos muito poderosos para que os russos não iniciem uma guerra nuclear. Porque tentávamos incentivá-los a não atacarem, quer por via nuclear, quer por via convencional. Desse pondo de vista os incentivos eram importantes”.

TARGET YOU
[O ALVO, VOCÊ]
Na base da Teoria dos Jogos, estava uma visão negra dos seres humanos, onde eles eram impelidos apenas pelo interesse próprio, desconfiando sempre dos que os rodeiam. E havia um matemático na organização RAND, que levou esta visão sombria muito mais além. Ele propôs demonstrar que poderia haver estabilidade, através da suspeita e do interesse próprio. Não apenas na Guerra Fria, mas na globalidade da sociedade humana.
Era o gênio matemático John Nash.

A Beautiful Mind
[“Uma mente Brilhante”]

Nash foi retratado num filme de Hollywood, “Uma Mente Brilhante”, como um herói atormentado. Na realidade, Nash era difícil e explosivo. Tornou-se famoso por ter inventado uma série de jogos cruéis. Ao mais famoso, ele chamou de “Você que se f _ _ a, cara”. Nele a única forma de se ganhar, era a de brutalmente trair o parceiro.
Nash pegou a Teoria dos Jogos, e tentou aplicá-la a todas as formas de interação humana. Para isso, ele fez uma suposição fundamental:
A de que todo o comportamento humano era exatamente o mesmo que aquele que envolve um mundo hostil e competitivo, como o da ameaça nuclear. Os seres humanos se vigiam e se observam constantemente uns aos outros. E para conseguirem o que querem, eles se ajustam as suas estratégias mutuamente.
Numa série de equações, pelas quais viria a ganhar o Prêmio Nobel, Nash demonstrou que um sistema guiado pela suspeita e pelo egoísmo, não iria obrigatoriamente levar aos caos. Ele provou que poderia haver sempre um ponto de equilíbrio, onde os interesses de todos seriam equilibrados à perfeição, uns pelos outros.
John Nash
-        “O equilíbrio, esse equilíbrio de que se fala, diz respeito a que, aquilo que eu faço, está perfeitamente ajustado em relação àquilo que você faz. E o que vocês faz, ou o que os outros fazem, está perfeitamente ajustado àquilo que eu faço, ou o que os outros fazem. Eles procuram pelas otimizações cada um por si, como os jogadores de Pôquer.
Entrevistador
-        “Cada jogador está sozinho?”
Nash
-        “Essa é a idéia, de que cada jogador está só. Fazendo coisas não muito apropriadas, e muito egoístas. E o que todos fazem se encaixa nesta... e a partir disso, há uma recompensa para todos os jogadores. Este é o equilíbrio. Mas entende-se como uma idéia não cooperativa.”
Mas a estabilidade, o equilíbrio, acontece apenas se todos se comportarem de uma forma egoísta. Porque se cooperarem, o resultado torna-se imprevisível, e perigoso.
Um jogo famoso foi criado na RAND para demonstrar que em qualquer interação, o egoísmo levaria sempre a um resultado mais seguro. Chamam-lhe o “Dilema do Prisioneiro”. Há muitas versões, mas todas envolvem dois jogadores que têm que decidir se devem confiar ou trair o outro.

“THE PRISIONER’S DILEMMA”
[“O DILEMA DO PRISIONEIRO”]

Imagine que você roubou o mais valioso diamante do mundo. Você vai vendê-lo a um bandido perigoso. Ele se oferece para se encontrar com você para trocar o diamante pelo dinheiro. Mas acaba por pensar que ele o poderá matar. Em vez disso, você diz a ele que você levará o diamante a um campo remoto e o esconderá. Enquanto isso, ele deverá ir a outro campo, a centenas de quilômetros de distância, e esconder o dinheiro. Depois telefonará para ele, e ambos dirão quais os locais dos esconderijos. Mas assim que você está para fazer a chamada, você percebe que poderá traí-lo. Você fica com o diamante, e vai buscar o dinheiro, enquanto o bandido procura em vão no campo vazio. Mas nesse mesmo momento você percebe que ele poderá estar pensando a mesma coisa. Que ele poderá te trair. E você não tem nenhuma maneira de prever o que a outra pessoa fará. Esse é o dilema.
Mas o que as equações de Nash mostraram, é que a escolha racional é sempre a de trair o outro, porque dessa forma, o pior que pode acontecer, é você ficar só com o diamante. E o melhor, é ficar com o diamante e o dinheiro. Mas se confiar na outra pessoa, você corre o risco de perder tudo! Porque ele poderá te trair. E isso se chamou de “a recompensa do trouxa”.
O que o Dilema do Prisioneiro expressou, foi a estranha lógica da Guerra Fria, de que a solução ideal, de se oferecer para livrar-se de todas as armas, desde que os russos fizessem o mesmo, nunca poderia acontecer. Porque não se podia confiar que eles não iriam trapacear. Assim, optou-se pela estabilidade criada pelo equilíbrio de armamentos perigosos em ambos os lados.
E o que Nash fez, foi transformar isso numa teoria de como a sociedade funciona como um todo. Isso teve enormes implicações na política, porque provou que se podia ter uma sociedade baseada na liberdade individual, que não se degeneraria num caos. Mas o preço dessa liberdade, era o de um mundo onde todos tinham que desconfiar de todos.
