segunda-feira, 19 de setembro de 2016

LULA: UM DITADOR ACORRENTADO

16 de setembro de 2016
Por Thiago Kistenmacher, para o Instituto Liberal

Não é de hoje que conhecemos os perigos de Luiz Inácio Lula da Silva. Seus discursos demagógicos causam aversão e medo. Lula é um ditador acorrentado, mas pronto para ser usado, pois tem todas as ferramentas que, por sorte, ainda não tiveram total liberdade de ação.
O fascista que trata sua acusação com ironias e chora de modo forçado, chama de “companheiros” os tiranos Hugo Chávez e Fidel Castro, se aproximou de Ahmadinejad e até hoje apoia o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Durante sua fala de defesa, na qual protagonizou um papel disparatado que só encanta sua facção, disse que se a oposição quiser vencê-lo, terá que fazê-lo nas ruas. Qualquer semelhança com o que está acontecendo na Venezuela de seu “companheiro” Maduro não é coincidência. Lula deveria saber que numa democracia a oposição se vence nas urnas, não nas ruas, que geralmente se transformam em campos de batalha. Mas não poderíamos esperar nada diferente de um apreciador de autocracias.
Ademais, não é preciso muita sagacidade para perceber os traços psicopatológicos deste “messias” político – seu choro forçado só comove crápulas como Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Rui Falcão. Lula rememora Tiradentes numa clara tentativa de ser identificado como o salvador da nação, com o martírio. E com um discurso teleológico repleto de promessas para um Brasil igualitário, encarna o messianismo político, demonstrando toda sua fé na política, cujos problemas foram discutidos por Michael Oakeshott em A Política da Fé e a Política do Ceticismo [ainda sem tradução para o português]. Todo messias político carrega um ditador dentro de si. Além disso, todo messias traz consigo uma tropa de personalidades anuladas que aguarda as ordens do chefe.
Lula não é só o líder máximo da corrupção, ele também é o coronel de uma horda disposta a tudo. Este ditador acorrentado tem milícias, o que pode ser identificado na CUT e no MST; ele tem sectários ao seu redor que defenderiam sua inocência mesmo que ele fosse réu confesso, isso considerando desde a militância da base, passando pelos professores acadêmicos e chegando ao governo federal; ele tem um partido transformado em causa máxima da vida de várias pessoas; ele beija a camisa e o símbolo do PT no intuito de cativar seu rebanho, de tornar seus soldados ainda mais aguerridos; ele convoca os militantes e partidários a usarem o vermelho pelas ruas; e com a narrativa do "golpe", excita sua tropa contra aqueles que ele denomina "inimigos da democracia".
Pior ainda, Lula não emite uma só palavra de reprovação sobre a violência perpetrada pelos arruaceiros que quebram tudo, gritam e picham "Fora Temer". Evidente que não o faria, pois se a justiça brasileira tirar suas correntes, ele fará o mesmo. Lula é um ditador acorrentado tentando estourar o cadeado. Seu passado sindicalista tem muita semelhança com o fascismo de Mussolini e seu discurso salvacionista esconde uma ameaça real à democracia brasileira.
A única pobreza que Lula combateu foi a sua própria, afinal, hoje o ditador acorrentado considera como coitado aquele que ganha R$ 2.000 e diz ser simples um relógio de R$ 800. Até nisso Lula se parece com seus parceiros ditadores que usufruem do bom e do melhor enquanto vociferam contra seus inimigos. Por isso é aconselhável que permaneçamos vigiando os cadeados da justiça e conferindo as correntes que nos mantém seguros deste ditador que só não se assenhoreou de todas as instituições por falta de oportunidades.
O Brasil tem duas opções: ou mantém esse ditador acorrentado ou ele é quem nos acorrentará, afinal de contas, Lula, a autointitulada "jararaca", não passa de um potencial ditador só esperando para dar o bote. Aliás, além da psicopatia, veneno é o que ele tem de sobra.

sábado, 18 de junho de 2016

A IGREJA CATÓLICA É "A OUTRA"

A IGREJA CATÓLICA É “A OUTRA”
Por Anatoli Oliynik

A partir de 8 de dezembro de 1965 a Igreja Católica Apostólica Romana abandonou a tradição e os ensinamentos legados por Nosso Senhor Jesus Cristo para tornar-se A OUTRA. Hoje, 50 anos após, a autêntica Igreja Católica Apostólica Romana não existe mais.
Para demonstrar o que acabo de afirmar reuni dezenas excertos e fragmentos sobre este assunto, os quais exponho a seguir. Comecemos por este:
 “Depois do que escrevi no artigo da semana passada sobre o maior escândalo do século, e sobretudo depois de séculos de pronunciamentos da Igreja, eu só posso ter como séria a declaração anticomunista de um bispo quando vier acompanhada de um atestado provando que seu nome estava incluído entre os dos 400 padres conciliares que, em vão, tentaram erguer um baluarte ao avanço comunista, e não entre os nomes dos 3.600 que categoricamente recusaram esse tipo de resistência ou combate” (Gustavo Corção)
Gustavo Corção está falando do movimento liderado pelo Monsenhor Marcel Lefebvre, um dos homens mais brilhantes dentro da Igreja Católica no século XX ao lado dos Papas que antecederam a João XXIII, que, por insurgir-se contra o progressismo conciliar do Vaticano II, de João XXIII e Paulo VI, foi excomungado.
João XXIII pronunciou a mais maldita de todas as sentenças: “Vamos abrir as portas e as janelas de Igreja e deixar que o ar se renove”. Aconteceu que a abertura das portas e janelas da Santa Sé, proporcionou a oportunidade para que ao invés do ar se renovar, foi Satanás quem entrou pelas tais portas e janelas abertas por João XXIII.
O Pe. J.B. Souza disse com muita propriedade: É a Igreja que tem que renovar o mundo e não o mundo que tem de renovar a Igreja. Portanto, João XXIII naufraga fragorosamente na sua premissa totalmente falsa e equivocada. Que foi falsa, todos sabemos pelos resultados após 50 anos. Quanto a intenção do Papa cabe a dúvida: Foi equivocada ou foi ato pensado?
Àqueles que desejarem encontrar a resposta e se aprofundar no assunto para compreender a gênese do caos que se abateu sobre a Igreja, recomendo a leitura do livro LEFEBVRE, Mons. Marcel. “Do LIBERALISMO a APOSTASIA: a tragédia conciliar”. Rio de Janeiro: Ed. Permanência, 246 p. Recomendo, também, o DVD “DOM LEFEBVRE – UM BISPO NA TORMENTA”. Ambos podem ser encontrados na Editora Permanência.
Dom Lourenço Fleichman escreveu um artigo magistral “Enfim, o Cisma” cujo excerto apresento a seguir:

“O Cisma oculto. Comecemos, pois, pela principal realidade que importa manter viva e acesa em qualquer análise que se faça do Sínodo: há 50 anos atrás um Cisma monumental foi introduzido na Igreja, realizado por um imenso grupo de bispos que se uniu em uma nova Igreja, Anti-Igreja, Contra-Igreja, ou A Outra, como chamava Gustavo Corção, sem abandonarem a hierarquia católica, podendo assim agir de modo mais eficaz sobre os ingênuos católicos do mundo todo.
Em toda parte levantaram-se os católicos fiéis, na época, para denunciar os erros da nova pastoral introduzida no Concílio Vaticano II. Porém, pouco a pouco, a hierarquia os silenciou, quer pela falsa obediência, quer pelo ostracismo e a marginalidade.
Já não tinham voz ativa, e quando denunciavam os erros do pós-Concílio, não lhes davam crédito. Os papas que fizeram o Concílio, João XXIII e Paulo VI, repetiam que estavam apenas tratando da ‘pastoral’, abrindo as portas da Igreja aos novos tempos. E afirmavam, como hoje, não tratarem de dogmas e da doutrina. Esta é a segunda característica do cisma. Além de ter sido realizado por membros da própria hierarquia, acalmavam os conservadores com essa palavra de ordem: ‘pastoral’ “. – Fonte: Artigo “ENFIM, O CISMA” de Dom Lourenço Fleichman OSB.

A íntegra deste maravilhoso e esclarecedor artigo de Dom Lourenço pode ser lido em http://permanencia.org.br/drupal/node/5162
O Concílio Vaticano II é a pedra basilar do mais grave problema que se abateu sobre a Igreja Católica Apostólica Romana após os movimentos heréticos do século IV. A Igreja de Cristo. Qualquer coisa que se fale, sem considerar o Concílio Vaticano II, é tirar o foco da gênese do problema.

Vejamos agora o que escrevem os leigos:

O PAPA E O "ANJO DA PAZ"
NOTA DO EDITOR: O Papa Francisco anda demonstrando, desde a sua posse, uma preferência pelas esquerdas, pelos Muçulmanos, por teorias ecológicas falsas e anticristãs, por terroristas, bandidos e assassinos. Assim, apoiou o Acordo EUA-Irã (caminho da paz), mediou o acordo entre o marxista (ou Muçulmano?) Obama e a ditadura assassina cubana - tendo recebido em troca a afirmação irônica e hipócrita de Raúl que se ele, Francisco, continuasse a agir assim poderia até voltar à Igreja. Os Castros, os Aiatolás assassinos de Cristãos, a negação, por parte de Obama do papel dos Cristãos e Judeus na formação da nação Americana, o assassinato de centenas de milhares de Cristãos, incluindo o estupro de freiras e o fechamento das Igrejas em Cuba, os constantes massacres de Cristãos por Muçulmanos, tudo indica que Francisco anda em más companhias.
Agora, no entanto, extrapolou quaisquer limites ao chamar o bandido Abbas de "anjo da paz"! Um Papa deveria no mínimo ter cuidado ao usar a palavra Anjo, os Emissários do Deus Judaico-Cristão, papel que não pode ser atribuído a um assassino precisamente de Judeus e Cristãos. Nem comento a palavra "paz" pelo ridículo da expressão dirigida a um terrorista! Quem será o diabo na história de Francisco? Israel? Os Judeus?
Estará Francisco tentando voltar ao anacrônico antissemitismo católico, agora no pior dos mundos, pois unido à Teologia de "libertação" comunista? Enquanto os jovens da PUC-GO se arriscam para mostrar os desvios teológicos da CNBdoB, o próprio Chefe da Igreja incorre nas mesmas heresias, negando seus sucessores Leão XIII, Pio XI, Pio XII e João Paulo II que afirmavam que todo católico que entrasse em conluio com comunistas estava automaticamente excomungado?” HEITOR DE PAOLA

O que o De Paola escreve são fatos reais e não há como negá-los. Não se trata de opinião inconsequente, nem crítica vulgar, mas de triste realidade para os católicos cuja venda não empana a visão nem lhes anestesia a razão.
Vejamos outras visões. Esta é de um amigo que escreveu-me:

“Anatoli. Um judeu, talvez por olhar de fora, enxergou perfeitamente a situação. Nós pensamos exatamente igual, o duro é que as outras pessoas ainda estão cegas e não dá para falar do assunto ainda, sem o risco de ser agredido verbalmente ou até mesmo fisicamente.
Infelizmente, as nossas aulas com o Monir, Donato, padre Paulo Ricardo, Gugu e etc, nos fizeram um “grande mal”. Você compreende o que é o verdadeiro cristianismo e percebe que ele não existe mais na igreja atual. Com raras exceções, o pessoal pratica hoje uma outra religião. Não é por acaso que adoram esse papa. Abraços, Marcelo.