Professor Philip Mirowski
-        “O equilíbrio de Nash é importante, porque um dos grandes medos na política é o de que o interesse individual leve ao caos. E o que o equilíbrio de Nash sugere, é que a busca racional por interesses pessoais, mesmo em face de inimigos implacáveis, leva a uma ordem na qual todos os jogadores concordam com as estratégias que eles seguem e que essas estratégias fazem sentido para eles. Mas ao mesmo tempo é paranóico! Porque a idéia de um ser humano sentado sozinho num quarto, capaz de imaginar o seu oponente, onde ele é totalmente implacável, totalmente hostil, e com intenções de destruí-lo!”
Mas havia um pequeno problema com as equações de Nash. Elas não pareciam se correlacionar com a forma como os seres humanos na realidade se comportam entre si no mundo real.
Quando o jogo do Dilema do Prisioneiro foi testado nas secretarias da organização RAND, nenhuma delas usou a estratégia racional! Em vez de se traírem mutuamente, confiaram sempre, e decidiram cooperar.
O que ninguém sabia, era que o próprio John Nash sofria de esquizofrenia paranóide! Ele sofria de alucinações, onde ele acreditava que quem estava por perto e usasse uma gravata vermelha era espião comunista! E que ele fazia parte de uma organização secreta que iria salvar o mundo.
Nash
-        “Não se quer admitir que se é louco. Vê-se as outras pessoas como loucas. Mas quer se ver a si próprio como uma pessoa sã, racional. Assim eu pensava que havia organizações secretas de humanos, e eu achava que eu tinha alguma relação com isso. Eu ouvia vozes. Mas acabei percebendo que não estava ouvindo nada, além do que eu mesmo criara na minha própria cabeça, e eu estava falando comigo mesmo mentalmente.” [esse depoimento de Nash, soa suspeito. AO]
Em 1959, Nash foi forçado a internar-se num Hospício, e passou os dez anos seguintes se debatendo com a esquizofrenia.
Mas apesar dos problemas óbvios com as teorias de Nash, os jovens tecnocratas na RAND estavam convencidos de que nelas estavam as sementes de uma nova forma de ordem social, baseada na liberdade individual, porque as equações forneciam uma base cientifica para uma visão alternativa, à qual Friedrich von Hayek podia recorrer. Mas naquele momento, estas idéias estavam limitadas a um pequeno grupo de intelectuais, no coração do “establishment” nuclear. Mas as idéias de Nash estavam prestes a se espalhar da forma mais surpreendente.
Muito longe dali, havia um psiquiatra radical que teve uma visão. Ele queria tornar as pessoas livres de todos os freios que ele acreditava que controlavam suas mentes, sem que elas notassem. E para torná-las livres, tal como Nash, ele questionaria a essência, e minaria todas as velhas idéias de confiança e amor.
R. D. Laing
-        “Será o amor possível? Será a liberdade possível: Será a verdade possível? Será possível agir como realmente somos, quando estamos junto a outros seres humanos? Será possível que se possa ainda ser, um ser humano? Será possível ser-se uma pessoa? Será que as pessoas na realidade existem?
R.D. Laing começou a trabalhar como psiquiatra nos hospitais psiquiátricos em Glasgow, nos anos 1950. Era um mundo violento e assustador, onde os médicos tentavam controlar a lidar com esquizofrênicos, da melhor forma que pudessem. Laing percebeu que os psiquiatras raramente falavam com esquizofrênicos, e como experiência, selecionou 12 mulheres e passou meses falando com elas, sobre elas e as suas vidas. Os resultados foram surpreendentes e dramáticos. Passados poucos meses, todas as 12 estavam suficientemente bem para deixar o hospital.
BUT 12 MONTHS LATER
Mas dentro de um ano, Laing descobriu que todas tinham voltado para o hospital! A sua tentativa de curá-las tinha falhado completamente.
R. D. Laing
-         “Depois desta experiência, estas mulheres deixaram o hospital, e após um ano estavam todas de volta. Ninguém sabia por que razão elas tiveram que vir na primeira vez, nem sabia por que elas tiveram que voltar. Assim, mudei a minha atenção e interesse na investigação para as circunstâncias reais em que esta coisa chamada de ‘loucura’ é incubada.”
Laing começou por investigar as famílias dos esquizofrênicos. As suas investigações levaram-no a um mundo escondido e fechado, onde começou por analisar a forma como os membros familiares se relacionam em privado. E começou a convencer-se de que as raízes desta loucura residem neste mundo por analisar.
Os médicos e as enfermeiras que usavam químicos nos esquizofrênicos por forma a retornarem-nos às suas famílias, estavam a cometer um terrível erro. Estavam a enviá-los de volta, para o terror privado que tinha dado origem à loucura. Se isto fosse verdade, então os médicos, embora acreditassem que estavam a fazer o seu dever e o melhor para os doentes, eram, na realidade, agentes da repressão!

R. D. Laing
-         “Acho que é muito importante que o médico se lembre do seu dever em dar ao doente o que é melhor para ele em longo prazo. O que não é sempre o que o doente pede. Se deseja ir para junto dos seus familiares, estes têm de ter uma certeza razoável de que se adaptará razoavelmente bem, para que possam ter uma vida normal.”