Vou repetir a frase do amigo Marcelo: “o verdadeiro cristianismo não existe mais na igreja atual... o pessoal pratica hoje uma outra religião.

Minha consideração-resposta ao Amigo Marcelo:

Marcelo: Concordo integralmente contigo. Não dá mesmo para alertar aos “católicos” contaminados pela miopia conciliar. Eles são os Modernistas e Progressistas e nós os Tradicionalistas. Às vezes dou uma de "joão-sem-braço" para ver a reação deles, eles ficam enfurecidos. Só falta a agressão física. Os 50 anos pós Concílio Vaticano II se encarregaram de aplainar a mente dos que se tornaram pseudo-católicos e fideístas inocentes.
De qualquer modo, fico gratíssimo ao Monir e ao Olavo por tirar a venda dos meus olhos. Prefiro a VERDADE !

Leiam agora o trecho que o bispo Amigo, de Niterói, escreveu a respeito desse assunto:

“Estamos assistindo a um fenômeno curioso. Por um lado, a coerência de Francisco e dos cardeais que chutaram o balde. Digo coerência porque eles nada dizem, nada fazem, que não estivesse já presente em Vaticano II. Apenas tiraram o véu.” Dom Lourenço Fleichman OSB.

Muita coisa se escreveu e muita coisa se escreverá sobre a destruição da Igreja Católica bi-milenar. Um dos escritos que mais me impressionaram foi o do Padre Malachi Martin, testemunha ocular do Concílio Vaticano II:
 
A fé verdadeira desapareceu na Igreja conciliar
Os clérigos não tomarão medidas verdadeiras porque eles não querem problemas. Eles não querem ser impopulares. Eles não querem ser mártires. Muitos bispos e padres perderam a sua fé. Eles não são mais católicos. Eles se tornaram uma espécie de neo-católicos, que é meio caminho entre os anglicanos e os clubes rotarianos. No campo da educação, a situação é ainda pior. Não há dúvida de que o ensinamento do catecismo, o ensino da religião, desapareceu. Os jesuítas, dominicanos, carmelitas e franciscanos se tornaram secularizados. E você não pode mais falar sobre faculdades católicas. Não há como estimar o dano que tem sido feito. Hoje em dia, os marxistas, lésbicas e homossexuais têm direitos iguais nos campi católicos. Eles ensinam sobre preservativos, o estilo de vida homossexual e a eutanásia. Os estabelecimentos católicos de ensino querem ser como os outros. Querem se adaptar ao sistema, mas infelizmente o sistema é imoral. Assim, a condição da Igreja é muito triste a partir desse ponto de vista. Além desses problemas existe o fato de que a Igreja está dilacerada por facções. A grande maioria dos católicos nos países ocidentais agora foram afastados da Igreja como ela era. Eles não rezam mais da mesma maneira. Eles não pensam mais da mesma maneira. O jejum e a abstinência acabaram. Nossa Igreja está sendo completamente secularizada porque a fé verdadeira desapareceu. (Escrito em 1991)
 
O Padre Malachi Martin escreveu
Muita coisa ainda há para ser revelada para que sirva como farol àqueles que permanecem nas trevas impostas por um Sínodo que se dizia “pastoral” com intenção sub-reptícia de calar as vozes daqueles que percebessem que se tratava de um engodo e se manifestassem contrariamente.
 
“Em toda parte levantaram-se os católicos fiéis, na época, para denunciar os erros da nova pastoral introduzida no Concílio Vaticano II. Porém, pouco a pouco, a hierarquia os silenciou, quer pela falsa obediência, quer pelo ostracismo e a marginalidade.
Já não tinham voz ativa, e quando denunciavam os erros do pós-Concílio, não lhes davam crédito. Os papas que fizeram o Concílio, João XXIII e Paulo VI, repetiam que estavam apenas tratando da “pastoral”, abrindo as portas da Igreja aos novos tempos. E afirmavam, como hoje, não tratarem de dogmas e da doutrina. Esta é a segunda característica do cisma. Além de ter sido realizado por membros da própria hierarquia, acalmavam os conservadores com essa palavra de ordem: “pastoral”.
 
“O final da 2ª Grande Guerra iniciou um desmoronamento impressionante, uma avalanche que não acaba. Todos os parâmetros da vida honesta foram alterados, e a virtude deixou de ser critério do bem e do mal.
No início, acreditavam os católicos que a Igreja, seria o bastião seguro, a ilha intocável e divina, protegida de ataque tão poderoso e destruidor. De fato, parecia ela manter-se de pé no meio da ruína, como em quadro fantástico de uma cena de fim de mundo. Porém, embora as paredes externas da Igreja estivessem ainda de pé, lá dentro, nos vasos capilares da vida espiritual do seu clero, já não corria a seiva sobrenatural da fé verdadeira. Contaminada por um sopro do espírito mal, tendo aberto as portas ao mundo, num anti-concílio de efeito contrário ao movimento de sustentação do mundo, a Igreja esvaziou-se da vida imortal, aceitando dentro de si um pensamento profano, humanista, hoje banalizado a um nível jamais concebido, depois de ter rebaixado a santidade de todos os seus sacramento e ritos.
Era o último obstáculo que caia. O mundo estava entregue ao seu mestre, que o dominou completamente, levando a cabo a destruição do que restava ainda de vida natural, de família e de bem.” (Excerto do Editorial da Revista Permanência n.º 273)
 
Eis o ar renovado que o Papa João XXIII disse que iria entrar pelas portas e janelas abertas em 8 de dezembro de 1965. Ele não considerou que esse ar era o próprio Satanás e Paulo VI não percebeu ou não quis perceber o que o futuro reservava. No dia do juízo final haverão de prestar contas.

sábado, 19 de março de 2016

O QUE ESTOU FAZENDO AQUI

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 8 de fevereiro de 2016

A característica fundamental das ideologias é o seu caráter normativo, a ênfase no “dever ser”. Todos os demais elementos do seu discurso, por mais denso ou mais ralo que pareça o seu conteúdo descritivo, analítico ou explicativo, concorrem a esse fim e são por ele determinados, ao ponto de que as normas e valores adotados decidem retroativamente o perfil da realidade descrita, e não ao inverso.
Isso não quer dizer que às ideologias falte racionalidade: ao contrário, elas são edifícios racionais, às vezes primores de argumentação lógica, mas construídos em cima de premissas valorativas e opções seletivas que jamais podem ser colocadas em questão.
Daí que, como diz A. James Gregor, o grande estudioso do fenômeno revolucionário moderno, o discurso ideológico seja “enganosamente descritivo”: quando parece estar falando da realidade, nada mais faz do que buscar superfícies de contraste e pontos de apoio para o “mundo melhor” cuja realização é seu objetivo e sua razão de ser.
Se o cidadão optou pelo socialismo, ele descreverá o capitalismo como antecessor e adversário, suprimindo tudo aquilo que, na sociedade capitalista, não possa ser descrito nesses termos.
Se escolheu a visão iluminista da democracia como filha e culminação da razão científica, descreverá o fascismo como truculência irracional pura, suprimindo da História as décadas de argumentação fascista – tão racional quanto qualquer outro discurso ideológico – que prepararam o advento de Mussolini ao poder.
Tendo isso em vista, a coisa mais óbvia do mundo é que nenhum dos meus escritos e nada do que eu tenha ensinado em aula tem caráter ideológico, e que descrever-me como “ideólogo da direita”, ou ideólogo do que quer que seja, só vale como pejorativo difamatório, tentativa de me reduzir à estatura mental do anão que assim me rotula.
Podem procurar nos meus livros, artigos e aulas. Não encontrarão qualquer especulação sobre a “boa sociedade”, muito menos um modelo dela.
Posso, no máximo, ter subscrito aqui ou ali, de passagem e sem lhe prestar grande atenção, este ou aquele preceito normativo menor em economia, em educação, em política eleitoral ou em qualquer outro domínio especializado, sem nenhuma tentativa de articulá-los e muito menos de sistematizá-los numa concepção geral, numa “ideologia”.
Isso deveria ser claro para qualquer pessoa que saiba ler, e de fato o seria se a fusão de analfabetismo funcional, malícia e medo caipira do desconhecido não formasse aquele composto indissolúvel e inalteravelmente fedorento que constitui a forma mentis dos nossos “formadores de opinião” hoje em dia (refiro-me, é claro, aos mais populares e vistosos e à sua vasta platéia de repetidores no universo bloguístico, não às exceções tão honrosas quanto obscuras, das quais encontro alguns exemplos neste mesmo Diário do Comércio).
É óbvio que essas pessoas são incapazes de raciocinar na clave do discurso descritivo. Não dizem uma palavra que não seja para “tomar posição”, ou melhor, para ostentar uma auto-imagem lisonjeira perante os leitores, devendo, para isso, contrastá-la com algum antimodelo odioso que, se não for encontrado, tem de ser inventado com deboches, caricaturações pueris e retalhos de aparências.
A coisa mais importante na vida, para essas criaturas, é personificar ante os holofotes alguns valores tidos como bons e desejáveis, como por exemplo “a democracia”, “os direitos humanos”, “a ordem constitucional”, “a defesa das minorias”, etc. e tal, colocando nos antípodas dessas coisas excelentíssimas qualquer palavra que lhes desagrade.
Alguns desses indivíduos tiveram as suas personalidades tão completamente engolidas por esses símbolos convencionais do bem, que chegam a tomar qualquer reclamação, insulto ou crítica que se dirija às suas distintas pessoas como um atentado contra a democracia, um virtual golpe de Estado.
O desejo de personificar coisas bonitas como a democracia e a ordem constitucional é aí tão intenso que, no confronto entre esquerda e direita, os dois lados se acusam mutualmente de “golpistas” e “fascistas”. Melhor prova de que se trata de meros discursos ideológicos não se poderia exigir.
Da minha parte, meus escritos políticos dividem-se entre a busca de conceitos descritivos cientificamente fundados e a aplicação desses conceitos ao diagnóstico de situações concretas, complementado às vezes por prognósticos que, ao longo de mais de vinte anos, jamais deixaram de se cumprir.
Dessas duas partes, a primeira está documentada nas minhas apostilas de aulas (especialmente dos cursos que dei na PUC do Paraná), a segunda nos meus artigos de jornal.
Os leitores destes últimos não têm acesso direto à fundamentação teórica, mas encontram neles indicações suficientes de que ela existe, de que não se trata de opiniões soltas no ar, mas, como observou Martin Pagnan, de ciência política no sentido estrito em que a compreendia o seu mestre e amigo, Eric Voegelin.
Não há, entre os mais incensados “formadores de opinião” deste país — jornalísticos ou universitários –, um só que tenha a capacidade requerida, já não digo para discutir esse material, mas para apreendê-lo como conjunto.
Descrevo aí as coisas como as vejo por meio de instrumentos científicos de observação, pouco me importando se vou “dar a impressão” de ser democrata ou fascista, socialista, neocon, sionista, católico tradicionalista, gnóstico ou muçulmano.
Tanto que já fui chamado de todas essas coisas, o que por si já demonstra que os rotuladores não estão interessados em diagnósticos da realidade, mas apenas em inventar, naquilo que lêem, o perfil oculto do amigo ou do inimigo, para saber se, na luta ideológica, devem louvá-lo ou achincalhá-lo.