No início dos anos 1960, Laing abriu um consultório em Harley Street em Londres. Ofereceu novos e radicais tratamentos para a esquizofrenia, tornando-se rapidamente numa celebridade. Foram as suas investigações sobre as causas da esquizofrenia, que o convenceram de que um conjunto mais alargado de problemas mentais era causado pela pressão da vida familiar. Laing decidiu investigar como o poder e o controle é exercido no meio familiar. E para fazê-lo, iria recorrer às técnicas da Teoria dos Jogos.
Laing tomou conhecimento sobre a Teoria dos Jogos quando fez uma investigação ao instituto de investigação mental em Palo Alto, na Califórnia. Um grupo de investigadores locais, estavam a tentar usar a Teoria dos Jogos, como forma de analisar as interações humanas. Laing viu nisto a ferramenta perfeita para dissecar as relações internas entre membros das famílias inglesas.
Dr. Morton Schatzman
-        Laing usou a Teoria dos Jogos nas suas análises sobre a família. Considerava os Jogos não no sentido divertido, mas no sentido de pessoas a jogarem segundo as regras, algumas explicitas, outras no sentido em que eram secretas. Ele sentiu que tinha descoberto uma nova forma de olhar para as relações humanas. Esses jogos secretos que as pessoas têm. Esta era uma forma pela qual se podia sujeitar a uma forma de investigação científica, podia-se quantificar, podia-se dar às pessoas questionários. Era a aplicação da Teoria dos Jogos. Era exatamente isso”.
Laing pegou 20 casais britânicos e usando uma complexa série de questionários, ele analisou como cada um via o outro, momento por momento, nas suas vidas diárias. Perguntando repetidamente o que cada um pensava querer do outro. Seguindo a Teoria dos Jogos, codificou as respostas e levou-as para serem analisadas por computador. Dessas analises Laing produziu matrizes para mostrar que tal como na Guerra Fria, os casais usavam as suas ações diárias, como estratégias, para controlar e manipular cada um. As suas conclusões foram extraordinárias. O que normalmente era visto com um ato de simpatia e amor, eram na realidade armas usadas de forma egoísta para exercer o poder e o controle.
Glancy Sigal
-        “Laing sentia realmente que a família era uma arena para a estratégia. O amor era uma forma pela qual uma pessoa tentava dominar outra pessoa. Eu amo-te, mas segundo uma condição que é impossível de satisfazê-la. Não há nada que possa fazer para ganhar o meu amor, mesmo que eu lhe diga que tem de ganhar o meu amor.”
Desta investigação, Laing concluiu que a família moderna, longe de ser uma instituição atenciosa e protetora, é na realidade uma arena negra, onde as pessoas jogam continuamente jogos egoístas contra cada um. Desta luta resulta a estabilidade e sociedade, que cobre numa existência limitada, todos os indivíduos envolvidos.
-        “As chamadas de famílias normais, que estudei através dos formulários, foi como caminhar numa câmara de gás. As pessoas obrigam as crianças, para se ajustarem à vida, envenenando-as até um nível de subsistência a que chamam vida.
Laing era radical pelas suas descobertas. Ele acreditava que a luta por poder e controle que descobrira na família, tinha uma ligação estreita com a luta pelo poder e controle no mundo.
Numa sociedade violenta e corrupta, a família tornou-se numa máquina de controle de pessoas. Laing acreditava que esta era uma realidade objetiva, revelada pelos seus métodos científicos. Acima de tudo pela Teoria dos Jogos. Mas estes métodos contém em si pressupostos paranóicos e desoladores do que os seres humanos são realmente. Pressupostos nascidos da hostilidade da Guerra Fria. O que Laing estava na realidade a fazer, foi ajudar a espalhar estas idéias desoladoras e paranóicas, para outras áreas da sociedade, para a forma de como pensamos sobre nós próprios e sobre as nossas relações sociais.
Glancy Sigal
-         “Ele deu a entender ter visto coisas que dificilmente você conseguiria imaginar. Uma paisagem fria e desoladora e de que ia fazer o possível para protegê-lo. De que iríamos entrar juntos e protegermo-nos mutuamente nesta paisagem desoladora. Mas nunca te deixes iludir de que existe algo melhor do que isto, porque isto é o que é!
A série de livros de Laing, como a “Política da família”, tiveram grandes vendas e ele tornou-se um dos líderes do novo movimento da contracultura. O objetivo do movimento era o de fazer as pessoas perceberem de que nenhuma das instituições do pós-guerra mundial poderia ser confiável. Aqueles que se diziam motivados pelo dever público e pelo desejo de ajudar, faziam parte do sistema que tentava controlar as mentes e destruir a liberdade.
-        “Todas estas mentes, suprimidas, não têm qualquer liberdade de fazer o que querem dentro do sistema.”
Teriam de estar sempre atentos, nunca confiar em ninguém, mesmo naqueles que diziam amá-lo!
R. D. Laing
-         “Eu quero chamar à atenção para as pessoas que pensam que tem de haver confiança, ou crença entre as pessoas que se amam, só porque se amam. Mas eu não vejo isso a acontecer de forma alguma!
O que Laing e o movimento contracultura estavam a fazer era deixar abaixo as instituições britânicas em nome da liberdade. Estavam prestes a encontrar o aliado mais inesperado. Juntou-se-lhes um grupo de economistas da direita que tinham exatamente o mesmo objetivo que viria a se tornar imensamente poderoso. Este grupo, tinha sido inspirado pela idéias de Friedrich Hayek. E a maioria deles tinha também integrado a organização RAND! E trouxeram com eles as sofisticadas técnicas matemáticas, como a Teoria dos Jogos. [Estranho atribuir isso a direita! AO]. Iriam usar estas técnicas para provar cientificamente de que a idéia do dever público, na qual sempre se sustentou o serviço público britânico era uma hipocrisia negligente e corrupta. As suas idéias começaram a demolir as instituições antigas do estado britânico. Elas introduziram também as presunções paranóicas da Guerra Fria, cada vez mais, no coração da sociedade britânica.
No início dos anos 1970, os serviços do governo britânico começaram a colapsar. Aqueles à sua volta culparam a crescente crise econômica, mas era claro de que algo muito mais profundo tinha corrido mal. O que era suposto serem instituições que serviam as pessoas tornaram-se incapazes. Aqueles à sua volta pareciam voltar-se contra as mesmas pessoas que era suposto servirem.
-        “Contenções orçamentais”
-        “Pode esperar um minuto? Ah, é urgente?”
-        “Não lhe posso dar essa informação. Não temos permissão para fazê-lo”
-        “Nós não prestamos esse serviço”
-        “Não estão disponíveis!”
O grupo de economistas de direita na América divulgou uma teoria que, segundo eles, explicava a razão para tal estar a acontecer. No centro dessa idéia, estava a Teoria dos Jogos. Eles diziam que a realidade fundamental da vida em sociedade era constituída por milhões de pessoas a observar e a planear constantemente, umas contra as outras. Todos em busca do seu exclusivo interesse. Uma presunção que se tornaria numa verdade. O modelo do comportamento humano centrado em si próprio que tinha sido desenvolvido na Guerra Fria para fazer com que as equações matemáticas funcionassem, tinha sido agora adotado por estes economistas como uma verdade fundamental acerca da realidade de todas as interações sociais.
Professor Thomas Schelling
-        “Estamos sempre a tentar inferir as intenções do outro. Estamos sempre a tentar levar a cabo as nossas intenções. Mesmo de forma enganosa ou verdadeira. Tentamos sempre encontrar formas de transmitir promessas credíveis, e algumas vezes fazer ameaças credíveis: ameaçando a União Soviética, ameaçando um animal mal comportado, ameaçando uma criança, ameaçando um vizinho”.
Entrevistador
-        “Acho que o que todos fazemos, chama-se planear.
Professor Thomas Schelling
-        “O que é que ele pensa, que eu penso, que ele pensa que eu penso que ele irá fazer? Tudo isto tem de chegar a uma espécie de equilíbrio. O que é que ambos podemos reconhecer como a coisa óbvia a fazer”
O que isto significa segundo os economistas, é que a crença dos políticos e dos burocratas de que trabalhavam para o bem comum era uma fantasia completa! Porque para fazê-lo depende a criação de objetivos partilhados na sociedade baseados no sacrifício e no altruísmo. Mas num mundo real, constituído por milhares de indivíduos suspeitos e egoístas, tais conceitos não podem existir. Disto resultou uma teoria chamada de escolha pública, e um grupo de economistas, determinados em destruir a ilusão dos políticos de que trabalhavam para o bem comum. O seu líder chamava-se James Buchman.
Professor James Buchman
-        “De certo de que não existe nenhum conceito mensurável com significado que possa ser chamado de interesse comum, porque como é que gere diferentes interesses e diferentes grupos, e como se pode sair disso? O interesse público como o político o concebe, porém não significa que exista, é o que ele pensa ser bom para o país. Vir dizer isso é uma coisa, mas por trás há a hipocrisia de que o interesse público existe realmente. Isso era o que estava a tentar derrubar.
Em 1975, Tatcher tornou-se líder do partido conservador. E as idéias de Buchman tiveram uma influência poderosa, nela e no grupo de radicais [Por que radicais? AO] à sua volta. Um conselheiro da ala direita de Tatcher trouxe James Buchman para Londres para uma série de seminários. Ele explicou claramente porque estava o estado britânico a falhar. Era pura Teoria dos Jogos. Porque não havia um verdadeiro desejo pelo interesse público, os burocratas e políticos esquematizavam e planeavam segundo o seu interesse próprio. Construindo o seu poder e os seus impérios, reivindicam estarem a ajudar os outros, mas de fato era exatamente o contrário. E o resultado foi um caos econômico e a quebra da sociedade.
Madsen Pirie
-        “Era o caos, não havia outra palavra. E depois a teoria da escolha pública disse-nos porquê. É por causa do interesse próprio dos grupos que conseguiram obter o controle do processo. É que gerem estas atividades para sua vantagem, às custa do resto da sociedade. Quando os funcionários públicos e os políticos dizem perseguir o interesse público, as palavras são as do serviço público, mas as ações são as do interesse próprio, maximizando as vantagens pessoais.”
Um funcionário
-        “Isso decerto que não é verdade, pois contra a crença pública, eu e os meus empregados temos muita consideração pelas pessoas.”
Um interlocutor:
-        “Acho que tem receio, penso que por não haver muita oposição, não vai fazer o suficiente”.
-        “Se não quer que responda, eu posso ir para casa, está uma noite bonita e eu não preciso estar aqui. Mas se quer que eu responda, eu posso ficar.