A variedade mesma das ideologias que me atribuem é a prova cabal de que não subscrevo nenhuma delas, mas falo numa clave cuja compreensão escapa ao estreito horizonte de consciência dos ideólogos que hoje ocupam o espaço inteiro da mídia e das cátedras universitárias.
Suas reações histéricas e odientas, suas poses fingidas de superioridade olímpica, sua invencionice entre maliciosa e pueril, seus afagos teatrais de condescendência paternalista entremeados de insinuações pérfidas, são os sintomas vivos de uma inépcia coletiva monstruosa, como jamais se viu antes em qualquer época ou nação.
O que neste país se chama de “debate político” é de uma miséria intelectual indescritível, que por si só já fornece a explicação suficiente do fracasso nacional em todos os domínios – economia, segurança pública, justiça, educação, saúde, relações internacionais etc.
Digo isso porque a intelectualidade falante demarca a envergadura e a altitude máximas da consciência de um povo. Sua incapacidade e sua baixeza, que venho documentando desde os tempos do Imbecil Coletivo (1996), mas que depois dessa época vieram saltando do alarmante ao calamitoso e daí ao catastrófico e ao infernal, refletem-se na degradação mental e moral da população inteira.
De todos os bens humanos, a inteligência –e inteligência não quer dizer senão consciência –se distingue dos demais por um traço distintivo peculiar: quanto mais a perdemos, menos damos pela sua falta. Aí as mais óbvias conexões de causa e efeito se tornam um mistério inacessível, um segredo esotérico impensável. A conduta desencontrada e absurda torna-se, então, a norma geral.
Durante quarenta anos, os brasileiros deixaram, sem reclamar, que seu país se transformasse no maior consumidor de drogas da América Latina; deixaram que suas escolas se tornassem centrais de propaganda comunista e bordéis para crianças; deixaram, sem reclamar, que sua cultura superior fosse substituída pelo império de farsantes semi-analfabetos; deixaram, sem reclamar, que sua religião tradicional se prostituísse no leito do comunismo, e correram para buscar abrigo fictício em pseudo-igrejas improvisadas onde se vendiam falsos milagres por alto preço; deixaram, sem reclamar, que seus irmãos fossem assassinados em quantidades cada vez maiores, até que toda a nação tivesse medo de sair às ruas e começasse a aprisionar-se a si própria atrás de grades impotentes para protegê-la; deixaram, sem reclamar, que o governo tomasse as suas armas, e até se apressaram em entregá-las, largando suas famílias desprotegidas, para mostrar o quanto eram bonzinhos e obedientes. Depois de tudo isso, descobriram que os políticos estavam desviando verbas do Estado, e aí explodiram num grito de revolta: “Não! No nosso rico e santo dinheirinho ninguém mexe!”
A rebelião popular contra os comunolarápios não nasce de nenhuma indignação moral legítima, mas emana da mesma mentalidade dinheirista que inspira os corruptos mais cínicos.
Não só o dinheiro é aí o valor mais alto, talvez o único, mas tudo parece inspirar-se na regra: “Eu também quero, senão eu conto para todo mundo.” É óbvio que, se essa mentalidade não prevalecesse no nosso meio social, jamais a corrupção teria subido aos níveis estratosféricos que alcançou com o Mensalão, o Petrolão etc.
O ódio ao mal não é sinal de bondade e honradez: faz parte da dialética do mal odiar-se a si mesmo, mover guerra a si mesmo e proliferar por cissiparidade.
O mais significativo de tudo é que fenômeno de teratologia moral tão patente, tão visível e tão escandaloso não mereça sequer um comentariozinho num jornal, quando deveria ser matéria de mil estudos sociológicos.
Querem maior prova de que os luminares da mídia e das universidades não têm o menor interesse em conhecer a realidade, mas somente em promover suas malditas agendas ideológicas?
Foi por isso que, mais de vinte anos atrás, cheguei à conclusão de que toda solução política para os males do país estava, desde a raiz, inviabilizada pelo caráter fútil e perverso das discussões públicas.
Só havia um meio – difícil e trabalhoso, mas realista — de mudar para melhor o curso das coisas neste país, e esse curso não passava pela ação político-eleitoral. Era preciso seguir, “sem parar, sem precipitar e sem retroceder”, como ensinava o Paulo Mercadante, as seguintes etapas:
1. Revigorar a cultura superior, treinando jovens para que pudessem produzir obras à altura daquilo que o Brasil tinha até os anos 50-60 do século passado.
2. Higienizar, assim, o mercado editorial e a mídia cultural, criando aos poucos um novo ambiente consumidor de alta cultura e saneando, dessa maneira, os debates públicos.
3. Sanear a grande mídia, mediante pressão, boicote e ocupação de espaços.
4. Sanear o ambiente religioso — católico e protestante.
5. Sanear, gradativamente, as instituições de ensino.
6. Por fim, elevar o nível do debate político, fazendo-o tocar nas realidades do país em vez de perder-se em chavões imateriais e tiradas de retórica vazia. Esta etapa não seria atingida em menos de vinte ou trinta anos, mas não existe “caminho das pedras”, não há solução política, não há fórmula ideológica salvadora. Ou se percorrem todas essas etapas, com paciência, determinação e firmeza, ou tudo não passará de uma sucessão patética de ejaculações precoces.
Esse é o projeto a que dediquei minha vida, e do qual os artigos que publico na mídia não são senão uma amostra parcial e fragmentária. Imaginar que fiz tudo o que fiz só para criar um “movimento de direita” é, na mais generosa das hipóteses, uma estupidez intolerável.
Quanto ao ítem número um, não se impressionem com os apressadinhos que, tendo absorvido superficialmente alguns ensinamentos meus, já quiseram sair por aí, brilhando e pontificando, numa ânsia frenética de aparecer como substitutos melhorados do Olavo de Carvalho.
Esses são apenas a espuma, bolhas de sabão que o tempo se encarregará de desfazer. Tenho ainda uma boa quantidade de alunos sérios que continuam se preparando, em silêncio, para fazer o bom trabalho no tempo devido.