-        “Por favor, deixem-no...
À medida que os economistas britânicos saem do controle, a elite política e burocrática que dominou o país desde a guerra, encontra-se sob ataque, quer da direita quer da esquerda.

“O CAMINHO PARA A RECUPERAÇÃO”
Foram uma vez figuras heróicas que criaram um novo mundo. Agora eram acusadas de serem agentes do controle e não da liberdade.
Margareth Tatcher
-        “Temos sido liderados por homens que vivem por ilusões. Ilusões de que podemos ter liberdade por decreto.
Ouvinte da platéia
-        “E eu consigo sentir isso.”
E estas novas teorias começaram a espalhar-se pela imaginação pública. Um escritor que fazia parte dos conselheiros de Tatcher, escreveu uma série que expunha explicitamente as teorias da escolha pública. Tal como cômica, era também uma propaganda ideológica para um movimento político.
-        “Humphrey, temos de emagrecer o serviço público.”
-        “Quantas pessoas temos neste departamento? Duas mil... três mil?”
-        “Cerca de vinte e três mil, penso eu, Sr. Ministro”.
-        “Vinte e três mil! No departamento do ministério da administração interna? Vinte e três mil pessoas a administrar outros administradores? Temos de fazer um estudo para vermos quem está a mais.”
-        “Fizemos um desses no ano passado. Conclui que precisavam de mais cinqüenta mil pessoas.”
Sir Anthony Jay
-        “A falácia na qual a escolha pública se baseou, foi a falácia de que o governo trabalha inteiramente pelo benefício do sistema. Isto refletiu-se no programa Sim, Sr. Ministro, mostramos que quase tudo o que o governo decidia entrava em conflito entre dois grupos de interesses: Os políticos e os funcionários públicos tentando tirar vantagem para as suas carreiras e melhorando as suas vidas. E foi por isso que a economia da escolha pública, que explicava porque razão isso acontecia, era a base de quase todos os episódios do Sim Sr. Ministro.
Ao mesmo tempo, R.D. Laing continuou o seu assalto ao que via como as elites corruptas. Ele preparava-se para usar o seu crescente poder para atacar uma das mais poderosas profissões na América: A autoridade médica e psiquiátrica. Os resultados seriam dramáticos. Mas o resultado seria muito diferente do que Laing pretendia.
As suas idéias iriam minar toda a elite médica. Mas longe de libertar as pessoas, o que emergiu seria um novo sistema revolucionário, de ordem e controle guiado pelo poder dos números.
Laing
-        “Pense que se vai encontrar com ela, se ela não vai estar assustada, põe-se de parte ou irá fazer alguma coisa?
Laing era agora uma celebridade na América, e era um dos líderes do movimento anti-psiquiátrico. Laing dizia que a psiquiatria era uma falsa ciência. Usada como um sistema de controle político para sustentar uma sociedade violenta e em colapso. As suas categorias de loucura e de insanidade, não têm qualquer fundamento. A loucura tratava-se apenas de um rótulo conveniente para afastar aqueles que criam libertar. Centenas de jovens psiquiatras foram às palestras de Laing. Um deles foi inspirado. Decidiu encontrar uma forma de testar se o que Laing dizia, era verdade ou não. Poderia os psiquiatras americanos distinguir entre loucura e sanidade? Chamava-se David Rosenhand, e criou uma experiência dramática.
Agrupou oito pessoas, incluindo a ele próprio. Nenhum deles tivera alguma vez qualquer problema mental. Estes foram distribuídos pelo país para hospitais mentais previamente definidos. Numa altura definida, apresentaram-se todos ao hospital e disseram aos psiquiatras em funções que ouviam uma voz na sua cabeça que dizia a palavra “apesar”. Essa era a única mentira que se podia dizer. De resto, deveriam comportar-se de forma perfeitamente normal.
-         “E depois, o que aconteceu?”
David Rosenhand
-        “Foram todos diagnosticados como doentes. Débeis, segundo o hospital.”
-        “Todos?”
-        “Todos!”
-        “E já tinham estado alma vez doentes?”
-        “Não! E Não havia ninguém que pudesse julgar estas pessoas como doentes. Eu disse aos meus amigos e à minha família, eu posso sair quando quiser. É só. Passados alguns dias eu saio. Ninguém esperava que ficasse lá dois meses. Uma vez terem confessado todos os falsos doentes agiram normalmente, mas os hospitais recusavam-se a libertá-los.”
Diagnosticaram sete como esquizofrênicos e um com desordem bipolar. Deram a todos fortes drogas psicotrópicas! Perceberam que não havia nada que pudessem fazer para convencer os médicos de que eram sãos. Mas depressa perceberam que a única forma de saírem, seria a de concordarem estar doentes e fingir estarem melhores.
-        “A única saída foi mostrar que estavam certos. Eles disseram que estavam doentes, estou doente, mas estou a ficar melhor. Foi uma afirmação da visão deles.”
Quando Rosenhand finalmente saiu e reportou a experiência, houve um tumulto e foi acusado de fraude e dolo. Um dos principais hospitais desafiou-o a enviar mais doentes falsos, garantindo que iriam ser detectados desta vez. Rosenhand concordou. E após um mês, o hospital anunciou ter descoberto 41 doentes falsos. Rosenhand anunciou depois não ter enviado ninguém!
O efeito da experiência de Rosenhand foi um desastre para os psiquiatras americanos. Destruiu a idéia de que era uma elite privilegiada com conhecimentos especiais. Mas aqueles no poder perceberam que a psiquiatria não poderia desistir. Uma nova forma tinha que ser encontrada de como entender e gerir pessoas e seus sentimentos na sociedade moderna.
E como R.D. Laing, viraram-se para o purismo da análise matemática. Montaram um sistema científico de diagnóstico de doentes mentais, onde todas as análises humanas seriam retiradas e trocadas por um sistema baseado no poder dos números. Desistiram da idéia de que podiam entender a mente humana e curá-la.
Em vez disso, os psiquiatras americanos criaram uma nova série de categorias mensuráveis, baseadas apenas no comportamento visível dos seres humanos. Muitas receberam nomes como déficit de atenção ou obsessão compulsiva.
Paul McHugh
-        “Psiquiatras diziam que não sabiam as casas para nenhuma destas doenças e disseram esta é assim que se parece, é assim que a depressão se parece, é assim que a ADS se parece, é assim que a PDs se parece, é assim como a personalidade múltipla se parece. Agora, se existem? De alguma forma particular ou da mesma forma? Ou se existem outras coisas semelhantes? Não interessava, é assim que parecem.”
O que interessava era que estas desordens poderiam ser observadas e assim gravadas.
Os psiquiatras criaram um sistema no qual o diagnóstico pudesse ser feito por um computador. As características observáveis, de cada uma das desordens, foram listadas de forma precisa. Foram elaborados questionários a perguntar às pessoas se tinham estas características. As respostas eram simplesmente Sim ou Não. Para que pudessem ser questionadas por leigos. Não por psiquiatras! O computador decidia depois se as pessoas eram normais ou anormais.
Dr. Robert Spitzer
-        “O entrevistador leigo faz as perguntas e anota as respostas. Essa pessoa não está a fazer um diagnóstico. Essa informação é introduzida num computador. Posteriormente o programa de computador olha para o padrão e emite o diagnóstico. Assim o diagnóstico era realizado pelo computador. Não havendo qualquer juízo clinico.”
Os psiquiatras decidiram testar este sistema. No fim dos anos 1970, distribuíram entrevistadores pela América fora com o questionário. Centenas de milhares de pessoas, selecionadas aleatoriamente, foram entrevistadas. Até esta altura os psiquiatras lidaram apenas com indivíduos que pensavam precisar de ajuda. Esta foi a primeira vez que alguém saiu e perguntou às pessoas o que pensavam e sentiam. Os resultados, após processados, eram espantosos. Mais de 50% dos americanos sofria de algum tipo de desordem!
Dr. Jerome Wakefield
-        “Estes estudos revelaram altos níveis de desordem mental. Haviam altos níveis de desordem! Metade da população tinha alguma forma de desordem. 70% tinha tido episódios de depressão. Coisas assim. Estes dados espantaram, eram enormes. A conclusão geral foi a de haver uma epidemia escondida.”
Mais questionários foram feitos. Mais uma vez os computadores retornaram a mesma informação perturbadora. Os questionários mostravam que debaixo da superfície da vida normal, milhões de pessoas que nunca pensaram estar mentalmente doentes, estavam a viver secretamente com elevados níveis de ansiedade.
Os psiquiatras levaram a cabo programas de escrutínio pelo país. Para muitas pessoas as checklist eram a libertação. O seu sofrimento privado tinha finalmente sido reconhecido.
-        “Ouvi na rádio que havia um escrutínio nacional, sobre ansiedade. Fizeram-me um conjunto de perguntas sobre sintomas. Eram para uns 50 sintomas e eu tinha 49 deles. Pelo que está a passar é comum. E como garantia do seu significado, vejo bombeiros, trabalhadores civis, foi um alívio perceber que eu não estava a inventar.”
Estas novas categorias de desordem espalharam-se rapidamente pela sociedade. Temos como, desordem da motivação, desordem compulsiva. Entraram no vocabulário público. À medida que isto acontecia, teria conseqüências imprevisíveis. Milhares de pessoas começavam a usar os questionários para se monitorarem e diagnosticarem. Usavam-no para identificar o que era aberrante ou anormal nos seus comportamentos e sentimentos. Mas por definição deu início a um modelo poderoso sobre o que eram, os comportamentos e sentimentos normais pelo qual se deviam guiar.
Os psiquiatras começaram a receber cada vez mais pessoas a pedirem-lhes para torná-las normais.
Paul McHugh
-        “Era uma forma de fazer às pessoas algumas perguntas, processar os formulários. Vê. Você tem esta doença! Ah! Eu tenho esta desordem, é melhor ir ao médico e dizer-lhe o que preciso. E foi uma experiência espantosa. Uma grande mudança. A maioria das pessoas não queria, anteriormente, ser vistas como, de alguma forma, mentalmente doentes. Mas agora, eles dizem-me que têm um ideal do que é uma pessoa normal. Eu não encaixo nesse ideal, eu quero que me puxe o lustro, para que encaixe!”