domingo, 27 de dezembro de 2015

COMUNISMO E FASCISMO - IRMÃOS SIAMESES

Posted: 26 Dec 2015 02:11 AM PST

"Primeiro a sentença, depois o veredicto!", gritou a Rainha ("Alice no País das Maravilhas")

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S Azambuja

O comunismo e o fascismo são filhos da I Guerra Mundial, inimigos gêmeos, embora seja verdade que Lenin estivesse preparando suas concepções políticas desde o início do século. Todavia, também muitos dos elementos que deram forma, uma vez articulados, à ideologia fascista, preexistem à guerra. O Partido Bolchevique tomou o poder em 1917, graças à guerra, e Mussolini e Hitler constituíram seus partidos nos anos imediatamente seguintes a 1918, como resposta à crise nacional produzida pelo resultado da guerra.

O ódio recíproco de um pelo outro foi fundamental para o desenvolvimento dos dois movimentos. O fascismo alimentando-se do medo do comunismo e vice-versa. Isso, todavia, não impediu a União Soviética de ter tido boas relações com a Itália de Mussolini até meados dos anos 30 e de dar apoio à direita alemã em 1920 contra os vencedores da 1ª Guerra Mundial.  Posteriormente, a Alemanha de Hitler e a União Soviética, entre 1939 e 1941, durante a 2ª Guerra Mundial, foram aliados, como veremos a seguir. Por outro lado, a estratégia de "classe contra classe", ditada pelo Komintern ao Partido Comunista Alemão, constituiu-se em fator de força para a ascensão de Hitler ao Poder, em 1933, pois dividiu a esquerda alemã.

O mais interessante é a comparação interna das duas ideologias. Embora o fascismo não tivesse o mesmo pedigree filosófico do marxismo, os dois nasceram, como partidos de massa, na mesma época, logo depois da 1ª Guerra Mundial. A vitória da Revolução Bolchevique, na Rússia, foi uma resposta em nome do proletariado, e a chegada de Hitler ao poder, em 1933, na Alemanha, constituiu outra resposta, em nome da Nação.

Bolchevismo e fascismo, no entanto, tiveram a mesma matriz e o mesmo projeto de acabar com a dominação da burguesia. As duas ideologias se caracterizaram por um extraordinário voluntarismo, porque julgavam que a tomada do poder permitiria revolucionar as condições do contrato social, submetendo a economia ao controle do partido e suprimindo a liberdade das pessoas.

O Komintern, que, repetimos, nada mais era do que a vontade de Stalin transmitida a todos os partidos comunistas do mundo, facilitou, de certo modo, o desenvolvimento da extrema-direita, face às táticas que aprovou e difundiu, para poder denunciar o fascismo. Por absoluta carência de idéias sobre o que seria a sociedade comunista, essa esquerda bolchevista refugiou-se nas facilidades proporcionadas pelo antifascismo, uma palavra-de-ordem que unia comunistas e não-comunistas.

Um adolescente de hoje, no Ocidente, não seria capaz de conceber as paixões nacionais que levaram os povos europeus a se matarem uns aos outros durante quatro anos. A I Guerra Mundial foi uma luta travada entre Estados soberanos em nome de paixões nacionais, embora esse seu caráter não pudesse ser vislumbrado na época, e seus prolongamentos menos ainda. Esta foi a fundamental diferença com a II Guerra Mundial, quase que inscrita antecipadamente nas circunstâncias e nos regimes da década de 30 e, por isso, tristemente dotada desse eco tão duradouro, que a prolongou até a queda do Muro de Berlim. Ou seja, até nós.

O bolchevismo viu-se fortalecido na Europa por sua radical oposição à guerra, desde seu início, em 1914, e teve a vantagem de conferir um sentido a esses anos terríveis graças ao prognóstico precoce que fez sobre eles. Isso concorreu de forma eficaz para levá-lo à vitória revolucionária de Outubro. Ao caráter feroz da guerra, ele ofereceu remédios não menos ferozes. O que a hecatombe teve de inaudita encontrou, através de Lenin, responsáveis e bodes expiatórios: o imperialismo, os monopólios capitalistas, a burguesia internacional.
Com isso, os bolcheviques definiram, em proveito próprio, que seriam esses os inimigos a serem derrotados: uma classe internacional, que deveria ser vencida pelo proletariado mundial.

Em 1917, o que contava era a proclamação bolchevique da revolução mundial. De um "putsch" bem sucedido, dirigido por um chefe comunista audacioso, no país mais atrasado da Europa, a conjuntura fez dele um acontecimento modelo, destinado a orientar a História Universal, exatamente, como em seu tempo, fez a Revolução Francesa. Através do cansaço geral da guerra e da cólera dos povos vencidos, a ilusão que Lenin forjou com sua ação logo viria a ser compartilhada por milhões de pessoas.

Enquanto os bolcheviques tomaram o poder aproveitando-se da anarquia, os nazistas, em 1933, o tomaram brandindo o temor à anarquia. Ambos submeteram a si o Estado e, através dele e, principalmente, do partido, passaram a controlar toda a sociedade.
Ambos criaram um "inimigo do povo": o burguês, para Stalin, e o judeu, para Hitler, pois era necessário que a eventualidade de uma conspiração contra o Estado permanecesse onipresente, a fim de que o povo ficasse mobilizado e o regime, eternizado.

A ironia é que os dois regimes totalitários, idênticos quanto à sua pretensão de Poder absoluto, apresentavam-se cada um como sendo opositor ao perigo representado pelo outro.

Em toda a Europa, os militantes revolucionários remobilizados pela situação política, achavam que Lenin lhes oferecia um modelo.  Assim, rapidamente foi efetuada a bolchevização de uma parte considerável da esquerda européia, bolchevização essa que, embora tenha fracassado em levar seus partidários ao Poder, deixou partidos e idéias feitas sob um modelo único em toda a Europa e logo depois em todo o mundo.