Este novo sistema de desordens psicológicas foi criado no seguimento de um ataque à elite psiquiátrica, em nome da liberdade. Mas o que começou a emergir foi uma nova forma de controle. As desordens e os formulários passaram a ser um poderoso e objetivo guia para os sentimentos corretos e próprios na idade do individualismo e emoção. Mas este era um sistema muito diferente de ordem, não mais será dito às pessoas como se comportarem por uma elite. Em vez disso, usavam agora os formulários para monitorar os seus sentimentos e policiar o seu próprio comportamento. Eram-lhes assegurado que estas novas categorias eram científicas, e que poderiam ser verificadas pelo poder dos números.
Tatcher
-        “Para eles o ontem, para nós o amanhã.”
Em 1979, Tatcher chegou ao poder na Inglaterra. O que prometeu criar foi uma sociedade baseada no sonho da liberdade individual. As pessoas iriam ser libertadas da elite arrogante e dos burocratas do estado do passado. Mas Tatcher sabia que tinha de encontrar uma nova forma de gerir e controlar estes indivíduos livres numa sociedade complexa, por forma a evitar o caos.

“THIS UNIT IS OWNED BY MACHINE 3”
[“ESTA UNIDADE É PROPRIEDADE DA MÁQUINA 3”]

E para fazê-lo, tal como os psiquiatras americanos, virou-se para sistemas baseados no poder objetivo dos números. Mas na base do novo modelo matemático, estava outra vez a sombria e suspeita visão dos seres humanos que os estrategistas da Guerra Fria tinham assumido. Esta visão iria agora penetrar profundamente no estado britânico!
O governo de Tatcher começou o início dos anos 1980 por vender muitas indústrias do estado. Mas cedo ficou claro que no mundo moderno haviam grandes áreas do estado que tinha que se manter sob controle governamental. Foi Tatcher que estava determinada a libertá-los também das antigas formas de gestão. Para fazê-lo, implantou um sistema, desta vez não guiado por idéias de dever público, mas em vez disso, os funcionários públicos seriam motivados através de incentivos para seguirem o seu interesse pessoal. Tudo de acordo com as idéias do inventor da escolha pública, James Buchanan. Ele acreditava que eram os políticos e burocratas que pregavam a idéia do dever público, os mais perigosos que ele chamou de Zealot (partidário) e tinham de ser extintos.
-        “Estamos mais seguros se tivermos políticos egoístas e gananciosos, do que os Zealot´s. O maior perigo são claramente os Zealot´s. Que pensa que sabe o que é melhor para nós. Em contraste com o que está à venda, de certa forma.”
-        “Assim dessa forma, pode usar incentivos”
-        “Exatamente.”
-        “Pode explicar melhor?”
-        “Exatamente, exatamente. O Zealot não é nem de longe nem de perto influenciado por incentivos de escritório ou de outro tipo, como o não Zealot o é. Assim, não se quer muitos Zealot´s. Se o nosso sucesso dependesse da bondade dos políticos e dos burocratas, então estaríamos num grande sarilho.”
Era uma sombria e pessimista visão da motivação humana, mas estava preste a tornar-se a base para o novo sistema de gestão do estado britânico.
Tatcher
-        “As propostas representam a reforma mais profunda do Serviço Nacional de Saúde nos seus 40m anos de historias. Oferecem novas oportunidades e colocam novos desafios para todos aqueles relacionados com o funcionamento dos serviços.”
Em 1988, Tatcher anunciou a reforma total para o Serviço Nacional de Saúde. O objetivo essencial era o de retirar o poder da autoridade médica e substituído por um novo e eficiente sistema de gestão. Para fazê-lo, Tatcher virou-se para um homem que tinha Sid um dos estrategistas nucleares da corporação RAND no pico da Guerra Fria. Chamava-se Alain Enthoven.
Nos anos 1950, o trabalho de Enthoven era o de pensar o impensável. Planear como lutar e ganhar uma guerra nuclear. Para fazê-lo ele desenhou um sistema matemático que usava o armamento nuclear como incentivos racionais para manipular o outro lado. Enthoven teve de elaborar cenários para saber quantas mega toneladas de bombas deitadas em que cidades e quantas pessoas seria necessário matarem para provar aos russos que era seu interesse próprio voltar a mesa das negociações.
Disto, Enthoven desenvolveu uma técnica que chamou de análise de sistemas. Era uma técnica de gestão que acreditava poder aplicar-se a qualquer tipo de organização humana. O seu objetivo era o de libertar de todas as emoções e valores subjetivos que confundem e corrompem o sistema. E trocá-los por métodos racionais e objetivos. Alvos e incentivos definidos matematicamente. Enthoven tentou aplicar este sistema pela primeira vez nos anos 1960, quando ainda era um militar. O secretário da defesa, Robert Mcamara, pediu-lhe para ajudar na reforma do pentágono. Enthoven começou por se ver livre da idéia de que o patriotismo devia ser o guia da defesa americana. E trocou-a por um sistema racional baseado em números.
Alain Enthoven
-        “A abordagem que levamos para o Pentágono, baseava-se no comportamento racional. No início, a alto nível, havia um pensamento político e estávamos a tentar transformá-lo mais num pensamento analítico. A maioria das pessoas na defesa pensava que se devia fazer as coisas baseados no patriotismo. Havia muito disso, um sentimento emotivo... Você é patriótico? E La estava eu, com os meus slides e o meus estilo Greek do MIT.”
-        “Aerotransportados.”
-        “Sempre, Sir!”
-        “Sentem-se, por favor.”
-        “O que pensavam os militares?”
-        “Bem, penso que...”
-        “Odiavam, não era?”
-        “Odiavam, sim.”
-        “O que substituiu patriotismo e noções de dever público foram resultados matemáticos mensuráveis.
Mas a experiência de McNamara acabou em desastre quando tentou levar a cabo a guerra no Vietnam duma forma racional e matemática definindo alvos e incentivos. O exemplo mais infame foi o da contagem de corpos que foi definido como um indicativo racional para saber se a América estava ganhando a guerra. Mas na realidade as tropas adulteravam simplesmente os resultados, chegando a disparar sobre civis, para alcançar os objetivos definidos!
Em 1967, McNamara demitiu-se. Mas, Enthoven manteve-se firme. Em seguida aplicou os seus sistemas para desenhar uma forma racional de gestão do serviço de saúde. Ele começou-o na América, mas em 1986 Tatcher pediu-lhe para fazer o mesmo no Serviço Nacional de Saúde britânico.
Tal como desafiou o poder dos generais no Pentágono, iria agora fazer o mesmo com os médicos ingleses.
Enthoven
-        “Penso que em ambos os casos, com os militares e com os médicos, em que se tem uma elite poderosa e organizada com autoridade e hierarquia o sistema necessitava ser reconfigurado de tal forma que desse incentivos para fazer um trabalho melhor. Era uma questão de como se distribui os incentivos para motivar o interesse pessoal para criar incentivos próprios para recompensar a eficiência, e se a podemos medir? Assim, era um desafio ao poder médico organizado.”
O que Enthoven propôs para o SNS chamou-o de mercado interno. De fato, era uma simulação matemática do mercado livre. Os números foram usados para criar restados e objetivos mensuráveis, a todos os níveis. Enquanto a competição era criada através dum sistema de incentivos, tudo isso imitando as pressões do mercado livre no serviço público. Para aqueles que o instalaram, era a engenharia de uma nova liberdade. Iam libertar milhões de funcionários públicos do controle arrogante das antigas elites. Assim, um novo objetivo e método, baseado em números, definiu os objetivos que os indivíduos eram livres de atingir da forma que quisessem.
Madsen Pirie
-        “Basicamente liberta os talentos. Antes eram simples instrumentos fazendo o que lhes era pedido. Agora, de repente eram mentes criativas com a permissão de examinar e dizer por que não fazemos isto? E esse sentimento de liberdade que vem do pensamento de que eram as suas metas, não era algo que lhes tivesse sido ordenado. E isto era parte muito importante para a sua motivação, pois sentiam que possuíam os objetivos.”
Mas era um tipo de liberdade muito estreita e específica. Significava abafar todas as idéias de trabalho para o bem coletivo ou público. Sendo em vez disso, um indivíduo, calculando constantemente quais poderiam ser as suas vantagens num sistema desenhado e definido por números. Mas na base disto estavam as criaturas simplificadas e egoístas criadas por John Nash em 1950.
Para fazer a sua Teoria dos Jogos funcionar o objetivo de metas e incentivos é o de transformar os serviço público nestes seres simplificados. Indivíduos que calculam apenas o que é melhor para eles e deixam de pensar duma forma política mais alargada.
Professor Philip Mirowski
-        “Há esta visão destes indivíduos isolados de que são apenas processadores de informação, sem emoção envolvida. As pessoas não obtêm motivos de coisas como participarem política e emotivamente de algo mais largo que eles. Nada disto é permitido nesta forma particular. E assim, o que temos é esta imagem de processadores de informação que poderão possivelmente preocupar-se com a família. Mas quero dizer a idéia que têm no coração o interesse e o bem estar de todos é suposto ser naïve.

BBC NINE O’CLOCK NEWS
Reporter
-        “Este é o meio do “checkpoint”, os portões foram abertos e a polícia não interfere na entrada e saída de pessoas. Nunca vi tanta alegria.”
Povo
-        “Liberdade, Liberdade, só uma vez!”
Tatcher
-        “Eu vi as cenas da televisão ontem à noite e novamente esta manhã. Você vê a alegria na cara das pessoas, vê o que a liberdade significa para eles. Faz-nos perceber que não se pode impedir o desejo das pessoas pela liberdade.”
Reporter/Povo
-        “O que pensa desta noite?”
-        “É maravilhosa!”
Música: “É maravilhoso... É maravilhoso...”
Em novembro de 1989 o muro de Berlim colapsou e a Guerra Fria terminou finalmente. Uma nova era de liberdade começou, mas a forma dessa liberdade seria definida pelos vencedores: O Ocidente.
E como este programa mostrou, a idéia de liberdade, que se tornou dominante no ocidente, tem raízes profundas na suspeição e na paranóia da Guerra Fria.

FIM DA PRIMEIRA PARTE

No filme da próxima semana mostraremos como esta idéia se espalhou para conquistar os próprios políticos, porque parece oferecer uma nova e melhor alternativa à democracia. Mas o que realmente resulta é, corrupção, crescente austeridade e um aumento dramático da desigualdade. E nós acabaremos por acreditar que somos realmente os estranhos e isolados seres que os cientistas da Guerra Fria inventaram para fazerem os seus modelos funcionarem. Esta visão limitada, longe de nos libertar, tornar-se-á na nossa jaula.

Written and Directed by
ADAM CURTIS
BBC
Legendado por Rui Seixas
Transcrito por Anatoli Oliynik