Em seguida, foi esquecido o que a Revolução Bolchevique tinha de russo pelo que ela tinha de universal. Sobre o Palácio de Inverno, dos czares, a estrela vermelha com a foice e o martelo passou a encarnar a revolução mundial, e as peripécias da História iriam reduzindo ou dilatando, a cada geração, o prestígio desse mito, sem nunca extinguí-lo, até que Gorbachev, o último dos bolcheviques, se encarregasse, inadvertidamente, de fazê-lo com a ajuda de duas palavrinhas: "perestroika" e "glasnost".

O fascismo, por sua vez, surgiu como uma reação do particular contra o universal; do povo contra a classe; do nacional contra o internacional. Embora em suas origens ele seja inseparável do comunismo, combateu seus objetivos ao mesmo tempo em que imitou seus métodos.

O exemplo clássico é o da Itália. Fundador do fascismo em março de 1919 - mesma época em que Lenin fundava a III Internacional -, Mussolini pertencera à ala revolucionária do movimento socialista em seu país. O fascismo, com seus grupos de combate paramilitares, somente nos anos 20 e 21 ganharia extensão nacional, na batalha contra as organizações revolucionárias de trabalhadores agrícolas do norte da Itália. Uma verdadeira guerra civil que mostrou, pela primeira vez, a fraqueza do Estado liberal frente às duas forças em luta.

No caso de Hitler, o Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores existia antes dele, mas somente ganhou consistência a partir de 1919, quando da filiação de Hitler, que o animou com sua eloqüência. Embora não tivesse um passado socialista, Hitler era um admirador de Mussolini, e atribuiu à doutrina um adjetivo que iria facilitar sua ascensão: nacional-socialista.

A inovação de Hitler com relação a Mussolini foi a erradicação dos judeus, símbolos, ao mesmo tempo, do bolchevismo e do capitalismo, considerados uma potência cosmopolita demoníaca. A eles, Hitler alimentou um ódio ecumênico que reunia duas abominações distintas: o ódio ao dinheiro e o ódio ao comunismo. Oferecer à abominação, conjuntamente, o burguês e o bolchevique, através do judeu, pode ser considerada a grande "invenção" de Hitler.

Sem dúvida, o Tratado de Versalhes, ao final da I Guerra, não deixou de ter uma parte de responsabilidade sobre isso. Mas é preciso ter em conta, também, que tão logo foi dado o último tiro de canhão, defender a Nação contra a revolução comunista tornou-se mais urgente do que ensiná-la a viver em uma nova ordem internacional na qual a Alemanha já entrava enfraquecida. A prioridade do bolchevismo criou, portanto, seu antípoda: a prioridade do anti-bolchevismo.

Sem complexos de tomar emprestado o que era preciso das idéias da revolução, o fascismo passou a exaltar desmedidamente a ameaça bolchevique, e vice-versa.

Bolchevismo e fascismo entraram, portanto, quase juntos, no teatro da História. Embora ideologias relativamente recentes, hoje nos parecem - conforme o caso - absurdas, deploráveis e criminosas. No entanto, uma contra a outra fizeram a História deste século, mobilizando esperanças e paixões em milhões de pessoas.

O que torna inevitável uma comparação entre fascismo e bolchevismo não é apenas o fato de terem surgido quase simultaneamente. É também sua dependência mútua: o fascismo surgiu como uma reação ao comunismo, e o comunismo parece ter prolongado o seu tempo de vida graças ao anti-fascismo. Os Gulags, no entanto, são anteriores a Auschwitz, onde os judeus foram eliminados em escala industrial.

Embora tenham sido inimigos declarados, não deixaram de ser, também, inimigos-cúmplices.  A vontade de se combaterem os uniram, como comprovou o Pacto assinado em agosto de 1939 entre Hitler e Stalin.

O regime soviético sob Stalin, no início da década de 30, no entanto, não tem precedentes em toda a História, pois não se assemelha a nada que jamais tenha existido. Nunca um Estado teve como objetivo matar, deportar ou reduzir à servidão os seus camponeses e nunca um partido substituiu tão completamente um Estado. Nunca uma ditadura teve um poder tão grande em nome de uma mentira tão completa e, contudo, tão poderosa e tão perfeita sobre as mentes, que fazia com que os que a temiam ao mesmo tempo saudassem seus fundamentos.

A maior motivação para a cumplicidade entre o comunismo e o fascismo era a existência de um adversário comum, que as duas doutrinas inimigas exorcizavam através da idéia de que, naqueles anos, a democracia, pela qual fascistas e comunistas sempre manifestaram a mesma repulsa e que constituía o terreno ideal para a expansão de ambos, estivesse agonizante.

A sedução fundamental do marxismo era o seu caráter universalista, e o sentimento de igualdade entre todos os homens era o seu motor psicológico principal. O fascismo, por sua vez, recorreu, para destruir o individualismo burguês, apenas a frações da humanidade: à Nação e à raça. Estas, por definição, excluíam aqueles que dela não faziam parte, e até se posicionavam contra eles. Isso se refletia em uma suposta superioridade sobre os demais grupos de pessoas e de um constante antagonismo frente a eles. Àqueles que não tiveram a sorte de fazer parte da raça superior ou da Nação eleita, o fascismo propunha a opção entre a resistência sem esperança, a submissão sem honra, ou a câmara de gás.

O militante bolchevique, ao contrário, propalava ter como objetivo a emancipação do gênero humano. A revolução bolchevique pretendia-se mais universal, porque proletária. Libertaria o proletariado da única coisa que este tinha a perder: suas correntes, como escreveu Marx no Manifesto.

Todavia, o partido, dirigido por um seleto coletivo cuja opinião do primeiro dentre eles sempre foi a preponderante, sempre se intitulou o "estado-maior da classe operária". A dissolução da Assembléia Nacional Constituinte, em janeiro de 1918, no primeiro dia do seu funcionamento, a interdição dos demais partidos, a eliminação do discenso dentro do partido único, substituíram o poder da lei pelo poder absoluto do Secretário-Geral.  A palavra-de-ordem de Lenin, antes da revolução, de "todo o poder aos sovietes", não passou de uma palavra-de-ordem, pois jamais foi posta em prática.

Nessas condições, o espantoso não é que o universalismo bolchevique tenha suscitado, desde sua origem, tantos e tão ferozes adversários. O espantoso é que, isto sim, tenha encontrado tantos e tão incondicionais partidários, principalmente entre as classes mais instruídas.

Finalmente, resta uma referência sobre a analogia entre comunismo e fascismo:

Stalin exterminou milhões de compatriotas seus em nome da luta pela criação do homem-novo, e Hitler fez o mesmo a milhões de judeus, em nome da pureza da super-raça, a raça ariana.

Além disso, existiam afinidades várias e definitivas: ambos não tinham temor a Deus e eram hostis à religião e às crenças; ambos substituíram a autoridade divina pela força da evolução e do determinismo histórico; e ambos desprezavam as leis em nome de uma suposta "vontade política das massas", combatendo o presente sob a bandeira de um futuro redentor.

No entanto, existiam também diferenças, sendo a fundamental a de o fascismo ter encontrado seu berço em sociedades desenvolvidas, como o norte da Itália e a Alemanha; e o comunismo em "uma sociedade medieval, primitiva e amorfa" - conforme expressão utilizada por Antonio Gramsci, fundador do Partido Comunista Italiano -, o que parece comprovar que a educação e o desenvolvimento não conduzem, necessariamente, a comportamentos políticos racionais.

Carlos Ilich Santos Azambuja é Historiador.


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

SÍNODO DA FAMÍLIA

APELO DE MÉDICA CAI COMO UMA BOMBA NO SÍNODO DA FAMÍLIA.
17/10/2015

“A missão da Igreja é a de salvar as almas. O mal, neste mundo, provém do pecado, e não da desigualdade de renda nem das mudanças climáticas”.

A doutora Anca-Maria Cernea, uma médica do Center for Diagnosis and Treatment – Victor Babes (Centro de Diagnóstico e Tratamento – Victor Babes) e Presidente da Associação dos Médicos Católicos de Bucareste (Romênia), apresentou ao sínodo, aos 16 de outubro, o seguinte apelo ao Papa Francisco e aos padres sinodais:

Santidade, Padres sinodais, irmãos e irmãs,

Eu represento a Associação dos Médicos Católicos de Bucareste.
Pertenço à Igreja Grego-Católica Romena.

Meu pai era um líder político cristão que foi preso pelos comunistas por 17 anos. Meus pais estavam noivos, prestes a se casar, mas o casamento deles ocorreu 17 anos depois.

Minha mãe esperou por meu pai por todos esses anos, mesmo sem saber se ainda estava vivo. Foram heroicamente fiéis a Deus e ao compromisso deles.

O exemplo deles mostra que, com a Graça de Deus, se pode superar terríveis dificuldades sociais e a pobreza material.

Nós, como médicos católicos, em defesa da vida e da família, podemos ver que, antes de tudo, se trata realmente de uma batalha espiritual.

A pobreza material e o consumismo não são as causas principais da crise da família.
A causa principal da revolução sexual e cultural é ideológica.

Nossa Senhora de Fátima disse que a Rússia espalharia os seus erros pelo mundo.

Isso aconteceu primeiro com a violência: o marxismo clássico matou dezenas de milhões de pessoas.

Agora acontece, sobretudo, com o marxismo cultural. Há uma continuidade entre a revolução sexual de Lenin, passando por Gramsci e a Escola de Frankfurt, até à hodierna defesa ideológica dos “direitos” dos gays.

O marxismo clássico pretendia redesenhar a sociedade, através da violenta apropriação dos bens.

Agora, a revolução vai ainda mais a fundo: pretende redefinir a família, a identidade sexual e a natureza humana.

Essa ideologia se autodenomina “progressista”. Mas nada mais é do que a oferta da antiga serpente ao homem no sentido de assumir o controle, de substituir Deus, de organizar a Salvação aqui, neste mundo.

É um erro de natureza religiosa: é o gnosticismo.

É tarefa dos pastores reconhecê-lo, e alertar o rebanho contra este perigo.

 “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6,33).

A missão da Igreja é a de salvar as almas. O mal, neste mundo, provém do pecado, e não da desigualdade de renda nem das “mudanças climáticas”.

A solução é a Evangelização, a conversão.
Não pode ser (a solução) um sempre crescente controle do governo. Não pode ser nem mesmo um governo mundial. São exatamente estes, hoje, os principais atores que impõem o marxismo cultural nas nossas nações, através do controle da população, a “saúde reprodutiva”, os “direitos” dos homossexuais, a educação de gênero etc.

O que o mundo precisa, hoje mais do que nunca, não é a limitação da liberdade, mas a verdadeira liberdade: a libertação do pecado. A Salvação.

A nossa Igreja foi suprimida pela ocupação soviética [refere-se à história da Romênia, em particular. NdT]. Mas nenhum dos nossos doze bispos traiu a comunhão com o Santo Padre. A nossa Igreja tem sobrevivido graças à determinação e ao exemplo dos nossos bispos, os quais têm resistido ao cárcere e ao terror.

Os nossos bispos pediram à comunidade para não seguir o mundo, para não cooperar com os comunistas.

Agora precisamos que Roma diga ao mundo:

“Arrependei-vos de vossos pecados e convertei-vos, porque o Reino de Deus está próximo”.

Não só nós, os leigos católicos, mas também muitos cristãos ortodoxos, rezamos com ansiedade por este sínodo, pois, como se diz, se a Igreja Católica cede ao espírito do mundo, então é muito difícil também para todos os outros cristãos resistir.

Dr.ª Anca-Maria Cernea – Fonte: lifesitenews.com